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  • Senado dos EUA adota resolução para limitar poderes de guerra de Trump

    Resolução é simbólica já que não pode se transformar em lei WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, 23, uma resolução que busca limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump e pode suspender, por exemplo, toda a ação militar ou ameaças feitas pelo líder republicano contra o Irã. O resultado evidencia um descontentamento crescente entre parlamentares, inclusive do mesmo partido do presidente, com a guerra, que é impopular. O resultado é mais simbólico do que prático, uma vez que se trata de um tipo de instrumento legislativo que não precisa da assinatura do presidente para entrar em vigor, mas que também não se transforma em lei, segundo o jornal The New York Times. A proposta foi aprovada por 50 votos a 48 e recebeu o apoio de quase todos os senadores democratas e de quatro republicanos. Só um representante do partido opositor votou contra a medida, e dois republicanos não participaram da votação. O texto já havia passado pela Câmara no início deste mês. A votação ocorreu durante negociações conduzidas pelo governo para a construção de um acordo de paz com o regime iraniano. Ainda não está claro, porém, qual será o impacto prático da resolução sobre o conflito ou sobre as tratativas diplomáticas em andamento. Pelo acordo firmado, os ataques entre as partes estão, ao menos por ora, suspensos. A resolução determina que Trump retire as forças dos EUA das hostilidades envolvendo o Irã. O governo, porém, diz que a proposta é inconstitucional e, por isso, não possui caráter vinculante. O Executivo argumenta que o Congresso não pode restringir dessa forma a autoridade do presidente como comandante das Forças Armadas. O alcance jurídico da resolução também divide especialistas. Embora represente uma demonstração formal da posição do Congresso, ainda não há consenso sobre sua capacidade de obrigar o governo a mudar sua atuação militar. Para Scott Anderson, pesquisador sênior da Brookings Institution e editor da publicação jurídica Lawfare, a tendência é que a Casa Branca ignore a medida. Segundo ele, a questão provavelmente acabará sendo discutida nos tribunais. "O Poder Executivo provavelmente ignorará a medida por motivos constitucionais, e não está claro quem teria legitimidade para entrar com uma ação judicial para fazê-la cumprir", disse ele à agência Reuters. Em 1983, a Suprema Corte dos EUA estabeleceu que, para produzir efeitos jurídicos fora do âmbito do Congresso, atos legislativos precisam, em regra, ser aprovados pelas duas Casas e encaminhados ao presidente, que pode sancioná-los ou vetá-los, segundo o New York Times. No entanto, os defensores da resolução aprovada nesta terça afirmam que as medidas relacionadas aos poderes de guerra têm uma lógica diferente. Eles argumentam que a Constituição atribui ao Congresso, de forma exclusiva, a autoridade para declarar guerra, o que justificaria um tratamento diferenciado nesses casos. Ainda assim, essa interpretação nunca foi julgada de maneira definitiva pela Suprema Corte. Por isso, especialistas dizem que o efeito da aprovação pelos parlamentares deverá, por ora, ser nulo. De qualquer forma, a aprovação nas duas Casas do Congresso aumenta a pressão sobre o governo Trump para buscar uma saída negociada para a crise. A medida representa ainda uma repreensão ao presidente e à forma como ele tem conduzido o conflito. A guerra começou em 28 de fevereiro e, desde então, tem gerado questionamentos sobre os custos políticos e estratégicos do envolvimento militar dos EUA. Na véspera, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou que houve avanços nas negociações com o Irã e que o país persa concordou em permitir a entrada de inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica. A declaração ocorreu na Suíça, durante a primeira rodada de negociações entre as partes para encerrar o conflito. Em declaração conjunta, Qatar e Paquistão, que atuam como mediadores, afirmaram que os EUA e o Irã concordaram com um roteiro para um acordo final em 60 dias e que as autoridades alcançaram "avanços encorajadores". Ainda de acordo com o jornal The New York Times, porém, a votação ocorreu em um momento em que os republicanos no Congresso manifestam ceticismo em relação ao acordo de cessar-fogo firmado por Trump com os iranianos. ** Com Reuters **

  • Projeto para aumentar segurança de crianças nas redes ganha impulso no Congresso dos EUA

