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- Ações do ICE comprometem colheita dos EUA
Número de trabalhadores reduziu para menos da metade desde o início das batidas do ICE LOS ANGELES - As colheitas da Califórnia estão comprometidas à medida que o governo de Donald Trump avança na caçada aos imigrantes indocumentados. Grande parte dos produtos é colhida manualmente por estrangeiros que estão ilegalmente nos Estados Unidos, segundo dados oficiais. Lisa Tate representa a sexta geração de uma família de fazendeiros no condado de Ventura que produz bilhões de dólares em frutas e verduras todos os anos. Ela conta que viu de perto os impactos das ações do ICE realizadas neste mês. Segundo Lisa, as batidas assustaram os trabalhadores rurais. "Nos campos, eu diria que 70% dos trabalhadores foram embora. Se 70% da sua força de trabalho não aparecer, 70% da sua safra não será colhida e pode estragar em um dia." A fazendeira observa que a maioria dos norte-americanos não quer fazer o trabalho de colheita, e acrescenta que os produtores podem ir à falência por falta de mão de obra. "A maioria dos fazendeiros daqui mal está conseguindo sobreviver." Nas terras agrícolas ao norte de Los Angeles, dois fazendeiros, dois supervisores e quatro funcionários imigrantes do campo disseram que as batidas do ICE levaram a maioria dos trabalhadores a parar de comparecer. Isso significa que as plantações não estão sendo colhidas e as frutas e verduras estão apodrecendo na época de pico da colheita, avisam. Um mexicano que trabalha como supervisor de fazenda e preferiu não se identificar observa que costuma coordenar 300 trabalhadores na preparação de um campo de morangos. No dia da entrevista, tinha apenas 80. Em outra fazenda, um colega relata que a equipe habitual de 80 pessoas foi reduzida a apenas 17. Quebra no abastecimento de alimentos Economistas e políticos reconhecem que muitos dos trabalhadores agrícolas dos EUA estão no país ilegalmente e uma queda brusca nesse número pode causar prejuízos graves à cadeia de abastecimento de alimentos e à economia local. Douglas Holtz-Eakin, ex-diretor do Escritório de Orçamento do Congresso e integrante do Partido Republicano, estima que 80% dos trabalhadores do campo nos EUA são estrangeiros, e quase metade está em situação irregular. Segundo ele, a perda dessa mão de obra pode encarecer os alimentos para os consumidores. "Isso é ruim para as cadeias de suprimentos, ruim para o setor agrícola", disse Holtz-Eakin. Mais de um terço dos vegetais dos EUA e mais de três quartos das frutas e nozes do país são cultivados na Califórnia, de acordo com o Departamento de Alimentos e Agricultura do Estado. As fazendas e ranchos da região movimentaram quase US$ 60 bilhões em 2023. Entre quatro trabalhadores imigrantes ouvidos pela reportagem, dois estão em situação irregular e aceitaram falar sob anonimato, com medo de serem detidos pelo ICE. Um deles, de 54 anos, trabalha nos campos agrícolas dos EUA há 30 anos e tem esposa e filhos no país. Ele disse que a maioria de seus colegas deixou os campos. "Se eles aparecem para trabalhar, não sabem se voltarão a ver sua família", pondera. O outro trabalhador que está em situação irregular diz que ele e os colegas já acordam com medo. "Nos preocupamos com o sol, o calor e, agora, com um problema muito maior: muitos não voltam para casa. Eu tento não me meter em problemas. Agora, quem for preso por qualquer motivo será deportado." Segundo cinco grupos comunitários que apoiam os trabalhadores rurais, muitos imigrantes voltam aos campos, dias depois das operações, por não terem outra fonte de renda. Os trabalhadores também estão adotando outras medidas para reduzir a exposição, como pegar carona com pessoas com status legal para trabalhar ou enviar filhos de cidadãos norte-americanos para fazer compras no supermercado, disseram os grupos. Trump admitiu em uma postagem nas redes sociais, neste mês, que as batidas contra imigrantes rurais e funcionários de hotéis estavam "tirando trabalhadores muito bons e de longa data" desses setores, "sendo quase impossível substituir esses empregos" Depois, Trump disse a repórteres: "Nossos fazendeiros estão sendo muito prejudicados. Eles têm trabalhadores muito bons." E acrescentou: "Eles não são cidadãos, mas acabaram se tornando ótimos." Uma diretriz para evitar as operações do ICE nas fazenda chegou a ser emitida, mas logo o Departamento de Segurança Interna (DHS) voltou atrás e disse que nenhum local seria poupado para cumprir a agenda de combate à imigração ilegal. ** Com Reuters **
