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- OMS reforça importância da vacinação infantil após Trump reduzir imunizantes recomendados nos EUA
WASHINGTON - A Organização Mundial da Saúde defendeu nesta terça-feira, 11, o processo que baseia calendários de vacinação em diversos países após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar um decreto para reduzir o número de vacinas infantis. Durante uma coletiva de imprensa em Genebra o porta-voz da OMS, Tarik , afirmou que há anos a organização e especialistas em saúde estudam a transmissão de doenças, a segurança dos imunizantes e a maneira como eles protegem pessoas em diferentes idades. O porta-voz explicou que, a partir dessa análise científica, a OMS publicou documentos de posicionamento sobre vacinação, explicando fatos sobre cada doença e vacina disponível para preveni-la, bem como o momento de aplicação de cada dose. Jašarević citou ainda como, em quase todos os países, os Grupos Técnicos Consultivos Nacionais de Imunização formularam recomendações de políticas e estabeleceram calendários nacionais de imunização. Trump assinou na segunda-feira, 10, uma ordem executiva que determina a revisão das recomendações para a vacinação infantil nos Estados Unidos e defende a aplicação de algumas vacinas em consultas separadas, contrariando orientações de entidades médicas. A medida retoma uma tese já defendida por Trump - e refutada por evidências científicas -, de que as vacinas infantis deveriam ser aplicadas de forma espaçada. A ordem orienta que a vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR), seja dividida em três aplicações, administradas em consultas diferentes, ainda que não estejam disponíveis para crianças nos EUA. Ao assinar o decreto, Trump repetiu diversas alegações de que a vacina tríplice viral tem relação com o autismo, uma teoria da conspiração já refutada há décadas. O presidente americano e o secretário da saúde do país, Robert F. Kennedy Jr., chegaram a dizer que a dose tripla combinada aumentaria as mortes, também sem nenhuma base científica. ** Com Agências **
- Juíza impede que Serviço Postal dos EUA restrinja voto por correspondência
BOSTON - Uma juíza federal impediu nesta terça-feira, 11, que o Serviço Postal dos EUA (USPS) implementasse parte do decreto do presidente Donald Trump que visa tornar mais rígidas as regras para o voto por correspondência antes das eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso. A decisão da juíza federal Indira Talwani, de Boston, ampliou efetivamente uma ordem anterior que ela havia emitido em junho, a qual impedia o governo de Trump de implementar a medida em 23 Estados, a maioria deles governados por democratas. Vários grupos de defesa do direito ao voto haviam instado a juíza a ir além e impedir que o USPS implementasse, em qualquer parte do país, uma regra proposta que exigia que os Estados fornecessem listas de eleitores e adotassem novos procedimentos de votação antes que o serviço postal fizesse as entregas. Caso os Estados não cumprissem os requisitos, o USPS teria se recusado a entregar as cédulas eleitorais. Os autores da ação alegaram que o USPS não teria base legal para tal recusa. ** Com Reuters **
- Fim de proteção coloca haitianos na mira do ICE
Para muitos hatianos voltar para o país de origem significa aceitar a pena de morte BOSTON - Milhares de haitianos estão na mira do ICE após o fim da proteção (Temporary Protection Status, TPS) anunciado pelo governo dos Estados Unidos em julho. Uma enfermeira que não tem mais permissão para trabalhar em um dos principais hospitais de Boston se mantém recolhida em casa com medo de que agentes da polícia de imigração que circulam pelo bairro da capital de Massachusetts. Moradores do leste de Maryland se deparam com cenas perturbadora: carros abandonados em postos de gasolina, com os motores ainda ligados. “Eles estão prendendo pessoas por toda parte, algumas no meio das ruas. … Temos pessoas que foram ao supermercado comprar comida para preparar para os filhos e não voltaram para casa”, diz Marie D. Fouché, fundadora e diretora-executiva da Safe Harbor