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- Trump x Harvard: entenda o que quer o presidente dos EUA e como a universidade tem desafiado o governo
Direção da Harvard diz que governo não pode ditar o que é ensinado na instituição CAMBRIDGE - De um lado, Harvard: a universidade mais antiga e rica dos Estados Unidos, com uma marca tão poderosa que seu nome virou sinônimo de prestígio. Do outro, o governo de Donald Trump: determinado a ir mais longe do que qualquer outro em uma tentativa de remodelar o ensino superior no país. Na segunda-feira (14), Harvard se tornou a primeira universidade a desafiar abertamente o governo Trump, que exige mudanças amplas para limitar o ativismo na instituição. A universidade considera as exigências como uma ameaça não apenas à própria instituição, mas à independência que a Suprema Corte há décadas garante às universidades dos EUA. “A universidade não abrirá mão de sua independência nem de seus direitos constitucionais”, escreveram os advogados da instituição em carta ao governo. “Nem Harvard, nem qualquer outra universidade privada pode permitir ser assumida pelo governo federal.” O governo afirmou que está congelando cerca de US$ 2,3 bilhões (R$ 13,5 bilhões) em recursos destinados à universidade. A suspensão marca a sétima vez que a gestão Trump adota esse tipo de medida contra instituições de elite em uma tentativa de forçar o alinhamento com a agenda política do governo. 1. O poder de Harvard Nenhuma universidade está mais preparada para resistir do que Harvard, que possui o maior fundo patrimonial do país: US$ 53 bilhões Ainda assim, como outras grandes instituições, Harvard depende do financiamento federal para manter suas pesquisas científicas e médicas. Não está claro por quanto tempo a universidade conseguiria operar sem esses recursos. A recusa de Harvard já começa a inspirar outras instituições. Após inicialmente aceitar parte das exigências do governo, a reitora interina da Universidade Columbia adotou um tom mais firme na segunda-feira. Em comunicado interno, a presidente de Columbia, Claire Shipman, afirmou que algumas das demandas “não são passíveis de negociação”. Ela disse ter lido com “grande interesse” a recusa de Harvard. Columbia era vista como uma das universidades com maior potencial para contestar as ordens do governo, mas sofreu críticas de professores e grupos em defesa da liberdade de expressão ao concordar com concessões. “Harvard é uma instituição especialmente poderosa. Sua decisão tem potencial para mobilizar outras universidades em uma resposta coletiva”, disse David Pozen, professor de direito em Columbia. Ele argumenta que as exigências do governo são ilegais. 2. As ameaças de Trump Trump fala durante encontro com Bukele na Casa Branca — Foto: Reuters/Kevin Lamarque Trump fala durante encontro com Bukele na Casa Branca — Foto: Reuters/Kevin Lamarque Na terça-feira (15), Trump ameaçou intensificar o embate. Nas redes sociais, sugeriu que Harvard pode perder seu status de isenção fiscal “se continuar promovendo ideologias políticas e apoiando ‘doenças’ inspiradas ou apoiadas por terroristas”. A crise levanta dúvidas sobre até onde o governo está disposto a ir. Independentemente do desfecho, uma batalha judicial é considerada certa. Um grupo de professores já entrou na Justiça contra as exigências, e é esperado que Harvard também mova sua própria ação. Na carta de recusa, a universidade afirma que as ordens violam seus direitos garantidos pela Primeira Emenda e outras leis de direitos civis. Para o governo Trump, Harvard representa o primeiro grande obstáculo na tentativa de impor mudanças em instituições que, segundo republicanos, se tornaram centros de liberalismo e antissemitismo. O embate ameaça a tradicional relação entre o governo federal e universidades que dependem de recursos públicos para realizar descobertas científicas. Antes vistos como um benefício ao bem comum, esses fundos passaram a ser usados como forma de pressão política. “Verbas federais são um investimento, não um direito adquirido”, afirmaram autoridades em carta enviada a Harvard na semana passada. 