    Congressistas buscam acordo para garantir privacidade de menores nas redes sociais WASHINGTON - O apoio está crescendo tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado dos Estados Unidos para iniciativas concorrentes destinadas a aprovar, ainda neste verão, uma legislação de segurança on-line para crianças. Isso aumenta as chances de um avanço após anos em que o lobby das grandes empresas de tecnologia e disputas partidárias impediram a aprovação das propostas. Os projetos ainda enfrentam obstáculos significativos, incluindo divergências entre as duas casas legislativas e questões não resolvidas sobre se a legislação afetará regulamentações estaduais relacionadas à inteligência artificial. No entanto, um acordo bipartidário anunciado na segunda-feira na Câmara, aliado a um novo senso de urgência no Senado, pode abrir caminho para um consenso. O acordo da Câmara, anunciado pelos líderes de um importante comitê, inclui uma disposição que exigiria que plataformas de mídia social, como a Meta e o Google, da Alphabet, configurassem por padrão fortes mecanismos de privacidade e segurança para menores de idade. “Ao empoderar os pais, estabelecer a segurança como configuração padrão, fortalecer a privacidade de crianças e adolescentes, aumentar a transparência em torno dos corretores de dados e responsabilizar as Big Techs, a Lei KIDS oferece as proteções do século XXI que os pais exigem e que nossas crianças merecem”, afirmaram em comunicado divulgado na segunda-feira o presidente do Comitê de Energia e Comércio, Brett Guthrie, e o principal democrata do colegiado, Frank Pallone. No Senado, a republicana do Tennessee Marsha Blackburn está defendendo sua própria proposta, que vai além da legislação aprovada pela Câmara. O projeto inclui uma cláusula de “dever de cuidado” (duty of care), que tornaria as empresas responsáveis por recomendar conteúdos que incentivem transtornos alimentares, bullying on-line e outros comportamentos potencialmente prejudiciais. Ela vem negociando com a Casa Branca um acordo para incluir essa linguagem em um pacote legislativo mais amplo voltado às leis estaduais sobre inteligência artificial. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, Blackburn defendeu a imposição do dever de cuidado às plataformas de mídia social e enfatizou que a Casa Branca apoia sua abordagem. “Sem um dever de cuidado, as empresas de Big Tech manterão o status quo de colocar o lucro acima da segurança de nossas crianças”, afirmou Blackburn. “Não podemos deixar a segurança infantil on-line ao acaso, e é por isso que sou grata pelo fato de a Casa Branca ter sinalizado apoio ao dever de cuidado.” Empresas de tecnologia como a Meta há muito fazem lobby contra essa disposição, argumentando que ela poderia restringir a liberdade de expressão na internet e seria difícil de aplicar sem que as plataformas conhecessem a idade de seus usuários. A Casa Branca também tem pressionado Blackburn a vincular a Lei de Segurança On-line para Crianças (Kids Online Safety Act — KOSA) a um projeto que exigiria que lojas de aplicativos verificassem a idade de seus usuários, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações. O senador democrata de Connecticut Richard Blumenthal, que trabalha com Blackburn na medida de segurança on-line, classificou o pacote aprovado pela Câmara como uma “capitulação tímida e sem força às Big Techs” e advertiu que ele está “morto no Senado e representa uma traição às famílias”. Entretanto, Blackburn está considerando adicionar um incentivo ao seu projeto para as principais empresas de tecnologia: a prevalência da legislação federal sobre as leis estaduais de segurança em IA. No ano passado, a Casa Branca tentou, sem sucesso, convencer o Congresso a aprovar uma moratória federal sobre leis estaduais relacionadas à inteligência artificial. Isso teria impedido estados como Nova York e Califórnia de aprovarem suas próprias legislações destinadas a responsabilizar empresas por danos causados por seus produtos de IA. Ainda não está claro se essa medida seria suficiente para convencer todas as grandes empresas de tecnologia a apoiar o projeto do Senado. No entanto, autoridades da Casa Branca informaram aos envolvidos nas negociações que o governo Trump considera a segurança on-line das crianças uma de suas principais prioridades legislativas antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, segundo uma pessoa familiarizada com a estratégia de comunicação da administração. **Com Bloomberg**

