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  • Brasileira é uma das detentas sem acesso a remédios em presídio do ICE em Nova Jersey

    Com crises emocionais, Clara mantém a esperança de a mãe comparecer a sua formatura da High School NEWARK - A brasileira Rita Linhares, de 46 anos, presa no Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey, está impedida de ter acesso a medicamentos, situação que mantém pelo menos 300 detentos sob custódia do ICE em greve de fome há 12 dias. Eles protestam contra condições insalubres e pedem a liberação de imigrantes em situação vulnerável. Rita tem glaucoma, anemia, pressão alta e problemas circulatórios, de acordo com o seu histórico médico. Em carta ao advogado Evan Hughes, ela afirma que "não está tomando o remédio para as pernas inchadas porque os responsáveis do presídio dizem que é considerado cosmético". Rita e a filha se falam todos os dias desde que foi presa A brasileira, que tem um caso imigratório pendente e foi presa durante uma verificação rotineira no escritório do ICE, também relata que passa frio pela falta de cobertores e reclama de fraqueza. “Acredito que, devido à má alimentação e à falta de luz solar — já que raramente temos permissão para sair —, estamos ficando cada vez mais fracos”, escreve no documento compartilhado com o Prism, um site de jornalismo independente. Rita conta que teve uma consulta com um profissional de saúde mental, sem especificar a especialidade, e pediu um remédio para ajudá-la a dormir. “Acredito que a separação da minha filha me deixa ansiosa à noite e, mesmo quando sinto muito sono, não consigo dormir. Disseram-me que não podiam me receitar nenhum medicamento.” A mulher também perdeu um dente e diz enfrentar fortes dores sem atendimento adequado. De acordo com um comunicado do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos, Rita recebeu “cuidados médicos adequados, incluindo várias prescrições, consultas médicas e atendimento odontológico”. Leia também: ICE reage com violência à greve de fome em presídio de Nova Jersey Mas o advogado de Rita disse que a situação dela inspira cuidados. “A saúde de Rita está se deteriorando. É preocupante, para dizer o mínimo, que uma corporação esteja tomando decisões práticas sobre saúde e mantendo essas pessoas em condições precárias. É só uma questão de tempo até que algo catastrófico aconteça", ressalta Hughes. A filha de Rita, Clara, deu uma entrevista a Jordan Chariton em frente ao presídio e foi publicada primeiramente pelo Status Coup. Clara conta como sua saúde piorou com a prisão da mãe No vídeo a jovem de 17 anos fala sobre como a ausência da mãe está agravando os seus problemas de saúde. Clara tem alopécia e mostrou que a queda de cabelo aumentou nos últimos meses. "Ela é meu suporte emocional. É muito difícil estar sem minha mãe", diz a filha que tem problemas emocionais, com dois episódios de tentativa de suicídio. O marido de Rita deve comparecer ao ICE para verificação de rotina - como Rita o fez no início do ano - em 25 de junho, dia da formatura da filha. "Tenho medo que meu pai seja preso. O que eu vou fazer sem os dois?", questiona Clara. Processo Imigratório A família deixou os EUA em 2010 após receber uma carta de deportação, mas voltou pela fronteira do México 12 anos depois em busca de tratamento para uma doença autoimune de Clara que é cidadã americana. Durante o trajeto, os coiotes coagiram os brasileiros a dar mais dinheiro para finalizar a viagem. O pai chegou a ficar sob a mira dos homens, diz o processo no qual buscam o visto T, destinado às vítimas de tráfico humano. O advogado da família diz que Rita está contestando sua detenção e os processos relacionados à ordem de deportação de 2009 que foi restabelecida em 29 de janeiro de 2026, dia em que foi presa, no Tribunal de Apelações do 3º Circuito. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • Brasileiro é preso após abrir conta em banco com passaporte falso

