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- Deputada pede explicações de Trump sobre tarifaço contra Brasil
Deputada questiona tarifaço de Trump através de uma emenda constitucional WASHINGTON - A deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez pediu que o governo de Donald Trump explique os motivos da aplicação do tarifaço de 50% sob os produtos brasileiros que entrou em vigor em 6 de agosto. No mês passado, sem dar detalhes, Trump decretou Emergência Nacional e argumentou que a implementação da alíquota extra sobre as importações do Brasil é uma resposta às ameaças à segurança nacional contra os Estados Unidos. O questionamento da democrata de Nova York foi feito por meio de uma proposta de emenda ao projeto de lei do Orçamento de Defesa, que ainda precisa ser aprovado. Na sugestão enviada, a parlamentar AOC, como é conhecida, exige que o Departamento de Defesa emita um relatório detalhando quais as políticas e práticas brasileiras que "constituem uma ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e economia dos EUA. A parlamentar também pediu uma avaliação do impacto das tarifas nas relações entre os dois países. O projeto que prevê o orçamento da Defesa já tem 985 propostas de emenda. E o adendo apresentado pela deputada norte-americana pode não ter apoio suficiente, já que os democratas são minoria no Congresso. ** Com AE **
- Chefe de conselho eleitoral da Carolina do Norte é preso após adulterar sorvete de netas com cocaína
SURRY - Um funcionário eleitoral da Carolina do Norte foi preso após ser acusado de colocar comprimidos com drogas ilícitas no sorvete de suas netas. O caso ocorreu em 8 de agosto, no Condado de Surry, e levou James Yokeley Jr., de 66 anos, a renunciar ao cargo de presidente do Conselho Eleitoral local nesta quinta-feira, 28. Uma investigação foi aberta, e imagens de câmeras de segurança mostraram Yokeley colocando os comprimidos no alimento, segundo o mandado judicial obtido pela emissora local WGHP. Ele estava responsável pelas netas no fim de semana em que o episódio ocorreu. Segundo o jornal americano CBS News, o homem foi acusado de contaminação de alimentos com substância controlada, abuso infantil e posse de narcóticos. Preso, ele pagou fiança de US$ 100 mil e foi liberado. Nomeado para liderar o Conselho Eleitoral do Condado de Surry em junho deste ano, Yokeley já integrava o órgão desde 2023. A renúncia veio após pressão do Conselho Eleitoral Estadual. Em sua carta, o ex-dirigente afirmou manter “confiança, em oração, de que será exonerado de todas as acusações”. ** Com Agências **
- ICE prende dois bombeiros que combatiam incêndio em Washington
Patrulha da Fronteira foi chamada pelos guardas florestais (Foto: M-USA) SEATTLE – As ações surpreendentes do ICE não param. Agora, dois bombeiros que controlavam um incêndio florestal no estado de Washington foram presos por agentes da patrulha fronteiriça, informaram funcionários da imigração nessa quinta-feira, 28, em meio ao avanço do controle dos imigrantes irregulares nos Estados Unidos. Agentes federais detiveram equipes terceirizadas por várias horas na véspera, quando elas se preparavam para ajudar a combater o incêndio de Bear Gulch, em Washington. Os funcionários alinharam as 44 pessoas e ordenaram que elas mostrassem seus documentos, relataram os bombeiros ao jornal Seattle Times. A Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos Estados Unidos informou que os agentes da patrulha compareceram ao local a pedido de guardas florestais, que queriam verificar se os nomes fornecidos nos registros dos contratados estavam corretos. "Foram identificadas discrepâncias e descobriu-se que dois indivíduos estavam no país ilegalmente, um deles com uma ordem de expulsão", relatou a CBP. Os dois foram presos e os outros 42 foram retirados de terrenos federais, no que a agência caracterizou como uma "rescisão de contrato" após uma investigação criminal. A ação "não interferiu nas operações dos bombeiros nem na resposta a nenhum incêndio ativo na área, tampouco representou um perigo para a comunidade do entorno", ressaltou. A operação foi incomum, uma vez que esse tipo de ação não costuma ocorrer em áreas de desastres naturais ou em situações de emergência. O governador de Washington, o democrata Bob Ferguson, declarou-se "profundamente preocupado com situação dos dois agentes que ajudavam a combater incêndios no estado", e disse que busca mais informações sobre o incidente. ** Com Agências **
