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  • Leão 14 amplia conceito 'pró-vida' para incluir imigrantes

    Papa Leão 14 afirma que não há como ser pró-vida e contra os imigrantes CIDADE DO VATICANO - A maioria das nomeações do papa Leão 14 para bispos católicos nos Estados Unidos tem pedido melhor tratamento para imigrantes no país, em uma tendência que pode moldar como a igreja responde às políticas anti-imigração do presidente Donald Trump. Pelo menos dez das 13 escolhas feitas até agora por Leão 14, incluindo o novo arcebispo de Nova York, anunciado na quinta-feira (18) para substituir o conservador Timothy Dolan, falaram publicamente sobre o assunto. Em diversas declarações, alguns chamaram as ações contra os imigrantes de cruéis; outros instaram o governo a usar o devido processo legal antes de deportar imigrantes. Um dos conselheiros americanos mais próximos de Leão 14 disse que as nomeações do papa mostram que o tratamento dos imigrantes agora é parte firme da posição da Igreja de que a vida é sagrada desde a concepção até a morte, um dos ensinamentos mais fortes da denominação de 1,4 bilhão de membros em todo o mundo. "Isso sinaliza um amadurecimento do nosso entendimento do que significa ser pró-vida", disse o cardeal Blase Cupich, de Chicago, que faz parte de um escritório do Vaticano que aconselha o papa sobre quais padres católicos nomear como bispos. Leão 14 amplia significado dos ensinamentos 'pró-vida' A agenda pró-vida dos bispos americanos se concentrou por décadas em acabar com o aborto legal no país, com sua conferência nacional apoiando uma marcha anual em Washington e fazendo lobby para acabar com a decisão da Suprema Corte de 1973, agora revogada, que permitia o procedimento em âmbito nacional. Leão 14 começou a ampliar o guarda-chuva pró-vida em setembro, quando questionou se as políticas de Trump estavam alinhadas com os ensinamentos da igreja, provocando uma forte reação de alguns católicos conservadores proeminentes. "Alguém que diz que é contra o aborto, mas concorda com o tratamento desumano dos imigrantes nos Estados Unidos, não sei se isso é pró-vida", disse o papa em resposta às perguntas de jornalistas fora de sua residência em Castel Gandolfo, na Itália. Em seus primeiros sete meses como papa, Leão 14 nomeou novos bispos católicos em cidades por todos os EUA, de San Diego a Austin e Pittsburgh. O bispo Ronald Hicks, 58, nomeado na quinta-feira para substituir Timothy Dolan em Nova York, fez seus primeiros comentários naquele dia em uma entrevista coletiva preferindo falar em em espanhol e só depois mudou para o inglês. Leia também: Papa Leão substitui cardeal de Nova York em reformulação na Igreja dos EUA Hicks, que liderará 2,8 milhões de católicos em Nova York, é um ex-missionário em El Salvador. Ele reiterou um endosso anterior a uma declaração de novembro da conferência dos bispos dos EUA, que condenou a repressão à imigração de Trump. Nomeações de bispos são 'legado mais duradouro' dos papas Como os bispos católicos normalmente só se aposentam por motivos de saúde ou idade e podem servir até os 80 anos, muitos dos novos bispos nomeados por Leão 14 poderiam permanecer em suas funções por décadas. "Certamente o legado mais duradouro de qualquer papa são as nomeações episcopais que ele faz", disse Natalia Imperatori-Lee, professora da Universidade Fordham. "Cada nomeação é importante, e cada uma significa algo." Trump, que uma vez chamou o falecido papa Francisco de "desrespeitoso" por criticar as políticas de imigração do presidente, não respondeu diretamente às críticas de Leão 14. A repressão do governo incluiu a implantação de soldados da Guarda Nacional em cidades por todo o país e batidas de agentes do ICE em locais de trabalho, empresas e nas ruas das cidades. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, um convertido ao catolicismo, disse ao veículo de direita Breitbart em novembro que estava ciente dos comentários do papa e afirmou que as políticas do governo Trump eram humanitárias. "Toda nação tem o direito de controlar suas fronteiras", disse o republicano. Bispos participam de protestos e acompanham imigrantes ao tribunal Quatro das escolhas de Leão 14 como bispos dos EUA são eles próprios imigrantes. Um quinto nasceu no Texas, mas passou a maior parte de sua infância no México. O bispo de San Diego, Michael Pham, um ex-refugiado vietnamita nomeado pelo sumo pontífice em maio, tem acompanhado solicitantes de asilo ao tribunal, numa tentativa de impedir que agentes do ICE os prendam quando vão às audiências. O bispo Ramon Bejarano, que cresceu em Chihuahua, no México, e em breve liderará a Igreja em Monterey, na Califórnia, participou de um protesto em fevereiro com milhares de pessoas no centro de San Diego contra a repressão à imigração. O bispo de Pittsburgh, Mark Eckman, nomeado pelo papa em junho, chamou as políticas de imigração de "cruéis e desumanas" em uma carta aberta de novembro. Imperatori-Lee disse que Leão 14 "está colocando em prática o que o Evangelho convida a todos a fazer, nomeando homens que defenderam com força os imigrantes e defenderam a dignidade humana." **Com Reuters**

  • 'Grande grupo brasileiro': o elo do caso Jeffrey Epstein com o Brasil revelado em novos documentos