    Brasileiro usava números de passaportes válidos para montar documentos falsos ANDOVER – O brasileiro José de Freitas Junior, 30, foi preso em flagrante após usar um passaporte falso para abrir e acessar contas bancárias comerciais. O Ministério Público Federal de Massachusetts afirma que o crime já havia acontecido anteriormente e teria entrado no radar das autoridades após acumular transferências eletrônicas de grande valor. Freitas Junior teve sua custódia transferida para o ICE e deverá comparecer a um Tribunal Federal em Boston em data a ser definida, informaram as autoridades. Segundo a promotoria, o brasileiro enfrenta acusações de ter apresentado a um caixa de um banco em Andover um passaporte do Brasil falsificado, com nome falso, inclusive, para abrir uma conta comercial. O documento montado continha a fotografia original de Freitas, mas o nome falso e um número de passaporte pertencente a outro cidadão brasileiro. Freitas Junior também é acusado de apresentar o passaporte à polícia local quando esta chegou ao banco. Ele foi imediatamente detido, revelam os documentos da acusação. Uma verificação biométrica das impressões digitais de Freitas Junior, coletadas durante o registro da prisão, supostamente confirmou que ele é um cidadão brasileiro que não foi admitido legalmente nos Estados Unidos. Os investigadores também alegam que ele abriu diversas contas comerciais usando diferentes passaportes brasileiros falsificados como identificação. As contas, registradas em nome de empresas ligadas à venda de automóveis, foram usadas para receber inúmeras transferências eletrônicas de grande valor, algumas das quais foram posteriormente estornadas pelos bancos remetentes por serem fraudulentas, de acordo com o Ministério Público. Freitas Junior pode ser condenado a até dez anos de prisão, três anos de liberdade condicional e multa de US$ 250 mil. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • EUA publicam decisão sobre 'práticas incoerentes' do Brasil e propõem tarifa de 25%

    Documento tem 73 páginas e traz itens que já foram isentados do tarifaço americano no ano passado WASHINGTON - O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros como forma de compensar os "atos, políticas e práticas incoerentes" do País que "oneram ou restringem o comércio" americano. A lista de produtos livres da taxação adicional tem 73 páginas e traz itens que já foram isentados do tarifaço americano no ano passado, como aviões, suco de laranja e café. A decisão, publicada no fim da noite desta segunda-feira, 1, detalha os resultados da investigação sobre o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, a proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal no País. As "medidas corretivas" devem entrar em vigor até o dia 15 de julho, segundo o prazo legal dos EUA. No dia 6 do mesmo mês, uma audiência sobre as ações propostas será realizada. Na publicação, o representante comercial americano, Jamieson Greer, declarou que ele e o presidente Donald Trump realizaram "diversas reuniões construtivas" com o presidente Lula e "seu gabinete" ao longo do último ano. Mas, apesar do diálogo ter se intensificado nas últimas semanas, as partes não chegaram a um consenso sobre a "resolução das questões identificadas nesta investigação". O USTR informou ter colhido o depoimento de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas durante a investigação. O órgão detalhou, em comunicado, quais práticas foram consideradas irregulares. Em relação ao universo digital, "tribunais brasileiros emitiram ordens secretas" para que plataformas americanas de mídia social removessem "certos conteúdos políticos" e suspendessem "perfis de residentes nos Estados Unidos", sob pena de multa. O documento cita ordens ao X, à Meta e ao Google. "O Brasil também tem prejudicado injustamente empresas dos EUA envolvidas em serviços de pagamento eletrônico concorrentes, inclusive por meio de políticas que favorecem o campeão nacional" do País, diz o USTR, em referência à concorrência que o Pix oferece às empresas americanas do setor. Sobre a política tarifária, a decisão cita o tratamento "preferencial" concedido pelo Brasil a produtos importados do México e da Índia. No que diz respeito ao combate à corrupção, o USTR afirma que o País "não toma medidas suficientes". O USTR também considera que o Brasil "não aplica suficientemente leis criminais e regulamentos aduaneiros para combater produtos falsificados; não aborda o tempo excessivo que as autoridades levam para examinar pedidos de patentes, particularmente patentes biofarmacêuticas; e não realiza medidas antipirataria consistentes e contínuas". Sobre o acesso ao mercado de etanol, a decisão diz que o País "interrompeu abruptamente" em 2017 o "tratamento equilibrado" para as exportações americanas do produto. O documento também afirma que o "desmatamento ilegal persiste" e que o Brasil não conseguiu "aplicar efetivamente" o marco legal de proteção ao meio ambiente. ** Com AE **