  • Mulher é atropelada durante protesto em frente à prisão do ICE em NJ

    Mulher foi atingida pelas costas durante manifestação (Foto: Reprodução) NEWARK - Uma mulher foi atropelada neste domingo, 21, em frente ao Delaney Hall, centro de detenção em Nova Jersey, onde centenas de imigrantes estão há mais de um mês em greve de fome. Ela dançava com uma bandeira dos Estados Unidos quando foi atingida pelas costas por um carro esportivo. O Dogdge Challenger vermelho que atropelou a mulher, cuja identidade não foi revelada, era dirigido por um funcionário do presídio, segundo o Indivisible Somerstet County, um grupo de defensores de direitos civis local. Não há informação se o motorista é um agente do ICE ou empregado do GEO Group, empresa que administra a unidade. A vítima, uma jovem de Minessotta, participava da vigília pela soltura dos imigrantes no Dia dos Pais e não precisou de atendimento médico. Autoridades não responderam ao nosso pedido de comentário até a publicação dessa matéria. Manifestações diárias chamam a atenção da população para situações degradantes, incluindo falta de atendimento médico e comida estragada, denunciadas por pelo menos 300 detentos da prisão instalada em Newark há um ano. No domingo, os manifestantes usaram música e amarraram gravatas nas cercas do Delaney Hall em uma ação pacífica contra a prisão de pais de família. **Da Redação**

  • Brasileiro virou 'parceiro' do FBI após incidente com drone em NY

    Gonçalves publicou um vídeo no seu perfil do Instagram para explicar o episódio NOVA YORK - O brasiliense Rodrigo Pereira Gonçalves, de 26 anos, conhecido nas redes como “Rodriguetzfilm”, diz que ficou "parceiraço" da Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) no domingo (14) após passar horas detido pelo uso ilegal de um drone durante um encontro de brasileiros em Nova York . Em um vídeo no seu perfil no Instagram, ele afirma que só decidiu usar o equipamento depois de ver outros drones no local e pedir autorização a um policial. “Eu só gravei com o drone porque tive o aval de um policial, ele falou que podia, mas na verdade não podia”, disse. Gonçalves estava produzindo imagens em evento do Movimento Verde Amarelo, torcida oficial da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, na Ponte do Brooklyn, quando percebeu que tinha perdido o controle do drone que aterrissou em uma área distante. Segundo Gonçalves, ele começou a guardar outros instrumentos na mochila para sair para recuperar o drone quando um agente do FBI à paisana e outros policiais se aproximaram e o repreenderam por usar o equipamento no local. O brasiliense explicou que não sabia da proibição, mas o que de fato o ajudou a sair da situação foi outro vídeo em que ele aparece dançando na chuva na Times Square. A postagem viralizou e foi vista, inclusive, pelos policiais que o reconheceram, conta Gonçalves. O jovem contou que ficou detido por cerca de duas horas e o equipamento foi retido sob multa de US$ 1 mil. Embora seja criador de conteúdo na internet, ele afirma que os vídeos não são monetizados e que na viagem apenas divulga a torcida para "levar a esperança do hexa para o povo brasileiro". A justificativa é importante porque o governo Trump reforçou na semana passada que turistas não podem ganhar dinheiro com conteúdo gerado na Copa. ** Da Redação **

