Lula critica Trump e faz campanha em discurso na ONU

NOVA YORK – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, 22, em Nova York, explorando seu tempo para dar recados a Donald Trump e fazer campanha eleitoral. O presidente tratou de soberania e riscos à democracia nas eleições brasileiras.
Como tradição, o brasileiro abriu os discursos de líderes do Debate Geral e foi seguido por Donald Trump. Havia a expectativa de que os dois pudessem se esbarrar nos corredores da organização novamente, como ocorreu ano passado. Mas, segundo fontes do Palácio do Planalto, não houve este encontro de bastidor.
“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, continuou o presidente, citando Venezuela, Nicarágua e Cuba.
“O povo venezuelano merece definir o próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”.
Em recado aos Estados Unidos, que recentemente afirmaram que o Brasil não faz o suficiente para combater as facções criminosas. “O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades.”
O presidente também citou seu histórico político de luta contra a ditadura militar e na defesa da democracia. “Somos chamados a optar entre o unilateralismo ou multilateralismo, soberania ou subordinação”, disse, mais uma vez com referências implícitas às medidas do governo Trump.
Lula citou, sem mencionar o nome de Flávio Bolsonaro, a aproximação de candidatos com “interesses estrangeiros”. “Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.”
E encerrou: “Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém...!!! Ninguém nos afastará desse caminho.”
Com agência Estado

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