    WASHINGTON - Um "grande grupo brasileiro" é mencionado em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado nos Estados Unidos e morto em 2019. Os arquivos foram tornados públicos na sexta-feira (19/12), após determinação do Congresso americano, e reúnem materiais de investigações sobre abusos sexuais e tráfico de mulheres e meninas atribuídos a Epstein. A referência identificada pela BBC News Brasil aparece em anotações manuscritas baseadas em uma entrevista do FBI, de 2 de maio de 2019. O conteúdo trata de pessoas que podem ter sido levadas como possíveis vítimas para encontros sexuais, inclusive menores de idade. Grande parte do material está tarjada, o que impede a identificação de pessoas envolvidas ou a compreensão integral do contexto. O arquivo leva o título de "Entrevista de [informação tarjada]". A seguir, no campo da descrição, é possível ler "notas originais da entrevista de [informação tarjada]. Fotos fornecidas por [informação tarjada]." "Amigos de amigos [informação tarjada]. Grande grupo brasileiro", diz o texto da entrevista, anotado à mão. Os registros fazem parte de um conjunto maior de milhares de arquivos que inclui fotos, vídeos e documentos de investigação reunidos por autoridades americanas ao longo de anos. 'Ele não queria garotas escuras' Segundo o documento do depoimento, uma pessoa que é citada como "JE" (possivelmente Jeffrey Epstein) teria imposto critérios sobre as meninas que lhe eram apresentadas, afirmando que não queria "spanish or dark girls" (pelo contexto, aparentemente referindo-se a latinas/hispânicas). Em um trecho, as anotações descrevem características físicas de uma pessoa citada como de "pele mais escura" e "aparência amazônica", que teria sido "trazida no final, em momento de desespero", quando os envolvidos estariam "ficando sem garotas". Em outra parte do relato manuscrito há uma menção a alguém que "teria acabado de vir do Brasil" e "era modelo". O documento diz que JE "realmente estava apaixonado por ela" e que "talvez tenha falado em fazer um esboço ou pintura". Uma anotação lateral diz "vivendo com a mãe aos 13, saiu de casa aos 14". O mesmo documento traz ainda fotos cujas legendas falam sobre uma "festa brasileira" e um "desfile brasileiro", mas tarjas impedem a identificação do local ou das pessoas envolvidas. O relato fala também sobre a idade das meninas, com uma preferência de Epstein por menores. "Em certo momento, [tarja] o viu pedindo documento de identidade para as meninas. Ele queria se certificar de que tinham menos de 18 anos porque não estava acreditando nelas, já que [tarja] tinha bagunçado tudo ao levar garotas mais velhas." Rastro Além do relato envolvendo brasileiros agora divulgado, reportagens publicadas nos últimos anos no Brasil e em outros países afirmam que um conhecido parceiro de Epstein esteve no Brasil em 2019, o ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, também acusado de ter traficado mulheres. Brunel foi encontrado morto na prisão em Paris, na França, em 2022. Estava detido desde o início de uma investigação formal, após ser acusado de assédio sexual e estupro contra jovens com idades entre 15 e 18 anos na França. Ele negava as acusações. O agente era cofundador da agência de modelos francesa Karin Models, criada em 1977, e da MC2 Models Management, nos EUA, e contava com financiamento de Epstein. Documentos apontam que Brunel recrutava garotas para Epstein, prometia contratos no mundo da moda para elas e as traziam da França em um avião. Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada em agosto de 2019, relata que enquanto aliados de Epstein desapareceram da vida pública nos anos seguintes ao seu acordo judicial, "Brunel continuou a viajar pelo mundo em busca de mulheres jovens e meninas para transformá-las em modelos". O jornal afirmou que Brunel esteve no Brasil em 2019 para "encontrar novas modelos para levar aos Estados Unidos" e que, quando um repórter visitou um apartamento em Miami de propriedade do agente, a porta foi atendida por uma jovem que disse ser uma modelo brasileira que estava lá para trabalhar para a MC2, sua agência, e que havia pelo menos outras três modelos hospedadas no apartamento. Outra reportagem da Agência Pública, publicada em novembro, mostrou uma foto de Brunel divulgada em 2019 por uma agência de modelos, a Mega Model Brasília, com legenda afirmando que ele "esteve aqui [em Brasília] hoje para um casting para levar os nossos modelos para Nova York". Nivaldo Leite, diretor da agência, diz que não houve qualquer contato com Brunel depois da visita e que nenhum modelo da agência brasileira teria viajado com ele. Segundo a reportagem, Brunel também teria visitado cidades em outros Estados do Brasil. A BBC News Brasil encontrou a mesma imagem ainda disponível na rede social, com legenda em inglês, na página da agência na rede social Facebook. Além da foto, há ao menos dois vídeos de modelos desfilando na mesma publicação, republicados pelo diretor da agência em seu perfil no Facebook, com o mesmo texto que diz que Brunel e sua equipe "sempre serão bem-vindos à nossa casa." "Certeza absoluta que nenhuma! Quem faz internacional da agência sou eu pessoalmente", diz. Ele afirmou que a empresa não foi contatada por nenhuma autoridade para dar informações sobre Brunel. Leite diz que Brunel estava em Brasília visitando agências e perguntou se podia conhecer a Mega Model. "Havíamos acabado de inaugurar a estrutura física no shopping." Leite afirma que não conhecia Brunel nem Epstein, nem mesmo de nome. "A agência ficava no shopping aberta a todo mundo. Lembro que ele estava até apressado devido ao voo", afirma. "Conheceu o espaço, me falou que era dono de uma agência internacional na Europa, se não me engano. Acho que deixou um cartão de visita dele, caso eu tivesse interesse em parcerias. Logo após veio a pandemia e nunca mais ouvi falar dele. Não sei nem se ele está vivo e tampouco sobre a agência dele", prossegue. "Não sabia nem de relações dele e nem desta pessoa [Epstein] que está me perguntando. Não conversei absolutamente nada com ele com viés pessoal." A reportagem perguntou ao governo brasileiro se há ou houve qualquer iniciativa no sentido de identificar brasileiros no caso Epstein. O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Itamaraty informaram que a demanda deveria ser feita à Polícia Federal, que por sua vez respondeu que "não se manifesta sobre investigação em curso". **Com BBC**

