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- Trump revoga diretriz que garante apoio para estudantes que não falam inglês
Filhos de imigrantes devem sofrer impacto da medida republicana WASHINGTON - O governo Trump revogou essa semana uma diretriz federal que garante a proteção dos direitos civis de cerca de 5 milhões de crianças sem proficiência em inglês que frequentam escolas públicas nos Estados Unidos. Desde 2015, uma decisão conjunta dos Departamentos de Justiça e Educação destacava que os distritos escolares agissem para prevenir a discriminação e cumprir as sentenças judiciais que protegem o direito dos alunos de aprender o idioma. Entretanto, na quarta-feira, 20, o site do Departamento de Educação publicou esse documento com um carimbo vermelho informando que o conteúdo foi "formalmente rescindido e vale apenas para fins históricos". O Estados podem manter as aulas de inglês como segunda língua (ESL), mas vão enfrentar dificuldades sem a verba federal. Especialistas avaliam que a iniciativa compromete o aprendizado e o desenvolvimento acadêmico dos estudantes. A ex-chefe do Escritório de Aquisição da Língua Inglesa do Departamento de Educação durante o governo democrata de Joe Biden, Montserrat Garibay, disse ao canal de notícias Chalkbeat na quarta-feira que "há um alto risco de que os alunos [aprendizes de inglês] não recebam o apoio linguístico e acadêmico de que precisam". Já a deputada democrata Pramila Jayapal, de Washington, define a ação como "mais uma medida ridícula de Trump que só prejudicará as crianças que se dedicam a aprender inglês". "É uma ação discriminatória que impactará milhões de crianças, muitas das quais nasceram neste país." ** Com Agências **
- Juíza ordena desmantelamento da "Alcatraz dos Jacarés" em 60 dias
TALLAHASSEE - Uma juíza proibiu na quinta-feira as autoridades americanas de enviar novos presos para o centro de detenção de migrantes conhecido como "Alcatraz dos Jacarés", na Flórida, e ordenou o desmantelamento do local em um prazo de 60 dias, por considerar que viola as normas ambientais. A ordem da juíza Kathleen M. Williams é um revés para o governo da Flórida e a administração do presidente Donald Trump, que pretendiam transformar as instalações no centro dos Everglades em um modelo para outros centros de detenção do país. A decisão judicial amplia uma suspensão das obras decretada pela mesma juíza há duas semanas e pede que as autoridades retirem as cercas temporárias, os sistemas de iluminação, geradores, sistemas de tratamento de esgoto e demais elementos "instalados para sustentar este projeto", o que implicaria o fechamento do local. Segundo a magistrada, o estado e o governo americano violaram uma lei federal que exige uma avaliação de impacto ambiental antes da construção de instalações como o centro de detenção. A juíza deu razão a grupos ambientalistas e à tribo local Miccosukee, que apresentaram uma ação alegando que o centro de detenção era um perigo para o delicado ecossistema local de pântanos. "O projeto causa danos irreparáveis na forma de perda de habitat e aumento da mortalidade de espécies em perigo de extinção na região", escreveu a magistrada em sua ordem. O governo da Flórida, proprietário das instalações, apresentou recurso contra a decisão judicial. A administração do governador Ron DeSantis construiu o centro em uma base aérea abandonada nos Everglades em apenas oito dias, com o objetivo de ajudar o presidente Trump em sua campanha contra a imigração irregular. Desde a abertura em 2 de julho, ativistas e opositores pediam o fechamento, pois consideravam que colocava em risco uma área natural protegida e que não respeitava os direitos dos detentos. Vários presos e advogados denunciaram recentemente péssimas condições de detenção. Em entrevistas à AFP, eles mencionaram dias inteiros sem ver a luz do sol e criticaram a falta de higiene e de acesso a cuidados médicos para os migrantes detidos. Um deles, transferido para outro centro, acusou os carcereiros de agressão depois que reclamou das condições do local. Com a ordem publicada na quinta-feira, a juíza Williams, nomeada pelo ex-presidente democrata Barack Obama em 2011, se torna uma pedra no sapato do governo de Ron DeSantis. Há poucos meses, ela já havia bloqueado uma lei estadual que tornava crime a entrada de migrantes sem documentos na Flórida, o que gerou muitas críticas do governo. ** Com AFP **
