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Massachusetts cria primeiro sindicato para motoristas de aplicativo do país


A expectativa é que novos regulamentos garantam proteções trabalhistas
A expectativa é que novos regulamentos garantam proteções trabalhistas

BOSTON — Mais de 70 mil motoristas de aplicativos de transporte, como Uber e Lyft, de Massachusetts conquistaram na última semana o direito de formar o primeiro sindicato da classe nos Estados Unidos, um marco no esforço crescente para organizar os trabalhadores da *gig economy* (economia de bicos), classificados como prestadores de serviços independentes pela legislação trabalhista federal.


O App Drivers Union foi certificado pelo Departamento de Trabalho de Massachusetts na sexta-feira, 22, e deve servir de modelo para campanhas semelhantes que vêm ganhando força em outros estados como a Califórnia e Illinois, onde organizadores sindicais têm focado cada vez mais nas indústrias baseadas em aplicativos, ao passo que os motoristas também enfrentam a rápida expansão da tecnologia de veículos autônomos.


Jean Fredo, que dirige para a Uber há mais de sete anos, disse esperar que o sindicato traga melhores remunerações, proteções mais sólidas contra desativações repentinas e maior estabilidade para os motoristas.


"Com o sindicato, não teremos mais a sensação de estar trabalhando em vão", avalia. "Agora, o dinheiro não ficará apenas nos bolsos dos bilionários. O dinheiro chegará, de fato, aos trabalhadores que se dedicam com tanto afinco."


A Uber e a Lyft afirmaram que planejam atuar dentro da nova estrutura de negociação à medida que as tratativas avançarem. A Uber declarou que trabalhará em conjunto com o sindicato e os órgãos reguladores, preservando, ao mesmo tempo, "a flexibilidade dos motoristas e os benefícios conquistados com tanto esforço"; já a Lyft afirmou estar comprometida em "engajar-se de boa-fé" e em "ajudar os motoristas a prosperar, mantendo o serviço de transporte por aplicativo acessível e confiável para todos que dependem dele".


Os motoristas da Uber e da Lyft são, em geral, classificados como prestadores de serviços independentes, e não como empregados, o que significa que não estão amparados por muitas das proteções trabalhistas tradicionais previstas na legislação federal.


Normalmente, os motoristas utilizam seus próprios veículos, arcam pessoalmente com despesas como combustível e manutenção, e podem escolher, por meio dos aplicativos, quando e por quanto tempo desejam trabalhar.


Os defensores da sindicalização - direito aprovado por plebiscito em 2024 - argumentam que o aumento dos custos dos veículos, a remuneração instável e os algoritmos opacos dos aplicativos têm alimentado a frustração entre os motoristas, que arcam pessoalmente com muitas das despesas de trabalho.


A Uber e a Lyft têm sustentado que os motoristas valorizam a flexibilidade do trabalho via aplicativo e se opuseram a iniciativas que pudessem reclassificar os trabalhadores ou alterar o modelo de negócios do setor.


As autoridades reguladoras de Massachusetts estão avaliando novas regras para o transporte por aplicativo, envolvendo padrões de segurança e a fiscalização dos motoristas. Dias antes da certificação sindical, a Uber alertou, em uma postagem de blog, que algumas das propostas poderiam elevar os custos e reduzir a flexibilidade para os motoristas.


** Da Redação com Agências **



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