  • EUA intensificam esforço para revogar cidadania

    Administração republicana está direcionando esforços para investigar fraudes em processos de naturalização WASHINGTON - Os Estados Unidos estão intensificando os processos de desnaturalização e planejam abrir pelo menos 250 casos até outubro, de acordo com um alto funcionário do Departamento de Justiça (DOJ). Em menos de dois meses, 29 processos de desnaturalização estão sob análise. O ritmo já superou o de anos anteriores. Entre 2008 e 12 de junho de 2026, foram registrados 166 processos de cassação de cidadania, uma média de menos de dez por ano, de acordo com o Transactional Records Access Clearinghouse da Syracuse University. Os casos abertos pelo governo Trump até agora incluem pessoas acusadas de cometer fraude, abuso sexual de menor ou de ter expressado apoio ao terrorismo antes ou durante o processo de naturalização. Nos bastidores, o DOJ retirou advogados cíveis de diversas divisões — incluindo os designados para investigar fraudes, que o governo definiu como outra prioridade máxima — para conduzir casos de desnaturalização. Os casos também estão sendo encaminhados aos escritórios dos procuradores federais em um momento em que muitos já estão sob enorme pressão. A administração republicana defende que casos de desnaturalização devem ser priorizados "para proteger a integridade da cidadania americana e garantir que as pessoas presentes neste país que desfrutaram dos benefícios da cidadania o façam de forma legal, e que as pessoas certas estejam adquirindo a cidadania." O governo federal tem autoridade, por legislação federal, para avançar na revogação da cidadania de um indivíduo caso ele tenha feito declarações falsas relevantes para o processo de naturalização ou caso a cidadania tenha sido obtida ilegalmente. Os casos de desnaturalização geralmente se enquadram em uma dessas categorias e prosseguem como casos cíveis ou criminais, dependendo das circunstâncias. Na última década, quase 8 milhões de pessoas se tornaram cidadãos naturalizados dos EUA, de acordo com o Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS). A unidade de desnaturalização é composta por 12 advogados que estão trabalhando em um acúmulo de casos e continuam recebendo encaminhamentos do Departamento de Segurança Interna. Isso inclui casos de fraude de identidade, bem como casos de condenações anteriores, casos de criminosos de guerra e casos de terrorismo, disse a fonte ouvida pela reportagem. Os processos são intensivos e demorados, o que é em parte a razão pela qual as administrações anteriores se concentraram principalmente em pessoas envolvidas em crimes de guerra e terrorismo. O governo de Joe Biden, por exemplo, protocolou um total de 24 casos ao longo de quatro anos, de acordo com o DOJ. Em uma declaração no início do mês, o procurador-geral interino Todd Blanche pontuou que "obter a cidadania americana é um privilégio e, sob a liderança inabalável do presidente Trump, este Departamento de Justiça mantém uma política de tolerância zero para o abuso desse processo". **Com Agências **

  • Suprema Corte dos EUA autoriza posse de armas para usuários de maconha

    WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu por unanimidade, nesta quinta-feira, 18, que não se pode proibir que consumidores habituais de maconha possuam uma arma de fogo. A decisão representa uma vitória para os defensores da Segunda Emenda da Constituição americana que estabelece que os cidadãos têm o direito de possuir e portar armas. O caso analisado pelo mais alta corte do país envolvia Ali Hemani, um homem do Texas acusado de posse ilegal de uma pistola Glock após admitir que consumia maconha aproximadamente em dias alternados. Um tribunal de apelações determinou que proibir Hemani, cidadão com dupla nacionalidade americana e paquistanesa, de possuir uma arma violava seus direitos garantidos pela Segunda Emenda. O Departamento de Justiça do presidente republicano Donald Trump, que em geral apoia uma interpretação ampla do direito às armas, contestou essa decisão. Mas a Suprema Corte respaldou o tribunal de apelações e decidiu que processar Hemani é "incompatível com a Segunda Emenda". O juiz Neil Gorsuch, autor da opinião da Corte, observou que as leis sobre a maconha foram flexibilizadas nos últimos anos em grande parte dos EUA. "O governo federal não apenas as tolerou, como também contribuiu para impulsioná-las", afirmou Gorsuch. "Tudo isso o coloca em uma posição difícil para sustentar que os milhões de americanos que atualmente consomem maconha regularmente são categorica e excepcionalmente perigosos." Gorsuch ressaltou, no entanto, que a decisão da Corte se limita à maconha e não aborda tentativas de proibir a posse de armas de fogo por pessoas viciadas em outras drogas. Hunter Biden, filho do ex-presidente democrata Joe Biden, foi condenado com base em uma norma que proíbe a posse de armas de fogo por uma pessoa que seja “usuária ilegal ou dependente de qualquer substância controlada”. A infração é punida com até 15 anos de prisão. Hunter Biden foi perdoado por seu pai pouco antes de ele deixar o cargo no ano passado. A decisão da Suprema Corte no caso Hemani foi celebrada pela American Civil Liberties Union (ACLU). "Considerando que quase metade dos americanos afirma ter consumido maconha alguma vez na vida, esta decisão protege os direitos de milhões de pessoas e limita sanções arbitrárias e discriminatórias do governo", disse Cecillia Wang, diretora jurídica da ACLU. ** Com AFP **