  • Governo Trump quer retirar cidadania de mais americanos nascidos no exterior

    Governo quer a revisão de até 200 casos de cidadania por mês   WASHINGTON - A Casa Branca planeja intensificar os esforços para revogar a cidadania de alguns americanos naturalizados, marcando uma nova fase agressiva na repressão à imigração promovida pelo presidente, de acordo com orientações internas obtidas pelo jornal The New York Times . A orientação, emitida na terça-feira (16) para os escritórios regionais do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), solicita que eles “apresentem ao Escritório de Litígios de Imigração de 100 a 200 casos de desnaturalização por mês” no ano fiscal de 2026.   Se os processos forem bem-sucedidos, isso vai representar uma escalada massiva de desnaturalizações na era moderna, disseram especialistas. Em comparação, desde 2017 foram registrados pouco mais de 120 casos, segundo o Departamento de Justiça (DOJ). De acordo com a lei federal, as pessoas só podem perder a cidadania se cometerem fraude ao solicitar a cidadania ou em algumas outras circunstâncias específicas.  Mas o governo Trump demonstrou grande interesse em usar todas as ferramentas à sua disposição para perseguir imigrantes legais e ilegais. A abrangente campanha, que foi além da expulsão de imigrantes ilegais, inclui bloqueios ao pedido de refúgio na fronteira sul, uma suspensão dos processos asilo dentro dos EUA e a proibição de entrada para viajantes provenientes principalmente de países africanos e do Médio Oriente.    As autoridades afirmam que a reavaliação das cidadanias torna o país mais seguro e preservam os valores nacionais. “Não é segredo que a guerra do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA [USCIS] contra a fraude prioriza aqueles que obtiveram a cidadania americana ilegalmente — especialmente durante o governo anterior”, avisa Matthew J. Tragesser, porta-voz da agência.  Em entrevistas, alguns ex-funcionários da agência expressaram preocupação com a dimensão das metas de desnaturalização defendidas pela liderança do USCIS.  “Impor metas numéricas arbitrárias para casos de desnaturalização corre o risco de politizar a revogação da cidadania”, observa Sarah Pierce. “E exigir cotas mensais dez vezes maiores que o número total anual de desnaturalizações nos últimos anos transforma uma ferramenta séria e rara em um instrumento grosseiro, alimentando medo e incerteza desnecessários para milhões de americanos naturalizados ", acrescenta a ex-funcionária. Os defensores de leis de imigração mais rigorosas afirmam que é necessário erradicar de forma mais agressiva as pessoas que receberam cidadania indevidamente.  “Não acho que estejamos nem perto de cassar a cidadania de muita gente”, reconhece Mark Krikorian, diretor do Centro de Estudos de Imigração, um grupo que defende políticas de imigração restritivas. Para ele, o país está “tão longe de cassar a cidadania” de pessoas suficientes que tal esforço não atingiria aqueles que não deveriam ser alvo.  Segundo o Censo, existem cerca de 26 milhões de americanos naturalizados no país. Mais de 800 mil novos cidadãos prestaram juramento no ano passado, a maioria nascida em México, Índia, Filipinas, República Dominicana ou Vietnã.   A orientação divulgada na semana passada faz parte de um documento que define as prioridades do USCIS para o ano fiscal de 2026, que começou em outubro. Entre as metas listadas, estão “proporcionar oportunidades de feedback aos funcionários”, “fortalecer a gestão de casos de alto risco” e “buscar a desnaturalização”.  O DOJ já havia declarado que priorizaria a cassação da cidadania. Em um memorando divulgado no primeiro semestre, as autoridades detalharam sua estratégia, afirmando que visariam indivíduos em diversas categorias, inclusive aqueles que cometeram fraude na obtenção da cidadania. “A divisão cível deverá priorizar e conduzir ao máximo os processos de desnaturalização em todos os casos permitidos por lei e comprovados por evidências”, escreveu o departamento em junho. O USCIS desempenha um papel fundamental na cassação da cidadania. A agência encaminha os casos ao DOJ, que, por sua vez, deve passar por um tribunal federal para revogar a cidadania de alguém. O processo pode ocorrer tanto na esfera cível quanto na criminal. Na cível, os advogados do governo precisam apresentar "provas inequívocas" de que a pessoa obteve a cidadania ilegalmente ou ocultou um fato relevante durante o processo.   Como o governo precisa passar por um processo judicial complexo, os casos de cassação de cidadania têm sido raros desde a década de 90. Uma análise da Bloomberg Law constatou que o número de casos de cassação de cidadania movidos pelo governo desde então atingiu o pico em 2018, quando 90 ações criminais e cíveis foram ajuizadas.  “A Suprema Corte afirmou repetidamente que a cidadania e a naturalização são preciosas demais e fundamentais para a nossa democracia para que o governo as retire por capricho. Em vez de desperdiçar recursos vasculhando os arquivos de cidadãos americanos, o USCIS deveria cumprir sua função de processar os pedidos, conforme determinado pelo Congresso”, disse Amanda Baran, ex-funcionária sênior do USCIS durante o governo Biden.  Trump também intensificou as cassações de cidadania durante seu primeiro mandato. Em um caso amplamente divulgado, um homem de Nova Jersey nascido na Índia, Baljinder Singh, teve sua cidadania revogada depois que o DOJ constatou que ele havia chegado ao país sem documentos de viagem ou comprovante de identidade e que havia usado um nome falso.  Este ano, o governo apresentou 13 casos de cassação de cidadania e venceu oito deles, segundo Chad Gilmartin, porta-voz do DOJ. Gilmartin afirmou em uma publicação nas redes sociais no início deste ano que mais de cem casos foram levados aos tribunais durante o primeiro mandato de Trump, em comparação com 24 durante o governo Biden. Em 2017, a Suprema Corte decidiu que o governo deve provar não apenas que alguém mentiu durante o processo de solicitação de cidadania, mas também que a mentira teve impacto na emissão do benefício. NYT