3. Os argumentos do governo O governo acusa a universidade de descumprir obrigações previstas na legislação de direitos civis, que é uma condição para receber recursos públicos. Também alega que a ideologia política está sufocando a liberdade intelectual no campus. A campanha de Trump tem mirado instituições acusadas de tolerar antissemitismo em meio à onda de protestos pró-Palestina nos campi. Algumas das ordens do governo miram diretamente esse ativismo, exigindo que Harvard aplique punições mais duras a manifestantes e revise a admissão de estudantes estrangeiros considerados “hostis aos valores americanos”. Outras determinações ordenam o fim de programas de diversidade, equidade e inclusão, além da interrupção de práticas de admissão e contratação que levem em conta “raça, cor, origem nacional ou critérios equivalentes”. Paradoxalmente, muitos dos assessores da Casa Branca que hoje atacam as universidades de elite são ex-alunos dessas mesmas instituições. Trump é formado pela Universidade da Pensilvânia; o vice-presidente JD Vance, pela faculdade de Direito de Yale. Pelo menos dois secretários de gabinete — Pete Hegseth (Defesa) e Robert F. Kennedy (Saúde) — são ex-alunos de Harvard. Em um programa ao vivo, Hegseth chegou a rabiscar “devolver ao remetente” em seu diploma da universidade, como parte de sua cruzada contra o que chama de “causas esquerdistas” nos campi. 4. Os argumentos de Harvard O presidente de Harvard, Alan Garber, disse que as exigências ultrapassam os limites do poder federal. Em comunicado à comunidade acadêmica, escreveu que “nenhum governo — independentemente do partido — deve ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem admitir ou contratar, e quais áreas de pesquisa devem seguir”. “Esses objetivos não serão alcançados por meio de imposições de poder, desvinculadas da lei, para controlar o ensino e a aprendizagem em Harvard e ditar como operamos”, afirmou Garber. “A tarefa de enfrentar nossas falhas, cumprir nossos compromissos e incorporar nossos valores cabe a nós, enquanto comunidade.” As medidas do governo Trump levaram um grupo de ex-alunos a escrever para os dirigentes da universidade, pedindo que “contestem legalmente e se recusem a cumprir exigências ilegais que ameaçam a liberdade acadêmica e a autonomia universitária”. Entre os que elogiaram a decisão de Harvard está o ex-presidente Barack Obama, que classificou a medida como um repúdio à “tentativa desajeitada do governo de sufocar a liberdade acadêmica”. “Tomara que outras instituições sigam o exemplo”, escreveu ele nas redes sociais. 5. Harvard tem saída? O governo não divulgou quais subsídios e contratos estão sendo congelados. Caso a universidade precise operar com pouca verba federal por um período prolongado, cortes seriam inevitáveis. Apesar de improvável, a universidade poderá ter de encontrar formas alternativas para lidar com o bloqueio de recursos. Segundo documentos internos, Harvard costuma usar cerca de 5% do valor de seu fundo patrimonial em despesas operacionais anuais — o que representa cerca de um terço do orçamento. A universidade poderia aumentar esse percentual, mas instituições do tipo geralmente evitam ultrapassar o limite de 5%, a fim de proteger os rendimentos futuros. Além disso, parte significativa do fundo é vinculada a doações com destinação específica. “Todas as universidades precisam se preparar para essa situação e pensar em como sobreviver de forma mais enxuta nos próximos anos, se for necessário”, afirmou o professor David Pozen. Alguns conservadores sugeriram que, se Harvard quer independência, deveria seguir o exemplo de instituições que abrem mão de recursos públicos para se manter livres de interferência federal. O Hillsdale College, escola conservadora de Michigan, ironizou a universidade nas redes sociais. “Deixar de receber dinheiro do contribuinte deveria ser o próximo passo de Harvard”, escreveu a instituição. Já o Clube Republicano de Harvard divulgou nota pedindo que a universidade chegue a um acordo com o governo e “retome os princípios americanos que formaram os grandes homens desta nação”. ** Com AP **
- ICE quebra vidro de carro para prender homem errado