  • Trump designa deputado estadual da Flórida como embaixador dos EUA no Brasil

    Daniel Perez ainda precisa do aval do Senado para assumir embaixada americana no Brasil WASHINGTON - O presidente Donald Trump nomeou nesta segunda-feira, 1, Daniel Perez, 38, como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Republicano, Perez é o presidente da Câmara de Representantes da Flórida. A designação será encaminhada para confirmação do Senado americano. Com o envio de Perez ao Brasil, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana em Brasília é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar. De acordo com seu site oficial, Perez é cubano-americano de primeira geração. Nascido em Nova York, ele se mudou para a Flórida com a família em 1993 e foi eleito para a legislatura estadual pela primeira vez em 2017. Na página online, o deputado não cita ter ocupado outros cargos relacionados a política externa. O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, também é da Flórida e tem pais cubanos. Em publicações nas redes sociais, Perez costuma demonstrar alinhamento com Trump, recorrendo a expressões associadas ao movimento Maga (sigla para "faça a América grandiosa novamente") e defendendo pautas da agenda trumpista. Em janeiro, por exemplo, manifestou apoio à operação dos EUA contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro, na qual o ditador foi deposto e capturado. Na ocasião, o deputado afirmou que a ação ajudaria a "trazer paz e segurança" e representaria um passo importante para, segundo ele, "desferir um golpe significativo contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição de vidas americanas". Assim como Trump, em 2024, Perez protagonizou embates com o governador da Flórida durante a breve campanha de Ron DeSantis pela indicação republicana à Presidência —o deputado é conhecido pela imprensa americana como um político que travou diversas discussões com o governador. No ano passado, discordaram em diferentes temas, como imigração, ensino superior, perfuração de poços de petróleo em alto-mar e até normas de segurança para condomínios. Como consequência, a relação da Câmara estadual com o governador tem sido tensa. De acordo com o site Governing, Perez acusou o governador de mentir, agir de forma emocional e ter acessos de raiva. "Ameaçar os outros para conseguir o que você quer não é liderança, é imaturidade", disse o parlamentar no ano passado. Em outro sinal de alinhamento a Trump, Perez fez diversas tentativas de dificultar o voto por correio na Flórida antes das eleições de 2024, quando o republicano derrotou Kamala Harris na disputa pela Presidência com um discurso de que só não venceria se houvesse fraude no pleito. No ano passado, a imprensa da Flórida noticiou que Perez estaria sendo pressionado pela Casa Branca a concorrer ao cargo de procurador do estado —Trump buscaria remover James Uthmeier do cargo, um aliado de DeSantis. Mais tarde, entretanto, o presidente apoiou publicamente a reeleição de Uthmeier. Assim, o futuro político de Perez ficou sem definição, uma vez que ele não poderia se candidatar à Câmara novamente —a Flórida proíbe que um deputado fique mais de oito anos consecutivos no cargo. Agora, o republicano ganha um cargo liderando a missão diplomática americana ao segundo maior país das Américas. Se aprovado, o deputado terá que lidar com um dos momentos mais delicados da relação bilateral entre Washington e Brasília nas últimas décadas. Desde que voltou ao poder, Trump promoveu um tarifaço contra o país e impôs sanções a membros do STF (Supremo Tribunal Federal) após pressão de Eduardo Bolsonaro —voltando atrás meses depois. Na última quinta-feira (28), o governo americano designou oficialmente as facções PCC e Comando Vermelho como terroristas, abrindo caminho para eventuais sanções contra empresas brasileiras e outras intervenções. ** Com AF **

  • Advogada chama de 'repugnante' acusações do ICE contra brasileiro preso por atropelamento em Lowell

