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- Muçulmano socialista vence primárias para a prefeitura de Nova York
Mamdani defende impostos mais altos para os ricos e transporte gratuito NOVA YORK - O deputado estadual Zohran Mamdani venceu as eleições antecipadas para a prefeitura de Nova York nesta quarta-feira, 25, derrotando o ex-governador Andrew Cuomo. Mamdani, um socialista democrata, tem 33 anos e é indiano-americano nascido em Uganda. Com o apoio do partido Democrata para a segunda etapa do pleito, caso vença, será o primeiro prefeito muçulmano de Nova York. O jovem político defende impostos mais altos para os ricos para financiar serviços de saúde e transporte gratuitos. Ele criticou o apoio do governo de Donald Trump a Israel em relação à Faixa de Gaza, recebendo suporte da deputada Alexandra Ocasio-Cortez e do senador Bernie Sanders. "Fizemos história", declarou Mamdani, cuja vitória foi reconhecida pelo experiente Cuomo. "Ele venceu. Não foi a nossa noite. Foi a noite de Mamdani", admitiu Cuomo que renunciou ao cargo de governador em 2021 em meio a um escândalo de assédio sexual. ** Com Ansa **
- Tesouro dos EUA estende medidas extraordinárias para evitar estouro do teto da dívida
Scott Bessent pressiona Congresso para aumentar teto de gastos WASHINGTON - O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, estendeu nesta quarta-feira, 26, a autoridade do departamento para continuar usando medidas extraordinárias de gestão de caixa a fim de evitar o estouro do teto da dívida federal por quase um mês, até 24 de julho. Bessent afirmou, em uma carta enviada aos líderes do Congresso, que determinou que o “período de suspensão da emissão de dívida”, anteriormente programado para expirar na sexta-feira, precisava ser prorrogado. Essa declaração permite ao Tesouro suspender o financiamento de fundos de pensão e assistência médica para aposentados do governo que não são necessários para o pagamento imediato de benefícios. Bessent estimou que o Tesouro não conseguiria mais cumprir todas as suas obrigações sem um aumento ou suspensão do limite da dívida em algum momento entre o meio e o fim do verão (julho a setembro) dos EUA. Sua carta não forneceu atualizações específicas sobre esse prazo, embora ele tenha dito a repórteres na terça-feira que a chamada “data X” do teto da dívida poderia mudar se os tribunais interferissem nas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que geraram um recorde de US$ 23 bilhões em receitas alfandegárias durante o mês de maio. Mas a extensão até 24 de julho pareceu, em parte, ter como objetivo manter a pressão sobre o Congresso para aumentar o teto da dívida como parte de um grande pacote fiscal antes do tradicional recesso de agosto. “Com base em nossas estimativas atuais, continuamos acreditando que o Congresso deve agir para aumentar ou suspender o teto da dívida o quanto antes, antes do recesso programado de agosto, a fim de proteger a plena fé e crédito dos Estados Unidos”, disse Bessent na carta. ** Com Reuters **
- Professores dos EUA usam IA para planejar aulas e corrigir provas
Professores afirmam que usar a tecnologia também ajuda a reconhecer o abuso de IA por parte dos alunos WASHINGTON - As ferramentas de inteligência artificial (IA) estão mudando a profissão docente nos Estados Unidos, avaliou uma pesquisa divulgada na quarta-feira, 25. Muitos professores afirmam que a tecnologia os tornou melhores em suas funções ao permitir que gerenciem seu tempo com mais liberdade. O levantamento da Gallup e da Walton Family Foundation revelou que 6 em cada 10 professores dos EUA que trabalham em escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio usaram recursos de IA em seu trabalho durante o último ano letivo. A pesquisa entrevistou mais de 2 mil educadores em todo o país no mês de abril e descobriu que o uso foi mais intenso entre educadores da High School e profissionais em início de carreira. Andrea Malek Ash, consultora de pesquisa da Gallup e autora do relatório, afirma que os entrevistados que usam ferramentas de IA semanalmente estimam que economizam cerca de seis horas por semana, sugerindo que a tecnologia pode ajudar a aliviar o esgotamento dos professores. Diretrizes À medida que as escolas lidam com as preocupações sobre o abuso da tecnologia por parte dos alunos, algumas também estão introduzindo diretrizes e treinamento para educadores para que evitem atalhos prejudiciais. Cerca de 24 estados têm orientações