Circles, uma organização de Salisbury que oferece apoio a imigrantes. Nas semanas desde que a Suprema Corte abriu caminho para que a administração Trump encerrasse o benefício de cerca de 350 mil haitianos e nos dias desde que um juiz de um tribunal inferior tornou a decisão oficial, uma nova realidade começou a se desenhar nas comunidades que ainda mantinham esperança de uma reviravolta de última hora. As autoridades federais têm sido bastante reservadas sobre os detalhes desta fase da ofensiva do governo contra a imigração, afirmando repetidamente que não comentarão operações em andamento ou futuras. Elas não divulgaram dados sobre quantos haitianos foram detidos desde o fim do TPS. E, até sábado (8), grupos de defesa dos imigrantes que acompanham de perto os voos de deportação não haviam registrado nenhum com destino ao Haiti nos últimos 15 dias. Mas o secretário de Segurança Interna (DHS), Markwayne Mullin, afirmou na semana passada que as operações contra haitianos beneficiários do TPS estavam em andamento. “Estamos indo atrás deles agora. … Essas pessoas podem se deportar voluntariamente ou nós vamos prendê-las e mandá-las de volta. É simples assim”, garantiu à NewsNation na terça-feira (4). As operações de fiscalização contra ex-beneficiários do TPS, incluindo haitianos, aumentaram no fim de julho e devem continuar, disseram duas fontes com conhecimento no assunto. Pelo menos cinco pessoas entraram em contato na semana passada com a organização de defesa dos imigrantes Haitian Bridge Alliance para relatar que parentes ou pessoas próximas haviam sido detidos em diferentes partes dos EUA. A diretora-executiva da organização, Guerline Jozef, diz que relatos envolveram prisões de ex-beneficiários do TPS, muitos deles estavam dirigindo quando se depararam com agentes do ICE, no Arizona, Califórnia, Indiana e Maryland. Cartas deixam uma comunidade apreensiva Moradores de um dos mais recentes e conhecidos territórios haitianos do país dizem que ainda não perceberam um aumento nas prisões realizadas pelo ICE. Springfield ganhou atenção nacional depois que o presidente Donald Trump acusou, sem fundamento, essa população de comerem animais de estimação durante um debate eleitoral em 2024. Líderes comunitários dizem que a presença crescente do ICE que muitos temem ainda não se concretizou. Centenas de cartas do DHS, porém, têm chegado pelo correio e deixado a comunidade apreensiva. “Por favor, compareça ao escritório indicado abaixo, no horário e local informados, para tratar de um assunto oficial”, descreve as cartas. Segundo Dorsainvil, aqueles que comparecem aos escritórios do ICE após receber os avisos foram obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas que permitem às autoridades rastrear sua localização e muitos receberam datas para comparecer ao tribunal dentro de aproximadamente um mês. As tornozeleiras fazem parte de um programa do ICE amplamente utilizado, conhecido como “alternativas à detenção”. Mas Dorsainvil afirma que para muitos haitianos os dispositivos evocam a dolorosa história das correntes usadas durante a escravidão, e que ele e outros defensores dos imigrantes tentaram, sem sucesso, convencer as autoridades de que a medida era desnecessária. Agora, segundo ele, muitos haitianos se veem diante não apenas da pressão social de não poder trabalhar e sustentar suas famílias, mas também da pressão psicológica causada por um tratamento que consideram desumanizante. “É tão… humilhante”, afirma. Questionado sobre as cartas e as tornozeleiras, um porta-voz do DHS disse que o TPS sempre foi concebido como uma medida temporária e mencionou o programa de autodeportação do governo, que oferece auxílio financeiro a imigrantes sem documentação que optem por deixar o país. “O que diríamos agora é que está na hora de partir, o que significa que você não precisa ir para casa, mas não pode ficar aqui”, disse o porta-voz. “A boa notícia é que ainda não é tarde demais para receber um cheque de US$ 2.600 e uma passagem gratuita para voltar para casa.” Voltar ao Haiti não é uma opção No entanto, para a maioria voltar para o Haiti significa morrer. Uma