    Advogada Robin Gagne conseguiu fiança mas ICE pega custódia de brasileiro e o mantém preso LOWELL - O ICE divulgou na sexta-feira, 29, uma declaração contundente retratando o brasileiro Guilherme Campos Candido, de 23 anos, acusado de atropelamento fatal na Pawtucket Boulevard, em Lowell, Massachusetts, como um “estrangeiro criminoso” e um infrator “violento e perigoso”, linguagem que a advogada Robin Gagne chamou de “enganosa” e “repugnante”. Um porta-voz do ICE afirmou que agentes do escritório de Boston prenderam Guilherme Campos-Candido durante uma “transferência de custódia” no Tribunal Distrital de Lowell na quinta-feira, 28. Sua detenção ocorreu um dia após ele ter sido indiciado por fuga do local do acidente com lesões corporais e morte, referência ao acidente de 24 de maio que vitimou Leah Kahare, de 29 anos, moradora de Lowell assim como o acusado. O porta-voz do ICE cita o atropleamento e afirma que a Patrulha da Fronteira dos EUA abordou Candido em abril de 2022 e o prendeu por entrar ilegalmente nos Estados Unidos. A agência afirmou que Campos-Candido permanecerá detido no Departamento de Correções do Condado de Strafford, em Dover, New Hampshire, enquanto aguarda o processo de deportação. “O ICE está trabalhando incansavelmente para remover esses criminosos violentos e perigosos de nossas comunidades”, diz a nota da agência do governo. A advogada Robin Gagne rejeitou veementemente a caracterização feita pelo ICE, afirmando que a agência está distorcendo o histórico de seu cliente e presumindo sua culpa. “Se bem me lembro, Campos-Candido não possui nenhum antecedente criminal”, disse Gagne em um comunicado ao jornal The Sun. “O comunicado é enganoso. Além das acusações criminais pendentes, ele nunca teve qualquer envolvimento com a lei.” Gagne disse que Candido veio para os EUA com sua família e solicitou asilo; e que seus pais posteriormente deixaram o país voluntariamente após o pedido ser negado. Ele tem uma audiência marcada para setembro, acrescentou ela. Em tempo: No boletim de ocorrência da Polícia de Lowell (sobre o atropelamento fatal) há a observação que Candido tinha uma audiência de deportação marcada no tribunal de imigração para 8 de setembro. Candido em imagem divulgada pela polícia “Ele não é um criminoso até que um júri o condene”, acrescentou Gagne. “Constitucionalmente, um indivíduo é inocente até que se prove o contrário, além de qualquer dúvida razoável. Então, que se dane Trump, sua administração e a escória que trabalha para o ICE”, completa a advogada. Gagne denunciou ainda a retórica do ICE, perguntando: “Desde quando o ICE tem o direito de determinar quem é um criminoso violento? Agora o ICE também determina a culpa? Eles são repugnantes.” A advogada entrou com um pedido de habeas corpus para o brasileiro responder os processos criminal e de imigração em liberdade. Atropelamento De acordo com a polícia, Candido teria dito a um familiar que estava fazendo uma entrega de comida para o Uber Eats quando atropelou uma pessoa e “parou por alguns segundos para ver o que havia atingido e depois fugiu porque estava com medo”. As câmeras de segurança mostram o carro de Candido voltar ao local duas vezes após o atropelamento, às 21h46 e 21h51, ressalta a investigação. Uma testemunha disse à polícia que viu uma mulher “encolhida em um banco” pouco antes do acidente e ligou para o 911 porque ela parecia estar passando mal e ofereceu ajuda, mas ela recusou, de acordo com o boletim de ocorrência. A testemunha relatou à polícia que, ao retornar para seu veículo pouco tempo depois, viu a mesma mulher caída e inconsciente na rua, cercada por destroços e dois tênis espalhados pelo asfalto, o que o levou a ligar novamente para o serviço de emergência às 21h30. Kahare foi declarada morta em um hospital cerca de 35 minutos após ser atropelada. Candido se entregou à Polícia de Lowell aproximadamente dois dias após o incidente. Na quarta-feira, 27, no Tribunal Distrital de Lowell, o juiz Mark Fabiano fixou a fiança em US$ 7,5 mil em dinheiro e ordenou que Candido entregasse seu passaporte, não dirigisse e fosse monitorado por GPS caso fosse libertado. A fiança foi paga no mesmo dia. Mas durante uma breve audiência perante Fabiano na quinta-feira, uma agente de condicional informou ao tribunal que o ICE prendeu Candido com base em uma ordem de detenção por imigração ilegal enquanto a equipe ainda estava ativando seu monitor de GPS. O dispositivo já havia sido instalado, disse ela, mas foi desconectado quando o ICE chegou ao tribunal para levá-lo sob custódia federal. Candido está agendado para retornar ao Tribunal Distrital de Lowell no dia 25 de junho para uma audiência sobre o atroplemento. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • Autoridades de NY e NJ investigam precificação de ingressos para a Copa

    Promotores americanos questionam que valores são muito superiores aos eventos anteriores da Fifa NOVA YORK - Autoridades de Nova York e Nova Jersey estão investigando o esquema de venda de ingressos para a Copa do Mundo 2026 que começa em dez dias. A instituição vai ter que responder as acusações de "inflar artificialmente os preços" e de "enganar os torcedores". A procuradora-geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, classificou o processo de compra de ingressos como "confuso e com preços extremamente elevados". Ela acrescentou que haverá uma "investigação minuciosa sobre a conduta da Fifa" e que a entidade máxima do futebol mundial será intimada a fornecer informações. Davenport fez o anúncio na semana passada ao lado da procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e do Departamento de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador da Cidade de Nova York (DCWP, na sigla em inglês). Em particular, a Fifa foi solicitada a explicar por que os ingressos "excederam os preços de qualquer edição anterior da Copa do Mundo". Torcedores relataram ter sido "enganados" sobre a localização dos assentos com a criação de categorias de ingressos 'front' mais caros, lançados após a venda inicial. Também se alega que a precificação variável ao longo de várias fases permitiu à Fifa aumentar - em cerca de 34% - os preços de cerca de 90 das 104 partidas. "Ninguém deve ser manipulado a pagar preços exorbitantes por assentos, e os torcedores devem poder confiar que os ingressos que compram serão os que receberão", observou James. A investigação analisará como o cronograma de venda de ingressos e declarações públicas podem ter impactado os preços. Os procuradores-gerais destacaram, em particular, o custo dos ingressos para oito partidas, incluindo a final, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, que pode ultrapassar US$ 10 mil. A Fifa tem frequentemente destacado a demanda por ingressos, com o presidente da entidade, Gianni Infantino, defendendo o custo ao dizer que eles refletem o apetite "totalmente louco" do público pelo torneio de verão. Mas ainda há ingressos disponíveis para 86 das 104 partidas e para todas, exceto 10, da fase de grupos. A investigação ocorre depois que o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, enviou uma carta à Fifa no início deste mês levantando preocupações sobre "práticas de venda de ingressos potencialmente enganosas". ** Com BBC **