específicas de IA para escolas, mas a extensão em que ela é aplicada ainda é desigual, avalia Maya Israel, professora associada de tecnologia educacional e educação em ciência da computação na Universidade da Flórida. “Queremos ter certeza de que a IA não está substituindo o julgamento de um professor”, diz Maya. Ela diz que, caso os professores estejam usando chatbots para correção de notas devem estar cientes de que as ferramentas são boas para correções de "nível baixo", como provas de múltipla escolha, mas menos eficazes quando se exige sutileza. Deve haver uma maneira de os alunos alertarem os professores se a nota atribuída for muito rigorosa ou incoerente e a decisão final deve ser do educador. Cerca de 8 em cada 10 professores que usam ferramentas de IA afirmam que elas economizam tempo em tarefas de trabalho, como elaborar planilhas, avaliações, questionários ou trabalhos administrativos. Enquanto 6 em cada 10 profissionais acreditam que a tecnologia melhora a qualidade do seu trabalho na modificação de materiais ou no fornecimento de feedback aos alunos. “A IA transformou a forma como ensino. Também transformou meus fins de semana e me proporcionou um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, diz Mary McCarthy, professora de Estudos Sociais do Ensino Médio em Houston, no Texas, que aplica os recursos para auxiliar nos planos de aula e outras tarefas. Mary afirma que o treinamento que recebeu do distrito escolar sobre ferramentas de IA a ajudou a entender como fazer um uso correto com seus alunos. "Se eu adotar um discurso de que: ‘IA é ruim e as crianças vão ficar burras’, bem, sim, isso pode acontecer se não ensinarmos a elas como usar a ferramenta", opina McCarthy. "Sinto que é minha responsabilidade, como o adulto na sala, ajudá-las a entender como navegar nesse futuro." Moderação As visões sobre o papel da IA na Educação mudaram drasticamente desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022. Escolas dos EUA o proibiram inicialmente, mas cada vez mais muitas delas têm buscado maneiras de incorporá-lo às salas de aula. Preocupações com o uso excessivo e indevido por parte dos alunos ainda prevalecem: cerca de metade dos professores teme que a ferramenta diminua a capacidade dos adolescentes de pensar de forma crítica e independente ou de ter persistência na resolução de problemas, de acordo com o estudo. Um benefício que os professores veem em se familiarizarem mais com a IA é a capacidade de detectar quando os alunos a tiram vantagem do recurso em excesso. Indícios de que as tarefas são escritas por ferramentas de IA incluem a ausência de erros gramaticais e frases complexas diz Darren Barkett, professor de inglês de uma High School do Colorado. Ele conta que confia no ChatGPT para criar planos de aula e corrigir testes de múltipla escolha e redações. No subúrbio de Chicago, em Illinois, a professora Lindsay Johnson diz que usa apenas programas de IA aprovados pela escola e considerados seguros para uso com menores, por questões de privacidade de dados e outras situações. Para garantir que os alunos se sintam confiantes em suas habilidades, ela afirma que utiliza a tecnologia apenas em etapas finais dos projetos. Para a avaliação final de seus alunos do 8º ano, Johnson pediu que fizessem o retrato de uma pessoa influente em suas vidas. Depois que os alunos deram os retoques finais nos retratos, Lindsay introduziu um recurso do Canva para aqueles que queriam ajuda para criar o plano de fundo. “Como professora de arte, meu objetivo é mostrar a eles as diferentes ferramentas disponíveis e ensiná-los como elas funcionam”, conta. Mas alguns alunos não se interessaram pela ajuda. “Metade da turma disse: 'Tenho uma visão e vou continuar com ela.'” ** Com AFP **
- 59 mil imigrantes estão presos sob custódia do ICE
