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Projeto para aumentar segurança de crianças nas redes ganha impulso no Congresso dos EUA


Congressistas buscam acordo para garantir privacidade de menores nas redes sociais
Congressistas buscam acordo para garantir privacidade de menores nas redes sociais

WASHINGTON - O apoio está crescendo tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado dos Estados Unidos para iniciativas concorrentes destinadas a aprovar, ainda neste verão, uma legislação de segurança on-line para crianças. Isso aumenta as chances de um avanço após anos em que o lobby das grandes empresas de tecnologia e disputas partidárias impediram a aprovação das propostas.


Os projetos ainda enfrentam obstáculos significativos, incluindo divergências entre as duas casas legislativas e questões não resolvidas sobre se a legislação afetará regulamentações estaduais relacionadas à inteligência artificial. No entanto, um acordo bipartidário anunciado na segunda-feira na Câmara, aliado a um novo senso de urgência no Senado, pode abrir caminho para um consenso.


O acordo da Câmara, anunciado pelos líderes de um importante comitê, inclui uma disposição que exigiria que plataformas de mídia social, como a Meta e o Google, da Alphabet, configurassem por padrão fortes mecanismos de privacidade e segurança para menores de idade.


“Ao empoderar os pais, estabelecer a segurança como configuração padrão, fortalecer a privacidade de crianças e adolescentes, aumentar a transparência em torno dos corretores de dados e responsabilizar as Big Techs, a Lei KIDS oferece as proteções do século XXI que os pais exigem e que nossas crianças merecem”, afirmaram em comunicado divulgado na segunda-feira o presidente do Comitê de Energia e Comércio, Brett Guthrie, e o principal democrata do colegiado, Frank Pallone.


No Senado, a republicana do Tennessee Marsha Blackburn está defendendo sua própria proposta, que vai além da legislação aprovada pela Câmara. O projeto inclui uma cláusula de “dever de cuidado” (duty of care), que tornaria as empresas responsáveis por recomendar conteúdos que incentivem transtornos alimentares, bullying on-line e outros comportamentos potencialmente prejudiciais.


Ela vem negociando com a Casa Branca um acordo para incluir essa linguagem em um pacote legislativo mais amplo voltado às leis estaduais sobre inteligência artificial.


Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, Blackburn defendeu a imposição do dever de cuidado às plataformas de mídia social e enfatizou que a Casa Branca apoia sua abordagem.


“Sem um dever de cuidado, as empresas de Big Tech manterão o status quo de colocar o lucro acima da segurança de nossas crianças”, afirmou Blackburn. “Não podemos deixar a segurança infantil on-line ao acaso, e é por isso que sou grata pelo fato de a Casa Branca ter sinalizado apoio ao dever de cuidado.”


Empresas de tecnologia como a Meta há muito fazem lobby contra essa disposição, argumentando que ela poderia restringir a liberdade de expressão na internet e seria difícil de aplicar sem que as plataformas conhecessem a idade de seus usuários.


A Casa Branca também tem pressionado Blackburn a vincular a Lei de Segurança On-line para Crianças (Kids Online Safety Act — KOSA) a um projeto que exigiria que lojas de aplicativos verificassem a idade de seus usuários, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações.


O senador democrata de Connecticut Richard Blumenthal, que trabalha com Blackburn na medida de segurança on-line, classificou o pacote aprovado pela Câmara como uma “capitulação tímida e sem força às Big Techs” e advertiu que ele está “morto no Senado e representa uma traição às famílias”.


Entretanto, Blackburn está considerando adicionar um incentivo ao seu projeto para as principais empresas de tecnologia: a prevalência da legislação federal sobre as leis estaduais de segurança em IA.


No ano passado, a Casa Branca tentou, sem sucesso, convencer o Congresso a aprovar uma moratória federal sobre leis estaduais relacionadas à inteligência artificial. Isso teria impedido estados como Nova York e Califórnia de aprovarem suas próprias legislações destinadas a responsabilizar empresas por danos causados por seus produtos de IA.


Ainda não está claro se essa medida seria suficiente para convencer todas as grandes empresas de tecnologia a apoiar o projeto do Senado.


No entanto, autoridades da Casa Branca informaram aos envolvidos nas negociações que o governo Trump considera a segurança on-line das crianças uma de suas principais prioridades legislativas antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, segundo uma pessoa familiarizada com a estratégia de comunicação da administração.


**Com Bloomberg**


 
 
 

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