  • Brasileira ganha promoção para assistir Copa do Mundo e EUA negam visto

    Prêmio inclui 2 passagens e cinco diária de hotel (Foto: Arquivo Pessoal) HORTOLÂNDIA - A paulista Raphaela Coiado, 24 anos, ganhou as passagens e a hospedagem para assistir à Copa do Mundo nos Estados Unidos em uma promoção da Coca-Cola, mas não conseguiu o visto para entrar no país. O consulado americano negou o benefício para ela, o marido e mais dois casais que planejavam a viagem. No início do ano, a Coca-Cola lançou um desafio para seus parceiros no Brasil: quem batesse as metas estipuladas e ficasse em primeiro lugar no ranking ganharia uma viagem para a Copa do Mundo em condições bastante especiais. Como o marido de Raphaela gerencia o setor comercial do supermercado da família, eles entraram na competição. E ficaram em primeiro lugar quase o tempo todo. "Perto do final, chegou um momento que a gente quase perdeu a viagem. Mas na última semana deu para recuperar", conta a enfermeira em entrevista à BBC. A bonificação incluía duas passagens aéreas de ida e volta, cinco dias de hospedagem e um ingresso no camarote da Coca-Cola com comida e bebida de graça para o jogo entre Brasil e Haiti, no dia 19 de junho na Filadélfia. Rhapaela Caiado em foto de família "Fiquei decepcionada pela perda da experiência. Eu ia para uma Copa do Mundo que a gente sabe que é uma edição lendária, que muitos jogadores incríveis estão se aposentando e não vão jogar mais. Era minha oportunidade de vê-los." O prêmio da Coca-Cola valia para duas pessoas, mas nenhum dos seis membros da família que poderiam usá-lo tinha visto. Raphaela, que vive em Hortolândia, no interior de São Paulo, não tinha nem passaporte. Ela correu para atualizar o nome no CPF e no RG — recém-casada, ainda não havia feito a mudança nos documentos — conseguiu tirar o passaporte em tempo curto e entrou no processo de solicitação de visto americano com o marido, duas cunhadas e seus companheiros. A família contratou uma assessoria de vistos para os trâmites, como o preenchimento do formulário obrigatório e a lista de documentos a serem levados na entrevista. A preparação para a entrevista ficou a cargo de cada um. Raphaela conta que passou semanas pesquisando na internet, assistindo a vídeos e simulando respostas com o ChatGPT. "Não sei quantas simulações fiz pelo ChatGPT. E, pelo visto, não ajudou muito." Como as vagas no consulado de São Paulo só estavam disponíveis para setembro — e a viagem era em junho —, todos foram para o Rio de Janeiro para uma viagem de dois dias. No consulado, o casal foi questionado sobre o grau de parentesco, destino e razão da viagem, qual a profissão de cada um e qual a renda familiar. "Foi todo mundo reprovado. Não salvou um para passar." O consulado americano não informa o motivo da recusa. Raphaela tem suspeitas: interrupções do marido durante a entrevista, o fato dele trabalhar como Microempreendor Individual (MEI) e o de nenhum deles nunca ter viajado ao exterior antes — mas nenhuma certeza. Além da viagem perdida, a família contabilizou um prejuízo de aproximadamente R$ 5 mil no processo: as taxas do visto (cerca de R$ 900 por pessoa), o custo da assessoria, as passagens aéreas para o Rio de Janeiro, a hospedagem e a alimentação durante a estadia. O casal cogitou estender a estadia no Rio e tentar novamente antes da Copa. Decidiram que não valia o risco financeiro e emocional. A família optou por vender a viagem pelo valor de R$ 25 mil. O negócio foi fechado em menos de um dia. "Eu ainda estou sofrendo muito", diz ela. "Eu devolveria esse dinheiro se falassem: Rafaela, a gente vai te dar o seu visto agora", diz. "Acho que nenhum dinheiro no mundo compra a experiência que a gente viveria." "Eu não queria nem assistir ao jogo da Copa este ano. Eu estou muito chateada." A história de Raphaela não é exceção — é parte de um padrão que afeta torcedores de todo o mundo nesta Copa, destaca a reportagem da BBC. Uma análise do BBC World Service com dados do Departamento de Estado americano mostrou que torcedores de mais de um quarto dos países classificados para o torneio enfrentam proibições de viagem, restrições mais rígidas ou altas taxas de rejeição de visto para entrar nos EUA. Ao contrário das quatro últimas Copas do Mundo — realizadas na África do Sul, no Brasil, na Rússia e no Catar —, que implementaram regimes especiais de visto para os torcedores, os EUA não criaram nenhum processo específico para o torneio. A FIFA desenvolveu o chamado FIFA Pass, um sistema que direciona os portadores de ingressos para agendamentos prioritários nas entrevistas consulares, mas a medida acelera o processo sem aumentar as chances de aprovação. ** Com BBC **