ICE opera no vermelho e centros de detenção estão 140% acima da capacidade WASHINGTON - O ICE mantém cerca de 59 mil imigrantes presos nos Estados Unidos, informou a CBS News nesta terça-feira, 24. Quase metade (47%) não possui antecedentes criminais e menos de 30% foram condenados por crimes. O número de prisões bate o recorde do primeiro mandato de Donald Trump, quando os centros de detenção do ICE mantinham 55 mil encarceiradas em 2019. Só neste mês, foram registradas 1,2 mil prisões por dia. É quase o dobro da média de 660 imigrantes presos diariamente nos 100 primeiros dias da administração republicana, mas ainda abaixo das 3 mil prisões diárias prometidas pela Casa Branca. O número atual de presos de detidos representa um aumento aproximado de 51% em relação aos últimos dias do antecessor Joe Biden. Na época, havia cerca de 39 mil imigrantes presos, de acordo com a CBS News. O nível de ocupação está 140% acima da capacidade da agência e o ICE reconhece que precisa de mais espaço para continuar o trabalho. "A agência está implementando várias opções para atender às suas necessidades atuais e futuras de detenção, mas é necessário mais espaço para imigrantes ilegais detidos enquanto aguardam a deportação", disse a agência em nota enviada à emissora. O ICE cita a lei orçamentária - Big Beautiful Bill - apoiada por Trump e que aguarda a aprovação do Senado - para financiar 100 mil novas vagas nos centros de detenção. A agência federal também já gastou US$ 1 bilhão a mais do previsto e deve ficar sem dinheiro no próximo mês. Para terminar o ano fiscal em setembro, o ICE requisitou o financiamento extra de US$ 2 bilhões. ** Com Agências **
- Cessar-fogo entre Israel e Irã se mantém e avança para o segundo dia
Troca de ataques entre Israel e Irã colocou em risco o cessar-fogo anunciado na segunda-feira WASHINGTON - O acordo de cessar-fogo que encerrou a guerra entre Israel e Irã permanece em vigor na manhã desta quarta-feira, 25, mais de 24 horas depois de o presidente Donald Trump declarar o início da trégua. Tanto Israel quanto Irã declararam vitória no conflito, que começou em 13 de junho com ataques aéreos generalizados de Israel contra instalações nucleares iranianas e sua liderança militar. Ambos os países tomaram medidas para a trégua se manter, após um confronto de 12 dias que contou com intensos ataques aéreos israelenses, ondas de mísseis balísticos iranianos e um bombardeio americano de instalações nucleares iranianas. Com o fim do conflito, Trump afirmou que bombardeiros furtivos americanos "obliteraram" instalações nucleares iranianas, incluindo Fordow, construída quase 100 metros abaixo do solo, escondida em uma montanha. Ao voar para a Holanda para uma cúpula da Otan na quarta-feira, o presidente repreendeu a mídia por noticiar uma avaliação preliminar sigilosa da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, que afirmou que a capacidade do Irã de construir uma bomba nuclear havia sido adiada por apenas alguns meses. "Acho que eles foram totalmente destruídos. E não acho que conseguiram retirar nada, porque agimos rapidamente", declarou o presidente. Segundo ele, os ataques de Washington no domingo fizeram o programa nuclear de Teerã retroceder "décadas", e a trégua entre Irã e Israel está atualmente "funcionando muito bem". Na quarta-feira, Israel deverá reabrir totalmente o Aeroporto Ben Gurion, o mais movimentado do país. Cerca de 12 mil pessoas devem passar pelo aeroporto hoje, informou a Autoridade de Aviação Civil de Israel. As autoridades israelenses também suspenderam as restrições de emergência que mantinham escolas e locais de trabalho fechados desde o início da guerra. E o chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Eyal Zamir, disse que o país voltaria sua atenção para a campanha em andamento contra o Hamas em Gaza. Em Teerã, capital do Irã, apoiadores do governo realizaram um comício de vitória na terça-feira. Em um discurso televisionado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian elogiou seus compatriotas pela resiliência. Ele também indicou, em uma ligação telefônica com o líder dos Emirados Árabes Unidos, que o Irã estava pronto para retomar as negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano, cuja destruição era o principal objetivo declarado da campanha israelense. ** Com AE **
- Trump rejeita relatório do Pentágono que diz que ataques dos EUA não destruíram programa nuclear do Irã
Relatório do Pentágono afirma que ataques atrasaram programa nuclear em menos de um ano WASHINGTON - Os ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã não destruíram o programa nuclear do país e provavelmente apenas o atrasaram por alguns meses, afirma um relatório preliminar do setor de inteligência do Pentágono que vazou nesta terça-feira, 24. Fontes familiarizadas com a análise da Agência de Inteligência de Defesa (DIA, na sigla em inglês) disseram à CBS que o estoque de urânio enriquecido da República Islâmica não foi eliminado nos bombardeios de sábado (21). Os EUA atacaram três instalações nucleares no Irã — Fordo, Natanz e Isfahan — com bombas bunker buster, capazes de penetrar 