Agentes do ICE arrombaram carro após imigrante dizer que só sairia com a presença da advogada NEW BEDFORD - Uma ação truculenta de agentes do ICE para prender um imigrante em Massachusetts viralizou na internet e coloca em xeque a credibilidade da agência. As imagens foram gravadas pelo próprio Juan Francisco Mendez minutos antes de sua prisão. Os agentes procuravam um homem chamado Antônio e mesmo quando Mendez disse não ser ele, exigiram que o guatamatelco de 29 anos saísse do carro. O imigrante disse que sairia quando a sua advogada chegasse. Diante da negativa, os agentes quebraram o vidro e prenderam Mendez. “Eles disseram que estavam procurando um certo indivíduo, com um nome diferente”, disse a advogada Ondine Galvez Sniffin que chegou logo depois. “Eu disse que aquele não era meu cliente... Eu conheço o histórico do meu cliente, ele não é o homem que procuravam.” Mendez, a mulher e o filho de 9 anos estão protegidos por um status de asilo após perseguição em seu país de origem a Guatemala. Sniffin localizou Mendez em uma prisão em Dover, New Hampshire, e afirma não ter recebido uma justificativa para a permanência do seu cliente no centro de detenção. O ICE não comentou o caso. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- IRS concorda em compartilhar dados de imigrantes para processos criminais
IRS vai compartilhar dados de contribuintes procurados pelo ICE (Foto: Ilustração) WASHINGTON - O IRS - a Receita Federal dos Estados Unidos - vai fornecer dados fiscais sobre imigrantes às autoridades imigratórias que conduzem investigações criminais, mais uma iniciativa do governo republicano de cumprir a promessa de deportação em massa. Um memorando de entendimento foi firmado na segunda-feira (7) entre o Departamento do Tesouro, que supervisiona o IRS, e o Departamento de Segurança Interna (DHS) para compartilhar informações em resposta a solicitações válidas. A justificativa responde a um um processo movido por quatro grupos pró-imigrantes para impedir que o IRS compartilhe informações sobre milhões de não cidadãos que não possuem números de Seguro Social, mas podem pagar impostos após obterem Números de Identificação de Contribuinte Individual (ITIN). Embora autoridades federais afirmem que o acordo inclui salvaguardas e se aplica apenas a questões criminais, grupos de imigrantes e críticos disseram que isso poderia reverter políticas de privacidade de longa data do IRS. “O memorando de entendimento (MOU) apenas permite a troca legal de informações para contribuintes que estão sob investigação criminal ou sujeitos a um processo criminal”, disse a divisão tributária do Departamento da Justiça em um documento judicial. Esse acordo “simplesmente estabelece procedimentos e limites para garantir que tais solicitações e transferências subsequentes de informações sejam tratadas de forma legal e segura.” Ativistas temem que a agência exponha "milhões de contribuintes às táticas agressivas de aplicação da lei de imigração da administração”. Segundo a queixa, os sistemas de computador do IRS “abrigam a maior fonte única de nomes e endereços atuais de indivíduos não autorizados a estar presentes nos Estados Unidos". Um porta-voz do Tesouro disse que o acordo estabelece um “processo claro e seguro para apoiar os esforços da aplicação da lei no combate à imigração ilegal.” Seção 6103 “As bases para este MOU estão fundamentadas em autoridades de longa data concedidas pelo Congresso, que servem para proteger a privacidade dos americanos cumpridores da lei enquanto agilizam a capacidade de perseguir criminosos”, disse o porta-voz. Os grupos que moveram o processo - que incluemCentro de Trabajadores Unidos, Immigrant Solidarity DuPage, Somos Un Pueblo Unido e Inclusive Action for the City - afirmaram que uma seção do Código de Receita Interna, conhecida como 6103, proíbe o Departamento do Tesouro de com partilhar informações de declaração para aplicação civil de imigração. Em vez disso, permite o compartilhamento de informações em investigações e processos criminais. Em 2017, a queixa afirma, o IRS disse que o código não permitia que compartilhasse dados fiscais com o ICE. “Para considerar e entrar em um acordo de compartilhamento de informações,” o IRS “teria que mudar sua interpretação da seção 6103” e fornecer “uma explicação fundamentada para essa mudança,” disseram os grupos na queixa. Em um documento apresentado na segunda-feira, advogados do Departamento de Justiça disseram que o memorando de entendimento fornece um framework para compartilhar informações fiscais em investigações criminais relacionadas a questões de