- EUA suspendem emissão de vistos para caminhoneiros
WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 21, a suspensão da emissão de vistos para motoristas de caminhão, que acusa de colocarem "a vida dos americanos em risco" nas estradas. "Com efeito imediato, suspendemos a emissão de vistos de trabalho para caminhoneiros comerciais", anunciou na rede social X o secretário de Estado, Marco Rubio, sobre um tema cada vez mais importante para os apoiadores do presidente Donald Trump. "O número crescente de estrangeiros que dirigem caminhões de grande porte nas estradas americanas coloca em risco a vida dos cidadãos e prejudica o sustento dos caminhoneiros americanos", acrescentou Rubio, que não apresentou números que sustentem a acusação. O governo Trump já havia reclamado de que muitos caminhoneiros estrangeiros não falavam inglês. O anúncio do secretário de Estado é feito após um caminhoneiro estrangeiro ser indiciado pela morte de três pessoas em uma rodovia da Flórida devido a uma manobra ilegal. Originário da Índia, Harjinder Singh teria entrado ilegalmente nos EUA a partir do México, e foi reprovado em um teste de inglês após o acidente, segundo agentes federais. O caso foi noticiado com destaque pela imprensa americana e ganhou dimensão política, em parte porque Singh obteve sua habilitação comercial na Califórnia, onde reside. O estado é governado por democratas contrários à abordagem dura de Trump contra a imigração. "Esse acidente foi uma tragédia evitável, diretamente causada por decisões imprudentes e agravada por falhas desprezíveis", disse o secretário de Transporte, Sean Duffy. ** Com AFP **
- Lei da Flórida exige que escolas tenham permissão dos pais para bater em crianças
Punição corporal em escolas já era permitida na Flórida e com registro em 17 condados TALLAHASSEE - As escolas precisam da permissão dos pais e do aval do distrito escolar para "punir fisicamente" os alunos, de acordo com uma lei que pretende corrigir uma legislação contraditória da Flórida a partir deste ano letivo. A autora do texto, a deputada Dana Trabulsy, definiu a lei como "uma espécie de compromisso". A republicana afirma que os colegas não estão prontos para banir a prática e, por isso, "mantê -la sob condições já é um avanço". A punição deve ser formalmente aprovada pelo conselho escolar e os pais precisam assinar um termo de consentimento, diz a House Bill 1255 sancionada no primeiro semestre. Dezenove distritos escolares públicos na Flórida já adotavam o castigo corporal. No período de 2023-24 esse tipo de punição foi usado mais de 500 vezes em 17 distritos, de acordo com Departamento de Educação. O órgão defende que "o uso moderado de força física ou contato físico por um professor ou diretor para manter a disciplina ou fazer cumprir as regras da escola". Mas isso não é uma exclusividade da Flórida, a prática é aplicada em escolas públicas de outros 14 Estados americanos. Katie Becker, que lidera a Parenting Matters, uma organização sem fins lucrativos que apoia famílias em Suncoast, observa que o castigo corporal é prejudicial. “Temos evidências e pesquisas mostrando que o castigo corporal afeta negativamente o futuro de uma criança”, disse Becker. “Nosso objetivo para a infância não é apenas sobreviver a ela, é prosperar nela.” É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Vice-presidente dos EUA é vaiado em visita a tropas em Washington
JD Vance enfrentou oposição de residentes de Washington WASHINGTON - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, foi recebido com vaias ao visitar nesta quarta-feira, 20, as tropas mobilizadas pelo governo na capital do país, onde é esperada a chegada de centenas de efetivos de vários estados governados por republicanos. Na semana passada, o presidente republicano Donald Trump ordenou o envio à capital de reservistas da Guarda Nacional no âmbito do que classificou como sua ofensiva contra a criminalidade, apesar de as estatísticas mostrarem uma redução dos crimes violentos na cidade. A Guarda Nacional de Washington mobilizou 800 soldados, enquanto os estados de Ohio, Louisiana, Mississippi, Carolina do Sul, Tennessee e Virgínia Ocidental enviarão um total de cerca de 1.200 soldados a mais. Vance visitou as tropas na estação ferroviária Union Station junto com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. Fortes vaias foram ouvidas do lado de fora quando o vice-presidente entrou em um restaurante de fast food na estação, e também gritos de "Libertem Washington!" enquanto Vance saudava as tropas e falava com a imprensa. Vance classificou os manifestantes como "desequilibrados" e disse: "Ouvimos essas pessoas gritando lá fora 'Libertem Washington!'