  • Trump pretende expandir repressão à imigração nos EUA em 2026

    Governo Trump pode mirar em empregadores para aumentar números de deportação em 2026 WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma intensificação das políticas de repressão à imigração em 2026, apoiada por bilhões de dólares em novos recursos e pela ampliação de batidas policiais em locais de trabalho. A estratégia avança mesmo diante do aumento da reação negativa da opinião pública às vésperas das eleições de meio de mandato do próximo ano. Desde o início do mandato, Trump autorizou o envio de agentes do ICE a grandes cidades, onde operações resultaram em investidas em bairros residenciais e confrontos com moradores. Embora os agentes federais tenham realizado este ano algumas batidas em empresas, eles recuaram em ações em fazendas, ‌fábricas e outras companhias economicamente importantes, mas conhecidas por empregar imigrantes sem status legal. O ICE e a Patrulha de Fronteira receberão US$170 bilhões em fundos adicionais até setembro de 2029 - um enorme aumento de recursos em relação aos seus orçamentos anuais existentes de cerca de ‌US$19 bilhões, depois que o Congresso controlado pelos republicanos aprovou um pacote de gastos maciço em julho. As autoridades afirmam que planejam contratar milhares de agentes adicionais, abrir novos centros de detenção, recolher mais imigrantes em prisões locais e fazer parcerias com empresas externas para rastrear pessoas sem status legal. A expansão dos planos de deportação ocorre apesar dos crescentes sinais de reação política antes das eleições de meio de mandato do próximo ano. Miami, uma das cidades mais afetadas pela repressão de Trump devido à sua grande população de imigrantes, elegeu seu primeiro prefeito democrata em quase três décadas na semana passada, no que o prefeito eleito disse ser, em parte, uma reação ao presidente. Outras eleições locais e pesquisas sugerem uma preocupação crescente entre os eleitores cautelosos com as táticas agressivas do governo ‍Trump. "As pessoas estão começando a ver isso não mais como uma questão de imigração, mas como uma violação de direitos, uma violação do devido processo legal e a militarização extraconstitucional de bairros", disse Mike Madrid, um estrategista político republicano moderado. "Não há dúvida de que isso é um problema para o presidente e para os republicanos." O índice geral de aprovação de Trump em relação à política de imigração caiu de 50% em março, antes de ele lançar medidas de repressão em várias cidades importantes dos EUA, para 41% em meados de dezembro. A crescente inquietação do público tem se concentrado em agentes federais mascarados que usam táticas agressivas, como o uso de gás lacrimogêneo em bairros residenciais e a detenção de ‌cidadãos norte-americanos. "OS NÚMEROS VÃO EXPLODIR" Além de expandir as ações de fiscalização, Trump retirou o status legal temporário de centenas de milhares de imigrantes haitianos, venezuelanos e afegãos, expandindo o grupo de ‌pessoas que poderiam ser deportadas. Trump promete remover 1 milhão de imigrantes por ano dos EUA - uma meta que ele quase certamente não alcançará este ano. Até o momento, cerca de 622 mil imigrantes foram expulsos do país desde que Trump assumiu o cargo em janeiro. O czar de fronteira da Casa Branca, Tom Homan, disse que Trump cumpriu a promessa de uma operação histórica de deportação e de remoção de criminosos, ao mesmo tempo em que encerrou a imigração ilegal na fronteira entre os EUA e o México. Homan disse que o número de prisões aumentará acentuadamente à medida que o ICE contratar mais agentes e expandir a capacidade de detenção com o novo financiamento. "Acho que vocês verão os números explodirem muito no próximo ano", disse ao citar que os planos "com certeza" incluem mais ações de fiscalização em locais de trabalho. Sarah Pierce, diretora de política social do grupo de centro-esquerda Third Way, disse que as empresas  norte-americanas relutaram em reagir à repressão imigratória de Trump, mas podem ser levadas a se manifestar se o foco se voltar para os empregadores. Pierce disse que será interessante ver "se as empresas finalmente enfrentarão esse governo ou não". Cerca de 41% das aproximadamente 54 mil pessoas presas pelo ICE e detidas até o final de novembro não tinham registro criminal além de uma suspeita de violação de imigração, mostram os dados da agência. Nas primeiras semanas de janeiro, antes da posse de Trump, apenas 6% das pessoas presas e detidas pelo ICE não estavam sendo acusadas de outros crimes ou já haviam sido condenadas anteriormente. O governo Trump também tem mirado nos imigrantes legais. Agentes prenderam cônjuges de cidadãos norte-americanos em suas entrevistas para obtenção do green card, retiraram pessoas de determinadas nacionalidades de suas cerimônias de naturalização, momentos antes de se tornarem cidadãos, e revogaram milhares de vistos de estudante. PLANOS PARA ATINGIR EMPREGADORES O foco planejado pelo governo Trump nos locais de trabalho no próximo ano pode ‌gerar muito mais prisões e afetar a economia dos EUA e os proprietários de empresas de tendência republicana. A substituição de imigrantes detidos durante batidas em locais de trabalho pode levar a custos de mão de obra mais altos, prejudicando a alegada luta de Trump contra a inflação, que os analistas esperam que seja uma questão importante nas eleições de novembro. No início deste ano, as autoridades do governo de Trump isentaram essas empresas da aplicação das ordens  imigratórias, mas logo voltaram atrás, informou a Reuters na época. Alguns defensores da linha dura da imigração pediram mais fiscalização em locais de trabalho. "Eventualmente, você terá que ir atrás desses empregadores", disse Jessica Vaughan, diretora de políticas do Center for Immigration Studies, que apoia níveis mais baixos de imigração. "Quando isso começar a acontecer, os empregadores começarão a limpar seus atos por conta própria." ** Com Reuters **

  • Português suspeito de ataque em Brown e assassinato de professor do MIT é achado morto em New Hampshire