18 metros de concreto ou 61 metros de terra antes de explodir. A Casa Branca afirmou que a avaliação inicial dos danos está "totalmente errada" e representa "uma tentativa clara de menosprezar" o presidente Donald Trump. Imediatamente após o ataque, Trump declarou que os ataques aéreos "aniquilaram completa e totalmente" as instalações de enriquecimento nuclear do Irã e tem repetido a declaração. Na noite de ontem, o presidente americano atacou a imprensa em suas redes sociais. Ele citou nominalmente a CNN e o jornal New York Times, a quem acusou de propagar uma "notícia falsa" que teria o intuito de "rebaixar um dos ataques militares mais bem-sucedidos da história". Depois, falando com jornalistas, o presidente americano disse: "Eles atingiram o alvo perfeitamente, destruíram tudo. A imprensa é muito desrespeitosa." O enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, chamou o relatório vazado de "traição". "É ultrajante, é traição e precisa ser investigado. Quem quer que seja responsável deve responder por isso", disse ele à Fox News, acrescentando não haver dúvidas de que as três instalações nucleares atingidas pelos EUA foram "eliminadas". Mas fontes familiarizadas com a avaliação do Pentágono afirmam que as centrífugas do Irã permanecem, em grande parte, "intactas" e que o impacto se limitou a estruturas em superfície. As entradas de duas instalações nucleares ficaram bloqueadas, e parte da infraestrutura foi destruída ou danificada. Fontes estimaram à imprensa dos EUA, em condição de anonimato, que o ataque atrasou o programa nuclear iraniano "por alguns meses, no máximo" — e que uma eventual retomada pode depender do tempo que o país levará para escavar e fazer os reparos. Os informantes também confirmaram à CBS que parte do estoque de urânio enriquecido do Irã foi transferido antes dos ataques, segundo a avaliação de inteligência. A bomba norte-americana Massive Ordnance Penetrator (MOP), de 13,6 mil kg, era considerada a única arma capaz de destruir as instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio do Irã. ** Com BBC **
- Italianos no exterior pedem mudanças em reforma de cidadania
Conselho pede revisão das restrições para conceder cidadania italiana MILÃO - O Conselho Geral dos Italianos no Exterior (Cgie) cobrou mudanças para "melhorar" o decreto que restringiu as possibilidades de transmissão da cidadania por direito de sangue (jus sanguinis) na Itália. O pedido foi feito após a conclusão da assembleia do Cgie, órgão representativo dos italianos residentes no exterior, em Roma. "São necessárias melhorias na reforma da cidadania, que, embora necessária, causou desorientação nas comunidades no exterior ao restringir drasticamente a transmissão da cidadania e gerar disparidades no tratamento entre compatriotas", afirmou o conselho. O decreto em questão foi aprovado pelo governo da premiê Giorgia Meloni no fim de março e se tornou definitivo no fim de maio, após o aval da Câmara dos Deputados e do Senado. De acordo com as novas regras, a cidadania só poderá ser transmitida por ascendentes de primeiro (mãe ou pai) ou segundo grau (avó ou avô) que sejam exclusivamente cidadãos italianos - ou tenham sido no momento da morte -, criando um limite geracional que antes não existia. Uma das propostas aprovadas pelo Cgie na semana passada, inclusive, prevê a revogação dessa exigência de exclusividade. Também é possível solicitar a cidadania se um dos pais do candidato tiver residido na Itália por pelo menos dois anos consecutivos após ter se tornado italiano e antes da data de nascimento ou adoção do filho. ** Com ANSA **
- Cessar-fogo entre Irã e Israel parece se manter sob pressão de Trump
Trump perdeu a perdeu a paciência após cessar-fogo durar apenas algumas horas após o anúncio WASHINGTON - Um cessar-fogo instável começou a se estabelecer entre Israel e Irã nesta terça-feira, 24, sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentando as esperanças de um fim para o maior confronto militar da história entre os arqui-inimigos do Oriente Médio. Trump repreendeu ambos os lados por violações iniciais da trégua que ele anunciou, mas dirigiu críticas especialmente contundentes ao aliado próximo de Washington, Israel, sobre a escala de seus ataques, dizendo-lhe para "se acalmar agora". Mais tarde, ele disse que Israel cancelou outros ataques sob seu comando para preservar o acordo que pôs fim a uma guerra aérea de 12 dias com o Irã. Tanto o Irã quanto Israel enviaram sinais de que o conflito havia terminado, pelo menos por enquanto. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, saudou uma "grande vitória" em uma guerra que, segundo ele, o Irã havia terminado com sucesso, de acordo com a mídia iraniana. A agência de notícias oficial do Irã, IRNA, informou mais cedo que Pezeshkian disse durante uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman que o Irã estava pronto para resolver as diferenças com os EUA com base em estruturas internacionais. Os militares de Israel, por sua vez, disseram que todas as regiões do país haviam passado para o nível de atividade total, sem restrições, a partir das 20h (horário local). Sua autoridade aeroportuária informou que o Aeroporto Ben Gurion foi reaberto. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, disse que os militares estavam na "conclusão de um capítulo significativo, mas a campanha contra o Irã ainda não terminou", embora tenha acrescentado que os militares estavam voltando a se concentrar em sua guerra contra o Hamas em Gaza. Se a trégua entre Israel e Irã pode ser mantida é uma questão importante. Sinalizando um caminho difícil pela frente, Israel e o Irã levaram horas para reconhecer que haviam aceitado o cessar-fogo que Trump disse ter intermediado. Ainda assim, os preços do petróleo caíram e os mercados de ações se recuperaram em todo o mundo, em um sinal de confiança decorrente do pacto de cessar-fogo, que foi considerado como significando que não haveria ameaça de interrupção dos suprimentos críticos de petróleo do Golfo. VIOLAÇÕES DO CESSAR-FOGO? Irã e Israel acusaram-se mutuamente nesta terça-feira de violação da trégua. Trump, a caminho de uma reunião de cúpula da Otan na Europa, admoestou Israel, um aliado cuja guerra aérea ele havia se juntado dois dias antes, lançando bombas enormes contra as instalações nucleares subterrâneas do Irã. "Todos os aviões darão meia-volta e voltarão para casa... Ninguém será ferido, o cessar-fogo está em vigor!" Disse Trump em um post no Truth Social. Isso se seguiu a uma publicação em que ele havia dito: "Israel. Não jogue essas bombas. Se você fizer isso, será uma violação grave. Tragam seus pilotos de volta para casa, agora!" Antes de deixar a Casa Branca, Trump disse aos repórteres que estava insatisfeito com os dois lados por violarem o cessar-fogo, mas particularmente frustrado com Israel, que, segundo ele, havia "descarregado" logo após concordar com o acordo. "Tenho que fazer com que Israel se acalme agora", disse Trump. O Irã e Israel vinham lutando "há tanto tempo e com tanta força que não sabem que porra estão fazendo". O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reconheceu que Israel havia bombardeado um local de radar próximo a Teerã, no que disse ser uma retaliação aos mísseis iranianos disparados três horas e meia após o início do cessar-fogo. Israel decidiu abster-se de novos ataques após uma ligação entre Netanyahu e Trump, mas não disse explicitamente se o ataque ao local do radar ocorreu antes ou depois da conversa. A República Islâmica negou o lançamento de mísseis e disse que os ataques de Israel continuaram por uma hora e meia além do horário previsto para o início da trégua. Pezeshkian disse mais tarde que Teerã não violaria o cessar-fogo, a menos que Israel o fizesse, e que estava preparado para voltar à mesa de negociações, sem entrar em detalhes, de acordo com a agência estatal Nournews. UMA SENSAÇÃO DE ALÍVIO Em ambos os países, havia uma sensação palpável de alívio por ter sido traçado um caminho para sair da guerra, 12 dias depois que Israel a iniciou com um ataque surpresa e dois dias depois que Trump se juntou a ela com ataques a alvos nucleares iranianos. "Estamos felizes, muito felizes. Quem mediou ou como aconteceu não importa. A guerra acabou. Ela nunca deveria ter começado", disse Reza Sharifi, 38 anos, voltando de Rasht, no Mar Cáspio, para Teerã, para onde havia ido com a família para escapar dos ataques aéreos. Arik Daimant, engenheiro de software em Tel Aviv, disse: "Infelizmente, é um pouco tarde demais para mim e minha família, porque nossa casa aqui foi totalmente destruída pelos recentes bombardeios no último domingo. Mas como dizem: 'antes tarde do que nunca', e espero que esse cessar-fogo seja um novo começo". Falando a repórteres a bordo do Air Force One rumo à cúpula da Otan, Trump disse que não queria que o sistema governamental do Irã fosse derrubado. "Eu não quero isso. Gostaria de ver tudo