Advogada chama de 'repugnante' acusações do ICE contra brasileiro preso por atropelamento em Lowell
- Rádio Manchete USA

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Atualizado: há 17 horas

LOWELL - O ICE divulgou na sexta-feira, 29, uma declaração contundente retratando o brasileiro Guilherme Campos Candido, de 23 anos, acusado de atropelamento fatal na Pawtucket Boulevard, em Lowell, Massachusetts, como um “estrangeiro criminoso” e um infrator “violento e perigoso”, linguagem que a advogada Robin Gagne chamou de “enganosa” e “repugnante”.
Um porta-voz do ICE afirmou que agentes do escritório de Boston prenderam Guilherme Campos-Candido durante uma “transferência de custódia” no Tribunal Distrital de Lowell na quinta-feira, 28.
Sua detenção ocorreu um dia após ele ter sido indiciado por fuga do local do acidente com lesões corporais e morte, referência ao acidente de 24 de maio que vitimou Leah Kahare, de 29 anos, moradora de Lowell assim como o acusado.
O porta-voz do ICE cita o atropleamento e afirma que a Patrulha da Fronteira dos EUA abordou Candido em abril de 2022 e o prendeu por entrar ilegalmente nos Estados Unidos.
A agência afirmou que Campos-Candido permanecerá detido no Departamento de Correções do Condado de Strafford, em Dover, New Hampshire, enquanto aguarda o processo de deportação.
“O ICE está trabalhando incansavelmente para remover esses criminosos violentos e perigosos de nossas comunidades”, diz a nota da agência do governo.
A advogada Robin Gagne rejeitou veementemente a caracterização feita pelo ICE, afirmando que a agência está distorcendo o histórico de seu cliente e presumindo sua culpa.
“Se bem me lembro, Campos-Candido não possui nenhum antecedente criminal”, disse Gagne em um comunicado ao jornal The Sun. “O comunicado é enganoso. Além das acusações criminais pendentes, ele nunca teve qualquer envolvimento com a lei.”
Gagne disse que Candido veio para os EUA com sua família e solicitou asilo; e que seus pais posteriormente deixaram o país voluntariamente após o pedido ser negado. Ele tem uma audiência marcada para setembro, acrescentou ela.
Em tempo: No boletim de ocorrência da Polícia de Lowell (sobre o atropelamento fatal) há a observação que Candido tinha uma audiência de deportação marcada no tribunal de imigração para 8 de setembro.

“Ele não é um criminoso até que um júri o condene”, acrescentou Gagne. “Constitucionalmente, um indivíduo é inocente até que se prove o contrário, além de qualquer dúvida razoável. Então, que se dane Trump, sua administração e a escória que trabalha para o ICE”, completa a advogada.
Gagne denunciou ainda a retórica do ICE, perguntando: “Desde quando o ICE tem o direito de determinar quem é um criminoso violento? Agora o ICE também determina a culpa? Eles são repugnantes.”
A advogada entrou com um pedido de habeas corpus para o brasileiro responder os processos criminal e de imigração em liberdade.
Atropelamento
De acordo com a polícia, Candido teria dito a um familiar que estava fazendo uma entrega de comida para o Uber Eats quando atropelou uma pessoa e “parou por alguns segundos para ver o que havia atingido e depois fugiu porque estava com medo”.
As câmeras de segurança mostram o carro de Candido voltar ao local duas vezes após o atropelamento, às 21h46 e 21h51, ressalta a investigação.
Uma testemunha disse à polícia que viu uma mulher “encolhida em um banco” pouco antes do acidente e ligou para o 911 porque ela parecia estar passando mal e ofereceu ajuda, mas ela recusou, de acordo com o boletim de ocorrência. A testemunha relatou à polícia que, ao retornar para seu veículo pouco tempo depois, viu a mesma mulher caída e inconsciente na rua, cercada por destroços e dois tênis espalhados pelo asfalto, o que o levou a ligar novamente para o serviço de emergência às 21h30.
Kahare foi declarada morta em um hospital cerca de 35 minutos após ser atropelada.
Candido se entregou à Polícia de Lowell aproximadamente dois dias após o incidente.
Na quarta-feira, 27, no Tribunal Distrital de Lowell, o juiz Mark Fabiano fixou a fiança em US$ 7,5 mil em dinheiro e ordenou que Candido entregasse seu passaporte, não dirigisse e fosse monitorado por GPS caso fosse libertado. A fiança foi paga no mesmo dia.
Mas durante uma breve audiência perante Fabiano na quinta-feira, uma agente de condicional informou ao tribunal que o ICE prendeu Candido com base em uma ordem de detenção por imigração ilegal enquanto a equipe ainda estava ativando seu monitor de GPS. O dispositivo já havia sido instalado, disse ela, mas foi desconectado quando o ICE chegou ao tribunal para levá-lo sob custódia federal.
Candido está agendado para retornar ao Tribunal Distrital de Lowell no dia 25 de junho para uma audiência sobre o atroplemento.
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