  • Grupos processam maior centro de detenção de imigrantes dos EUA após 3 mortes em 9 meses

    Manifestantes pedem o fim do centro de detenção em El Passo EL PASSO - Grupos de direitos civis entraram com uma ação judicial por supostas violações de direitos humanos no maior centro de detenção de imigrantes dos Estados Unidos, em El Paso, Texas, onde três pessoas morreram nos nove meses desde sua inauguração. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), junto com outras organizações, apresentou a queixa em nome de quatro pessoas atualmente detidas no Camp East Montana, um extenso acampamento de tendas montado como parte da estratégia de deportação em massa do presidente Donald Trump. A ação, protocolada no Tribunal Distrital dos EUA para o Texas, cita como réus o ICE e sua agência superior, o Departamento de Segurança Interna (DHS). Trata-se do primeiro processo contra a instalação localizada na base militar de Fort Bliss e tem como objetivo melhorar as condições para seus mais de 2.700 detentos, informou a ACLU em comunicado. Um porta-voz do DHS afirmou que as acusações de condições desumanas no campo são categoricamente falsas. Uma inspeção das estruturas temporárias do campo, determinada pelo Congresso e realizada em fevereiro, encontrou 49 violações dos padrões de detenção, incluindo 11 relacionadas ao "uso de força e contenção" e cinco relacionadas a "atendimento médico". "Estamos processando para garantir que nenhum outro ser humano tenha que suportar esse tratamento desumano", disse Kyle Virgien, advogado do Projeto Nacional de Prisões da ACLU, que entrou com a ação em conjunto com a Human Rights Watch e o Texas Civil Rights Project. De acordo com o processo da ACLU, os detentos ficam confinados em recintos sem janelas, onde sofrem abuso físico por parte dos guardas, atendimento médico e de saúde mental deplorável, uso indiscriminado de confinamento solitário e exposição a doenças como sarampo e tuberculose. O porta-voz do DHS disse que nenhum detento está sendo espancado, abusado ou tendo atendimento médico negado no campo. O local não registra casos de sarampo desde 12 de março e não houve aumento de mortes sob custódia do ICE durante o governo Trump, afirmou a pessoa. "O ICE leva a sério a saúde e a segurança de todos os detidos sob nossa custódia", disse o porta-voz em comunicado, acrescentando que o ICE possui padrões de detenção mais elevados do que a maioria das prisões americanas que abrigam cidadãos dos EUA. O venezuelano Erik Ivan Rodriguez, um dos autores nomeados no processo, disse em comunicado que sofreu violência física enquanto autoridades tentavam coagi-lo a assinar documentos de deportação. O processo questiona a morte de um cubano no Camp East Montana, em 3 de janeiro, foi classificada de homicídio pelos médicos legistas de El Paso, que citaram "asfixia por compressão do pescoço e tórax". Autoridades de imigração inicialmente atribuíram a morte de Geraldo Lunas Campos a "mal-estar médico". Posteriormente, disseram que ele tentou tirar a própria vida e morreu em uma luta com guardas que tentavam salvá-lo. A ACLU rebate e afirma que ele foi espancado até a morte após pedir sua medicação para asma. A ação cita ainda um quarto que homem morreu pouco depois de ser liberado do campo, onde havia sido negada quimioterapia para seu câncer. O número de mortes em detenção de imigrantes nos EUA desde que Trump reassumiu a Casa Branca em janeiro de 2025 chega a 50, o maior patamar em 20 anos. ** Com Reuters **

  • Trump diz que exame médico atesta sua 'inteligência extrema'