se acalmar o mais rápido possível. A mudança de regime gera caos e, idealmente, não queremos ver tanto caos", disse ele. "O Irã não terá uma arma nuclear, a propósito, acho que essa é a última coisa que eles têm em mente no momento." Nas horas que antecederam a entrada em vigor da trégua, quatro pessoas -- uma delas um soldado israelense fora de serviço -- foram mortas por mísseis iranianos que atingiram um prédio residencial em Beersheba, no sul de Israel, de acordo com o serviço de ambulância israelense. Autoridades iranianas disseram que nove pessoas foram mortas por um ataque a um prédio residencial no norte do Irã. ALVOS NUCLEARES Israel lançou a guerra aérea surpresa em 13 de junho, atingindo as instalações nucleares iranianas onde, segundo ele, o Irã estava tentando desenvolver uma bomba atômica e matando os principais comandantes militares no pior golpe contra a República Islâmica desde a guerra com o Iraque na década de 1980. O Irã afirma que seu programa de enriquecimento de urânio é para fins pacíficos e nega estar tentando construir armas nucleares. As autoridades iranianas disseram que centenas de pessoas foram mortas nos ataques aéreos de Israel. Informações completas sobre a extensão dos danos à infraestrutura nuclear e econômica não puderam ser confirmadas de forma independente, pois a mídia é rigidamente controlada no Irã. Os ataques retaliatórios de mísseis mataram 28 pessoas em Israel, a primeira vez que um grande número de mísseis iranianos penetrou em suas defesas aéreas. Uma autoridade sênior da Casa Branca disse que Trump intermediou o acordo de cessar-fogo com Netanyahu e que outros funcionários do governo estavam em contato com os iranianos. O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, garantiu a concordância de Teerã durante uma ligação com autoridades iranianas, disse um funcionário informado sobre as negociações. ** Com Reuters **
- Suprema Corte dos EUA libera Trump a deportar imigrantes para países diferentes dos de origem
Imigrantes podem ser mandados para outros países caso não sejam aceitos por nações de origem WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos emitiu uma decisão nesta segunda-feira, 23, que permite a retomada das deportações de imigrantes em situação irregular para países de onde não são originários, enquanto o caso continua sendo debatido em um tribunal de de apelações. Em uma sentença sem assinatura, a Suprema Corte deu razão ao Departamento de Justiça que solicitava o levantamento de uma suspensão judicial, embora não tenha explicado a decisão e as três juízas liberais que compõem o colegiado discordaram. Em abril, o juiz federal Brian Murphy ordenou a suspensão das deportações para terceiros países, argumentando que os imigrantes deveriam poder contestar seus casos. Em maio, Murphy concluiu que a expulsão de um grupo de imigrantes, incluindo dois cubanos e um mexicano, para o Sudão do Sul violava esse direito à contestação. Para serem deportados a um terceiro país, os imigrantes deveriam ter sido notificados e ter um prazo “mínimo de dez dias” para apelar, conforme estabelece a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura, afirmou Brian Murphy na ocasião. Se o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) considerar que o medo de ser torturado ou maltratado é infundado, ainda assim deve conceder-lhes pelo menos 15 dias para que possam solicitar uma revisão, acrescentou. Os imigrantes estavam sendo transferidos para o Sudão do Sul, um país empobrecido e devastado pela guerra, quando a ordem de Murphy foi emitida, e desde então permaneceram detidos em uma base militar norte-americana em Djibuti, um país africano que que faz fronteira com Eritreia, Somália e Etiópia. O caso será analisado por um tribunal de apelações, mas a decisão da Suprema Corte permite que as expulsões continuem por enquanto. A magistrada da Suprema Corte Sonia Sotomayor acusou o governo de “conduta flagrantemente ilegal” que “expõe milhares de pessoas ao risco de tortura ou morte”. Por outro lado, o Departamento de Segurança Interna chamou a decisão de “vitória para a segurança” dos norte-americanos. “Se esses juízes ativistas conseguissem o que querem, estrangeiros tão bárbaros que seus próprios países não os aceitam, incluindo assassinos condenados, estupradores de crianças e traficantes de drogas, andariam livremente nas ruas americanas”, afirmou o DHS em mensagem na rede social X. ** Com AFP **
- Bolsonarista pede no Congresso dos EUA sanções a Moraes