. Vamos libertar Washington da anarquia. Vamos libertar Washington de uma das taxas de homicídio mais altas do mundo". Políticos republicanos afirmam que Washington, uma cidade majoritariamente democrata, está cheia de criminosos e moradores de rua e tem uma má gestão financeira. No entanto, dados da polícia da capital mostram quedas significativas nos crimes violentos entre 2023 e 2024, após um aumento de casos no período pós-pandemia. O governo de Trump também tentou assumir o controle total do departamento de polícia local de Washington. Após uma contestação legal, o republicano concordou em permitir que o chefe de polícia permanecesse no comando, mas exigiu que a polícia cooperasse com as autoridades de imigração. Em junho, Trump enviou a Guarda Nacional e fuzileiros navais para Los Angeles para conter os distúrbios provocados pelas operações de imigração. Foi a primeira vez desde 1965 que um presidente dos Estados Unidos mobilizou a Guarda Nacional contra a vontade de um governador estadual. ** Com AFP **
- Morre Frank Caprio conhecido com o juiz "mais legal do mundo"
Audiências emocionantes do juiz Caprio viralizavam na internet PROVIDENCE - Frank Caprio, o juiz americano que se tornou uma sensação na televisão e na internet desde os anos 2000 por sua compaixão e gentileza nos tribunais, morreu aos 88 anos, anunciou sua família. O jurista de Rhode Island, que atuou como advogado por quase quatro décadas antes de se aposentar em 2023, tornou-se famoso por seu reality show judicial "Caught in Providence", no qual demonstrava clemência em infrações pequeno potencial ofensivo. No programa, dispensava multas a famílias em dificuldades ou pedia aos filhos que ajudassem a decidir a punição de seus pais. Caprio atraiu milhões de seguidores nas redes sociais, que o apelidaram de "o juiz mais gentil do mundo". "É com profunda tristeza que anuncio que meu pai, o juiz Frank Caprio, faleceu hoje, cercado por sua família e amigos, após uma longa e corajosa batalha contra o câncer de pâncreas", disse seu filho, David Caprio, em um vídeo publicado na quarta-feira na conta do juiz no Instagram. Sua família afirmou em um comunicado que ele era "amado em todo o mundo por sua profunda compaixão, humildade e fé inabalável na bondade das pessoas", além de ser "um exemplo de humanidade". Nascido em 1936, Caprio postou um vídeo na terça-feira, de uma cama de hospital, pedindo orações após sofrer um "revés" em sua saúde. O governador de Rhode Island, Dan McKee, o elogiou como "mais do que um jurista: foi um símbolo de empatia no tribunal, mostrando-nos o que é possível quando a justiça é temperada com humanidade". McKee também ordenou que as bandeiras estaduais fossem hasteadas a meio mastro em memória do juiz. ** Com AFP **
- EUA pintam de preto muro na fronteira com México para dificultar travessia
Kristi Noem colocou a mão na tinta para mandar recado contra imigração ilegal WASHINGTON - Os Estados Unidos estão pintando de preto a cerca de ferro que divide o país do México para ficar mais quente e difícil de escalar, segundo anunciou a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem. Em declaração a jornalistas num trecho da fronteira no estado do Novo México, Noem afirmou na terça-feira, 19, que a pintura preta foi "um pedido expresso do presidente". "[Trump] entende que, com as altas temperaturas que fazem aqui, quando se pinta algo de preto, esquenta ainda mais. Isso tornará mais difícil para as pessoas escalarem", acrescentou. Em sua conta no X, Noem escreveu: "Este muro faz parte da mudança. Alto demais para escalá-lo. Estreito demais para atravessá-lo. E agora, tão quente ao toque que criminosos estrangeiros ilegais nem sequer tentarão". Agentes da Patrulha de Fronteira afirmam que a pintura preta também ajudará a evitar que o muro enferruje. Além das detenções e deportações que marcam a política migratória do governo, um projeto de lei proposto por Trump e aprovado no início deste verão no país destinou US$ 46 bilhões para a expansão do muro ao longo da fronteira. Segundo Noem, a cada dia são construídos cerca de 0,8 km de muro ao longo dos quase 3.218 km de fronteira. "É tanto um escudo quanto um símbolo: um monumento ao compromisso inabalável do presidente Trump com este país e com a segurança do povo americano", escreveu Noem no X. 