- Trump cogita deportar Musk e ameaça tirar subsídios
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuou nesta terça-feira, 1, que pode estudar a possibilidade de deportar Elon Musk, dono da Tesla, do X e da SpaceX, em mais um capítulo da relação de morde e assopra entre os dois bilionários. "Temos de dar uma olhada", disse Trump ao ser questionado sobre o assunto por jornalistas na Casa Branca. "Talvez tenhamos de colocar o Doge [Departamento de Eficiência do Governo] atrás de Musk. Você sabe o que é o Doge? É o monstro que talvez tenha de voltar e comer Elon. Não seria terrível? Ele recebe muitos subsídios", acrescentou. As declarações são uma resposta às recentes críticas de Musk, ex-chefe do Doge, ao projeto orçamentário do presidente, que prevê o aumento dos gastos em defesa e deve pressionar a já elevada dívida americana. "Se esse projeto de gastos insanos for aprovado, o Partido da América será formado no dia seguinte", afirmou o dono do X na rede social, acrescentando que os EUA precisam de uma alternativa ao bipartidarismo democrata-republicano. Musk, que é nascido na África do Sul, mas tem cidadania americana, e Trump já haviam trocado críticas no início de junho, quando o proprietário da Tesla chegou a propagar uma ligação do presidente com Jeffrey Epstein, empresário acusado de abuso sexual e tráfico internacional de menores e morto na prisão em 2019. Além disso, insinuou que Trump poderia sofrer impeachment, enquanto o mandatário disse que Musk "ficou louco" e ameaçou encerrar contratos e subsídios que beneficiam as empresas do ex-chefe do Doge. "Elon talvez receba mais subsídios do que qualquer outro ser humano na história, de longe, e sem subsídios, Elon provavelmente teria de fechar e voltar para sua casa na África do Sul. Sem mais lançamentos de foguetes, satélites ou produção de carros elétricos, e nosso país economizaria uma fortuna", escreveu o presidente na rede social Truth na última madrugada. ** Com ANSA **
- Brasileiro pega cinco meses de cadeia por vender documentos falsos em Massachusetts
Pena de cinco meses é bem menor do que setença máxima de 15 anos prevista para o crime BOSTON - O brasileiro Liene Tavares de Barros, de 40 anos, foi condenado na última semana a cinco meses de prisão em regime fechado pela fraude e venda de documentos nos Estados Unidos. Barros se declarou culpado em maio no Tribunal Federal de Massachusetts de vender green cards falsos e cartões do seguro social adulterados. Ele também confessou ter entrado ilegalmente nos Estados Unidos após ter sido deportado. A sentença da juíza Denise Casper prevê ainda dois anos de liberdade condicional, mas ele deve ser deportado em setembro por estar ilegal no país. A pena, muito mais branda do que a máxima de 15 anos prevista para esse tipo de crime, passa a contar da data da prisão do brasileiro em março, após uma investigação de mais de um ano. Leia também: Brasileiro se declara culpado pela venda de documentos falsos em Massachusetts Em outubro, um policial disfarçado comprou de Barros, que morava em Woburn, um cartão do seguro social e um green card por US$ 250. Dois meses depois, ele vendeu novamente documentos falsos para um agente por US$ 500. Em nota, o Departamento de Justiça dos EUA afirma que Barros foi expulso do país em 2010 e 2022 e "vai ser ser colocado em processo de deportação após cumprir a pena criminal". É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Republicanos do Senado buscam consenso para aprovar projeto orçamentário de Trump