    Análise de câmeras de segurança e depoimento de testemunha levaram a polícia até Valente PROVIDENCE - Um português apontado como autor do ataque a tiros que deixou dois estudantes mortos e nove feridos na Universidade Brown, em Rhode Island, e suspeito de assassinar o físico Nuno Loureiro, professor do MIT, em Massachusetts, foi encontrado morto na noite de quinta-feira, 18, informou a polícia de Providence. Claudio Manuel Neves Valente, 48 anos, se suicidou quando agentes se aproximavam de um contêiner de armazenamento em Salem, New Hampshire, onde ele havia se escondido, disse o delegado Oscar Perez. Autoridades federais confirmaram a ligação entre os casos após a análise de imagens de vigilância, registros financeiros e dados de deslocamento do suspeito. Segundo a Universidade Brown, Valente foi aluno de física na instituição entre 2000 e 2003, matriculado em programas de mestrado e doutorado. Embora não tenha concluído o curso nem mantivesse vínculo atual com a universidade, ele frequentou majoritariamente disciplinas no prédio de engenharia e física, onde ele abriu fogo no sábado, durante um período de provas. Investigação A investigação avançou a partir da análise de vídeos de segurança que mostravam um homem mascarado circulando pelo campus e um veículo suspeito - um Nissan Sentra cinza, alugado em Boston em 1º de dezembro. O carro foi visto repetidas vezes nas imediações da Brown University nos 12 primeiros dias do mês, apontam as autoridades. Menos de uma hora após a divulgação pública da foto do suspeito, um homem procurou espontaneamente a polícia de Providence afirmando ter informações cruciais. O depoimento, segundo o delegado, "abriu o caso", confirmando a identidade de Valente e sua presença no local do ataque. Com o apoio de sistemas de leitura automática de placas, os investigadores localizaram o veículo em Massachusetts e obtiveram o contrato de aluguel assinado com o nome do suspeito. As imagens coincidiam com a descrição do atirador, incluindo roupas e uma mala específica. Valente tentou dificultar o rastreamento: trocou as placas originais da Flórida por placas não registradas do Maine e usou um telefone difícil de localizar. Ainda assim, a polícia conseguiu mapear seus deslocamentos, incluindo estadias em hotéis e o aluguel de um armazém em Salem, em novembro - o mesmo onde seria encontrado morto. Vítimas da Universidade de Brown não mantinham conexões pessoais Vítimas O ataque em Brown matou os estudantes Ella Cook e Mukhammad Aziz Umurzokov e deixou nove feridos. Ella, de 19 anos, era aluna do segundo ano de economia e francês e era vice-presidente do grupo Republicanos da Universidade Brown. Já Umurzokov, era um calouro de 18 anos de Brandermill, Virgínia, que cursava Bioquímica e Neurociência. Sua família imigrou do Uzbequistão para os Estados Unidos quando era criança. Nuno Loureiro e o atirador estudaram juntos em Portugal Já o professor do MIT, Nuno Loureiro, lecionava no instituto desde 2016. O português referência em física de plasmas e engenharia nuclear. O atirador e a vítima estudaram no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, entre os anos de 1995 e 2000. As autoridades acreditam que Valente e Loureiro se conheciam, mas não avançaram mais detalhes. Não há informações sobre a motivação dos crimes. **Com Agências**

  • Funeral simbólico da moeda de US$ 0,01 reúne centenas nos EUA

    Americanos 'enterram' moedas de 1 centavo em cerimônia na capital dos EUA WASHINGTON - Centenas de pessoas se reuniram na base do Memorial Lincoln, em Washington, na tarde de sábado, 20, para marcar o fim de uma era para o penny, depois que a Casa da Moeda dos Estados Unidos cunhou as moedas finais no mês passado. Quando o relógio marcou 13h01 (um horário que, segundo os organizadores, representa a moeda de US$ 0,01 que custa quase US$ 0,04 para ser fabricada), um trio de instrumentos de percussão começou a tocar "Amazing Grace". O presidente Donald Trump ordenou ao Departamento do Tesouro que parasse de fabricar as moedas de US$ 0,01 chamando-as de desperdício. O fim da produção, disse o Tesouro, economizaria ao governo federal US$ 56 milhões por ano. As últimas moedas deste valor —232 conjuntos com três moedas de US$ 0,01— foram vendidas em um leilão no início deste mês, arrecadando a impressionante soma de US$ 16,76 milhões. O funeral bem-humorado foi organizado pela Ramp, plataforma de gestão de despesas que ajuda empresas a "automatizar gastos ineficientes", disse Amber Joy Layne, produtora criativa da empresa. Jarell Mique, coprodutor e produtor de campo do evento, afirmou que foi contratado para "criar um momento engraçado". Ele reuniu atores e comediantes de Washington, Nova York, Utah, Texas e Carolina do Norte. Um por um, eles discursaram no evento, incluindo interpretações de uma Mary Todd Lincoln ciumenta, um George Washington pomposo e um Thomas Jefferson assustado, que temia que a moeda de US$ 0,05 com seu rosto pudesse ser a próxima a ser eliminada. Um funcionário da Ramp que disse ser primo de segundo grau de Abraham Lincoln, fez um discurso com palavras de conforto à multidão enlutada. Durante seu discurso, a mulher que se passou por Mary Todd Lincoln questionou os participantes do evento: "Encontre uma moeda de US$ 0,01, pegue-a e terá boa sorte o dia todo. Quem aqui já disse essa frase antes?", perguntou. Muitos levantaram as mãos. Então o cosplayer e imitador Alan Edwards, que estava fantasiado de Abraham Lincoln, subiu ao pódio. "Abe", cantou a multidão. "Vocês todos estão bonitos como um penny", respondeu. Apesar dos choros na multidão, é improvável que a moeda desapareça tão cedo. Cerca de 300 bilhões de moedas de US$ 0,01 permanecem em circulação, estima o Tesouro. (Embora muitos deles provavelmente estejam presos em almofadas de sofá, cofrinhos e porta-copos de carros.) Seria necessário um ato do Congresso para oficialmente encerrar o uso da moeda como dinheiro norte-americano, mas os EUA poderiam seguir os passos do Canadá. O país parou de fabricar suas moedas de 1 centavo de dólar canadense em 2012 e retirou a maioria deles de circulação em 2013. No entanto, os canadenses ainda podem usar as moedas se por acaso encontrarem algumas guardadas . ** Com Agências **

