Trump designa deputado estadual da Flórida como embaixador dos EUA no Brasil
- Rádio Manchete USA

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WASHINGTON - O presidente Donald Trump nomeou nesta segunda-feira, 1, Daniel Perez, 38, como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
Republicano, Perez é o presidente da Câmara de Representantes da Flórida. A designação será encaminhada para confirmação do Senado americano.
Com o envio de Perez ao Brasil, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana em Brasília é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
De acordo com seu site oficial, Perez é cubano-americano de primeira geração. Nascido em Nova York, ele se mudou para a Flórida com a família em 1993 e foi eleito para a legislatura estadual pela primeira vez em 2017. Na página online, o deputado não cita ter ocupado outros cargos relacionados a política externa.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, também é da Flórida e tem pais cubanos.
Em publicações nas redes sociais, Perez costuma demonstrar alinhamento com Trump, recorrendo a expressões associadas ao movimento Maga (sigla para "faça a América grandiosa novamente") e defendendo pautas da agenda trumpista. Em janeiro, por exemplo, manifestou apoio à operação dos EUA contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro, na qual o ditador foi deposto e capturado.
Na ocasião, o deputado afirmou que a ação ajudaria a "trazer paz e segurança" e representaria um passo importante para, segundo ele, "desferir um golpe significativo contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição de vidas americanas".
Assim como Trump, em 2024, Perez protagonizou embates com o governador da Flórida durante a breve campanha de Ron DeSantis pela indicação republicana à Presidência —o deputado é conhecido pela imprensa americana como um político que travou diversas discussões com o governador.
No ano passado, discordaram em diferentes temas, como imigração, ensino superior, perfuração de poços de petróleo em alto-mar e até normas de segurança para condomínios. Como consequência, a relação da Câmara estadual com o governador tem sido tensa.
De acordo com o site Governing, Perez acusou o governador de mentir, agir de forma emocional e ter acessos de raiva. "Ameaçar os outros para conseguir o que você quer não é liderança, é imaturidade", disse o parlamentar no ano passado.
Em outro sinal de alinhamento a Trump, Perez fez diversas tentativas de dificultar o voto por correio na Flórida antes das eleições de 2024, quando o republicano derrotou Kamala Harris na disputa pela Presidência com um discurso de que só não venceria se houvesse fraude no pleito.
No ano passado, a imprensa da Flórida noticiou que Perez estaria sendo pressionado pela Casa Branca a concorrer ao cargo de procurador do estado —Trump buscaria remover James Uthmeier do cargo, um aliado de DeSantis. Mais tarde, entretanto, o presidente apoiou publicamente a reeleição de Uthmeier.
Assim, o futuro político de Perez ficou sem definição, uma vez que ele não poderia se candidatar à Câmara novamente —a Flórida proíbe que um deputado fique mais de oito anos consecutivos no cargo. Agora, o republicano ganha um cargo liderando a missão diplomática americana ao segundo maior país das Américas.
Se aprovado, o deputado terá que lidar com um dos momentos mais delicados da relação bilateral entre Washington e Brasília nas últimas décadas. Desde que voltou ao poder, Trump promoveu um tarifaço contra o país e impôs sanções a membros do STF (Supremo Tribunal Federal) após pressão de Eduardo Bolsonaro —voltando atrás meses depois.
Na última quinta-feira (28), o governo americano designou oficialmente as facções PCC e Comando Vermelho como terroristas, abrindo caminho para eventuais sanções contra empresas brasileiras e outras intervenções.
** Com AF **
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