enfermeira de 29 anos, em Boston, disse à CNN que voltar ao Haiti agora está fora de questão para ela e para muitas outras pessoas que deixaram o país caribenho após um terremoto devastador em 2010 e que, de longe, assistiram horrorizadas à escalada da violência de gangues, que tornou o retorno cada vez mais perigoso. “Não há empregos. A maioria dos hospitais foi tomada por gangues ou destruída, e… a economia não está bem. Não temos líderes nem governo. É simplesmente muito inseguro”, disse a enfermeira, que pediu anonimato porque, agora, sem o TPS, teme pela própria segurança. Ela passou mais da metade da vida nos EUA e trabalhou durante oito anos como enfermeira em um dos principais hospitais de Massachusetts. Na semana passada, porém, foi obrigada a se afastar do trabalho depois que sua autorização de trabalho expirou. Desde que o governo Trump anunciou pela primeira vez o fim do TPS, ela vem lidando com a possibilidade de perder seu status. Segundo ela, essa experiência tem sido como passar por um ciclo interminável das etapas do luto. Atualmente, ela está concentrando seus esforços na busca por empregos de enfermagem no exterior, na esperança de que outro país lhe dê a oportunidade de usar as habilidades que se esforçou tanto para aprender antes que as medidas de repressão à imigração nos EUA se intensifiquem ainda mais. “Ruim para a economia” Muitas empresas foram duramente afetadas pela perda de funcionários haitianos nas últimas semanas, destaca Rebecca Shi, diretora-executiva da American Business Immigration Coalition. A organização representa CEOs e associações dos setores de indústria, saúde, cuidados com idosos, construção, agricultura e hotelaria. Shi afirma que pelo menos dois de seus integrantes foram particularmente afetados pelo fim do TPS para haitianos: um resort na Flórida, que perdeu mais de 150 funcionários, e um centro para idosos em Massachusetts, que perdeu mais de 50 empregados. Ela afirma que os efeitos já estão se espalhando e observa que algumas casas de repouso agora consideram fechar alas por falta de funcionários, depois de perder tantos trabalhadores. “Os trabalhadores americanos que fazem parte dessas equipes não estão apenas sentindo falta de seus colegas e companheiros de trabalho, mas também estão ficando esgotados. Eles estão assumindo uma carga de trabalho muito maior porque um quarto da força de trabalho desapareceu”, observa. ** Com Agências **
- Terremoto mata centenas de pessoas na Colômbia
Terremoto é o mais forte sentido nos últimos dez anos BOGOTÁ - Autoridades colombianas contabilizavam 111 mortos até a tarde dessa segunda-feira, 10, vítimas um forte terremoto atingir o país. Esse número está crescendo rapidamente. O tremor de magnitude 7,4, o mais forte da última década registrado na Colômbia, foi sentido em praticamente todo o país. Partes do Panamá e do Equador, incluindo Pichincha, cuja capital é Quito, também registraram abalos. No Brasil, moradores de Manaus, no Amazonas, relataram nas redes que também sentiram a terra tremer O terremoto foi registrado por volta das 7h34 no horário local (8h34 no horário de Nova York) e dois tremores secundários, de magnitude 2,8 e 4,8, ocorreram após o evento principal. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, a profundidade do tremor foi de 103 km, considerada intermediária. O terremoto que destruiu partes da Venezuela e deixou milhares de mortos em junho aconteceu a apenas 10 km de profundidade. O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse na sexta-feira, declarou estado de calamidade pública na Colômbia, o que concede a ele poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente as agências para lidar com a crise. "Estou indo para Bogotá para me concentrar na atenção à emergência que nosso país enfrenta", escreveu em suas redes sociais. "Convoquei um Posto de Comando Unificado na UNGRD (Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres), de onde vou liderar pessoalmente os esforços para auxiliar as comunidades de Chocó, a Região Cafeeira e todas as áreas afetadas", acrescentou. O epicentro foi em um município montanhoso