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- Brasileira transgênero é deportada após ficar presa em Guantánamo
Tarlis pretendia buscar asilo nos EUA alegando risco de morte no Brasil por ser transgênero ALVARENGA - Uma cabeleireira transgênero brasileira de 28 anos ficou detida em uma ala masculina na prisão de Guantánamo após ser presa por agentes da imigração tentando entrar nos Estados Unidos. No início de abril ela foi deportada e está vivendo em Alvarenga, em Minas Gerais, com a família. "Falei várias vezes para eles que eu era uma mulher trans e não me sentia bem no local só com homens, que não me sentia segura. Tinha três beliches na cela, e um banheiro que não fechava a porta", disse à Folha Tarlis Marcone de Barros Gonçalves. "Disse para eles que estava sofrendo assédio, mas não fizeram nada, disseram que eu ia ficar na cela para homens. Também não me deixaram ligar para ninguém da minha família, nem falar com algum advogado." "Eu disse que estava sendo assediada por homens nos corredores e na cela, mas ninguém fez nada", afirmou. O relato foi incluído em ação movida pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU) e pelo Centro para Direitos Constitucionais (CCR) contra o governo Trump para impedir que dez homens detidos pela imigração americana fossem mandados a Guantánamo. O depoimento foi revelado pelo site The Free Radical. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, ao menos 177 imigrantes em situação irregular como Gonçalves foram mandados para Guantánamo, base militar americana em Cuba normalmente reservada para acusados de terrorismo. Gonçalvesconta que cruzou a fronteira do México para os EUA em 15 de fevereiro e foi detida por autoridades na fronteiriça El Paso, no Texas. Ela relatou ter pagado R$ 70 mil para um coiote e seu plano era pedir asilo às autoridades americanas, pois disse sofrer perseguições pelo fato de ser uma mulher trans. Ela foi transferida para um centro de detenção no estado do Novo México. Lá, ficou detida durante nove dias, em uma unidade com 49 homens. Depois, a cabeleireira afirmou ter sido levada, com algemas nos pés, punhos e quadril, para um avião militar, sem saber aonde estava indo. Só chegando à base de Guantánamo, teria sido informada de onde estava. "Fiquei desesperada quando vi que tinham me levado para uma prisão em Cuba. Achei que estivesse indo para o Brasil, não sabia o que iam fazer comigo." Em seu depoimento, a cabeleireira disse: "Os guardas não me tratavam como se eu fosse humana." Após cinco dias em Guantánamo, sem nenhuma explicação, Gonçalves foi colocada em um avião militar americano e levada para Miami e, de lá, para um centro de detenção na Louisiana. Após muitos pedidos para não ser alojada junto com prisioneiros homens, foi colocada em uma solitária por 17 dias. "Só saía da cela para um banho de sol de 25 minutos". Ela disse que estava constantemente com fome porque havia pouca comida. Mas, segundo Gonçalves, pelo menos as autoridades lhe deram acesso a um tablet, e Gonçalves conseguiu falar com sua irmã em Alvarenga, cidade com 4.000 habitantes na região de Governador Valadares. "Minha irmã e eu não parávamos de chorar." Gonçalves foi deportada para o Brasil no início de abril. Veio com algemas nos punhos e nas pernas. "Apertaram tão forte que fiquei dez dias com as pernas inchadas", disse ela, que voltou para Alvarenga e está na casa dos pais. Agora, ela busca saldar as dívidas que fez para pagar o coiote. "Meu plano era construir um salão de beleza para mim e terminar de construir uma casa para os meus pais." "Nunca imaginei que fosse parar em uma prisão em Cuba. Não cometi nenhum crime", disse Gonçalves, que não fala inglês e se comunicava em espanhol. Segundo a cabeleireira, alguns funcionários da prisão afirmaram que o governo americano não reconhecia a existência de pessoas trans. "Trump tem família, tem filhos. Espero que ele nunca tenha uma filha transgênero e nunca passe o que eu e minha família passamos. Minha mãe sofreu muito." ** Com Agência Folha **
- Trump anuncia modernização e reabertura da prisão de Alcatraz