- Mais da metade dos americanos vai viajar no Labor Day
Preços mais baixos incentivam pessoas a aproveitar o fim de semana prolongado NOVA YORK - Quase 150 milhões de pessoas vão viajar durante o feriado do Labor Day, revelou uma pesquisa da Vacationer. Isso significa uma mais da metade da população adulta (57%) dos Estados Unidos e 10,5 milhões a mais de viajantes do que no ano passado. A queda nos preços de passagens aéreas, acomodações e combustível são o incentivo para os americanos saírem de casa, avalia a Associação Americana de Automóveis (AAA). Os voos ida e volta domésticos estão 6% mais baratos em relação ao mesmo período em 2024, por volta de US$ 724. As hospedagens também registraram queda de 11% no preço e o aluguel de carro 3%. As cidades que mais devem receber visitantes, entre quinta e segunda-feira, são Seattle (Washington), Orlando (Flórida), Nova York, Boston (Massachusetts) e Anchorage (Alasca). Já o dia de maior movimento nas estradas e aeroportos deve ser registrado na sexta-feira, avisa a AAA. A previsão é que as rodovias para Seattle e Boston sejam as mais congestionadas.
- Surto de salmonela ligado a ovos afeta quase 100 pessoas nos EUA
Consumidores da Califórnia são os mais afetados, alerta a FDA WASHINGTON - Um surto de salmonela associado a ovos contaminados infectou 95 pessoas em 14 Estados, informaram autoridades federais de saúde nesta quinta-feira, 28. Dezoito pacientes precisaram ser hospitalizados e não há registro de mortes. A empresa Country Eggs, de Lucerne Valley, na Califórnia, anunciou um recall dos ovos marrons “sunshine yolks” e “ômega-3 golden yolks”, produzidos em gaiolas abertas, segundo informou a FDA, a agência reguladora de alimentos e remédios dos Estados Unidos. Os lotes afetados foram vendidos em supermercados e distribuídos a serviços de alimentação na Califórnia e em Nevada entre 16 de junho e 9 de julho. As datas de validade variam de 1º de julho a 18 de setembro. Caixas com os ovos recolhidos também foram comercializadas sob as marcas Nagatoshi Produce, Misuho e Nijiya Markets. A maioria das infecções confirmadas — 73 das 95 — ocorreu na Califórnia, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Casos também foram registrados em Washington, Minnesota, Nova York e Pensilvânia. De acordo com Matthew Moore, professor associado do departamento de ciência alimentar da Universidade de Massachusetts Amherst, é provável que o número real de casos seja maior. “Muitas pessoas não procuram atendimento médico em quadros de intoxicação alimentar, e nem sempre são testadas para a bactéria. Isso é apenas a ponta do iceberg”, afirmou. Dados do CDC indicam que apenas uma em cada 30 infecções por salmonela chega a ser diagnosticada. Uma infecção potencialmente grave A salmonela é uma das principais causas de mortes por intoxicação alimentar nos EUA. Os sintomas — diarreia, febre e cólicas estomacais — surgem entre seis horas e seis dias após a ingestão da bactéria e costumam desaparecer sozinhos em até uma semana. O CDC recomenda procurar atendimento médico em casos mais severos, como febre acima de 39,9°C, diarreia persistente por mais de três dias ou vômitos intensos que impedem a ingestão de líquidos. O surto atual ocorre meses após outro episódio semelhante envolvendo ovos, que deixou 134 pessoas doentes e levou 38 ao hospital, resultando na morte de uma pessoa. O cenário preocupa especialistas, especialmente após autoridades federais reduzirem as operações do Foodborne Diseases Active Surveillance Network (FoodNet), sistema que monitora doenças transmitidas por alimentos. Antes, o programa acompanhava infecções causadas por oito bactérias diferentes em dez estados. Hoje, rastreia apenas salmonela e uma cepa de E. coli. “É problemático monitorar apenas dois patógenos transmitidos por alimentos”, alerta Felicia Wu, professora de segurança alimentar na Universidade Estadual de Michigan. Para ela, a redução pode atrasar alertas