localizado na Cordilheira Ocidental: San José del Palmar. A cidade possui uma população de aproximadamente 5.907 habitantes, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas. Os municípios mais próximos do epicentro são Pereira, Armenia e Manizales, capitais da chamada Região Cafeeira. Manizales e Pereira registraram os danos mais significativos até o momento. Segundo informações divulgadas nas redes sociais, diversos edifícios nas regiões de Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca, Manizales, Medellín, entre outros, foram evacuados como medida de precaução. O Itamaraty informou que, até o momento, não há brasileiros entre as vítimas. ** Com BBC **
- EUA revogam mais de 175 mil vistos em menos de dois anos
Governo alega que revogações estão ligadas a crimes e fraudes imigratórias WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 10, que revogaram mais de 175 mil vistos desde o início do mandato do presidente Donald Trump em janeiro de 2025. O Departamento de Estado esclareceu em um comunicado que tomou essa medida contra "estrangeiros que violaram as condições de seus vistos, cometeram crimes, incitaram à violência contra cidadãos americanos, fraudaram americanos, abusaram do nosso sistema de imigração ou colocaram em risco a segurança nacional". A nota afirma que a maioria dos cancelamentos foi em resposta a "incidentes" com as forças de segurança, em particular por "agressões, dirigir sob o efeito de álcool, roubos e crimes relacionados a drogas". Além disso, o Departamento liderado por Marco Rubio garantiu que "continuará identificando, investigando e revogando os vistos de cidadãos estrangeiros que representem uma ameaça à segurança do povo americano" e lembrou que "um visto americano é um privilégio, não um direito". ** Da Redação **
- Emissão de passaporte no Brasil aumenta tempo de espera no exterior
Projeto testa produção de passaportes na Casa da Moeda destinados aos brasileiros no exterior NOVA YORK - O Ministério de Relações Exteriores (MRE) do Brasil confirmou que os passaportes para brasileiros nos Estados Unidos, Alemanha e México estão sendo emitidos na Casa da Moeda, aumentando o período de espera pelo documento. O projeto-piloto, que começou a ser implementado no ano passado, e substiui o processo de produção nas representações no exterior. O anúncio dos consulados nas últimas semanas desagradou a população que estava acostumada a receber o passaporte na hora quando o fazia presencialmente ou em poucas semanas quando o requerimento era através do correio. O tempo maior da entrega da documentação, que passa a ser despachado do Brasil, ainda não está definido, mas usuários dizem que os trâmites que levavam cerca de 50 dias passaram para pelo menos 65. A orientação é iniciar o processo com antecedência. Em nota, o MRE afirma que não há chance de interromper o serviço e nega que a mudança seja falta de orçamento. Em maio, o governo reduziu as taxas de emissão dos documentos. As autoridades alegam que as mudanças são necessárias devido a um "salto exponencial" na demanda e a implementação do projeto-piloto de centralização da impressão dos documentos. A produção dos passaportes no Brasil começou em abril nos consulados de Boston e Nova York e, em julho de 2026, foi expandido para todos os 11 postos consulares nos EUA, além das embaixadas em Acra e Doha e dos consulados-gerais em Frankfurt, Lisboa, Porto e Cidade do México. Nos demais postos pelo mundo, a impressão segue sendo feito localmente. O MRE afirma que a medida busca aumentar a segurança dos documentos, padronizar os passaportes emitidos no exterior com os distribuídos Brasil e, inclusive, reduzir o prazo de entrega. No primeiro semestre de 2026, foram emitidos 188,9 mil passaportes, um avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. O pico ocorreu em julho deste ano, quando foram registrados mais de 33 mil pedidos, o "maior número de solicitações para um único mês", de acordo com o Itamaraty. ** Com Agências **
- Senado dos EUA confirma Daniel Perez para embaixada no Brasil em meio a crise com governo Lula