Trump ainda não conquistou o apoio necessário para aprovar projeto que prevê cortes de imposto e investimento no ICE WASHINGTON - Os republicanos do Senado dos Estados Unidos buscavam aprovar o amplo projeto de lei de corte de impostos e gastos do presidente Donald Trump no início desta terça-feira, 1, em meio a profundas divisões dentro do partido sobre o esperado impacto de US$3,3 trilhões na pilha de dívidas do país. Os senadores permaneceram em sessão durante a noite, votando uma longa série de emendas, parte do processo que os republicanos estão usando para contornar as objeções democratas sob as regras do Senado, que normalmente exigem que 60 dos 100 membros concordem com a legislação. Nas primeiras horas da madrugada, os parlamentares votaram por 99 a 1 para retirar uma moratória federal de dez anos sobre a regulamentação estadual da inteligência artificial. Os republicanos detêm a maioria de 53 votos a 47 no Senado e a luta para aprovar o Big Beautiful Bill expôs as divisões dentro do partido em relação à dívida. O texto de autoria do Executivo também indica cortes no Medicaid e em alguns programas de assistência alimentar para norte-americanos de baixa renda para compensar parcialmente o custo da redução de impostos e direcionar quase US$ 80 bilhões para reforçar a política anti-imigrante da Casa Branca. "Eles ainda estão tentando chegar a uma resolução sobre a votação e provavelmente teremos um atraso de uma hora, porque eles precisam fazer todas as correções técnicas corretamente", disse o senador republicano Thom Tillis aos repórteres. Tillis foi um dos dois republicanos que votaram no sábado para tentar bloquear o avanço do projeto de lei, atraindo críticas intensas de Trump que levaram o parlamentar a dizer que não tentaria a reeleição no próximo ano. O não-partidário Congressional Budget Office divulgou sua avaliação no domingo sobre o impacto do projeto de lei na dívida de US$36,2 trilhões dos EUA. Estima-se que a versão do Senado custará US$3,3 trilhões, US$800 bilhões a mais do que a versão aprovada no mês passado na Câmara dos Deputados. ** Com Reuters **
- Cortes de ajuda externa dos EUA podem provocar mais de 14 milhões de mortes
Refugiados congoleses recebem saco de arroz da última leva distribuída pela Usaid antes do desmantelamento (Foto: AFP) WASHINGTON - Mais de 14 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade em todo o mundo, um terço delas crianças pequenas, podem morrer devido ao desmantelamento da ajuda externa dos Estados Unidos pelo governo de Donald Trump, segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira, 30, na revista científica The Lancet. "Para muitos países de renda baixa e média, o impacto resultante seria comparável em escala a uma pandemia global ou a um conflito armado importante", disse, em comunicado, Davide Rasella, coautor do estudo e pesquisador do Instituto de Saúde Global de Barcelona. A divulgação desta pesquisa coincide nesta semana com a conferência da ONU em Sevilha, na Espanha, dedicada à ajuda internacional e financiamento do desenvolvimento. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) fornecia mais de 40% dos recursos de ajuda humanitária mundial até o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro. Duas semanas depois, o então assessor próximo de Trump e homem mais rico do mundo, Elon Musk, afirmou ter desmantelado a agência. Musk liderou as críticas, compartilhadas há anos por republicanos e conservadores, de que a Usaid desperdiçava dinheiro público com programas dedicados à diversidade sexual ou em estudos questionáveis sobre o impacto das mudanças climáticas. Analisando os dados de 133 países, a equipe internacional de pesquisadores estimou que o financiamento da Usaid havia prevenido 91 milhões de mortes em nações de renda baixa e média entre 2001 e 2021. Também utilizaram modelos para projetar como cortes de 83% no financiamento, o número que o governo dos EUA anunciou no início deste ano, poderia afetar as taxas de mortalidade. Segundo essas projeções, os cortes poderiam levar a mais de 14 milhões de mortes adicionais até 2030. Esse número inclui mais de 4,5 milhões de crianças menores de cinco anos, ou cerca de 700 mil mortes infantis adicionais por ano. Os programas apoiados pela Usaid estavam ligados a uma diminuição de 15% nas mortes por todas as causas, de acordo com os pesquisadores. Para crianças menores de cinco anos, essa porcentagem dobra, chegando a 32%. Houve 65% menos mortes por HIV em países que receberam um alto nível de apoio em comparação com aqueles com pouco ou nenhum financiamento da