A prisão de Alcatraz tem sido utilizada como ponto turístico na Califórnia (Foto: Divulgação) WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo, 4, que ordenou a modernização e reabertura de Alcatraz, prisão federal localizada em uma pequena ilha da Califórnia, fechada há seis décadas. A prisão vai abrigar "os criminosos mais cruéis e violentos dos Estados Unidos", publicou Trump na plataforma Truth Social. Convertida em atração turística, Alcatraz foi fechada em 1963, devido aos altos custos operacionais, após 29 anos de funcionamento, segundo o Escritório de Prisões dos Estados Unidos. Localizada a 2 km da costa de San Francisco, e com capacidade para 336 prisioneiros, ela abrigou criminosos célebres, como o líder mafioso Al Capone. Trump fez da repressão aos crimes, em particular aqueles cometidos por imigrantes, um elemento central do seu segundo mandato. Em fevereiro, Trump já havia iniciado o envio de imigrantes para um centro de detenção na base militar americana na baía de Guantánamo, na ilha de Cuba. O local é conhecido por abrigar uma prisão para onde foram enviados suspeitos de terrorismo após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. O presidente também vem deportando imigrantes acusados de vínculo com gangues para uma prisão de segurança máxima antiterrorismo de El Salvador, como parte de um acordo no qual os EUA pagam US$ 6 milhões ao governo do presidente Nayib Bukele. Na segunda-feira (28), um drone da agência de notícias Reuters acompanhou o momento em que 31 homens se reuniram no pátio do centro de detenção de imigrantes Bluebonnet, em Anson, no Texas, e formaram as letras SOS para protestar contra as deportações que o governo dos EUA tenta realizar. ** Com AFP **
- Trump anuncia tarifa de 100% para filmes produzidos fora dos EUA
Imagem publicada nas redes sociais da Casa Branca mostra Trump como personagem do Star Wars WASHINGTON - O presidente Donald Trump anunciou neste domingo, 4, a implementação de uma tarifa de 100% para filmes produzidos fora dos Estados Unidos com efeito imediato. Ele classificou os incentivos para atração de cineastas americanos a outros países como uma “ameaça à segurança nacional”. A decisão é válida tanto para filmes “completamente” estrangeiros quanto para filmes de produtoras americanas filmados em outros países. “A indústria cinematográfica nos Estados Unidos está morrendo muito rapidamente. Outros países estão oferecendo todos os tipos de incentivos para atrair nossos cineastas e estúdios para fora dos Estados Unidos”, declarou o presidente em sua rede social, a Truth. Para o republicano, Hollywood, cidade símbolo desse tipo de produção e que abriga diversos estúdios de filmagem, “está sendo devastada”. Trump chamou a atração de cineastas americanos a outros estúdios de gravação ao redor do mundo de “esforço coordenado”, afirmando que “além de tudo, (é) uma questão de mensagem e propaganda!” Segundo o presidente, o Departamento de Comércio e o Representante de Comércio dos EUA deram início imediato ao processo de implementação da tarifa. “Nós queremos filmes feitos na América novamente!”, finalizou. ** Com Agências **
- Saiba por que Ronald Reagan decidiu fazer uma anistia para regularizar 3 milhões de imigrantes
Regan usou a legalização como um instrumento de contenção do fluxo de imigrantes para os EUA WASHINGTON - "Nos últimos 35 anos, nossa nação tem sido cada vez mais afetada pela imigração ilegal. Esta legislação representa um passo importante para enfrentar esse desafio à nossa soberania. Ao mesmo tempo, preserva e enriquece o legado nacional de imigração legal. Estou satisfeito em sancionar esta lei." Com essas palavras, pronunciadas em 6 de novembro de 1986, o presidente Ronald Reagan assinou a Lei de Reforma e Controle da Imigração (IRCA, na sigla em inglês), que tornou possível a última anistia concedida a imigrantes sem documentos aprovada nos Estados Unidos. A norma abriu caminho para que cerca de 3 milhões de imigrantes indocumentados — cerca de 60% do total estimado na época — fossem plenamente incorporados à vida do país e, inclusive, pudessem eventualmente obter a cidadania norte-americana. Desde então, nenhuma reforma migratória de grande alcance foi aprovada nos EUA, apesar de várias tentativas. Graças à sua "revolução conservadora", que transformou a