Mesmo com a aprovação do Senado, é incerto que Perez viaja ao Brasil antes de novembro WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira, 7, a nomeação de Daniel Perez para se tornar o novo embaixador americano no Brasil. Em votação apertada, com 51 votos favoráveis e 47 contrários, o cubano-americano foi confirmado pelo plenário dentro de um pacote que reuniu outras 73 indicações para cargos diplomáticos e no governo. Com a aprovação, que aconteceu horas antes do recesso parlamentar de cinco semanas, Perez conclui a etapa legislativa de sua indicação e está apto a assumir o posto. Antes, porém, ainda depende da concessão do agrément pelo governo brasileiro —a autorização diplomática por meio da qual um país aceita formalmente o chefe de missão indicado por outro Estado. Caso receba o aval de Brasília, Perez passará a ocupar um cargo que está vago desde janeiro do ano passado, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato. Nesse ínterim, a embaixada dos EUA no Brasil é comandada pelo encarregado de negócios. Integrantes do governo Lula, porém, já indicaram que não pretendem conceder o agrément a novos embaixadores antes do fim das eleições presidenciais de outubro. A indicação de Perez se transformou no principal foco da mais recente crise diplomática entre Brasil e EUA. O governo americano acusa o Brasil de atrasar de forma deliberada a concessão do agrément e afirma que deu a Brasília "todas as oportunidades para fazer a coisa certa", mas que encontrou sucessivos adiamentos e obstáculos. Como resposta, Washington anunciou nesta semana a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil. Na prática, Viotti poderá permanecer em Washington e seguir exercendo normalmente suas funções, mas, caso deixe o território americano, precisará solicitar um novo visto para retornar. Políticos americanos criticaram a medida. A senadora democrata Jeanne Shaheen, vice-líder do comitê de Relações Exteriores do Senado, escreveu em publicação das redes sociais que a medida contraria os interesses dos EUA e prejudica a relação bilateral. "Nada representa melhor o avanço dos interesses dos EUA do que revogar o visto da principal diplomata de um de nossos parceiros", publicou, de maneira irônica. "Mais uma vez, este governo desperdiçou a diplomacia, em prejuízo dos povos americano e brasileiro." Apesar da critica, Shaheen e Tim Kaine, também senador democrata, votaram para aprovar Perez. A justificativa por parte de Kaine, em entrevista à Folha, é decorrente do longo tempo que a vaga de embaixador está vazia no Brasil. Para ele, é melhor que o país tenha um representante, mesmo que seja um indicado do partido opositor, que não tenha. A justificativa do lado brasileiro para a não concessão do aval está relacionada ao fato do pedido ter rompido com o rito diplomático tradicional. Em geral, o nome de um embaixador só é anunciado ao público depois que o país anfitrião concede o agrément, rito sigiloso. No caso de Perez, o governo Trump anunciou publicamente a indicação antes de receber a autorização brasileira, tornando o processo um elemento adicional da tensão entre os dois países. Na quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão americana durante entrevista aos canais do YouTube Meteoro Brasil e Os Três Elementos. O petista lembrou que Trump permaneceu mais de um ano sem indicar um embaixador para o Brasil e afirmou que, posteriormente, passou a pressionar Brasília para aceitar rapidamente o nome escolhido por sua administração. Lula classificou a restrição ao visto da embaixadora brasileira como uma atitude irresponsável e impensada. Também afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois das eleições presidenciais de outubro, posição que, na prática, mantém indefinido o futuro de Daniel Perez. ** Com AF **
- Meta é condenada a pagar mais de US$ 500 milhões para Novo México por caso envolvendo menores