Usaid, detalhou o estudo. Mortes por doenças tropicais negligenciadas foram reduzidas de forma semelhante, pela metade. Depois que a agência americana foi desmantelada, vários outros importantes doadores, incluindo Alemanha, Reino Unido e França, anunciaram planos para reduzir seus orçamentos de ajuda externa. Essas reduções de ajuda, particularmente na União Europeia, poderiam levar a "ainda mais mortes nos próximos anos", disse a coautora do estudo, Caterina Monti, do ISGlobal. Dezenas de líderes mundiais e mais de 4 mil representantes de empresas, sociedade civil e instituições financeiras estão reunidos em Sevilha esta semana para a maior conferência de ajuda internacional da última década. Os EUA não partcipam das discussões. "Agora é hora de expandir, não de retroceder", afirmou Rasella. Antes que seus fundos fossem cortados, a Usaid representava 0,3% de todo o gasto federal americano. "Os cidadãos americanos contribuem com cerca de 17 centavos por dia para a Usaid, cerca de US$ 64 por ano", indicou o coautor do estudo James Macinko da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). "Acredito que a maioria das pessoas apoiaria o financiamento contínuo da Usaid se soubesse quão eficaz pode ser uma pequena contribuição para salvar milhões de vidas", acrescentou Macinko. ** Com AFP **'
- Mais de 72 milhões de pessoas devem viajar na semana do 4 de Julho
O feriado prolongado leva milhares de pessoas a aproveitar uma semana de verão longe de casa WASHINGTON - Mais de 72 milhões de pessoas vão viajar durante a semana do feriado de 4 de Julho, informou a Associação Americana de Automóveis (AAA). De sábado (28) a domingo (5), 61,6 milhões de viajantes vão pegar a estrada, 2,2% a mais do que o ano passado. Os destinos mais visitados de carro devem ser Orlando, Denver, Boston, Oahu e Seattle, de acordo com a locadora Hertz. Os aeroportos também registram um novo recorde. É esperado 5,84milhões de passageiros, 8% a mais do que o Dia da Independência de 2024. Os viajantes estão preparados para gastar um pouco a mais. As passagens domésticas de ida e volta custam em torno de US$810, 4% mais caro em relação ao ano anterior. Além disso, outras 4,78 milhões pessoas vão viajar de trêm, ônibus e navio.
- Canadá revoga imposto sobre serviços digitais para avançar nas negociações comerciais com os EUA
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e o presidente dos EUA, Donald Trump, devem retomar as conversas WASHINGTON - O Canadá revogou seu imposto sobre serviços digitais voltado para empresas de tecnologia dos Estados Unidos no domingo, 29, poucas horas antes de entrar em vigor, em uma tentativa de avançar nas negociações comerciais enter os países. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e o presidente dos EUA, Donald Trump, devem chegar a um acordo até 21 de julho, informou o Ministério das Finanças do Canadá em um comunicado. Trump cancelou abruptamente as negociações comerciais na sexta-feira por causa do imposto direcionado às empresas de tecnologia americana, dizendo que era um “ataque flagrante”. Ele reiterou seus comentários no domingo, prometendo estabelecer uma nova taxa tarifária sobre os produtos canadenses na próxima semana, o que ameaçou levar as relações entre os EUA e o Canadá de volta ao caos após um período de relativa calma. O imposto digital planejado pelo Canadá era de 3% da receita de serviços digitais que uma empresa obtém de usuários canadenses acima de US$20 milhões em um ano calendário, e os pagamentos deveriam ser retroativos a 2022. Isso teria afetado as empresas de tecnologia dos EUA, incluindo Amazon, Meta, Google e Apple. A cobrança nesta segunda-feira será interrompida, informou o Ministério das Finanças do Canadá. A expectativa é que o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, apresente uma legislação para revogar a Lei do Imposto sobre Serviços Digitais. O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, depois do México, e o maior comprador das exportações norte-americanas. Os canadenses compraram US$349,4 bilhões em produtos no ano passado e exportaram US$412,7 bilhões para o país vizinho. ** Com Reuters **
- Suspeito de ataque a bombeiros é encontrado morto em Idaho