política e a sociedade do país, Reagan é provavelmente o presidente republicano mais icônico das últimas décadas. Por que, então, decidiu apoiar uma lei que concedia anistia a milhões de pessoas em situação irregular? Uma anistia e um freio "Reagan, após ter sido governador da Califórnia, compreendeu que a mão de obra mexicana era um elemento fundamental para a prosperidade econômica dos Estados Unidos e que, a longo prazo, o crescimento da imigração indocumentada não era uma estratégia sustentável", diz Raúl Hinojosa, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que já nos anos 1980 estava envolvido no debate migratório nos EUA — tema de sua tese de doutorado. A ideia de regularizar os imigrantes indocumentados fazia parte do discurso de Reagan há anos, tendo sido apresentada inclusive durante as primárias republicanas de 1980. Uma vez na Casa Branca, Reagan deu início a um processo longo e complexo que culminaria em 1986 com a aprovação da lei com o apoio de republicanos e democratas. Um bottom usado na campanha presidencial de 1980 com os rostos de Reagan e de seu companheiro da vice-presidência, George HW BushCRÉDITO,GETTY IMAGES Legenda da foto,Desde a campanha eleitoral de 1980, Reagan impulsou a ideia de fazer uma anistia para os trabalhadores sem documentos Para viabilizar a reforma, ela foi promovida internamente como uma medida de repressão: reforçaria o controle na fronteira com o México e estabeleceria sanções a empregadores que contratassem trabalhadores indocumentados, ao mesmo tempo que permitiria a "legalização" — palavra escolhida deliberadamente para evitar o termo "anistia" — de uma grande parte dos migrantes que já estavam no país. "Em 1981, este governo solicitou ao Congresso a aprovação de um pacote legislativo abrangente que incluía sanções a empregadores, outras medidas para reforçar a aplicação das leis de imigração e a legalização. A lei estabelece esses três componentes essenciais. O programa de sanções a empregadores é a pedra angular e o elemento principal. Eliminará o incentivo à imigração ilegal ao suprimir as oportunidades de emprego que atraem imigrantes indocumentados", afirmou Reagan ao promulgar a lei. Melhorar a vida dos migrantes e integrá-los ao país Além de resolver um problema que afetava a soberania e a segurança nacional, Reagan queria garantir um tratamento justo aos migrantes e integrá-los plenamente, honrando o longo histórico dos EUA como nação de acolhida. "Isso fazia parte da essência de Ronald Reagan, de sua compreensão dos Estados Unidos, como um país fundamentalmente aberto àqueles que desejam se juntar a nós", comentou Peter Robinson, que foi redator de discursos do ex-presidente, em entrevista à rádio NPR em 2010. Esse objetivo também ficou claro no discurso de Reagan ao sancionar a lei: "Temos apoiado constantemente um programa de legalização generoso com os estrangeiros e justo com as milhares de pessoas em todo o mundo que buscam vir legalmente aos Estados Unidos. As disposições de legalização desta lei contribuirão significativamente para melhorar a vida de um grupo de pessoas que hoje vive nas sombras, sem acesso a muitos dos benefícios de uma sociedade livre e aberta. Muito em breve, muitos desses homens e mulheres poderão sair da escuridão e, finalmente, se assim desejarem, poderão se tornar cidadãos norte-americanos." A lei criou dois programas de regularização: um para qualquer pessoa que estivesse vivendo no país antes de 1º de janeiro de 1982; e outro específico para trabalhadores rurais, destinado a quem tivesse trabalhado em fazendas nos EUA por pelo menos 90 dias entre 1º de maio de 1985 e 1º de maio de 1986. Estima-se que 1,7 milhão de pessoas se inscreveram no primeiro programa e 1,3 milhão no segundo. A regularização teve um impacto direto na vida dos migrantes. "Foi realizada uma pesquisa importante, tanto com trabalhadores rurais quanto não rurais, e basicamente se constatou que, em um período muito curto — aproximadamente dois anos — os trabalhadores regularizados viram seus salários aumentarem entre 15% e 17%. Antes disso, seus rendimentos haviam permanecido estagnados por dez anos", afirma Hinojosa à BBC Mundo. Impacto na economia Hinojosa atribui