públicos em surtos emergentes. Como reduzir o risco de contaminação Moradores da Califórnia e de Nevada devem verificar se seus ovos fazem parte do recall e descartá-los ou devolvê-los, orienta o CDC. O órgão recomenda lavar superfícies e utensílios que tiveram contato com os produtos recolhidos. Qualquer pessoa pode ser infectada pela salmonela, mas crianças menores de 5 anos, pessoas acima de 65 e aquelas com doenças cardíacas ou imunidade baixa correm mais risco de complicações. Se houver dúvidas sobre a procedência dos ovos, especialistas sugerem descartá-los, especialmente para os grupos vulneráveis. Moore lembra que basta uma pequena quantidade de bactérias para causar doença. “Não é preciso comer um ovo inteiro para adoecer. Algumas mordidas já são suficientes”, explica. Para prevenir contaminações, autoridades de saúde recomendam: Cozinhar bem os alimentos: frango, ovos e carnes devem atingir as temperaturas internas seguras (74°C para frango; 63°C para carne bovina e suína). Gemas devem estar firmes. Praticar boa higiene: lavar as mãos e superfícies antes e depois de manusear alimentos crus, usando água quente e sabão. Armazenar corretamente: refrigerar ovos e carnes em até duas horas após a compra — ou em uma hora se a temperatura ambiente estiver acima de 32°C. Optar por ovos pasteurizados: mais seguros, embora difíceis de encontrar. ** Com AG **
- Estados Unidos acabam com isenções tarifárias para pacotes pequenos
Pacotes com valor superior a US$ 100 devem pagar as mesmas tarifas que as demais importações WASHINGTON - As isenções tarifárias para a maioria dos pacotes pequenos que entram nos Estados Unidos chegaram ao fim nesta sexta-feira, 29, o que motivou 25 países a suspender os serviços postais de envios para a maior economia mundial. A norma revogada permitia que pacotes com valor inferior a US$ 800 entrassem livre de impostos no país. O presidente Donald Trump decidiu, por um decreto assinado em 30 de julho, que as isenções seriam eliminadas com a intenção de "acabar com uma falha catastrófica utilizada, entre outros, para evitar tarifas e enviar opioides sintéticos, assim como outros produtos perigosos". Segundo o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), os pacotes pequenos teriam 98% dos narcóticos, 97% das falsificações e 70% dos produtos perigosos para a saúde que foram apreendidos durante 2024. Acabar com as isenções "permitirá salvar milhares de vidas ao reduzir o fluxo de narcóticos e produtos perigosos e proibidos", declarou um funcionário do governo americano. Washington justifica a medida pela explosão no envio de pacotes postais, que passou, segundo os dados do governo americano, de 134 milhões de unidades em 2015 para mais de 1,36 bilhão em 2024. A partir de agora, encomendas com valor superior a US$ 100 devem pagar as mesmas tarifas que as demais importações. Isto representa um mínimo de 10%, ou 15% para aqueles procedentes da União Europeia (UE) e até 50% para Índia e Brasil, por exemplo. Somente os presentes ou envios pessoais com valor inferior a US$ 100 serão beneficiados pela isenção. Mesmo antes de sua entrada em vigor, a medida provocou turbulência e já começou a perturbar o envio de pacotes aos Estados Unidos. A União Postal Universal das Nações Unidas informou na terça-feira que os operadores dos correios de 25 países membros suspenderam os serviços de envio para os Estados Unidos, diante da incerteza antes da implementação da medida. Entre os países que adotaram a suspensão estão Alemanha, França, Itália, México, Austrália, Índia e Japão. "Não é uma surpresa" A razão alegada para a suspensão é o prazo curto para implementar a medida. O texto estabelece que corresponde aos "transportadores e outras partes autorizadas arrecadar antecipadamente, dos remetentes, as tarifas", antes de transferi-las ao CBP, segundo a agência postal da ONU. "Diante da falta de informações adicionais sobre as condições técnicas para o envio de pacotes aos Estados Unidos, por parte da Alfândega americana, não temos outra opção e precisamos suspender temporariamente os envios", confirmou à AFP uma fonte do serviço 'La Poste' na França. Mas para o governo, "os serviços postais estrangeiros devem reconsiderar