COEUR D'ALENE - Autoridades confirmaram na noite de domingo, 29, que encontraram o corpo do suposto autor do ataque a bombeiros em Idaho que deixou dois mortos. O homem ainda não foi identificado. "Com base em informações preliminares, acreditamos que foi o único atirador", disse o xerife do condado de Kootenai, Robert Norris, em entrevista coletiva. "Neste momento, não há ameaça à comunidade", acrescentou. O corpo foi encontrado na área da emboscada contra os bombeiros, segundo um comunicado anterior do xerife. Durante a noite, "membros de uma equipe da SWAT localizaram um homem morto na Montanha Canfield" e "uma arma de fogo foi encontrada nas proximidades", dizia o texto. Ataque Segundo a polícia, horas antes os bombeiros foram surpreendidos por tiros enquanto um incêndio se alastrava na área montanhosa da localidade. Dois foram mortos e um ferido foi hospitalizado para uma cirurgia. "Está lutando pela vida, mas seu estado de saúde é estável", disse Norris. A suspeita é de que o incêndio foi sido criminoso. "Acreditamos que o suspeito iniciou o incêndio, que foi uma emboscada e que foi intencional", afirmou o xerife. ** Com Agências **
- Suprema Corte limita ação de tribunais contra decreto que barra cidadania a filhos de imigrantes
Decisão da Corte vai permitir que 28 estados barrem a nacionalidade (Foto: Ian Hutchinson) WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira, 27, limitar o alcance das decisões de tribunais inferiores em relação a decretos do governo federal, em uma vitória para o presidente Donald Trump. A medida impacta também no direito à cidadania por nascimento de filhos de imigrantes em parte do país. O resultado do julgamento derruba as decisões de Cortes inferiores com relação às ordens executivas do republicano. A questão mais polêmica envolvendo estrangeiros está justamente no direito da cidadania automática de filhos de imigrantes. O decreto assinado em janeiro determina que só seria considerado americano quem tivesse pelo menos um dos pais cidadão norte-americano ou portador de green card. A corte não discutiu a constitucionalidade do decreto, mas, em tese, libera a aplicação da medida nos 28 estados onde o ato executivo não foi questionado. Ou seja, em uma parte do país, ficará banida a concessão automática de cidadania a filhos de imigrantes por nascimento. Não há detalhes claros de como isso será aplicado e a decisão só entrará em vigor daqui a 30 dias. Nesse período, ela devolverá os casos aos tribunais inferiores reavaliarem a medida. A determinação é uma das maiores vitórias deste segundo mandato de Trump, porque até então a Justiça atuava como freio aos atos executivos do presidente, bloqueando uma série deles. A decisão foi tomada por seis votos a três, destacando que a Corte tem maioria conservadora. Uma das juízas liberais, Sonia Sotomayor que discordou da maioria, chamou a decisão de "grande erro". Ela leu o voto dela da tribuna e disse que a determinação é uma "tragédia para o Estado de Direito". Trump celebrou a decisão do Supremo. "ENORME VITÓRIA na Suprema Corte dos Estados Unidos! Até mesmo a farsa da Cidadania por Nascimento foi, indiretamente, duramente atingida," afirmou na sua rede social Truth Social. "Isso tinha a ver com os bebês de escravos, não com a FRAUDE do nosso processo de imigração." Depois, em uma entrevista coletiva à imprensa, Trump disse que esta é uma "vitória monumental" contra juízes que, segundo ele, estavam "abusando do poder" ao bloquear a efetividade das suas políticas. "Foi uma vitória monumental para a separação dos Poderes e o Estado de Direito", disse. Trump disse que magistrados de esquerda estavam ameaçando a democracia com suas decisões. O presidente agradeceu diversas vezes à Suprema Corte pelo julgamento. A secretária de Justiça, Pam Bondi, disse que houve ao menos 40 decisões de juízes bloqueando políticas de Trump. Ela esclareceu que a constitucionalidade sobre o decreto que trata do direito à cidadania por nascimento será julgado em outubro pela Suprema Corte. Até lá, todos os processos sobre o assunto serão indiretamente afetados, sendo analisados um a um. Os juízes poderão bloquear a aplicação do decreto nos Estados, mas, onde não houver uma ordem nesse sentido, o decreto de