ICE libera brasileiro com doença rara após passar mais de 100 dias em solitária
- Rádio Manchete USA

- há 13 horas
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NEWARK - O brasileiro Emanuel Rodrigues é mais um símbolo da crueldade atrás dos portões do centro de detenção do ICE em Newark, Nova Jersey. O local tem chamado a atenção do mundo depois que pelo menos 300 detentos entraram em greve de fome no fim de maio.
Rodrigues foi solto na quinta-feira (4) graças a um habeas corpus após passar quase cinco meses presos, a maior parte em uma solitária sob a justificativa de "tratamento médico". Ele sofre de rabdomiólise, uma condição rara que provoca a degradação das fibras musculares e pode comprometer severamente a mobilidade e levar à morte.
Do lado de fora, ele foi recebido pela mulher Anna Lucas que caiu de joelhos ao avistar o marido deixando o presídio em uma cadeira de rodas com a bíblia na mão e um terço no pescoço.
"Deus é bom", repetia o homem enquanto era abraçado pela esposa e aplaudido pelos manifestantes.
Em tempo: A jornalista Daysi Calavia-Robertson, do NJ.com, foi a primeira a contar a história da família e atendeu o pedido de Anna para buscar o marido na prisão. É ela quem aparece empurrando a cadeira de rodas do brasileiro ao atravessar o portão da prisão.
Rodrigues foi preso em 22 de dezembro no estacionamento do seu apartamento em Newark. Contra ele, pesa o fato de ter entrado nos Estados Unidos com visto de turista em 2021 e permanecido no país além da data autorizada.
Dias de terror e fé
Rodrigues já chegou ao centro de detenção com mobilidade limitada e sua condição piorou após ele sofrer uma queda ao ser impedido de usar suas muletas "porque poderia usá-las com uma arma". Ele chegou a ser hospitalizado e passou mais de cem dias isolado por "questões de segurança".
O brasileiro também ecoou as denúncias dos detentos que estão há 21 dias sem comer. Rodrigues confirmou ter recebido "comida estragada e com a presença de vermes". Ele reclamou da falta de tratamento médico adequado e dos longos períodos de isolamento.
A história do brasileiro começou a mudar quando chegou ao deputado federal Rob Menendez. "Depois de encontrar Emanuel várias vezes, confrontar o ICE sobre seu caso e ajudar a tornar sua história pública, ele finalmente foi libertado”, declarou o democrata de Nova York.
"Obrigado. Eu rezei todos os dias", disse emocionado ao cumprimentar as pessoas que fazem vigília do lado de fora do Delaney Hall.
Emanuel pediu a deportação voluntária durante uma audiência em 23 de abril, mas não havia previsão para a data de sua deportação. A advogada do brasileiro não foi localizada até a publicação dessa matéria para informar quais são os próximos passos do processo migratório.
ICE nega acusações
Em declarações anteriores, um porta-voz do ICE afirmou que Emanuel “não estava em isolamento”, mas sim em “observação médica” para garantir sua segurança e saúde.
A agência também declarou que todos os detentos recebem atendimento médico completo e acesso a cuidados emergenciais 24 horas por dia.
Além disso, o czar da fronteira, Tom Homan, esteve no Delaney Hall na semana passada e contestou as reclamações sobre a comida. "Comi o espaguete e é muito bom. Não consegui comer toda a porção porque é muito grande. E olha que sou um cara grande", afirmou.
Inspeção
Após mais de duas semanas, funcionários do Departamento de Saúde de Nova Jersey conseguiram avançar na fiscalização das instalações, ainda que sem acesso total, e encontraram irregularidades.
No relatório, os inspetores dizem não ter encontrado alimentos estragados, mas observam potenciais riscos à segurança alimentar relacionados ao preparo e armazenamento de alguns pratos.
O documento destaca a deficiência da limpeza e da higienização, além do armazenamento precário dos alimentos, em especial falhas na refrigeração.
Os fiscais citam duas bandejas de aço inoxidável com tampa, contendo o frango ensopado, que estavam empilhadas em uma câmara fria com temperatura do produto variando de 10 a 14 graus Celsius. A análise do rótulo do produto e entrevistas com a equipe determinaram que “o produto foi resfriado incorretamente após o serviço da noite anterior”.
As demais áreas "não apresentaram quaisquer indícios de irregularidades", avaliam os profissionais.
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