'Custo exorbitante' Não é a primeira vez que o governo dos EUA considera pintar de preto o muro na fronteira. Durante o primeiro governo Trump, em 2020, a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) informou que estava testando a pintura em algumas seções da barreira - em San Luis, no Arizona, e em Artesia, no Novo México -, a fim de avaliar os potenciais benefícios da ideia tanto para a manutenção da infraestrutura quanto para o combate à imigração irregular. Na época, o jornal Washington Post estimou, com base em contratos governamentais aos quais teve acesso, que a mudança de cor do muro poderia custar pelo menos US$ 500 milhões, dependendo do tipo de tinta e do número de camadas aplicadas. Um especialista em construção afirmou ao jornal que o metal original do muro já absorvia uma quantidade considerável do calor do deserto e que não havia "razão técnica" para recobri-lo de preto. Ele acrescentou ainda que a tinta preta pode desbotar com o tempo, o que afetaria sua emissividade. As críticas desta vez também não demoraram a aparecer. "A loucura é que eles têm dinheiro para isso, apesar de ser algo que custa milhões de dólares", escreveu nesta quarta-feira no X Aaron Reichlin-Melnick, do American Immigration Council, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington que defende os direitos dos migrantes. "O Congresso decidiu cortar recursos destinados a benefícios para os americanos e, em vez disso, entregar bilhões à CBS, que agora usará para pintar o muro de preto", acrescentou, destacando ainda o "exorbitante gasto de manutenção" que a medida implica, "apesar de ser completamente inútil". Os comentários seguem a mesma linha do que o American Immigration Council já havia declarado quando o Congresso aprovou a lei que destinará US$ 46 bilhões para o muro. "É mais do triplo do que o governo Trump gastou em seu primeiro mandato, apesar de o muro ter sido um fracasso em melhorar ou contribuir de maneira significativa para a estratégia de gestão da fronteira", afirmou a entidade na ocasião, em comunicado. O projeto de lei — batizado pelo próprio presidente como o "grande e belo projeto de lei" (One Big Beautiful Bill) — também prevê maior financiamento para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em geral. "Ao aprovar este projeto de lei, o Congresso está retirando cuidados médicos vitais de milhões de americanos para financiar uma agenda de deportação cada vez mais agressiva, perigosa e obsessiva", denunciou Sarah Mehta, diretora-adjunta para assuntos governamentais da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). "Com mais de US$ 170 bilhões, o ICE se tornará a maior agência de aplicação da lei nos EUA, com um orçamento maior que o da maioria dos exércitos do mundo", acrescentou. Medidas de Trump contra a imigração O número de travessias irregulares na fronteira caiu drasticamente nos últimos meses, e o governo Trump afirma que as detenções em massa estão funcionando como fator de dissuasão da imigração irregular. A secretária Noem acrescentou que o governo planeja instalar mais "infraestruturas aquáticas" ao longo do rio Grande (rio Bravo, no México), que constitui mais da metade da fronteira entre os dois países. Embora Noem não tenha dado mais detalhes sobre esses projetos, as autoridades do Texas já instalaram grandes boias laranjas com pontas e cercas fortificadas nas margens, vigiadas pela polícia estadual, pela polícia local e pela Guarda Nacional do Texas em alguns trechos do rio. Desde o retorno de Trump à presidência, o número de migrantes que cruzam irregularmente a fronteira chegou a mínimos históricos de aproximadamente 4,6 mil em julho e 6 mil em junho — uma redução de 92% em relação ao ano anterior. Durante o governo Biden, as detenções chegaram a atingir uma média de 6 mil por dia em alguns períodos. No início de agosto, Noem afirmou que um total de 1,6 milhão de imigrantes indocumentados deixaram os EUA durante os primeiros 200 dias de governo Trump, sem especificar quantos foram deportados e quantos foram embora por conta própria. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou também no início de agosto que 300 mil imigrantes indocumentados foram detidos no país desde janeiro. O governo continua defendendo que sua prioridade são as pessoas com antecedentes criminais, mas defensores dos imigrantes têm denunciado que muitas pessoas sem acusações criminais ou com infrações leves acabaram presas nas operações. A Casa Branca sustenta que o reforço da segurança na fronteira e as deportações em massa tiveram efeito dissuasório e seriam a principal razão para a queda nos números da fronteira entre Estados Unidos e México. ** Com BBC **
- Tarifa de Trump sobre café brasileiro está tirando o sono de importadores nos EUA
WASHINGTON - As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros estão pressionando a indústria do café que gera mais de um milhão de empregos no Estados Unidos e estão prestes a provocar também um aumento nos preços da bebida comprada pelos americanos. Durante décadas, o café entrava nos EUA praticamente isento de impostos. Mas agora o café do Brasil, que é o maior fornecedor para o mercado americano, está no rol dos itens taxados em 50%. Peter Longo, dono da importadora Puerto Rico Importing Company, calcula que os americanos que estiverem pagando cerca de US$ 15,99 por libra do café brasileiro, passariam a pagar US$ 8 a mais com as tarifas de Trump. "Isso é uma loucura. As pessoas não vão comprar café por quase US$ 30 a libra. Isso é ridículo. Isso vai matar o mercado americano para o café brasileiro, que é, eu acho, o propósito disso tudo. Eles querem punir o Brasil por seja lá qualquer motivo e estão impondo uma tarifa draconiana", observa o CEO da empresa que trabalha no ramo desde 1907. Trump diz querer reformular a ordem do comércio global com sua política tarifária, cobrando de importadores como Peter Longo uma taxa para trazer produtos de outros países como o Brasil. O objetivo do presidente é tornar os produtos importados mais caros, para que os locais fiquem mais competitivos e eventualmente acabem derrotando os estrangeiros na preferência dos consumidores. Isso, por sua vez, estimularia maior produção de bens e geração de empregos localmente nos EUA. "Mais produção doméstica significará maior concorrência e preços mais baixos para os consumidores", disse Trump ao justificar sua política de tarifas. Mas o problema, no caso do café, é que o produto não é cultivado nos EUA. E nem pode ser. O café é uma fruta tropical que cresce em uma estreita faixa de terra ao redor do Equador. Nos EUA, o café é cultivado em algumas partes do Havaí e Porto Rico e em uma pequena parte do sul da Califórnia. E isso não é nem de longe suficiente para abastecer as 450 milhões de xícaras de café que os americanos bebem todos os dias. Por isso praticamente todo café bebido nos EUA precisa ser importado. "Estou terrivelmente estressado. Isso me tira o sono porque você tem que tentar descobrir uma maneira de gerenciar seu fluxo de caixa para antecipar o que está por vir", diz o importador americano. Os riscos eram altos antes mesmo de as tarifas serem anunciadas. Em fevereiro, o preço global do café do tipo arábica atingiu seu ponto mais alto já registrado. Embora tenha caído um pouco desde então, o café torrado custava aos consumidores americanos 15% a mais no mês passado do que no ano anterior. "É assim que eu ganho a vida. Se tivermos que encolher, encolheremos. E se tivermos que encolher a ponto de falir, não há nada que eu possa fazer a respeito. Faremos o melhor que pudermos." Mas ele aposta que aquela xícara de café da manhã é algo pelo qual as pessoas continuarão pagando, mesmo que custe mais. "Eu preciso de três espressos duplos só para conseguir funcionar. E sei que meus clientes são muito ritualizados quando se trata de seu café. Eles gostam. É algo que eles aguardam ansiosamente no dia. Então, não acho que o café vá desaparecer." Sede americana por café A sede por café entre os americanos é enorme. O país é o maior importador e consumidor global da bebida, e também o maior destino das exportações brasileiras do produto. Dois terços dos adultos americanos bebem café todos os dias, segundo dados da Associação Nacional de Café dos EUA. Cada americano que bebe café consome em média três xícaras por dia. E essa