o controle e o uso do correio internacional visando prevenir o tráfico e evitar as tarifas", segundo uma fonte. O fim da isenção "não é uma surpresa para ninguém", disse. O fim das isenções representa uma dificuldade adicional para as pequenas empresas, em particular para aquelas que priorizam este tipo de pacote. A rede varejista britânica Elizabeth Nieburg, por exemplo, interrompeu o envio de produtos a clientes nos Estados Unidos. Os compradores americanos representam quase 20% de suas vendas e a Nieburg afirma que precisará aumentar os preços caso as novas tarifas sejam mantidas. "Nossas margens são muito apertadas para poder absorvê-las", lamentou um executivo em uma entrevista à AFP. Além disso, os custos podem ser consideráveis para empresas americanas que recebem seus produtos em pequenas quantidades do exterior, como a empresa de Ken Huening. Com sede na Califórnia, a empresa, que fabrica capas de proteção para áreas externas na China e no México, teve que eliminar o frete grátis para clientes. "Atualmente, os serviços têxteis e de manufatura não estão disponíveis nos Estados Unidos", informou a Huening. "Poderiam estar no futuro, mas enquanto isso, estaremos todos fora do mercado", acrescentou. Os pequenos pacotes já estavam na mira do governo anterior, do democrata Joe Biden, que havia iniciado uma primeira investigação sobre o tema. Trump havia publicado um primeiro decreto que apontava especificamente para os pequenos pacotes procedentes da China, que representam a maioria dos que ingressam nos Estados Unidos, enviados especialmente por redes como Temu, Shein ou AliExpress. ** Com AFP **
- Mulher é acusada de homicídio após jogar filho de 4 anos em lago durante ‘teste de fé’
Marido também morreu afogado em teste de fé em Ohio — Foto: Reprodução/X COLUMBUS - Uma mulher de 40 anos foi denunciada nesta quarta-feira de duas acusações de homicídio qualificado pela morte do filho de 4 anos em Ohio, nos Estados Unidos. Segundo as autoridades, Ruth R. Miller afirmou acreditar que estava cumprindo uma ordem divina quando arremessou o menino, identificado como Vincen, nas águas do Lago Atwood, no último sábado (23). De acordo com o capitão Adam Fisher, investigador do gabinete do xerife do condado de Tuscarawas, a mãe declarou em depoimento que havia “entregado o filho a Deus”. O xerife Orvis Campbell acrescentou que o marido de Ruth, Marcus J. Miller, 45 anos, também morreu afogado horas antes, ao tentar atravessar o lago em outro “teste de fé”. Os três filhos mais velhos do casal — uma adolescente de 15 anos e gêmeos de 18 anos — também foram instruídos a pular na água, mas conseguiram sobreviver, de acordo com o jornal americano CBS News. Ruth Miller foi internada em uma instituição de saúde mental sob vigilância e, até o fim da tarde de quarta-feira, ainda não havia sido presa formalmente. Ela também responde por acusações de violência doméstica e de colocar em risco a vida dos filhos sobreviventes. Segundo as autoridades, no momento do resgate, Ruth apresentava “declarações preocupantes” e chegou a tentar fugir para um matagal. Campbell relatou que a mulher acreditava que poderia “andar sobre as águas” e que o casal teria pulado no lago para provar sua fé. As buscas pelos corpos se estenderam por todo o fim de semana. No sábado, mergulhadores encontraram o corpo da criança próximo ao cais, e no domingo localizaram Marcus a 48 metros da margem. Em comunicado, familiares e a igreja Amish da qual os Miller faziam parte afirmaram que as mortes “não refletem os ensinamentos ou crenças da comunidade, mas são fruto de uma grave doença mental”. Com agências
- Trump quer limitar período de permanência de estudantes e jornalistas