Paulo Figueiredo mora nos EUA há dez anos e acusa Moraes de "ditador disfarçado de juiz" WASHINGTON - O ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo pediu nesta terça-feira, 24, à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que recomende sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 30 dias. Figueiredo, que mora nos EUA há dez anos, repetiu o argumento de que Moraes extrapola suas funções e viola os direitos de cidadãos em solo americano, em nova investida contra o magistrado. Ele figurou como testemunha em sessão do colegiado que ouviu outras cinco pessoas de nacionalidades diferentes sobre o que seriam violações transnacionais cometidas por agentes de seus países. "Os EUA têm ferramentas poderosas, como a Lei Magnistky. Eu urjo para recomendarem sanções a Moraes nos próximos 30 dias", afirmou o ex-comentarista. O depoimento foi prestado diante do copresidente da comissão, o democrata James P. McGovern, em uma sessão esvaziada de congressistas. Em determinados momentos, o deputado americano discordou do comunicador sobre uma alegada censura e perseguição a opositores de Moraes. A oitiva de Figueiredo faz parte de movimento de aliados de Jair Bolsonaro (PL), incluindo Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para que a Casa Branca puna o membro do Supremo. O filho do ex-presidente, inclusive, licenciou-se do mandato de deputado federal para morar nos EUA e negociar as sanções. A expectativa dos bolsonaristas é que o presidente Donald Trump chancele punições econômicas ao ministro, o que ainda não foi concretizado. O ex-comentarista da Jovem Pan chamou Moraes de "ditador disfarçado de juiz" e citou outras pessoas em território americano que foram alvos dele, como o bolsonarista Allan dos Santos, além de Elon Musk, dono do X (ex-Twitter), e Chris Pavlovski, CEO do Rumble. "Hoje, Moraes me insulta me chamando de fugitivo. Ele alega que tem um mandado secreto contra mim, e eu não fui formalmente condenado, e nem sei se meu nome está na Interpol", afirmou na comissão. Moraes citou a existência do mandado de prisão durante uma sessão no STF e disse que o ex-comentarista está foragido. James McGovern discordou de Figueiredo quando o comunicador abordou o inquérito das fake news e quando discutiu sobre a perseguição a jornalistas e políticos no Brasil e nos EUA. Na primeira ocasião, Figueiredo afirmou que a investigação do Supremo é usada pela corte como instrumento de perseguição e repressão a conservadores. Nesse ponto, o copresidente afirmou que eles "concordariam em discordar" sobre a finalidade das apurações, sem se aprofundar na questão. No segundo momento, McGovern afirmou, após Figueiredo dizer se sentir seguro em terras americanas, se sentir feliz pelo ex-comentarista, mas que ele próprio não se sentia seguro como legislador, citando casos recentes de violência policial. O brasileiro o questionou, então, se há políticos presos nos Estados Unidos, e o democrata respondeu que sim. Há duas semanas, o senador democrata Alex Padilla foi empurrado para fora de uma sala, jogado no chão e algemado por agentes de segurança. Ele tentava fazer uma pergunta durante uma entrevista coletiva da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, sobre os protestos na Califórnia. Figueiredo foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) acusado de participar na trama golpista que impediria a posse do presidente Lula (PT). Antes, já investigado, teve seu passaporte cancelado por Moraes. O ex-comentarista prestou depoimento na comissão pela primeira vez no ano passado. Desta vez, disse que se os EUA não tomarem uma atitude contra Moraes, o Brasil pode virar "uma Venezuela", se referindo a um governo autoritário, diferente da democracia que prevalece no país. ** Com Agência Folha **
- WhatsApp é proibido em dispositivos da Câmara dos Deputados dos EUA