sede vem crescendo. O consumo de café entre americanos cresceu 7% desde 2020. E o consumo de café gourmet cresceu 18%. Maior comprador Os EUA são o maior comprador dos cafés do Brasil, segundo dados dos primeiros sete meses deste ano divulgados este mês pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No período, os EUA importaram 3,713 milhões de sacas — o que corresponde a 16,8% das exportações brasileiras. Existe uma corrida do setor do café no Brasil para tentar negociar com os EUA a inclusão do produto brasileiro na longa lista de exceções ao tarifaço de Trump. Isso porque, graças aos estoques de importadores, os efeitos dos tarifaços ainda estão limitados por algum tempo. "Até julho, não observamos de fato o impacto do tarifaço de 50% do governo dos EUA imposto para a importação dos cafés do Brasil, já que a vigência da medida começou em 6 de agosto", diz Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. Mas os impactos do tarifaço poderão ser sentidos em breve, se não houver sucesso nas negociações. "A partir de agora, as indústrias americanas estão em compasso de espera, pois possuem estoque por 30 a 60 dias, o que gera algum fôlego para aguardarem um pouco mais as negociações em andamento. Porém, o que já visualizamos são eventuais pedidos de prorrogação, que são extremamente prejudiciais ao setor." ** Com BBC **
- Prefeita de Boston reafirma proteção a imigrantes diante de ameaça de corte de verbas
Wu afirma que a cidade coopera com agências federais em casos de crimes graves (Foto: GMB) BOSTON - A prefeita de Boston, Michelle Wu, reuniu a imprensa nesta terça-feira, 19, para dizer que a capital de Massachusetts vai manter o status de cidade-santuário. A declaração da democrata é uma resposta ao ultimato do governo federal que ameaça cortar fundos para vítimas de violência. A entrevista coletiva aconteceu no último dia do prazo imposto pela Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, para que Boston apresentasse medidas específicas para eliminar as políticas que protegem imigrantes. "Aqui está a nossa resposta: parem de atacar nossas cidades para esconder as falhas de sua administração", rebateu Wu. "Ao contrário do governo Trump, Boston segue a lei. Boston não recuará de quem somos e do que defendemos." A prefeita afirmou que a cidade coopera com as autoridades federais em questões criminais graves. Ela disse ainda que se o governo federal "tentar interromper o financiamento ou trazer a Guarda Nacional", a cidade vai questionar as medidas na Justiça. Boston é um das dezenas de municípios que a Casa Branca está atacando por não cooperar com a repressão à imigração, ameaçando cortes de verbas federais e ações judiciais. ** Com Assessoria **
- FDA alerta para risco de camarão contaminado por radioatividade
FDA ordenou recolhimento de produtos com validade até março de 2027 por precaução WASHINGTON - A agência reguladora de alimentos e remédios dos Estados Unidos (FDA) emitiu um alerta nesta terça-feira, 19, sobre a possível presença de material radioativo em lotes de camarão cru e congelado importados da Indonésia. Testes apontaram traços de Césio-137, substância associada a riscos graves para a saúde, como danos ao DNA e maior probabilidade de câncer em casos de exposição contínua. De acordo com a FDA, a suspeita surgiu após o Serviço de Alfândega (CBP, na sigla em inglês) detectar o elemento em contêineres inspecionados nos portos de Los Angeles, Houston, Miami e Savannah. Os produtos eram processados pela empresa indonésia BMS Foods, e parte dos lotes também apresentou resultado positivo para Césio-137 em análises laboratoriais. Embora a agência informou que nenhum camarão contaminado chegou às prateleiras americanas, determinou o recolhimento preventivo de três remessas com validade até março de 2027 e suspendeu temporariamente a entrada de novos produtos da companhia no país até que sejam comprovadas condições seguras de armazenamento e processamento. Entre os itens afetados estão camarões vendidos nos EUA sob diferentes marcas comerciais, incluindo a linha “Great Value”, distribuída pelo Walmart. A recomendação é para que consumidores que tenham adquirido os lotes identificados descartem imediatamente o produto e procurem atendimento médico em caso de suspeita de ingestão. Césio-137 O Césio-137 é um subproduto radioativo utilizado em equipamentos médicos e industriais. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, em altas doses ele pode causar queimaduras, síndrome aguda da radiação e até a morte. A detecção dessa substância em alimentos é considerada rara e exige monitoramento rigoroso para evitar riscos de contaminação em larga escala. Até o momento, nem a empresa indonésia nem a rede varejista responsável pela venda se manifestaram. A FDA informou que continuará acompanhando a investigação e poderá ampliar as restrições caso novos resultados laboratoriais indiquem risco para os consumidores. ** Com Agências **