imigração. Por exemplo, eles disseram, “certos estrangeiros que permanecem intencionalmente nos Estados Unidos por mais de 90 dias após uma ordem final de remoção podem ser presos por até quatro anos” e “um estrangeiro que reentra ilegalmente nos Estados Unidos após uma ordem legal de remoção pode ser preso por até dois anos.” Déficit Tributário O Tax Law Center da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York disse em um relatório publicado na semana passada que um acordo de compartilhamento de dados entre o IRS e o DHS poderia enfraquecer a conformidade tributária voluntária, um pilar do sistema tributário dos EUA. Isso pode dissuadir pessoas de declarar impostos por medo de aplicação da lei de imigração, mesmo por engano, potencialmente custando bilhões em receita perdida. A medida também quebra décadas de garantias do IRS de que os dados fiscais de imigrantes permaneceriam confidenciais. ** Com Agências **
- Trump cancela parole e manda imigrantes que entraram pelo CBP One saírem imediatamente dos EUA
WASHINGTON - O governo Trump cancelou a permanência temporária (parole) de mais de 900 mil pessoas que entraram nos Estados Unidos através do aplicativo CBP One. A notificação do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que os imigrantes beneficiados pelo programa democrata "saíam do país imediatamente". De acordo com o DHS, mais de 930 mil estrangeiros foram admitidos pelo aplicativo entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025, quando o aplicativo foi desativado pelo presidente Donald Trump. O programa oferecia autorização de trabalho e permanência legal no país por dois anos para estrangeiros que se qualificavam para proteção humanitário. Mas agora correm o risco de serem expulsos dos EUA. O DHS enviou um e-mail para os beneficiários sobre o fim do programa que também dizia que os imigrantes deviam se "auto-deportar". Em nota, a Coalizão de Defesa de Imigrantes e Refugiados de Massachusetts (MIRA) alerta que muitos imigrantes que entraram pelo CBP One iniciaram um processo de asilo no país e devem conversar com seus advogados, "especialmente se estiverem nos EUA há menos de dois anos".
- Obrigatoriedade de registro de imigrante sem biometria nos EUA está em vigor
WASHINGTON - A obrigatoriedade do registro de imigrantes entrou em vigor nesse fim de semana nos Estados Unidos após um juiz federal negar um pedido de organizações para bloquear a ampliação dos mandatos de coleta de impressões digitais e dados para estrangeiros. O juiz Trevor McFadden decidiu nesta quinta-feira (10) que os contestadores não demonstraram que a política estava prejudicando os imigrantes de forma que justificasse a intervenção de um tribunal. “Como organizações, muitos dos seus danos são muito especulativos, e eles não conseguiram demonstrar que a regra irá corroer suas missões principais”, escreveu McFadden, nomeado por Trump. Leia também: EUA querem registrar imigrantes que entraram no país sem biometria A decisão significa um revés para os grupos de defesa que lutam para bloquear a abrangente agenda de imigração do governo. As organizações, incluindo a Coalition for Humane Immigrant Rights Los Angeles, CASA, Make the Road New York e United Farm Workers, entraram com uma ação judicial no mês passado contra a regra que exige que estrangeiros com 14 anos ou mais se registrem no governo, apresentem dados biométricos e comprovante de endereço — sob ameaça de penalidades criminais. Os contestadores argumentam que ela viola a Lei de Procedimento Administrativo, cria confusão e ameaça as liberdades civis. Eles também alertam para a potencial discriminação racial, riscos legais para imigrantes e interrupção dos serviços de assistência jurídica. ** Com Agências **
- Brasileira é presa em Massachusetts acusada de crimes sexuais contra crianças
