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Qual é a melhor idade para começar a pagar INSS?


Antes de começar a contribuir é preciso descobrir se precisa pagar, por quanto tempo e  qual valor
Antes de começar a contribuir é preciso descobrir se precisa pagar, por quanto tempo e qual valor

“Dra. Gisele, tenho 40 anos. Ainda vale a pena começar a pagar o INSS?”


Essa pergunta aparece com frequência nos meus atendimentos, especialmente entre brasileiros que moram no exterior e passaram anos sem contribuir no Brasil.


Minha resposta costuma começar com outra pergunta:


Qual aposentadoria você pretende construir?

Porque, quando falamos de INSS, não existe uma idade mágica para começar a contribuir. Existe uma estratégia adequada para cada história previdenciária.


Quanto antes, melhor, certo? Nem sempre.

É claro que começar cedo permite acumular mais tempo de contribuição. Mas simplesmente pagar INSS durante muitos anos não significa, necessariamente, que você está construindo a melhor aposentadoria.


Uma pessoa pode contribuir durante 30 anos sem estratégia e descobrir, perto da aposentadoria, que poderia ter contribuído de maneira diferente.


Outra pode começar mais tarde e, com planejamento, utilizar melhor o histórico que já possui.


Por isso, gosto de fazer uma distinção:

Uma coisa é pagar INSS. Outra é planejar uma aposentadoria.

 

Mas, começar aos 40 ou 50 anos ainda vale a pena?

Pode valer — e muito!

Na aposentadoria programada pelas regras atuais, por exemplo, a mulher precisa, em regra, atingir 62 anos de idade e pelo menos 15 anos de contribuição. Para o homem que ingressou no RGPS após a Reforma da Previdência, a regra geral exige 65 anos de idade e 20 anos de contribuição; mas há tratamento diferente para quem já era filiado antes de 13/11/2019.


Isso significa que a idade atual, sozinha, não responde se ainda “dá tempo”.


Precisamos saber quanto tempo a pessoa já possui, quando começou a contribuir, quais regras podem ser utilizadas e o que ainda falta para alcançar o benefício.


E existem situações ainda mais específicas, como as aposentadorias da pessoa com deficiência, aposentadorias decorrentes de atividades especiais (insalubridade/periculosidade) e regras de transição.


O erro é começar a pagar sem fazer as contas. Esse é o ponto que considero mais importante.


Quando alguém decide começar ou voltar a contribuir, normalmente pergunta:

“Quanto eu devo pagar por mês?”

Mas antes precisamos descobrir se precisa pagar, por quanto tempo e sobre qual valor.

Imagine alguém que decide contribuir sobre o teto do INSS durante os próximos dez anos acreditando que, dessa forma, receberá uma aposentadoria no teto.


Não é assim que funciona.


O benefício é calculado considerando o histórico contributivo e as regras aplicáveis. Portanto, aumentar a contribuição daqui para frente pode melhorar a aposentadoria, mas o resultado precisa ser calculado.


Da mesma forma, pagar sempre sobre o salário mínimo apenas porque é mais barato também pode não ser a melhor decisão.

 

E para quem mora nos Estados Unidos?

O cuidado deve ser ainda maior.


Muitos brasileiros chegam aos Estados Unidos, param de contribuir para o INSS e, anos depois, decidem retomar os pagamentos porque querem garantir uma aposentadoria no Brasil.



Antes de começar, é importante recuperar e analisar o histórico previdenciário.


Talvez você já tenha 5, 10, 15 ou 20 anos de contribuição no Brasil. Esse tempo não desaparece simplesmente porque você passou anos morando no exterior.


Além disso, Brasil e Estados Unidos possuem acordo previdenciário, que pode ser relevante para determinadas situações, inclusive para “emprestar” tempo do Social Security para aposentar no INSS e vice-versa.


Por isso, a decisão de voltar a contribuir não deveria começar pela emissão de uma guia. Deveria começar por uma análise do que você já construiu.

 

Então, qual é a melhor idade?

A melhor idade para pensar na aposentadoria é antes de começar a colocar dinheiro no INSS sem saber onde pretende chegar.


Aos 30, o planejamento pode evitar décadas de contribuições desnecessárias.


Aos 40, pode mostrar qual caminho seguir.


Aos 50, pode ser decisivo para escolher a regra e a estratégia dos próximos anos.


E, mesmo próximo da aposentadoria, ainda pode evitar um pedido feito na regra errada ou no momento errado.


Por isso, talvez a pergunta não seja:


“Qual é a melhor idade para começar a contribuir?”


Mas: “Qual é a melhor estratégia para transformar minhas contribuições na aposentadoria que desejo?”


Porque contribuir é pagar uma guia. Planejar é saber quanto pagar, por quanto tempo e o que você espera receber em troca.



** Por Gisele Jucá

Advogada especialista em Direito Previdênciário com atuação no planejamento de aposentadorias de brasileiros residentes no Brasil e no exterior.

@minhaadvogadagiselejuca

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