- Casa Branca estreia no TikTok; app permanece no limbo legal nos EUA
Milhares aderiram à conta do TikTok da Casa Branca em poucas horas (Foto: Reprodução) WASHINGTON - A Casa Branca lançou um perfil no TikTok na noite desta terça-feira, 19, e já soma mais de 90 mil seguidores em menos de 24 horas. A rede social de propriedade chinesa continua operando nos Estados Unidos com a permissão do presidente Donald Trump, apesar de uma lei que exige a sua venda. O perfil @whitehouse foi inaugurado com um vídeo de Trump com Dana White, fundador do UFC e aliado do republicano. White faz parte do conselho da Meta, dona do Instagram, principal rival do app chinês. "América, estamos DE VOLTA! E aí, TikTok?", diz a legenda do post. “A mensagem do presidente Trump dominou o TikTok durante sua campanha presidencial, e estamos empolgados em ampliar esses sucessos e nos comunicar de uma forma que nenhuma outra administração fez antes”, disse Karoline Leavitt, secretária de imprensa do governo, de acordo com a agência Reuters, primeira a divulgar a notícia. O aplicativo chinês, no entanto, segue ameaçado de banimento nos EUA caso não encontre um comprador para sua operação no país. O Congresso americano aprovou essa regra em 2024, sob o governo de Joe Biden, e entrou em vigor na véspera da posse de Trump. Entretanto, o presidente republicano suspendeu essa proibição e, em meados de junho, prorrogou por 90 dias o prazo para que o aplicativo encontre um comprador não chinês, como condição para ele não ser proibido nos EUA. Curiosamente, foi Trump, ainda em seu primeiro mandato presidencial, quem primeiro ameaçou banir o Tiktok alegando, sem provas, que dados de usuários americanos poderiam ser espionados pelo governo chinês. O magnata republicano mudou de posição por considerar que o aplicativo o ajudou a conquistar o apoio dos jovens em sua reeleição. A conta pessoal de Trump no TikTok tem 110,1 milhões de seguidores e sua última publicação foi no dia das eleições de 5 de novembro. ** Com Agências **
- EUA aceitam conversar com representantes do Brasil sobre tarifaço
WASHINGTON - Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consultas do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e as delegações de ambos os países conversarão sobre as tarifas de 50% impostas por Washington, informou a entidade. O governo brasileiro recorreu no início de agosto a esse organismo multilateral em uma primeira medida contra as tarifas impostas pela Casa Branca. O presidente Donald Trump puniu o Brasil com uma das sobretaxas mais altas do mundo pelo que considera uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado por uma suposta tentativa golpista. "Os Estados Unidos aceitam a solicitação do Brasil para entabular consultas. Estamos à disposição para acordar com os funcionários da missão de seu país uma data mutuamente conveniente", respondeu a delegação de Washington em uma missiva datada de 15 de agosto e publicada pela OMC em seu site. No entanto, a representação americana advertiu que "algumas das ações mencionadas pelo Brasil constituem questões de segurança nacional que não (...) podem ser objeto de resolução" perante a OMC. O mecanismo de consultas dessa entidade supõe a busca de uma solução negociada antes de passar a um processo de arbitragem. Trump afirmou que as políticas do Brasil representam uma "ameaça incomum e extraordinária" para os EUA e que seu governo abriu uma investigação contra o país por supostas "práticas comerciais desleais" e "ataques" às "empresas americanas de redes sociais". Diferentemente do que ocorre com a maioria dos países alvo das tarifas punitivas de Washington, os EUA têm superávit comercial com o Brasil. ** Com AFP **
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