  • EUA suspendem loteria do "green card" após ataque na Universidade Brown

    Fim da loteria foi anunciado após a identificação do atirador da Universidade de Brown WASHINGTON - A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, ordenou na quinta-feira, 18, a suspensão de um programa que concede por sorteio vistos de residência, ou "green cards", a países com baixa migração, após afirmar que o sistema foi utilizado pelo suspeito do tiroteio na Universidade Brown. "Claudio Manuel Neves-Valente entrou nos Estados Unidos por meio do programa de loteria de vistos de diversidade (DV1) em 2017 e recebeu um 'green card'", afirmou Noem nas redes sociais sobre o cidadão português. "Seguindo as instruções do presidente Trump, ordeno imediatamente ao USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração) que suspenda o programa DV1 para garantir que mais nenhum americano seja prejudicado por este programa desastroso", acrescentou. Neves-Valente, acusado de matar dois estudantes da Universidade Brown e também suspeito de assassinar um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi encontrado morto na quinta-feira em um depósito no estado de New Hampshire, ao lado de duas armas de fogo. Ele "tirou a própria vida", disse Oscar Perez, delegado de Providence, cidade do estado de Rhode Island onde fica a renomada universidade onde ele abriu fogo no fim de semana passado. O sistema de loteria migratória, denominado oficialmente Programa de Vistos de Diversidade, foi instaurado em 1990 e permite a emissão de autorizações de residência para quase 50 mil pessoas por ano, desde que cumpram os critérios de elegibilidade. Para obter o visto, é necessário passar por um exame e uma entrevista. Todos os anos, milhões de pessoas de países com baixos índices migratórios para os EUA participam do sorteio. **Com AFP**

  • Trump anuncia corte de verba federal para hospitais que atendem jovens trans

    Diretrizes para proibir tratamentos de transição de gênero ainda precisam de avaliação do público WASHINGTON - O governo de Donald Trump anunciou nesta-quinta-feira, 18, uma série de medidas para proibir de fato os tratamentos de transição de gênero para jovens nos Estados Unidos, mesmo em Estados onde esses procedimentos médicos são legalizados. As propostas buscam retirar verba federal dos hospitais que oferecem intervenções cirúrgicas ou terapias hormonais a menores que não se identificam com seu sexo biológico. A regra deixaria as instituições médicas em "uma situação extremamente perigosa" caso continuassem oferecendo esse tipo de atendimento, disse o professor de saúde pública e direito da Universidade de Boston Michael Ulrich. E significaria limitar, ou mesmo impedir, o acesso aos jovens afetados. Ao anunciar as iniciativas, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., descreveu o atendimento médico de transição de gênero como "negligência médica" baseada em "pseudociência motivada por interesses ideológicos". Esses tratamentos "infligiram danos físicos e psicológicos duradouros a jovens vulneráveis", afirmou em entrevista coletiva. As medidas apresentadas não são definitivas, e devem ser submetidas a consulta pública. A organização de defesa dos direitos civis ACLU prometeu se opor a uma eventual implementação dessas iniciativas, que considera "cruéis" e "inconstitucionais". Trump reverteu em seu governo uma série de conquistas das pessoas transgênero, ao ordenar, por exemplo, sua exclusão das Forças Armadas. O Departamento de Saúde já havia levantado dúvidas sobre os tratamentos de transição de gênero, ao divulgar em maio um relatório que apontava "riscos significativos" associados a essas práticas, um documento questionado pela comunidade científica americana. Há anos o acesso de menores a esses tratamentos hormonais ou cirúrgicos é tema de debates intensos nos EUA e em outros países. Os novos anúncios do governo Trump foram feitos um dia após a Câmara dos Representantes aprovar um projeto de lei que proíbe tratamentos de afirmação de gênero para menores. O texto, contudo, tem poucas chances de ser aprovado no Senado. **Com AFP**

  • Democratas arquivam relatório sobre derrota para Trump em 2024

    Relatório será deixado de lado enquanto o partido se prepara para as eleições de meio de mandato do próximo ano WASHINGTON - O Partido Democrata disse nesta quinta-feira, 18, que não divulgaria uma análise interna de sua derrota para o presidente republicano Donald Trump em 2024, afirmando que a divulgação pública de seus fracassos desviaria o foco da vitória nas futuras eleições. O partido tem se envolvido em acusações mútuas sobre quem foi o culpado pela derrota da vice-presidente Kamala Harris. Ela se tornou a candidata democrata à Presidência poucas semanas antes da eleição, depois que o então presidente Joe Biden abandonou abruptamente a disputa. O chamado relatório de autópsia, que envolveu centenas de entrevistas com autoridades do partido em todo o país, foi uma tentativa de chegar a algum consenso. Em vez disso, depois que os democratas venceram as eleições para governador em Nova Jersey e na Virgínia no mês passado e mostraram força em outras disputas, o tão esperado relatório agora será deixado de lado enquanto o partido se prepara para as eleições de meio de mandato do próximo ano, quando tentará retomar o controle do Congresso dos republicanos. "Em nossas conversas com as partes interessadas de todo o ecossistema democrata, estamos alinhados com o que é importante, que é aprender com o passado e vencer no futuro", disse Ken Martin, presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), em um comunicado nesta quinta-feira. "Esta é a nossa estrela do norte: isso nos ajuda a vencer? Se a resposta for não, é uma distração da missão principal." A derrota de Kamala expôs uma ruptura no partido entre suas alas liberal e mais ao centro, com cada facção afirmando que detinha o projeto para o caminho a seguir. Mas não se esperava que o relatório tocasse nessa divisão ideológica, nem que colocasse a culpa em Kamala ou Biden. As conclusões do relatório se concentraram no processo -- contatos com eleitores, captação de recursos e mensagens na mídia, de acordo com um integrante do DNC que falou sob condição de anonimato. O relatório mencionou o sucesso de Trump em alcançar eleitores mais jovens e sua capacidade de explorar mídias não tradicionais, como podcasts. O relatório também argumentou que os democratas não conseguiram abordar adequadamente as preocupações dos eleitores em questões como economia, segurança pública e imigração, questões sobre as quais Trump conseguiu obter ganhos, disse o integrante do DNC. Karen Finney, estrategista democrata que foi diretora de comunicações do DNC entre 2005 e 2009, disse que a decisão de não divulgar o relatório não foi "surpreendente, principalmente porque os democratas parecem ter algum impulso político". Mas Finney disse que movimento foi decepcionante, porque havia lições valiosas a serem tiradas da vitória de Trump no ano passado, conforme o partido se prepara para a eleição presidencial de 2028. Depois que o presidente democrata Barack Obama ganhou seu segundo mandato em 2012, o Partido Republicano encomendou seu próprio relatório de autópsia, que, entre outras coisas, pedia que o partido fizesse um esforço maior para atrair eleitores negros e mulheres. Mas essas recomendações foram deixadas de lado quando Trump ganhou a indicação republicana e depois a Presidência em 2016. ** Com Reuters **