essa melhora a diversos fatores, começando pelo fato de que, uma vez regularizados, os trabalhadores puderam buscar empregos melhores. Ele explica que muitos passaram a investir em sua própria formação, o que os colocou em melhor posição no mercado de trabalho. "Houve um aumento enorme no número de pessoas que, uma vez que sabiam que poderiam permanecer nos EUA, começaram a estudar inglês, o que se traduziu em um aumento significativo dos salários", diz Hinojosa. Pesquisas realizadas nos anos seguintes demonstraram a melhoria nas condições de vida dos migrantes após a regularização. Um estudo mostra, por exemplo, que até 1992 o rendimento por hora desses trabalhadores havia aumentado, em média, 15,1%; no caso das mulheres, o aumento foi de 20,5%. Naquele mesmo ano, 38,8% dos homens mexicanos que adquiriram status legal haviam migrado para empregos com melhores salários, segundo outro levantamento baseado nos mesmos dados. Um estudo publicado em 2009 pelo American Immigration Council, um centro de estudos com sede em Washington, apontava diversos indicadores que demonstravam o progresso dos migrantes legalizados pela IRCA. "Entre 1990 e 2006, o nível educacional dos imigrantes da IRCA aumentou consideravelmente, suas taxas de pobreza caíram drasticamente e os índices de propriedade de imóveis melhoraram notavelmente. Além disso, seus salários reais aumentaram, muitos deles ascenderam a cargos de chefia e a grande maioria não dependia de auxílios públicos", diz o estudo. Hinojosa afirma que, embora houvesse quem acreditasse que a legalização prejudicaria a economia norte-americana, o efeito foi o oposto. "O impacto foi muito positivo na economia, graças ao aumento do consumo derivado da elevação da renda desses trabalhadores. Acompanhamos esses efeitos e, uma década depois da legalização, houve um crescimento na quantidade de pequenos negócios, na compra de imóveis, no envio de filhos à universidade… tudo isso teve um impacto extremamente positivo", diz. Hinojosa lembra que alguns especialistas temiam que a legalização prejudicasse especialmente os trabalhadores norte-americanos que competiam por empregos menos qualificados, sobretudo os afro-americanos. "Não foi o que aconteceu. Na verdade, a legalização criou um boom econômico nas comunidades — pobres, urbanas e rurais — que gerou uma maior demanda por trabalhadores. Com isso, os afro-americanos também acabaram se beneficiando nas regiões onde os migrantes regularizados estavam presentes", afirma. Slogan da campanha de Regan e Bush nos anos 80 foi reutilizada por Trump Em um artigo publicado em 2014 pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, Hinojosa explicou como a dinâmica da legalização favorece a economia. "Obter uma autorização de trabalho legal proporciona às pessoas indocumentadas mobilidade laboral, permitindo-lhes encontrar empregos mais compatíveis com suas habilidades e desenvolvê-las, o que mais tarde se traduz em maior poder de compra. Além disso, ao poder mudar de emprego, os trabalhadores podem maximizar sua produtividade e seus rendimentos, o que aumenta seu valor agregado à economia (PIB) e aos impostos pagos", escreveu. "O aumento do PIB, da renda e da arrecadação fiscal se traduz na criação de empregos tanto no setor público quanto no privado. Esses resultados econômicos positivos crescem proporcionalmente ao número de pessoas que recebem autorização legal para trabalhar — e quanto mais completa for sua inclusão legal, social e econômica, melhores os resultados", apontou. Em que a reforma migratória de Reagan fracassou Paradoxalmente, embora a IRCA tenha sido apresentada como uma medida para conter a imigração ilegal, esse objetivo não foi plenamente alcançado. Apesar de previsões de que a legalização atrairia mais imigrantes indocumentados ao país, isso não se confirmou. "Foram necessários quase 15 anos, até o fim da década de 1990, para que os EUA voltassem a ter os mesmos níveis de imigrantes indocumentados que havia antes da IRCA", diz Hinojosa. E, em 2022, estimava-se que os migrantes indocumentados presentes nos Estados Unidos somavam cerca de 12 milhões — mais que o dobro dos 5 milhões que se acreditava haver em 1986. Um dos fatores apontados