  • Trump diz que Brasil é 'politicamente perigoso'

    Trump confundiu os filhos de Bolsonaro ao dizer que um deles seria preso EVIAN - O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou nesta quarta-feira, 17, que a situação do Brasil está "um pouco difícil" e que o país está "perigoso politicamente". Em uma entrevista coletiva durante a cúpula do G7 em Evian, na França, o republicano foi perguntado se conversou com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a questão das novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil ou sobre a classificação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Trump respondeu dizendo que passou "bastante tempo" com o presidente brasileiro, mas não falou sobre as questões levantadas. O presidente americano preferiu mencionar os Bolsonaro, mas acabou confundindo os filhos do ex-presidente. "Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo", disse Trump. O senador e pré-candidato à presidência Flavio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal rival de Lula neste momento, segundo as pesquisas eleitorais, mas o irmão Eduardo, que vive nos EUA, é quem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal essa semana. "Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Olha, nossas eleições são totalmente fraudadas. Temos eleições manipuladas." ** Da Redação **

  • ICE remove imigrantes do "Alcatraz dos Jacarés"

    Presidente Trump durante a inauguração da prisão em julho de 2025 TALLAHASSE - O ICE transferiu essa semana quase 1.500 detidos do "Alcatraz dos Jacarés", centro de detenção de imigrantes localizado em uma área pantanosa da Flórida. O órgão federal afirma que se trata de uma medida provisória por conta da temporada de furacões que vai até novembro. Mas na primeira quinzena de maio, autoridades da prisão inaugurada em julho de 2025 em Everglades informaram aos fornecedores que o local seria fechado, segundo um funcionário federal e três pessoas a par das operações do local que pediram anonimato. Na época, a orientação era transferir os detidos da "Alcatraz dos Jacarés" até o início de junho para o centro ser desmontado nas semanas seguintes. Leia também: Flórida negocia com governo federal fechamento de prisão "Alcatraz dos Jacarés" A remoção de fato aconteceu e não há informações para onde os detidos foram levados, o que virou alvo de reclamação de famílias e organizações de defesa dos imigrantes. O centro de Everglades, administrado pelo Estado, abrigava cerca de 1.400 detidos em abril, de acordo com dados do ICE, em uma área cercada por jacarés. Há pouco mais de um mês, o The New York Times também noticiou que a Flórida estava em negociações com o governo Trump para fechar o centro, cuja operação custou ao estado centenas de milhões de dólares desde sua inauguração na temporada de tempestades severas no ano passado. O governador Ron DeSantis confirmou após a publicação da reportagem que autoridades federais e estaduais haviam discutido o fechamento do local. A Divisão de Gestão de Emergências da Flórida, que opera o centro, nem o gabinete de DeSantis responderam imediatamente a um pedido de comentário. O Departamento de Segurança Interna (DHS) também não respondeu ao nosso pedido de contato até a publicação dessa matéria. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • Fed mantém juros dos EUA a 3,75% em estreia de Kevin Warsh