  • Trump assina decreto para reclassificar maconha e flexibilizar restrições à droga

    A ordem de Trump segue medidas tomadas pelo governo Biden WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira, 18, uma ordem executiva para rebaixar a cannabis da categoria mais restritiva de drogas, flexibilizando as restrições à pesquisa e outras medidas sem legalizar a maconha. A medida também autoriza um programa piloto para reembolsar pacientes do Medicare por produtos feitos com CBD, um composto popular da cannabis que não é psicoativo. A ordem de Trump muda a classificação da maconha de droga de Classe I, a mesma categoria da heroína, para droga de Classe III, da qual faz parte a cetamina. Mas não legaliza a droga, como alguns Estados já fizeram, e não afetaria a abordagem das autoridades policiais em relação a prisões relacionadas à cannabis. A classificação da maconha como uma das substâncias mais perigosas e que mais causam dependência tem sido alvo de críticas há muito tempo e a recategorização da droga é um reconhecimento por parte do governo federal de que a cannabis tem algum valor medicinal e menor potencial de abuso. A ordem de Trump segue medidas tomadas pelo governo Biden para reclassificar a droga, sinalizando uma mudança tanto por parte dos republicanos quanto dos democratas na forma como o governo federal encara a substância. Mas há oposição à medida de Trump. Dezoito senadores republicanos e 26 deputados republicanos escreveram recentemente cartas ao presidente opondo-se à reclassificação. O CatholicVote, um grupo conservador sem fins lucrativos, também pressionou o presidente contra a mudança. “Considerando os perigos comprovados da maconha, facilitar o crescimento da indústria da maconha é incompatível com o crescimento da nossa economia e com o incentivo a estilos de vida saudáveis ​​para os americanos”, escreveram os senadores. “Instamos o senhor a continuar exercendo sua forte liderança em nosso país e em nossa economia, e a rejeitar a proposta de reclassificação da maconha.” No início desta semana, o presidente afirmou que a medida permitiria a realização de mais pesquisas com cannabis. “Porque muita gente quer ver isso, a reclassificação, porque ela leva a uma quantidade enorme de pesquisas que não podem ser feitas sem a reclassificação. Então, estamos analisando isso com muita atenção”, disse o presidente na segunda-feira. O esforço da era Biden para reclassificar a cannabis vem avançando desde 2022. Em outubro daquele ano, o então presidente solicitou ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos e à Administração de Combate às Drogas (DEA) que revisassem a classificação da maconha. Quase um ano depois, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) emitiu uma recomendação para que a maconha fosse transferida para a Lista III, com base em uma avaliação científica que concluiu que a cannabis tinha potenciais benefícios medicinais e poderia ser classificada juntamente com substâncias como a testosterona e a cetamina. **Com Agência Globo**