(Foto: Cortesia ICE) BOSTON - A brasileira Ilma Leandro de Oliveira foi presa em Falmouth, Massachusetts, por suspeita de abusar sexualmente de uma criança, informou o ICE nesta segunda-feira, 14. A mulher de 53 anos foi indiciada em 20 de março por estupro, negligência, incesto, exposição indecente, atentado violento ao pudor e agressão física contra menor de 14 anos. "Ilma Leandro De Oliveira é acusada de sete crimes diferentes relacionados à vitimização sexual de uma criança em nossa comunidade de Massachusetts", disse Patricia Hyde, diretora interina da do ICE Boston. "Esses são crimes que simplesmente não toleraremos. O ICE Boston continuará priorizando a segurança de nossas crianças, prendendo e removendo qualquer estrangeiro criminoso que represente uma ameaça aos nossos residentes", acrescentou em comunicado. A Patrulha da Fronteira (CBP) dos Estados Unidos já havia prendido Ilma em 20 de setembro de 2007, após ela entrar ilegalmente no país pelo Texas. As autoridades emitiram uma notificação e uma ordem de remoção acelerada. Sete dias depois, ela foi deportada para o Brasil. Segundo o ICE, a brasileira "voltou ilegalmente aos EUA em data e local desconhecidos, sem ser inspecionado, admitido ou liberado condicionalmente por um oficial de imigração". Além dos crimes de abuso sexual, Ilma também deve ser processada por reentrada ilegal após a deportação. A reportagem não conseguiu localizar a defesa da suspeita até a publicação dessa reportagem. ** Com informações do ICE **
- Juíza bloqueia revogação de status legal de meio milhão de imigrantes nos EUA
BOSTON - Uma juíza federal bloqueou na segunda-feira, 14, a revogação do status legal nos Estados Unidos de centenas de milhares de imigrantes da Venezuela, Cuba, Nicarágua e Haiti, um novo revés para o governo de Donald Trump. A decisão da juíza federal em Boston é a última ordem judicial contra as medidas de Trump para realizar deportações em massa, especialmente de latino-americanos. Em março, o governo americano disse que trabalhava na revogação do status legal de cerca de 532 mil imigrantes desses países que chegaram aos Estados Unidos sob um programa lançado pelo ex-presidente Joe Biden, em outubro de 2022. Leia mais: Trump revoga proteção temporária para mais de 300 mil venezuelanos Esse programa permitia a entrada de até 30 mil imigrantes dos países mencionados, com um histórico nefasto em matéria de direitos humanos, a cada mês durante dois anos. A decisão do tribunal de Massachusetts diz que a administração Trump agiu com base em uma interpretação errônea da lei de imigração, ao considerar a expulsão acelerada de não cidadãos que entraram ilegalmente nos Estados Unidos, mas não daqueles com autorização para estar no país. O republicano prometeu em campanha deportar "milhões" de migrantes sem documentação e recentemente invocou uma antiga lei de 1798 para expulsar centenas de supostos membros da gangue criminosa de origem venezuelana Tren de Aragua para uma mega prisão em El Salvador. ** Com AFP **
- Presidente de El Salvador se recusa a devolver imigrante deportado por engano
WASHINGTON - O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, declarou em encontro com Donald Trump nesta segunda-feira, 14, que não devolverá aos Estados Unidos um imigrante deportado para o país por engano. Um pouco antes, membros do governo republicano já haviam dito que não eram obrigados a trazer o salvadorenho Kilmar Abrego Garcia de volta. Mesmo com autorização para trabalhar nos EUA, Abrego foi detido em março e acusado de envolvimento com a gangue MS-13. A defesa do homem negou e o governo americano admitiu o erro na deportação. A Suprema Corte dos EUA ordenou que a administração federal facilitasse o retorno do imigrante deportado. Entretanto, Bukele rebateu que não pode soltar um criminoso já que os EUA alegaram que o homem integrava uma gangue. Leia também: Suprema Corte pausa retorno imediato de imigrante deportado por erro A defesa de Abrego argumenta que a administração Trump não apresentou nenhuma prova de que o imigrante fizesse parte da gangue. Enquanto isso, Trump chamou repórteres que o questionaram sobre a volta de Abrego ao país de “doentes”. Além disso, um tribunal de apelações dos EUA rejeitou um pedido do governo para suspender a ordem que exige o país a facilitar o retorno de Abrego, alegando a falta de provas da relação criminosa. O imigrante foi enviado ao Centro de Confinamento do Terrorismo em El Salvador em 15 de março. Um juiz de imigração já havia concedido proteção a Abrego contra a deportação, devido a possibilidade de violência de gangues em El Salvador. Diversos manifestantes protestaram em frente a Casa Branca antes da reunião de Trump e Bukele. Entre eles, estava a esposa de Abrego, uma cidadã norte-americana.