    WASHINGTON - O Banco Central dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) manteve nesta quarta-feira, 17, a taxa de juros do país na faixa entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião seguida. Esta é a primeira decisão do comitê de política monetária com a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump e que tomou posse em maio. A decisão foi unânime. De acordo com o comunicado, nove dos 19 participantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) veem a possibilidade de uma alta nos juros dos EUA ainda em 2026. O Fed reafirmou que "entregará estabilidade de preços" e o viés de que uma flexibilização das taxas estaria no radar foi retirado. A projeção mediana para a inflação neste ano saltou para 3,6%, ante 2,7% anteriormente. A estimativa para o chamado núcleo da inflação em 2026, que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, também aumentou, para 3,3%, contra 2,7% na projeção de março. A principal mudança, segundo Warsh, é o fim do chamado "forward guidance", sinalização dos próximos passos da trajetória dos juros pela autoridade monetária americana. Nos chamados dot-plots, que mostram a previsão dos integrantes, chamou a atenção o fato de apenas 18 dos 19 integrantes terem apresentado suas projeções para os juros ao fim de 2026. O faltante foi justamente o novo comandante do Fed. Warsh afirmou, na entrevista coletiva logo após a decisão, que nomeou uma força tarefa em cinco áreas a fim de reorganizar estruturas de pesquisa do Fed. Ele visa, com a mudança na coleta de dados, fornecer aos formuladores da política monetária “dados contemporâneos, modernos e relevantes”. O novo chefe do Fed observou ainda que houve uma "boa discussão em família" sobre a política monetária e mencionou debates rigorosos com seus colegas. O comunicado divulgado após a reunião reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2% do Fed, ponto que Warsh enfatizou durante a coletiva. Os diretores também destacaram o forte crescimento da produtividade e dos investimentos em capital, mas revisaram para baixo a previsão do PIB americano, para 2,2%, ante 2,4% na projeção de março. ** Com O Globo **

  • Lula e Trump se cumprimentam durante evento social no G-7

    Trump e Lula não se cumprimentaram durante foto oficial do evento PARIS - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram durante um evento social na noite de terça-feira, 16, na cúpula do G-7 em Évian-les-Bains, na França. Os dois participaram de um coral organizado pelo governo francês seguido por um jantar, momento em que eles teriam trocado gestos cordiais, segundo relatos. A aproximação, embora esteja longe da expectativa de uma reunião, ameniza o mal estar da foto oficial de família do G-7 ampliado, que inclui os países convidados como o Brasil. Nesse momento, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu durante a reunião do G-7 ampliado sobre solidariedade internacional, quando o presidente brasileiro proferiu um discurso com críticas veladas ao americano. Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país - uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas. "O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente. "Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", destacou. Lula sentou praticamente de frente para Donald Trump na mesa de reunião. O republicano é um cético do multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos. Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania de olho em dividendos eleitorais. Neste ano, dobrou a aposta nessa retórica após o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro ter visitado Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas. ** Com AE **

  • Após ser condenado, Eduardo Bolsonaro promete denunciar STF a Donald Trump

    Eduardo Bolsonaro durante premiere de Dark Horse, filme sobre ex-presidente Jair Bolsonaro, em Los Angeles WASHINGTON - O ex-deputado federal brasileiro, Eduardo Bolsonaro, disse nesta terça-feira, 16, que vai comunicar as autoridades dos Estados Unidos sobre a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. “Eu levarei à Casa Branca, eu levarei ao State Department, eu levarei ao Congresso americano. Falarei com todos os congressistas que são nossos aliados em termos de interlocução porque isso daí é uma afronta ao governo americano”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que atualmente mora no Texas. “Será que realmente só o Brasil tá certo ? Estados Unidos, Espanha, Itália, Argentina, tá todo mundo errado? Ou mesmo Polônia, né? Onde o jornalista Didi conseguiu o asilo? A gente tem que virar essa página do país. A gente tem que colocar um novo governo, a gente tem que colocar um novo congresso para conseguir segurar esse STF”, continuou. O filho do ex-presidente disse ainda que vai continuar fazendo denúncias internacionais com o objetivo de combater o que classificou como afronta ao governo dos EUA. ** Da Redação **

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