A regra atual limita vistos de estudante e jornalista a dez anos WASHINGTON - Os Estados Unidos se preparam para impor limites mais rígidos sobre o período que estudantes e jornalistas podem permanecer no país em mais uma iniciativa para diminuir o número de imgrantes. A proposta da administração republicana restringe o visto de estudante para, no máximo, quatro anos. Da mesma forma, jornalistas estrangeiros terão sua permanência limitada a 240 dias, mas poderão solicitar uma extensão por outros períodos com a mesma duração. Com as normas atuais, os EUA emitem vistos de acordo com o tempo do programa educacional ou da missão do jornalista, mas nenhuma permissão supera dez anos de validade. As mudanças propostas foram publicadas no Registro Federal, o que abre um breve período de comentários da opinião pública antes de entrar em vigor. O Departamento de Segurança Interna (DHS) argumenta que uma quantidade não determinada de estrangeiros estende os estudos de maneira indefinida para permanecer nos EUA como "estudantes eternos". "Durante muito tempo, governos anteriores permitiram que estudantes estrangeiros e outros titulares de vistos permanecessem nos Estados Unidos praticamente de maneira indefinida, representando riscos de segurança, custando quantias incalculáveis de dólares aos contribuintes e prejudicando os americanos", afirma um comunicado divulgado pelo DHS. Entretanto, a administração Donald Trump não apresenta evidências dos efeitos econômicos negativos. Em contrapartida, dados do Departamento do Comércio revelam que esses imigrantes contribuíram com mais de US$ 50 bilhões para a economia americana em 2023. Mais de 1,1 milhão de estudantes internacionais foram recebidos nos EUA no ano acadêmico 2023-24, mais do que qualquer outro país, o que representa uma fonte de renda para as instituições porque os estrangeiros geralmente pagam a matrícula completa. Um grupo que representa diretores de faculdades e universidades denuncia a medida como um obstáculo burocrático desnecessário que interfere na tomada de decisões acadêmicas e que poderia dissuadir ainda mais possíveis estudantes que contribuiriam para a pesquisa e a criação de empregos. "Esta proposta envia uma mensagem às pessoas talentosas de todo o mundo de que suas contribuições não são valorizadas nos Estados Unidos", destacou Miriam Feldblum, presidente de uma aliança sobre Ensino Superior e Migração. ** Com AFP **
- Governo Lula autoriza medidas de reciprocidade contra tarifaço dos EUA
Negociações entre Brasil e EUA não avançaram desde o início das taxações sobre os produtos brasileiros BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) no início da noite desta quinta-feira, 28, para analisar a aplicação pelo Brasil da Lei da Reciprocidade Econômica sobre os Estados Unidos, disseram fontes do Itamaraty familiarizadas com o assunto. A notificação à Camex, feita depois de autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dá início ao processo que pode levar à adoção de medidas de retaliação aos EUA, depois que o governo de Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. De acordo com as fontes, a partir de agora a Camex tem 30 dias para apresentar um relatório sobre se as tarifas aplicadas pelos EUA quebram as regras do comércio internacional e podem justificar a adoção de medidas de reciprocidade, de acordo com a lei aprovada pelo Congresso em abril deste ano. O governo norte-americano, no entanto, será notificado da decisão na sexta-feira, “por cortesia”, e terá tempo para enviar uma resposta ao Brasil. Depois dos 30 dias, se aprovada a adoção de medidas contra os EUA, será formado um grupo de trabalho com vários setores do governo para decidir em que áreas o governo brasileiro deve agir. A lei aprovada pelo Congresso permite a retaliação em bens, serviços e propriedade intelectual. De acordo com outras duas fontes do governo brasileiro, a tendência é que o Brasil se concentre nas duas últimas, suspendendo pagamento de royalties de propriedade intelectual e serviços como streamings e produtos culturais, já que medidas contra bens importados poderiam encarecer importações de empresas brasileiras. Quais os setores e medidas específicas devem ser uma decisão desse grupo de trabalho. A decisão de iniciar o processo de reciprocidade leva a uma escalada das reações brasileiras na disputa econômica com os EUA e vem em resposta à dificuldade de encontrar qualquer abertura para negociação. Dentro do governo, a aposta na retaliação era sempre vista como última alternativa, caso as negociações falhassem. O próprio presidente Lula vem reiterando que o governo brasileiro está aberto à negociação, mas repete que ninguém do lado norte-americano parece estar disposto