- Trump recua e anuncia pausa de 90 dias no tarifaço para 'quem não retaliou'
WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, fez um recuo em sua guerra comercial nesta quarta-feira, 9, ao anunciar uma "pausa" de 90 dias nas tarifas aplicadas para dezenas de países, com exceção da China, sobre a qual imporá taxas de 125% em resposta à retaliação de Pequim. "Devido à falta de respeito que a China demonstrou em relação aos mercados globais (...), estou aumentando a tarifa imposta à China pelos Estados Unidos para 125%, com efeito imediato", escreveu Trump em sua rede, Truth Social. "Esperamos que em um futuro próximo, a China se dê conta de que os dias em que roubava os Estados Unidos e outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis", acrescentou. Horas após utilizar um linguajar chulo para sugerir que seus parceiros o estariam bajulando para negociar acordos comerciais "sob medida", o republicano voltou atrás, ao menos parcialmente. Como mais de 75 países solicitaram negociações, ele autorizou "uma pausa de 90 dias e uma tarifa recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato", acrescentou. "Essa foi a estratégia dele desde o início", declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, referindo-se ao presidente, que aposta nas tarifas para reduzir o déficit comercial americano, sanear as contas públicas e realocar várias atividades industriais. Bessent apontou o dedo para a China, que considera "um problema" para o mundo. A pausa dá um refresco ao mercado de ações. Por volta das 18h30 GMT (15h30 de Brasília), o Dow Jones operava em alta de 5,61%; o índice Nasdaq, de 7,44%, e o S&P, de 6,22%. O mesmo ocorreu com o petróleo: o preço do barril de petróleo Brent do Mar do Norte subiu 0,97%, para 63,43 dólares, e o do West Texas Intermediate teve uma elevação de 1,17%, para 60,28 dólares. Ambos haviam perdido 5% durante a sessão. Trump recomendou que se aproveitasse a queda nos mercados para "comprar" ações. "Fiquem tranquilos! Tudo vai dar certo", prometeu o presidente americano nesta manhã em sua rede social, depois que as tarifas adicionais sobre produtos de 60 parceiros comerciais entraram em vigor. Para dar uma ideia da ofensiva tarifária, a UBS Investment Research publicou uma análise segundo a qual o preço de um iPhone 16 Pro Max de 256 GB, montado na China, poderia passar de US$ 1.199 (R$ 7.265) para US$ 1.549 (R$ 9.386), um aumento de 29%. Isto antes do anúncio das tarifas maiores a Pequim. A China reagiu de imediato. Anunciou que aumentará suas tarifas alfandegárias sobre produtos americanos para 84%, em vez dos 34% inicialmente previstos, a partir das 04h01 GMT (01h01 de Brasília) da quinta-feira. "Continuaremos tomando medidas firmes e enérgicas para proteger nossos direitos e interesses legítimos", advertiu um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. E não se descarta uma escalada diplomática entre China e Estados Unidos, cuja relação já é tensa. Pequim instou, nesta quarta-feira, seus cidadãos a redobrarem a cautela ao viajarem para os Estados Unidos. Antes da pausa, a União Europeia, sujeita desde meados de março a tarifas americanas de 25% sobre o aço e o alumínio e, desde quarta-feira, a um imposto de 20% sobre todos os seus produtos, adotou, nesta quarta-feira, suas primeiras contramedidas sobre mais de 20 bilhões de euros (R$ 133,7 bilhões) em bens "fabricados nos Estados Unidos". A lista inclui produtos agrícolas como soja, aves e arroz. Também prevê sobretaxas de até 25% sobre madeira, motocicletas, produtos plásticos e equipamentos elétricos. Na próxima semana, mais medidas podem ser anunciadas. Bruxelas afirma estar disposta a suspendê-las "a qualquer momento" se alcançar um acordo "justo e equilibrado" com Washington. A guerra comercial global gera temores de aumento da inflação e queda no consumo e no crescimento econômico. Se continuar, poderá alterar a globalização como a conhecemos, com suas cadeias de produção espalhadas por diversos países e seus gigantescos navios de carga carregados de camisetas baratas ou sofisticados componentes eletrônicos. ** Com AFP **