Trump poderá vigorar. O julgamento realizado pela Suprema Corte ocorreu porque, ao mesmo tempo em que o governo pediu para que liberasse novamente os efeitos do decreto, solicitou também para analisar se tribunais de instâncias inferiores podem emitir medidas liminares com alcance nacional. Segundo o Congressional Research Service (Serviço de Pesquisa do Congresso), as cortes federais já emitiram ao menos 17 ordens de caráter nacional bloqueando ações de Trump. Além desta relativa ao direito à cidadania por nascimento, também pausaram a decisão da Casa Branca de acabar com o status de proteção temporária a 350 mil venezuelanos - algo liberado depois. O decreto de Trump havia sido suspenso por cinco cortes federais, que o considerara inconstitucional por contrariar o texto da 14ª emenda, que diz: "todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãos dos Estados Unidos e do estado no qual residem". Nos EUA, o "jus soli", como também é chamado o direito à cidadania por nascimento, foi codificado na Constituição em 1868, quando a 14ª emenda foi aprovada. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Lula publica decreto que muda regras sobre traslado de corpos após morte de brasileira na Indonésia
Lula alterou decreto de 2017 e autoriza governo a pagar custos de traslados em certa condições BRASÍLIA - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assinou um decreto para mudar as regras que antes impediam o governo federal de custear o traslado de corpos de brasileiros que morreram no exterior. A nova diretriz afirma que em casos de dificuldades financeiras ou mortes que causam comoção são exceções e podem receber custeio do Ministério das Relações Exteriores para que o corpo volte ao país. A alteração do texto de 2017 foi anunciada na quinta-feira, 26, e publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 27. No texto, são definidas como exceções as seguintes situações: A família comprovar incapacidade financeira para o custeio das despesas com o traslado; As despesas com o traslado não estiverem cobertas por seguro contratado pelo morto ou em favor dele, ou previstas em contrato de trabalho se o deslocamento para o exterior tiver ocorrido a serviço; O falecimento ocorrer em circunstâncias que causem comoção; e Houver disponibilidade orçamentária e financeira. O Ministro das Relações Exteriores será o responsável por definir a concessão e execução do traslado, segundo o decreto alterado. A mudança acontece após a morte da brasileira Juliana Marins, que caiu de uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia. Ela passou quase quatro dias dentro do vulcão até o corpo ser resgatado na quarta-feira, 25. Mas o valor do translado do corpo de Juliana para o Brasil foi pago pela Prefeitura de Niterói, onde a vítima morava. A família da jovem recebeu R$ 55 mil do município para arcar com os custos. O prefeito Rodrigo Neves (PDT) já havia prometido o auxílio quando o presidente Lula anunciou que faria a mudança no decreto. "Quando chegar a Brasília, vou revogar o decreto e fazer outro para que o governo assuma a responsabilidade de custear as despesas da vinda do corpo dessa jovem para o Brasil", disse. Lula também contou ter falado por telefone com o país de Juliane, Manoel Marins "Eu disse para ele [pai de Juliana] que eu sei que não existe nada pior do que um pai ou a mãe perdeu um filho. (...) É um sofrimento que não tem cura. Eu falei para o seu Manoel, a gente vai ajudar no seu sofrimento, resgatando a sua filha e trazendo. Vamos cuidar de todos os brasileiros, estejam eles onde estiverem", afirmou o presidente. O Itamaraty, entretanto, ainda não respondeu qual é o valor disponível para fazer os traslados de corpos de brasileiros que morrem no exterior. Só nos Estados Unidos, aparecem nas redes sociais pedidos de ajuda todos os dias para esse tipo de situação. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Veterano condecorado dos EUA volta para Coréia do Sul após ordem de deportação