SANTA FÉ - Um juiz do Novo México determinou nesta quinta-feira, 6, que a Meta pague US$ 567 milhões após uma ação movida pelo Estado contra a empresa por causar "perturbação pública" e prejudicar menores de idade. A controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram já havia sido condenada, em março, a pagar US$ 375 milhões em indenizações ao Novo México, após um júri concluir que a empresa expôs crianças a predadores em suas plataformas, entre outros prejuízos. "Discordamos da decisão e vamos recorrer", afirmou a Meta em comunicado. "Trabalhamos arduamente para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e temos sido transparentes sobre os desafios de identificar e remover agentes mal-intencionados e conteúdos nocivos", acrescentou. O juiz incluiu no seu veredito uma série de medidas inéditas, que serão aplicadas por cinco anos às contas de adolescentes no Novo México. A Meta deverá, por exemplo, limitar a 90 horas por mês o tempo total de uso do Facebook e do Instagram por menores de 18 anos. Pais preocupados O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, processou a empresa em 2023 por não proteger menores dos perigos presentes na internet. Durante as alegações finais, a promotora Linda Singer afirmou ao júri que os algoritmos da Meta direcionavam adultos a conteúdos publicados por adolescentes, enquanto a empresa ocultava conclusões internas sobre os riscos para os jovens. Em março, o júri concluiu que a Meta violou a Lei de Práticas Desleais do estado ao enganar os consumidores sobre a segurança de seus produtos para menores. "Este caso sempre teve como objetivo proteger as crianças, defender as famílias e garantir que uma das maiores empresas de tecnologia do mundo não possa lucrar com práticas que colocam os jovens em risco sem enfrentar consequências", declarou Raúl Torrez em comunicado divulgado nesta quinta-feira. Parte dos US$ 567 milhões será destinada a tratamentos de saúde mental e o pagamento será feito ao longo de cinco anos. Os recursos também financiarão programas de conscientização e prevenção, além de outras iniciativas voltadas à proteção dos usuários contra riscos no ambiente digital. Milhares de ações judiciais foram movidas contra empresas de redes sociais nos Estados Unidos por supostos danos a crianças e à saúde mental. Mais de 30 estados processam a Meta por acusações semelhantes, e um julgamento pode começar em agosto, em Oakland, na Califórnia. Em julho, um adolescente americano retirou a ação contra a Meta poucos dias antes do início do julgamento. O jovem também firmou acordos confidenciais com o YouTube, o TikTok e o Snap. O caso era considerado um julgamento-modelo que poderia estabelecer um precedente para a resolução de milhares de ações semelhantes em todo o país. O primeiro julgamento sobre danos à saúde mental atribuídos às redes sociais foi concluído em março, quando um júri de Los Angeles determinou que a Meta e o Google pagassem US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) a uma mulher de 20 anos. Em maio, a Meta, a Snap, o TikTok e o YouTube firmaram acordos confidenciais com um distrito escolar de Kentucky. ** Com AFP **
- EUA comparam agentes do ICE a Homem-Aranha para promover operações
Internautas questionaram nos comentários se a Sony Pictures e a Marvel autorizaram o uso do personagem WASHINGTON - A Casa Branca publicou na conta oficial do governo no Instagram uma imagem que faz referência ao Homem-Aranha para divulgar a atuação do ICE. A publicação ocorre em meio a um recorde de detenções realizadas pelo órgão. A imagem mostra uma fila de homens envolvidos por uma teia, em referência ao personagem. Sobre a montagem, aparece a mensagem: “Estrangeiros ilegais criminosos serão capturados e deportados”. A frase original utiliza o termo “alien”, que no sistema jurídico dos Estados Unidos é usado para se referir a imigrantes sem documentação, mas também significa alienígenas. A legenda da publicação, a Casa Branca escreveu: “Os amigáveis agentes do ICE da sua vizinhança”. Nos comentários, usuários marcaram a Sony Pictures e a Marvel, questionando se as empresas autorizaram o uso da imagem da franquia e dos quadrinhos. Há sete dias em cartaz, Homem-Aranha: Um Novo Dia, tornou-se o filme com a maior bilheteria em 2026. A sequência do herói já acumula mais de U$1,1 bilhão arrecadados mundialmente. A postagem foi divulgada no momento em que o ICE registra um recorde no número de detenções. No último mês, autoridades federais de imigração detiveram mais de 10 mil pessoas, segundo o balanço da agência federal. ** Da Redação **