- Polícia fecha bordel de luxo e expõe político e executivos de Boston
Esquema discreto atraía clientes considerados influentes em Massachusetts BOSTON - Um bordel que operava em apartamentos luxuosos perto da Universidade Harvard, em Cambridge, atraiu uma clientela inesperada: executivos de biotecnologia, médicos, advogados e políticos. Cobrando até US$ 600 por hora, o estabelecimento mantinha registros detalhados de seus frequentadores — e agora esses dados viraram prova em uma investigação criminal que expôs dezenas de homens influentes da região de Massachusetts. Entre os nomes revelados está o do vereador de Cambridge, Paul Toner, que enfrenta pedidos de renúncia após ser identificado como cliente do esquema. Outros profissionais de destaque em áreas como medicina e tecnologia também tiveram suas carreiras abaladas, alguns deixando cargos sem explicação pública. A queda do esquema O caso, batizado pela imprensa local de "The Cambridge Brothel Hearings" ("As audiências sobre bordéis de Cambridge", em tradução livre), ganhou repercussão após a Justiça negar um pedido de sigilo feito por treze dos acusados. Segundo uma matéria publicada pelo jornal The Washington Post, eles argumentaram que a exposição traria "consequências embaraçosas", mas o tribunal manteve a transparência das audiências. A operação foi desmontada após a prisão da cafetina Han Lee, de 42 anos, condenada a quatro anos de prisão por liderar uma rede de prostituição e lavagem de dinheiro. Nascida na Coreia do Sul, Lee administrava o negócio com critérios rígidos: exigia crachás de trabalho, referências e até selfies dos clientes antes de autorizar os encontros. Segundo investigadores, o método servia tanto para evitar a polícia quanto para garantir a segurança das profissionais — muitas delas jovens asiáticas que usavam nomes como Tulip e Tiki. Executivos no centro do escândalo Dentre os clientes identificados está Jonathan Lanfear, CEO da HiberCell, empresa de biotecnologia focada em tratamentos contra o câncer. Mensagens apreendidas mostram que ele agendou encontros múltiplas vezes, pagando US$340 dólares por hora. Ao ser abordado pela polícia, Lanfear disse que "visitava um amigo". Outro nome de destaque é o de Anurag Bajpayee, engenheiro do MIT e cofundador da Gradiant (startup de tratamento de água avaliada em US$ 1 bilhão). A empresa emitiu nota afirmando que "confia na Justiça" e que Bajpayee segue à frente dos projetos. Regulação do trabalho sexual A maioria dos acusados enfrenta acusações de contravenção, com penas que podem incluir multas e serviço comunitário. Enquanto alguns veem o escândalo como uma questão moral, ativistas destacam o lado sombrio da indústria do sexo. "A exposição desses homens é importante para frear a demanda que alimenta a exploração", disse ao Washington Post Ivette Monge, sobrevivente de tráfico sexual que trabalha com a ONG Ready Inspire Act. Já o vereador Paul Toner, único político envolvido, negou qualquer ilegalidade e recusou-se a renunciar. "Todos têm direito ao devido processo legal", afirmou, em discurso na Câmara Municipal. (Com informações do Wall Street Journal e agências internacionais).