  • Trump se queixa de imigrantes e culpa Biden por preços altos em discurso

    Trump reclama que não recebe crédito por suas realizações WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exaltou na noite de quarta-feira, 17, as suas conquistas e culpou seu antecessor democrata pelo aumento dos preços ao consumidor, enquanto seu partido se prepara para novas eleições no meio do mandato no próximo ano. ‘Há onze meses, herdei uma bagunça e estou consertando-a’, disse Trump em um discurso que durou menos de 20 minutos e foi proferido em um ritmo acelerado e desconcertante. O republicano, que protesta regularmente que não recebe crédito por suas realizações, ofereceu poucas iniciativas políticas novas para lidar com os altos custos de vida. Em vez disso, o discurso foi proferido com um tom pronunciado de queixa, com Trump reclamando sobre invasões de migrantes, crimes violentos e direitos dos transgêneros na sala de recepção diplomática da Casa Branca, decorada com enfeites natalinos. Ele atribuiu a culpa ao ex-presidente Joe Biden sobre os acordos comerciais anteriores, aos imigrantes e ao que ele descreveu como um sistema corrupto. Ao mesmo tempo, Trump elogiou o trabalho de seu governo este ano em uma série de questões, desde a redução de travessias de fronteira até a redução dos preços de alguns produtos. E prometeu que a nação seria ‘mais forte’ no próximo ano. Entre as poucas iniciativas políticas, Trump anunciou que seu governo enviaria um ‘dividendo guerreiro’ de US$ 1.776 para 1,45 milhão de membros das forças armadas na próxima semana. Ele também apoiou uma proposta republicana de enviar dinheiro diretamente à população para compensar o custo do seguro de saúde em vez de fornecer subsídios por meio do Affordable Care Act. Essa proposta ainda não recebeu apoio suficiente no Congresso. ‘Quero que o dinheiro vá diretamente para as pessoas para que vocês possam comprar seu próprio plano de saúde’, disse Trump. ‘Os únicos perdedores serão as seguradoras.’ Surpreendentemente, Trump dedicou pouco tempo às relações exteriores, um assunto que ocupou grande parte do seu primeiro ano de volta ao cargo. Ele fez uma breve referência à guerra em Gaza, mas não mencionou a guerra na Ucrânia nem o conflito que se aproxima com a Venezuela. Trump recebe notas baixas em economia O discurso ofereceu uma oportunidade para o presidente abordar as preocupações das pessoas sobre a acessibilidade econômica, uma questão à qual Trump se referiu repetidamente como uma farsa democrata. Embora culpe a presidência de Biden, Trump admitiu que os preços continuam altos, mas argumentou que o país está “preparado” para um boom econômico. “Estou reduzindo esses preços altos e os reduzindo muito rapidamente”, disse ele. Trump prometeu que as condições melhorariam no próximo ano, citando suas políticas fiscais, tarifas e planos para substituir o chair do Federal Reserve, Jerome Powell. Esse cronograma seria uma boa notícia para os colegas republicanos de Trump, que buscam manter o controle da Câmara dos Deputados e do Senado nas eleições de novembro do próximo ano. Quase um ano antes das eleições, os democratas já estão destacando as preocupações com a acessibilidade econômica e as diferenças em relação à política de assistência médica. Trump baseou sua campanha eleitoral na economia, aproveitando efetivamente a alta inflação da presidência de Biden para derrotar a ex-vice-presidente Kamala Harris na eleição do ano passado. Como presidente, as políticas tarifárias de Trump criaram incerteza e elevaram os preços — e Trump, assim como Biden antes dele, tem se esforçado para convencer os americanos de que a economia está saudável. Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos na terça-feira mostrou que apenas 33% dos adultos norte-americanos aprovam a forma como Trump tem lidado com a economia. Após o discurso, democratas afirmaram que Trump ofereceu aos norte-americanos poucas soluções para suas preocupações. O senador Mark Warner, da Virgínia, chamou o discurso de ‘uma triste tentativa de distração’, enquanto o governador da Califórnia, Gavin Newsom, um possível candidato à presidência em 2028, simplesmente postou a palavra ‘Me’ – referindo-se a Trump – mais de 700 vezes. Em seus comentários, Trump disse que atraiu US$ 18 trilhões em investimentos que criarão empregos e abrirão fábricas. Ele creditou sua política tarifária como um fator importante: ‘Há um ano, nosso país estava morto… Agora somos o país mais ‘quente’ do mundo’. O discurso foi feito apenas um dia antes de uma atualização sobre a inflação. Depois de atingir o mínimo de 2,3% em quatro anos em abril, apenas três meses após o início do segundo mandato de Trump, a inflação anual desde então vem subindo. De modo geral, os dados recentes do governo mostraram que o crescimento da economia se recuperou um pouco depois de ter se contraído durante os primeiros meses do ano. No entanto, também mostram que o crescimento do emprego desacelerou durante o segundo mandato de Trump, o desemprego subiu para seu nível mais alto em quatro anos e os preços ao consumidor continuam altos. **Com Reuters**

  • Papa Leão substitui cardeal de Nova York em reformulação na Igreja dos EUA

    Em entrevista coletiva após assumir como cardeal, Hicks voltou a criticar ofensiva de Trump contra os imigrantes NOVA YORK - O papa Leão 14 substituiu o cardeal Timothy Dolan como líder da Igreja Católica em Nova York, anunciou o Vaticano na quinta-feira, 18, deixando de lado uma figura proeminente da Igreja dos Estados Unidos em uma grande mudança na liderança católica do país. Leão, o primeiro papa norte-americano, nomeou um clérigo relativamente desconhecido de Illinois, o bispo Ronald Hicks, para substituir Dolan como líder da segunda maior diocese católica do país, que abriga cerca de 2,8 milhões de seguidores da Igreja. Dolan, arcebispo de Nova York desde 2009 e ex-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, ofereceu sua renúncia em fevereiro ao completar 75 anos, conforme exigido pela lei da Igreja. Os cardeais geralmente servem até os 80 anos, a idade de aposentadoria obrigatória. "Hicks representa não apenas um novo capítulo para Nova York, mas para a Igreja norte-americana como um todo", disse David Gibson, especialista em Igreja dos EUA. COMUNIDADE LATINA Em uma coletiva de imprensa em Nova York, algumas horas após o anúncio do Vaticano, Hicks, de 58 anos, fez alguns comentários em espanhol antes de falar em inglês. Como ex-missionário na América Latina, ele disse que tem um "grande coração" pela comunidade latina. Hicks também repetiu um anterior endosso à condenação dos bispos católicos dos EUA à repressão à imigração do presidente Donald Trump. Ele disse que os EUA devem proteger suas fronteiras, mas "também devem ser um país que defende a dignidade humana, o respeito e o bom tratamento mútuo". Hicks, líder da Igreja em Joliet, Illinois, desde 2020, tem várias semelhanças com o papa Leão. Ambos são originários dos subúrbios do sul de Chicago, mas passaram anos como missionários -- Leão no Peru e Hicks em El Salvador. A Arquidiocese de Nova York é uma instituição ampla e influente, que atende os católicos de Manhattan, do Bronx e de Staten Island, e em sete condados ao norte, em 296 paróquias e centenas de escolas e hospitais católicos. A substituição de Dolan ocorre no momento em que a arquidiocese está lutando para arrecadar mais de US$300 milhões para os acordos esperados com sobreviventes de abusos cometidos pelo clero católico. **Com Reuters**

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