a negociar. De fato, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, desde o início da adoção das tarifas, no começo deste mês, o governo brasileiro não conseguiu nenhuma brecha para conversas com os norte-americanos. A última reunião marcada, entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, há cerca de duas semanas, foi cancelada de última hora, por influência do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem trabalhado para evitar qualquer negociação entre o governo Trump e o governo brasileiro. Um dos motivos dados para a aplicação do tarifaço de 50% foi o que Trump chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu em processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Uma das fontes ouvidas pela Reuters lembra que o Brasil abriu um processo na Organização Mundial do Comércio, órgão internacional que deveria fazer a mediação desse tipo de disputa, e preferia levar as discussões para essa instância. No entanto, com a OMC funcionando precariamente, não há prazo ou expectativa de solução por lá. ** Com Reuters **
- Júri se recusa a indiciar homem preso por atirar sanduíche em agente em Washington
Sean Dunn é contra a ocupação federal de Washington imposta por Trump WASHINGTON - Um grande júri federal se recusou a indiciar um ex-funcionário do Departamento de Justiça que foi preso por jogar um sanduíche em um agente da lei federal durante a repressão ao crime promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, disse uma fonte informada sobre o assunto à Reuters nesta quarta-feira, 27. A Promotoria havia solicitado o indiciamento contra Sean Dunn por agressão. Ele trabalhou em casos internacionais no Departamento de Justiça e foi demitido após ser flagrado em vídeo atirando um sanduíche em um agente da Alfândega e da Patrulha de Fronteiras dos EUA em 10 de agosto em um bairro movimentado de capital. A decisão marcou a segunda vez nos últimos dias em que um grande júri impediu promotores federais em Washington de conseguirem uma acusação de crime — normalmente uma etapa rotineira na abertura de um processo criminal. É altamente incomum que um grande júri rejeite pedidos do gênero, uma vez que o promotor controla sozinho a apresentação de provas e deve superar uma barreira legal menos complicada do que um júri em um julgamento criminal. Essa dinâmica levou a uma observação muito citada de um juiz de Nova York, segundo a qual um bom promotor poderia indiciar um "sanduíche de presunto". O fato de não ter havido indiciamento nesse caso coincidentemente relacionado a um sanduíche ilustra os desafios enfrentados pelos promotores em Washington. Eles recebem ordens para apresentar as acusações federais mais graves disponíveis contra pessoas presas em varreduras policiais. O governo enviou agentes federais e tropas da Guarda Nacional para conter o que Trump retratou como um problema de criminalidade fora de controle na capital do país, apesar de as estatísticas policiais mostrarem um declínio nos crimes violentos após um aumento prévio. É provável que os promotores tentem novamente obter uma acusação perante um outro grande júri para Dunn, disse a fonte. A lei dos EUA normalmente dá ao Departamento de Justiça 30 dias para obter uma acusação após uma prisão. O New York Times foi o primeiro a noticiar a decisão do grande júri. Dunn, que não se declarou culpado, tornou-se um símbolo improvável de resistência à demonstração de força do governo Trump em Washington. Autoridades do Departamento de Justiça divulgaram o caso enquanto prometiam punir qualquer interferência na ação da polícia, e a Casa Branca divulgou um vídeo nas mídias sociais mostrando agentes armados prendendo-o. Os promotores dos EUA também tentaram e não conseguiram indiciar três vezes uma mulher por supostamente ter batido na mão de um agente do FBI durante um confronto fora de uma cadeia de Washington no mês passado. A acusação foi rebaixada para contravenção. ** Com Reuters **
- FBI investiga ataque a escola em Mineápolis como ato de terrorismo