- Trump quer multa de $ 1 mil por dia para ilegal que não deixar os EUA
Multas poder ser retroativas em até 5 anos e somar US$ 1 milhão WASHINGTON - O governo Trump planeja multar os imigrantes sob ordens de deportação em até US$ 998 por dia se eles não deixarem os Estados Unidos, de acordo com documentos vazados para a imprensa. A administração republicana planeja aplicar as penalidades retroativamente por até cinco anos, o que poderia resultar em multas de mais de US$ 1 milhão, disse uma fonte envolvida nas negociações sob condição de anonimato. O governo Trump também está considerando confiscar os bens dos imigrantes que não pagarem as multas, de acordo com emails do governo vistos pela reportagem. As mensagens mostram que a Casa Branca pressionou o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) a lidar com a questão das multas, apreensões de propriedades para imigrantes que não pagam e a venda de seus bens. A divisão de confisco de bens civis do Departamento de Justiça poderia ser outra opção para as apreensões, segundo um e-mail. A porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), Tricia McLaughlin, confirmou a intenção do governo. Em um comunicado que os imigrantes que estão ilegalmente nos EUA devem usar um aplicativo móvel anteriormente conhecido como CBP One —renomeado como CBP Home sob Trump— para "se deportar e deixar o país agora". "Se não o fizerem, sofrerão as consequências", declarou McLaughlin. "Isso inclui uma multa de U$ 998 por dia para cada dia em que o estrangeiro ilegal tiver atrasado em sua ordem de deportação final." O DHS já havia alertado sobre as multas em uma postagem na rede social em 31 de março. As multas decorrem de uma lei de 1996 que foi aplicada pela primeira vez em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump. O presidente Donald Trump deu início a uma ampla repressão à imigração após assumir o cargo em janeiro, testando os limites da lei dos EUA para aumentar as prisões e deportações. As multas planejadas têm como alvo os cerca de 1,4 milhão de imigrantes que receberam ordem de remoção por um juiz de imigração. ** Com informações da Reuters **
- Juíza suspende lei que criminaliza imigrante na Flórida
Lei prevê pena mínima de 9 meses de prisão para imigrante indocumentado MIAMI - Uma Corte federal de Miami suspendeu por duas semanas uma lei que criminaliza imigrantes ilegais na Flórida. Na decisão de sexta-feira, 4, a juíza Kathleen Williams impede que os estrangeiros sejam processados pelo Estado. Segundo a SB 4-C sancionada em fevereiro, um estrangeiro de 18 anos ou mais que intencionalmente entre ou tente entrar na Flórida após chegar nos Estados Unidos, sem passar pela avaliação e inspeção das autoridades imigratórias, comete uma contravenção de primeiro grau". A pena mínima para esse tipo de crime é de nove meses de prisão. A reincidência da violação aumenta o tempo de encarceiramento para um ano. Leia também: Nova lei na Flórida pune imigrantes capturados pelas polícias locais A decisão da juíza é uma resposta à ação judicial movida pela Coalizão de Imigrantes da Flórida, Associação de Fazendeiros da Flórida e outros indivíduos. Para Williams, os demandantes tiveram sucesso ao demonstrar que a lei viola a Cláusula de Supremacia da Constituição dos EUA, afirmando que a aplicação da política de imigração é uma responsabilidade federal. A liminar vale por 14 dias, até uma nova audiência marcada para 18 de abril. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
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