WASHINGTON - Veterano do Exército dos Estados Unidos, Sae Joon Park tinha visto de residência permanente (green card) há quase 50 anos e chegou a ser condecorado com uma das maiores honrarias das Forças Armadas. Apesar disso, sua trajetória não foi suficiente para poupá-lo da caça aos imigrantes promovida pelo governo de Donald Trump. Nesta semana, Park se "autodeportou" para a Coreia do Sul, de onde havia emigrado ainda criança, depois de ser tornar alvo da política repressiva do ICE. O motivo? Um histórico de dependência química fruto de um quadro de transtorno pós-traumático adquirido após o serviço militar. "Não consigo acreditar que isso está acontecendo na América", disse Park à National Public Radio (NPR), pouco antes de partir do Havaí, na última segunda-feira. "Isso me destrói, [é] um país pelo qual eu lutei". A sua história ilustra os impactos das políticas migratórias de Donald Trump sobre imigrantes que, como Park, conquistaram o tão sonhado green card, mas ainda são não estão totalmente seguros. O caso também expõe os obstáculos que veteranos estrangeiros enfrentam após se envolverem em problemas com a Justiça. Park, hoje com 55 anos, foi trazido da Coreia do Sul aos sete anos e se alistou após o ensino médio. Serviu na invasão dos EUA ao Panamá, em 1989, durante a operação “Just Cause”, que derrubou o regime do general Manuel Noriega — acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e extorsão. Durante um tiroteio com tropas panamenhas, Park foi baleado nas costas. Ele então retornou aos EUA, recebeu a medalha Coração Púrpura, concedida a militares feridos em combate, foi dispensado com honra e iniciou sua recuperação física. No entanto, segundo contou à NPR, o transtorno de estresse pós-traumático o levou ao vício em crack. Em 2009, foi preso em Nova York ao tentar comprar a droga. O veterano admitiu ter faltado a uma audiência judicial sobre o caso temendo ser reprovado no toxicológico – o que frustrou sua tentativa de se tornar cidadão americano, benefício disponível a veteranos estrangeiros que, como ele, serviram com honra. A princípio, um juiz determinou sua deportação, mas ele pôde permanecer no país mediante apresentação anual ao ICE. Com isso, Park se estabeleceu no Havaí, onde criou seus dois filhos. Em junho, segundo a NPR, o ICE o notificou de que ele seria detido e deportado, a menos que saísse voluntariamente do país. Ele optou por se despedir dos filhos, amigos e da mãe de 85 anos, com princípio de demência, e embarcou para a Coreia do Sul. "Ela meio que nem sabe direito o que está acontecendo", contou Park no aeroporto de Honolulu, batizado em homenagem a um veterano japonês-americano da Segunda Guerra Mundial cujos parentes foram enviados a campos de concentração nos EUA. O governo Trump sempre defendeu publicamente sua linha dura migratória. Na quarta-feira, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou em nota que Park tem “condenações por posse, fabricação ou venda de arma perigosa, porte de arma de fogo carregada em local público, agressão e posse criminosa de substância controlada”. A nota não detalha os crimes, mas afirma que sua ordem de deportação já julgada o privava de “base legal para permanecer nos EUA”. “Se você vier ao nosso país e quebrar nossas leis, nós vamos encontrá-lo, prendê-lo e deportá-lo”, disse McLaughlin. “Isso é uma promessa.” Park declarou à KITV, emissora do Havaí, e à NPR sentir-se grato por ter servido nas Forças Armadas dos EUA e ter a oportunidade de sair voluntariamente. Mas classificou sua experiência com o ICE como “injusta”. "Eu estava em estado de negação até o último minuto, mas a realidade está batendo muito forte. Eu realmente não consigo acreditar que isso está acontecendo", desabafou. ** Com Agências **
- Brasileira de 19 anos diz que viveu "os dias mais difíceis" em prisão do ICE