    Trump exalta sua física e mental aos 80 anos e diz que todos os candidatos à Casa Branca deveriam ser avaliados WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi às redes sociais para celebrar o resultado obtido em um 'teste cognitivo' feito por ele, no qual afirma ter atingido a pontuação máxima. Segundo o republicano, ao acertar 30 de 30 questões, o resultado apontaria que ele possui 'inteligência extrema'. Às vésperas de completar 80 anos, o presidente explicou se tratar de um teste de 'alta dificuldade' e se vangloriou por ter atingido o mesmo resultado nas quatro vezes em que fez a prova. "Esse é meu quarto teste do tipo, todos PERFEITOS, ou seja, 120 de 120 questões respondidas corretamente. É muito raro que alguém obtenha tal resultado perfeito, especialmente por quatro vezes seguidas", afirmou em sua rede social, a Truth Social. Trump também defendeu que todos que se candidatarem à Presidência e à Vice-Presidência dos EUA deveriam ser 'obrigados' a participar de 'testes cognitivos de alta dificuldade'. O presidente, por outro lado, não deu detalhes sobre que teste teria feito ou sobre os critérios usados na prova. Na última sexta-feira, 29, a Casa Branca divulgou um memorando em que detalhou os resultados de exames médicos feitos por Trump. Segundo o documento, o republicano continua em 'excelente estado de saúde' e demonstra bons estados cardíaco, pulmonar, neurológico e físico geral. ** Da Redação **

  • Brasileira é uma das vítimas fatais em acidente na Virgínia

    Ônibus atingiu a traseira do carro em que Priscilla viajava com a família (Foto: Redes Sociais) STAFFORD - A brasileira Priscilla Ramos Mafalda, de 25 anos, é uma das cinco vítimas fatais, todas de Massachusetts, de um acidente que envolveu um ônibus e múltiplos carros na madrugada da sexta-feira, 29, na Virgínia. A jovem de Inhapim, em Minas Gerais, morreu no local enquanto o marido, Igor Ernesto, e outro brasileiro foram hospitalizados. A irmã de Igor, que não foi identificada, sofreu ferimentos leves e foi amparada pela polícia. Nas redes sociais, conhecidos mobilizaram a comunidade brasileira na Virgínia para ajudar aos sobreviventes que moram em Massachusetts. “A prima da minha amiga sofreu um acidente em Stafford, Virgínia, e está precisando de ajuda urgentemente, ela está sob os cuidados da polícia, pois está sozinha. Infelizmente, a cunhada dela faleceu, o marido e o irmão estão hospitalizados passando por cirurgia. Ela está sem telefone no momento, e o único contato disponível é o de um policial que está prestando assistência por ela estar sozinha. Se alguém mora em Stafford, Virgínia, ou conhece alguma família brasileira na região, por favor, entre em contato ou compartilhe esta mensagem para que possamos ajudá-la a encontrar apoio”, escreveu a internauta. Acidente Segunda as autoridades, um ônibus que seguia de Nova York para Charlotte, na Carolina do Norte, na Interestadual 95, na altura se Stafford, não reduziu a velocidade ao se aproximar de um congestionamento causado por uma obra na pista e bateu na traseira do Chevrolet Suburban, em que viajavam os quatro brasileiros, antes de capotar. O impacto lançou o carro contra um SUV Acura que pegou fogo após atingir outros veículos. A família de Greenfield, também em Massachusetts, que viajava no SUV Acura morreu na hora. As vítimas foram identificadas como Dimitri, 45 anos, e Ecaterina Doncev, 44, imigrantes da República da Moldova, e seus dois filhos, Emily, 13, e Mark, 7. Ao todo, 44 pessoas foram levadas para hospitais da região. O motorista do ônibus, Jing S. Dong, de 48 anos, de Nova York, estava entre os feridos e vai responder até agora por duas acusações de homicídio culposo e pode ser indiciado por outros crimes após a conclusão das apurações, informou a Polícia Estadual da Virgínia. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) está conduzindo uma investigação paralela. "O ônibus estava em alta velocidade e a fluência do idioma, uma vez que o motorista se comunicou em chinês com as autoridades, vai ser avaliada", adiantou Tom Chapman, membro do conselho do NTSB. A empresa responsável pelo ônibus, a E&P Travel, com sede em Kings Mountain, Carolina do Norte, também pode ser responsabilizada. SERVIÇO: Amigos de Priscilla criaram uma conta no Go Fund Me para arrecadar US$ 18 mil para ajudar com as despesas do traslado do corpo e com a recuperação das outras vítimas. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • ICE reage com violência à greve de fome em presídio de Nova Jersey