Inteligência dos EUA diz que WhatsApp não tem um sistema de proteção transparente WASHINGTON - O serviço de mensagens WhatsApp da Meta foi banido de todos os dispositivos da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, de acordo com um memorando enviado a todos os funcionários da Câmara nesta segunda-feira, 23. O aviso dizia que o "Escritório de Segurança Cibernética considerou o WhatsApp um alto risco para os usuários devido à falta de transparência na forma como protege os dados do usuário, à ausência de criptografia de dados armazenados e aos possíveis riscos de segurança envolvidos em seu uso". O memorando, do diretor administrativo, recomendou o uso de outros aplicativos de mensagens, incluindo a plataforma Teams da Microsoft, Wickr da Amazon.com, Signal e iMessage e FaceTime da Apple. A Meta discordou da medida "nos termos mais fortes possíveis", disse um porta-voz da empresa, observando que a plataforma oferece um nível mais alto de segurança do que os outros aplicativos aprovados. Em janeiro, um representante do WhatsApp disse que a empresa israelense de spyware Paragon Solutions tinha como alvo muitos de seus usuários, incluindo jornalistas e membros da sociedade civil. A Câmara já baniu outros aplicativos dos dispositivos dos funcionários no passado, incluindo o aplicativo de vídeos curtos TikTok em 2022 devido a questões de segurança. ** Com Reuters **
- Irã ataca bases dos EUA no Catar e Iraque em resposta a bombardeio de instalações nucleares
Irã avisou que não vai deixar nenhum ataque sem resposta WASHINGTON - A mídia estatal iraniana anunciou nesta segunda-feira, 23, que o Irã iniciou sua resposta "poderosa e vitoriosa" aos ataques dos Estados Unidos às suas instalações nucleares. A agência estatal Tasnim afirmou que a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, nas siglas em inglês) lançou mísseis contra bases americanas no Catar e no Iraque. Os ataques foram confirmados posteriormente pelo Pentágono. Em um comunicado, o IRGC afirmou que "[O Irã] não deixará nenhum ataque a sua integridade territorial, soberania e segurança nacional sem resposta, sob nenhuma circunstância". O governo do Catar fez uma "forte condenação" ao ataque à Base Aérea de Al-Udeid, que é tanto a maior base dos Estados Unidos na região, como o quartel-general avançado do Comando Central, que cobre todo o Médio Oriente. "Consideramos isso uma flagrante violação da soberania do Estado do Catar, de seu espaço aéreo, do direito internacional e da Carta das Nações Unidas", disse o porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari. Ele afirmou que os sistemas de defesa aérea do Catar "frustraram com sucesso o ataque e interceptaram os mísseis iranianos" e que a base já havia sido evacuada. E acrescentou que "todas as medidas necessárias foram tomadas para garantir a segurança do pessoal na base, incluindo membros das Forças Armadas do Catar, forças amigas e outros. "Confirmamos que não houve feridos ou vítimas no ataque", declarou o porta-voz, que acrescentou que o Catar se reserva o direito de responder "de maneira equivalente à natureza e à escalada desta agressão descarada". Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Catar emitiu um comunicado afirmando que "a situação de segurança no país permanece estável e que não há motivo para preocupação". "O Ministério enfatiza a importância de não ceder a rumores ou à circulação de informações imprecisas", diz a nota. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou, também em um comunicado que, embora o Irã tenha "destruído" a base aérea americana no Catar, o ataque não "representa qualquer perigo para o Catar ou seu povo", e acrescenta que o Irã "continua comprometido em manter e dar continuidade às suas relações calorosas e históricas" com o Catar. O comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, citado pela mídia estatal iraniana, afirma que "o número de mísseis utilizados foi o mesmo que o de bombas que os EUA usaram em três instalações nucleares iranianas". Gráfico mostra o mapa das bases militares dos EUA no Oriente Médio. Al Udeid, localizada perto de Doha, capital do Catar, serve como quartel-general das operações aéreas do Comando Central dos EUA no Oriente Médio e abriga quase 8.000 soldados americanos. As forças britânicas também passam pela base, às vezes chamada de Aeroporto de Abu Nakhla. Atualmente, a instalação serve como quartel-general e base logística para as operações americanas no Iraque e também inclui a maior pista de pouso da região do Golfo. O Catar concedeu aos Estados Unidos acesso à base de Al Udeid em 2000. Depois que os americanos assumiram a administração da base em 2001, Doha e Washington assinaram um acordo em dezembro de 2002 que reconheceu oficialmente a presença militar americana na base de Al Udeid, de acordo com a empresa de inteligência Grey Dynamics, sediada em Londres. Em 2024, a CNN informou que os EUA chegaram a um acordo para estender sua presença militar no Catar por mais dez anos. ** Com BBC **
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