Caroline afirma que agente do ICE reconheceu que não era certo prendê-la, mas estava de "mãos atadas" SALT LAKE CITY - A brasileira Caroline Dias Gonçalves, de 19 anos, afirmou ter passado por dias muito difíceis ao se pronunciar pela primeira após permanecer mais de duas semanas presa sob custódia do ICE no Colorado. "Os últimos 15 dias foram os mais difíceis da minha vida. Eu estava com medo e me sentia sozinha", desabafa por meio de uma nota pública divulgada pelo TheDream.US, organização sem fins lucrativos dedicada a oferecer bolsas de estudos para jovens imigrantes. Em tempo: A brasileira é beneficiada por esse programa e estuda Enfermagem como bolsista na Universidade de Utah. Caroline foi solta na sexta-feira, 20, mais de 36 horas após a Justiça americana decidir pela soltura, em audiência realizada na quarta-feira anterior. Ela pagou uma fiança de US$ 2.500 e está usando uma tornozeleira eletrônica. A estudante de Enfermagem se queixou da qualidade da comida no presídio privado do ICE em Aurora. "Na detenção, nos davam comida encharcada – até o pão vinha molhado", descreve. A jovem também relatou uma diferença de tratamento entre os imigrantes presos que falam inglês e aqueles que não dominam o idioma. "No momento em que perceberam que eu falava inglês, notei uma mudança. De repente, fui tratada melhor do que outras pessoas que não falavam inglês", observa. "Isso partiu meu coração. Porque ninguém merece ser tratado assim. Não em um país que chamo de lar desde os 7 anos de idade e que é tudo o que eu conheço." Leia também: Corte de imigração libera universitária brasileira sob fiança A reportagem procurou o ICE para responder às críticas feitas por Caroline. Por email, a secretária adjunta de Assuntos Públicos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês), Tricia McLaughlin, desqualificou as declarações da brasileira. O ICE é subordinado ao DHS. "Qualquer alegação de que indivíduos são tratados de forma diferente pelas autoridades por causa do idioma que falam é categoricamente FALSA. Esse tipo de ataque tem como objetivo demonizar e vilanizar nossos corajosos agentes do ICE. Esse tipo de lixo resultou em um aumento de mais de 500% nos ataques contra agentes da lei", declara McLaughlin. "Os fatos são: Caroline Dias Gonçalves, uma imigrante ilegal do Brasil, foi presa pelo ICE em 5 de junho de 2025. Seu visto expirou há mais de uma década. O presidente Trump e a secretária [Kristi] Noem [do DHS] estão comprometidos em restaurar a integridade do programa de vistos e garantir que ele não seja abusado como um passe-livre para estrangeiros permanecerem nos EUA." A secretária adjunta disse ainda que o ICE é regularmente auditado e inspecionado por agências externas para garantir que todas as suas instalações estejam em conformidade com os padrões nacionais de detenção. A reportagem encaminhou a resposta de McLaughlin ao advogado de Caroline, Jonathan M. Hyman, para comentário. "A linguagem usada pela secretária adjunta é puramente política e retórica vazia", rebate Hyman. "Ninguém apoia agressões contra agentes da lei. Embora as alegações sobre o aumento desses ataques devam ser verificadas, encorajo a secretária adjunta e seu departamento a serem honestos e transparentes." 'Espero que mais ninguém tenha que passar pelo que passei' Em sua nota pública, a brasileira agradeceu a seus amigos e familiares pela mobilização em favor de sua libertação. E disse desculpar o agente do ICE que a prendeu. "Ele pediu desculpas e dizia que queria me soltar, mas que suas 'mãos estavam atadas'. Não havia nada que ele pudesse fazer, mesmo sabendo que aquilo era errado", conta Caroline. "Quero que você saiba — eu te perdoo. Porque acredito que as pessoas podem fazer escolhas melhores quando têm essa opção." Caroline também disse esperar que outros não passem pelo que ela passou. "Espero que mais ninguém tenha que passar pelo que eu passei. Mas sei que, neste momento, mais de 1.300 pessoas ainda vivem o mesmo pesadelo naquela unidade de detenção em Aurora. Elas são como eu — incluindo outras pessoas que cresceram aqui, que amam este país e que querem apenas uma chance de pertencer", destaca a brasileira. Leia também: 59 mil imigrantes estão presos sob custódia do ICE "Imigrantes como eu — não estamos pedindo nada de especial. Apenas uma chance justa de ajustar nosso status [imigratório], de nos sentirmos seguros e de continuar construindo as vidas pelas quais tanto lutamos neste país que chamamos de lar." A estudante vive nos Estados Unidos desde os 7 anos com a família. Eles entraram no país com visto de turista e ficaram além do prazo de permanência de seis meses. Há três anos, a família entrou com um pedido de asilo e ainda aguarda uma decisão — não estão claros os motivos alegados no requerimento. ** Com BBC **
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