    Familiares do lado de fora ao presídio entraram em pânico diante da repressão aos detentos NEWARK - Mesmo após repressão violenta do ICE, cerca de 500 imigrantes entraram nesta sexta-feira, 28, no oitavo dia de greve de fome no centro de detenção do ICE Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey. Do lado de fora, a tensão entre manifestantes e a polícia também escalou e pelo menos seis pessoas foram presas. No início da tarde de quarta-feira, 28, presos começaram a ligar para familiares que protestavam em frente ao presídio para denunciar agressões. Os parentes disseram que podiam ouvir gritos e sons de pancada no prédio. Em nota, o Resistencia en Accion, grupo de defesa dos direitos dos imigrantes, exigiu o fim da violência contra os detentos. “Relatos recebidos por volta das 13h40 revelam que agentes do ICE atacaram os grevistas que estavam no interior das instalações com cassetetes e gás lacrimogêneo. Familiares que se encontravam do lado de fora receberam ligações de dentro do presídio, atestando que havia pessoas gritando e — segundo seus entes queridos que estavam lá dentro — alguns detentos estavam inconscientes e com sangue nas superfícies. O ICE é o único responsável pela escalada de violência que resultou em vários feridos, tanto dentro quanto fora das instalações, ao longo desta semana”, diz o comunicado da ong. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) confirmou o incidente. “De acordo com as políticas estabelecidas do ICE e com seu treinamento, a equipe empregou a quantidade mínima de força para desescalar a situação com segurança”, justifica o órgão federal. "Todos os detentos afetados foram prontamente avaliados pela equipe médica presente no local e receberam liberação, sem apresentarem ferimentos graves", acrescenta a nota No dia anterior, ao ser questionado sobre a situação de Nova Jersey, o czar da fronteira, Thomas Homan, disse que "ninguém vai ser solto e pode haver alimentação forçada se necessário". As reivindicações dos grevistas, entretanto, incluem a soltura apenas de presos doentes, adolescentes e idosos. Em geral, os imigrantes reclamam do ambiente insalubre, comida vencida e frio. Os deputados federais por Nova York, Jerry Nadler, Daniel Goldman e Adriano Espaillat, descreveram "condições calamitosas, nas quais os detentos recebem pequenas porções de comida frequentemente estragada e suas diversas necessidades médicas são ignoradas". A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, tentou visitar as instalações do Delaney Hall na segunda-feira (25), mas foi impedida. Funcionários do Departamento de Saúde do Estado conseguiram acesso a algumas alas do presídio na quinta-feira (28), o que consideraram "insuficiente para concluir a fiscalização", segundo comunicado. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • Massachusetts lança guia para ampliar proteção a imigrantes

    Governadora afirma que pessoas devem ter direito de ir e vir em Massachusetts BOSTON - A governadora de Massachusetts, Maura Healey, anunciou nesta quinta-feira, 28, diretrizes para igrejas, instituições de ensino e unidades de saúde sobre como agir diante de uma ação do ICE. A intenção é "proteger o acesso de imigrantes a serviços essenciais, esclarecer os direitos e responsabilidades dos funcionários desses locais e preparar suas equipes para responder adequadamente à presença de agentes federais de imigração". “As pessoas em Massachusetts devem poder viver suas vidas, ir à escola, deixar seus filhos na creche, consultar um médico, sem medo", disse Healey em entrevista coletiva. Os guias, disponíveis em português e espanhol, fazem parte de uma ordem executiva de 29 de janeiro que proíbe acordos de colaboração entre agências estaduais e a polícia de imigração em programas como o 287 (g), exceto quando a segurança pública esteja em risco. O decreto também dita que delegacias e outros prédios estaduais não podem ser usados como centros de processamento do ICE e impede a prisão de pessoas nesses locais sem uma ordem judicial. Leia também: Governadora anuncia medidas anti-ICE em Massachusetts Para cumprir as determinações, os guias destacam que os órgãos devem exigir a revisão jurídica de mandados ou solicitações de acesso, documentar as interações, impedir a entrada de agentes do ICE em espações restritos ao público, priorizar o atendimento médico e realizar treinamentos sobre direitos para funcionários e comunidades. Confira abaixo as orientações em português para: Recomendações para entidades que prestam serviços de educação e cuidado infantil em relação à interação com agentes federais de imigração; Recomendações para hospitais e prestadores de serviços de saúde ao interagir com agentes federais de imigração; Guia sobre as interações com oficiais federais de imigração em locais de culto; Uso proibido de instalações estaduais para atividades de fiscalização migratória civil; Proibição de prisões sem mandado judicial em áreas privadas de instalações estaduais. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA (mancheteusa.com)