- Trump assina decreto para negar cidadania a filhos de 'turismo de nascimento'
Trump: 'Pessoas ricas estão construindo negócios em torno da cidadania por nascimento' WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira, 6, dois decretos para restringir o acesso à cidadania americana para filhos de estrangeiros. O primeiro trata de casos de "turismo de nascimento" -- quando as pessoas viajam aos EUA para que seus filhos nasçam no país e, automaticamente, sejam cidadãos americanos. Já o segundo impede o reconhecimento da cidadania americana de crianças nascidas nos EUA que sejam filhas de integrantes de missões diplomáticas. A proposta ainda pode ser estendida, no futuro, a territórios americanos como Porto Rico, caso o Congresso concorde em alterar as regras atuais. Um projeto de lei com esse objetivo foi apresentado no mês passado, mas não há expectativa de que seja aprovado. As medidas representam uma nova tentativa de Trump de limitar a cidadania por nascimento no país. "Pessoas ricas estão construindo negócios em torno da cidadania por nascimento. Não era assim que deveria funcionar. [...] Estão comprando seu caminho para entrar, e não vamos permitir que isso aconteça", justificou o presidente. O decreto se aplica apenas a futuros nascimentos ligados a quatro categorias: Filhos de mulheres que entrarem nos EUA exclusivamente para dar à luz: o alvo é o "turismo de nascimento". O decreto também pretende restringir o uso de barrigas de aluguel para esse fim. Filhos de integrantes de missões diplomáticas estrangeiras: a medida ampliaria as restrições hoje aplicadas a familiares de embaixadores para outros funcionários de outras nacionalidades que atuam nos EUA. Filhos de pessoas classificadas como "inimigos estrangeiros": a categoria incluiria integrantes de grupos considerados terroristas pelo governo americano. O governo também determina que os departamentos de Estado e de Segurança Interna criem novas regras e orientações para coibir o turismo de nascimento dentro e fora do país. As exceções para a nova norma são limitadas e podem ser aplicadas apenas em casos de interesse nacional ou por razões humanitárias específicas. Nenhuma lei dos EUA proíbe explicitamente o turismo de nascimento, mas um regulamento federal implementado em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, proíbe o uso de vistos temporários de turismo e negócios quando o objetivo principal é obter a cidadania para um recém-nascido. Pessoas que participam de esquemas de turismo de nascimento podem ser processadas por fraude ou outros crimes relacionados. Além disso, agentes de imigração podem barrar a entrada de gestantes caso concluam que a viagem tem essa finalidade. **Com Agências**
- Surto de salmonela nos EUA é ligado a pimentas jalapeño do México
93% dos entrevistados pela FDA relataram ter consumido refeições em restaurantes de estilo mexicano WASHINGTON - Autoridades de Saúde dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira, 6, que pimentas jalapeño associadas a um surto de salmonela em múltiplos Estados foram rastreadas até um produtor em Sinaloa, no México. Ao menos 345 pessoas em 27 Estados relataram infecção pela cepa ligada ao produto. Não houve mortes, mas 36 pessoas precisaram ser hospitalizadas. A maior parte dos casos foi registrada em Minnesota e Colorado. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), as pimentas foram importadas para os EUA pela Coast Citrus Distributors. A distribuidora recolheu o produto e iniciou a notificação de clientes, entre eles grandes redes de restaurantes de comida mexicana. A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário A Food and Drug Administration (FDA) informou que, entre 191 pessoas entrevistadas na investigação, 177 relataram ter consumido refeições em restaurantes de estilo mexicano entre 14 de junho e 14 de julho. Esse grupo representa 93% dos entrevistados. Entre os estabelecimentos citados estão Chipotle Mexican Grill e Qdoba. O Chipotle informou que retirou as pimentas jalapeño de algumas unidades. A Qdoba anunciou a remoção preventiva do ingrediente em todos os restaurantes da rede. Após essas medidas, o CDC afirmou em nota que nenhum dos dois estabelecimentos é considerado um risco contínuo para os consumidores no surto atual. A FDA também apura se parte das pimentas foi distribuída para supermercados e avalia novas ações de recall. O surto está ligado a pimentas jalapeño importadas do México, com 345 casos registrados em 27 Estados norte-americanos e 36 hospitalizações. As autoridades sanitárias mantêm a investigação sobre a distribuição do produto e possíveis medidas adicionais de recolhimento. ** Com AE **
- Comissão do Senado dos EUA aprova moção para declarar Fauci em desacato
Fauci alega que qualquer coisa que dissesse na sabatina do Senado seria usado contra ele WASHINGTON - Uma comissão do Senado dos Estados Unidos votou nesta quinta-feira, 6, a favor de declarar Anthony Fauci em desacato ao Congresso, depois que o ex-conselheiro médico chefe do presidente dos Estados Unidos se recusou a responder a perguntas sobre sua condução da pandemia de Covid-19. A Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais aprovou um encaminhamento proposto por seu presidente republicano, Rand Paul, do Kentucky, adversário de longa data de Fauci. A votação ocorreu após uma audiência na semana passada, na qual Fauci, de 85 anos e aposentado desde 2022, invocou a Quinta Emenda mais de cem vezes. Anthony Fauci, de terno azul e gravata, levanta a mão direita para prestar juramento em audiência formal. Ele está em um ambiente de madeira com microfone à frente e uma placa com seu nome. Ao fundo, outras pessoas observam atentamente. Fauci, que comandou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas durante 38 anos, tornou-se o rosto da resposta dos Estados Unidos à pandemia e um dos principais alvos da indignação com as medidas adotadas contra o coronavírus. O presidente Donald Trump e muitos conservadores o criticaram pelos lockdowns, pelas orientações sobre o uso de máscaras e o distanciamento social e por sua defesa das vacinas, que se tornaram altamente politizadas apesar de terem se mostrado seguras e eficazes. Fauci e autoridades de saúde pública de todo o mundo apoiaram as medidas com base nas evidências científicas disponíveis à época. O ex-presidente Joe Biden concedeu-lhe um indulto preventivo em janeiro de 2025, para protegê-lo de "processos injustificados e politicamente motivados" relacionados à Covid ou ao seu papel na resposta à pandemia. O indulto não abrange condutas posteriores. Paul afirmou que Fauci não tinha uma justificativa válida para invocar a Quinta Emenda porque o indulto anulou essa possibilidade e porque Fauci renunciou a qualquer proteção restante ao depor. Fauci disse à comissão que Paul o havia convocado apenas para forçá-lo a prestar um depoimento que respaldasse as reiteradas promessas públicas do senador de vê-lo preso. Um representante de Fauci não pôde ser contatado de imediato para comentar. Uma comissão do Congresso e, em seguida, o plenário do Senado normalmente precisam aprovar um encaminhamento por desacato, que provavelmente necessitaria de uma maioria de 60 votos, o que exigiria o apoio dos democratas —algo altamente improvável diante da defesa de Fauci pelo partido. Paul, porém, sugeriu que essa votação talvez seja desnecessária, ao dizer à Fox News que poderia enviar o encaminhamento ao Departamento de Justiça, acompanhado de um parecer jurídico. O gabinete de Paul não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Se o encaminhamento prosseguir, a Procuradoria dos Estados Unidos em Washington, comandada por Jeanine Pirro, aliada de Trump, irá analisá-lo e decidir se solicitará a um grande júri que apresente uma acusação formal. Fauci também enfrenta investigações em âmbito estadual, com a Louisiana se juntando à Flórida e ao Alabama na apuração de sua conduta durante a pandemia. Um indulto federal não impede acusações estaduais. ** Com Reuters **
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