Crianças estavam numa missa quando foram surpreendidas pelos tiros MINEÁPOLIS - A Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) investiga como "ato terrotista doméstico" o tiroteio que matou duas crianças em uma escola de Mineápolis, em Minnessotta, na manhã de quarta-feira, 27. Robin Westman, de 23 anos, abriu fogo contra a igreja da Escola Católica da Anunciação durante uma missa que celebrava o início das aulas essa semana. Os tiros foram dados do lado de fora, matando duas crianças e ferindo outras 17 pessoas - 14 delas menores. A atiradora se matou em seguida. O chefe de polícia de cidade, Brian O'Hara, a suspeita estava armada com um fuzil, uma espingarda e uma pistola. Ela se aproximou da lateral da igreja e disparou dezenas de tiros através das janelas pouco antes das 8h30. A escola foi evacuada e as famílias dos alunos foram posteriormente encaminhadas para uma zona de reunificação. O diretor do FBI, Kash Patel, disse que a agência está investigando o tiroteio "como um ato de terrorismo doméstico e crime de ódio contra católicos". O'Hara disse que Robin Westman não tinha um histórico criminal conhecido, agiu sozinha e havia comprado as armas recentemente através de meios legais. O policial ainda afirmou que as autoridades analisam um vídeo que havia sido programado pela jovem para ser publicado no YouTube. O conteúdo foi removido e está sob análise enquanto os investigadores tentam determinar o motivo do crime. Vídeos pertubadores Nas últimas semanas, ela havia publicado uma série de vídeos particularmente perturbadores, que o jornal francês Le Figaro conseguiu consultar apesar de terem sido excluídos pela plataforma. Um deles, mostra Robin filmando as páginas de um caderno colocado sobre o que parece ser um documento que detalha as diferentes partes de uma arma de fogo. O caderno está cheio de anotações em russo e rabiscos de pentágonos satânicos e aranhas. Enquanto vira as páginas para mostrá-las à câmera, ela murmura: "Mal posso esperar para matar, matar, matar, matar e matar...". Nas imagens, ela mostra desenhos dela portando um fuzil, criaturas com chifres, além do esboço de um mapa, mostrando uma vista aérea do que parece ser a planta baixa da igreja. Segundo o jornal, é possível ver Robin bater no esboço com uma faca. Em um caderno, adesivos do personagem de videogame Luigi e de um fuzil de assalto Kalashnikov sobre um fundo com a bandeira LGBT e transgênero. Em outro vídeo, Robin Westman, que continua sem mostrar o rosto, filma todo o seu arsenal: um fuzil AR-15, uma espingarda, uma pistola Glock e um revólver. Vários carregadores cheios de balas estão colocados sobre uma cama, nos quais ela fez várias anotações: "Onde está o seu Deus agora?", "Assassino sádico", "Peido de negro", "Dane-se tudo o que você defende", "Israel deve cair", são algumas das inscrições que aparecem nas diferentes armas. Nas filmagens a jovem resmunga, murmura e imita vozes de crianças. "Não quero estar aqui", diz ela com uma voz aguda. "Mas você está aqui", responde ela com uma voz grave. Ela também conta ter conhecido em 2024 Brandon Joseph Herrera, um influenciador californiano ativo sob o pseudônimo "The AK Guy", especializado em testar armas de guerra. Ela pede para votarem nele, já que acaba de anunciar sua candidatura às eleições de meio de mandato de 2026. "Aprendi a odiar a vida" No caderno, um manifesto de Robin Westman. A jovem de cabelos longos escreveu várias páginas em inglês, nas quais se dirige aos seus pais, irmãos e irmãs e, depois, aos seus amigos. Ela pede desculpas pela "tempestade de caos" que iria desencadear, explicando que não espera nenhum perdão. "Saibam que gosto de vocês", escreve ela. "À minha mãe e ao meu pai, sinto muito por não ter me tornado o que vocês esperavam. Vocês me deram muito, e eu aprecio o amor que me deram. Vocês me criaram para ser uma boa pessoa", continua ela. "Por favor, não pensem que falharam em seu papel de pais". "Fui corrompida por este mundo e aprendi a odiar a vida", escreveu Robin. Segundo ela, "a vida é dor. Há muito a suportar. Estou cansada dessa dor". Ela menciona "empregos miseráveis", "injustiças", "contas constantes" e um câncer que teria contraído devido ao cigarro eletrônico. "Não quero terminar minha vida apodrecendo em uma cama de hospital". Ataques contra trans Em 2020, ela teve um pedido acatado na justiça para mudar seu nome de Robert para Robin. O juiz afirmou que a requerente "se identifica como mulher e quer que seu nome reflita essa identificação". O caso levou grupos conservadores a atacarem pessoas transgênero nas redes sociais. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, condenou qualquer iniciativa de ódio direcionado à comunidade. ** Com Agências **