  • EUA determinam que CV e PCC são organizações terroristas

    O secretário de Estado, Marco Rubio, fez o anúncio no fim da tarde desta quinta-feira, 28 WASHINGTON - Os Estados Unidos decidiram nesta quinta-feira, 28, classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. A medida passa a valer em 5 de junho. A decisão acontece após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao presidente Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA. Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas "são as mais perigosas do Brasil". "Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas." Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, Flávio tinha dito que Rubio pareceu ser favorável à designação. Hoje, o senador comemorou e disse que se trata de um "grande dia". Durante a passagem pelos EUA, Flávio foi questionado se a designação das facções como terroristas aumentava o risco de os EUA interferirem em solo brasileiro. Ele negou e disse que não via a medida como uma ameaça militar no Brasil. A decisão já era esperada. Segundo o The New York Times, em reportagem publicada em março, os EUA avaliavam a designação após lobby de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Apesar disso, o governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de cooperação entre os dois países. Chefe da assessoria especial de Lula, Celso Amorim, comentou a possibilidade de designação nesta quinta-feira, antes do anúncio. "O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, contudo, não é útil. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todas as formas de criminalidade." Em março, em evento em Dallas (Texas), Flávio chegou a falar que, se encontrasse com o presidente Donald Trump, não pediria que o PCC e CV fossem considerados terroristas, pois ele mesmo faria isso. Agora, durante o encontro com o republicano, a Folha apurou que Trump ouviu sobre o pedido feito por Flávio e disse a funcionários que estavam na reunião: "Temos que ajudar esses caras". O QUE PODE ACONTECER AGORA? A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que tem por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa. Segundo o Departamento de Defesa, os EUA classificam grupos terroristas quando eles integram alguns critérios, como a violência e a ameaça ao território americano --as organizações, claro, tem que ser estrangeiras. Antes do anúncio, a pasta já havia manifestado que considerava ambas as organizações como um "perigo" para a região. A partir dessa designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país. Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado. As conversas sobre a possibilidade de designar facções criminosas brasileiras como terroristas acontecem desde o ano passado. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, que participou de um dos encontros com integrantes do governo Trump, afirmou que os americanos não deram espaço para o Brasil apresentar qual a sua interpretação em relação ao terrorismo e apenas solicitaram informações a respeito do funcionamento das facções. Ele defende que, apesar dos perigos de crimes praticados pelas organizações, elas não são terroristas, já que o termo só seria aplicado a grupos que praticam atos de terror com objetivo político ou ideológico. Histórico de negociações Apesar dos esforços do governo federal, no ano passado, parlamentares e governadores da direita brasileiros solicitaram ao governo Trump a classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista. O governo Cláudio Castro (PL) chegou a enviar um documento para Washington com o pedido. A facção tem origem no Rio de Janeiro. Por outro lado, o governo Lula trabalhava para tentar evitar essa classificação e encaminhou, no fim do ano passado, uma proposta para que os países firmassem um acordo para combate ao crime organizado. Porém, o governo dos EUA considerou a proposta inadequada. Em contrapartida, sugeriu que o Brasil recebesse estrangeiros capturados nos EUA e exigiu um plano para acabar com o PCC e CV. Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro e teme a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral. Oura preocupação é que as leis antiterrorismo dos EUA preveem punições não apenas para as facções, mas também para pessoas e instituições financeiras que possuam ou tenham conhecimento de fundos relacionados a essas organizações. O CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações. Facções na mira do governo Trump O PCC foi incluído em 2021 na lista de organizações designadas do Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA), o que resulta no confisco de todas as propriedades e ativos nos EUA ligadas a seus membros e proibição de instituições e cidadãos americanos de manterem qualquer relacionamento comercial com a facção. Mas o grupo criminoso não foi classificado como organização terrorista. Em visita a Brasília em maio do ano passado, o responsável pelo setor de sanções do Departamento de Estado, David Gamble, pediu formalmente que o Brasil adotasse a designação de organizações terroristas para o PCC e CV. Representantes do Ministério da Justiça rejeitaram o pedido. A Lei Antiterrorismo brasileira, de 2016, define como atos terroristas aqueles motivados por "xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública". Governadores de direita e parlamentares da oposição pressionam pela votação de um projeto de lei de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) que equipara facções criminosas brasileiras a organizações terroristas. ** Com Agência Folha **

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