- FBI investiga lavagem do PCC em imóveis e empresas na Flórida, diz jornal
FBI investiga lavagem de dinheiro de crime organizado brasileiro na Flórida TALLAHASSEE - Uma matéria do jornal Metrópeles da última semana denuncia um esquema em que membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e pessoas ligadas à facção investem em imóveis e na abertura de empresas na Flórida. Segundo a matéria do dia 21 de agosto, a investigação da Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) foi confirmada sob condição de sigilo por pessoas que contribuem com as autoridades. Os investigadores estão interessados em compreender os ativos movimentados pelo grupo criminoso na região, conhecida por abrigar grande parte dos latino-americanos. Miami, um dos destinos preferidos por brasileiros para turismo, é apontada como um dos locais mais explorados pelos criminosos ligados à facção paulista, da América Latina e do Caribe. A atividade do PCC na Flórida foi evidenciada na gestão do ex-presidente Joe Biden que, no final de 2021, emitiu uma ordem executiva aumentando a autoridade do Departamento do Tesouro em impor sanções a pessoas e empresas suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. “O PCC foi um dos primeiros grupos designados após a publicação dessa ordem executiva e eu percebo também um interesse de oficiais do Tesouro em terem mais informações sobre o grupo, principalmente no que tange ao acesso dele ao sistema financeiro americano”, explicou uma fonte consultada pela reportagem. De acordo com ela, em março do ano passado, Diego Macedo Gonçalves, o Brahma do PCC, foi incluído na lista do Tesouro, na qual constam 23 pessoas e entidades brasileiras investigadas. Desse total, somente Brahma está relacionado ao narcotráfico internacional. O criminoso, atualmente encarcerado na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), também é um dos nomes ligados à facção citado na lista de sancionados da Lei Magnitsky – que autoriza sanções contra estrangeiros suspeitos de corrupção ou violação de direitos humanos – já na gestão Donald Trump. Máfia albanesa Uma das empresas alvo do FBI, que segue ativa, pertence a Marinel Bozhanaj, parceiro do PCC de origem albanesa. Uma outra matéria do Metrópoles mostrou que Marinel Bozhanaj e mais três membros da alta cúpula da facção compraram carteiras de imunidade diplomática, disponibilizadas pelo então cônsul de Moçambique no Brasil, Deusdete Januário Gonçalves. O negócio foi intermedido por Willian Barile Agati, o Senna, conhecido como o “concierge” do PCC, que oferecia “produtos” e “serviços” para membros do grupo, como a compra das carteiras. Para isso, como mostra uma investigação da Polícia Federal do Brasil, os documentos consulares eram comercializados por Deusdete, cada um, por R$ 2 milhões. Investimento na Flórida Um ex-funcionário do Tesouro norte-americano listou à reportagem os investimentos de Marinel Bozhanaj e de um outro suspeito, que não teve o nome divulgado para não atrapalhar as investigações. Ambos fundaram, em 2023, a Bozhanaj Group Corporation na condição de presidentes, junto a uma mulher em Miami, na Flórida. Em setembro do mesmo ano, Bozhanaj mudou a lista de diretores da empresa, trocando o próprio título, mas mantendo a mulher na presidência. Relatórios anuais da empresa, referentes a este ano e ao ano passado, mantêm somente os nomes do albanês e da mulher, sem constar a identidade do sócio, que é dono de um apartamento em Miami, informação referendada pelo Ministério Público Federal (MPF) do Brasil, em 2024. Esse mesmo homem também incorporou uma empresa de exportação em Miami, em outubro de 2015, junto da esposa. A companheira dele, além da filha do casal, são igualmente responsáveis por uma empresa de fretes internacionais na capital da Flórida. ** Leia a matéria original em Metrópoles .
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