por especialistas como responsável pelo novo aumento no número de indocumentados tem a ver com o fato de que a IRCA focou completamente em fechar as portas para quem não tinha documentos, sem se preocupar em abrir caminhos legais para a migração de que os EUA necessitam. "A IRCA não previu nem antecipou a contínua e crescente demanda por trabalhadores nos Estados Unidos, especialmente no mercado de trabalho de baixa qualificação. Sem um plano para gerir a imigração legal futura e as necessidades do mercado, a solução de três frentes [sanções a empregadores, reforço da vigilância na fronteira e legalização de indocumentados] para a imigração ilegal desmoronou sob o peso de forças econômicas e demográficas", explicam os pesquisadores Muzaffar Chishti e Charles Kamasaki em um artigo publicado em 2014 pelo Migration Policy Institute. Outro elemento que não funcionou foi a aplicação de multas a empregadores que "conscientemente" contratassem trabalhadores sem documentos. Já em 1990, um relatório do Urban Institute e da Corporação Rand alertava que os baixos níveis de fiscalização das sanções a empregadores, somados à limitada cooperação entre agências governamentais, tornavam essas punições ineficazes. O relatório advertia ainda que os reduzidos esforços para garantir que os empregadores cumprissem a IRCA tornavam possível que eles simplesmente descartassem a possibilidade de serem descobertos e punidos, o que enfraqueceria a lei. Essa tendência se manteve e, de fato, em 1994, o Escritório de Prestação de Contas do Governo — um órgão do Congresso encarregado de investigar, avaliar e auditar o Executivo — revelou que os recursos financeiros, o pessoal e o número de investigações relacionadas a sanções contra empregadores que violassem a IRCA haviam diminuído desde 1989. O que crescia, por outro lado, era o volume de recursos destinados ao controle da fronteira e à perseguição de indocumentados. Mas por que se perseguia os indocumentados e não se sancionavam os empregadores? "As sanções aos empregadores nunca se concretizaram porque eles são um grupo muito poderoso tanto no Partido Democrata quanto no Republicano", explica Hinojosa. Assim, era mais fácil concentrar as ações punitivas nos indocumentados — que não tinham nenhum poder político — do que nos empregadores. Quase quatro décadas depois, não parece que essa situação tenha mudado. ** Com BBC **
- Procurador da Flórida ameaça descumprir ordem judicial para prender imigrantes
Uthmeier disse que não vai impedir que agentes da polícia "apliquem a lei", uma desobediência à ordem judicial TALLAHASSEE - O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, afirma que vai continuar prendendo imigrantes indocumentados no Estado o que representa um afronta à decisão judicial que impede a aplicação da lei aprovada em fevereiro por suspeita de inconstitucionalidade. A nova legislação classifica a permanência e a passagem de estrangeiros ilegais na Flórida como contravenção menor passível de 3 a 6 meses de prisão em regime fechado. A magistrada Kathleen Williams acatou na terça-feira, 29, a denúncia de que a medida viola a Cláusula de Supremacia, que designa que as leis federais estão acima das estaduais. Williams já tinha suspendido temporariamente o lei no início de abril. Leia também: Juíza suspende lei que criminaliza imigrante na Flórida Mas o promotor afirma que Willians exigiu que ele a informasse sobre a evolução da ação, mas não poderia impedir que aplicasse a lei. Na mesma noite Uthmeier recorreu à decisão. "Hoje, meu escritório apresentou uma petição explicando por que a ordem dela não pode de forma alguma impedir as agências policiais da Flórida de aplicar as Seções 811.102 e 811.103 dos Estatutos da Flórida", anunciou Uthmeier. "Eu simplesmente não vou fazer isso. Acreditamos que o tribunal se excedeu e não tem jurisdição, e não vou pedir às autoridades policiais que parem de cumprir seus deveres constitucionais", continuou. A juíza, por sua vez, mostrou-se surpresa com a resposta de Uthmeier. "O que me ofende é alguém sugerir que não precisa seguir minha ordem, que ela não é legítima", rebateu. Enquanto o caso tramita na Corte qualquer prisão de imigrante pelas polícias locais pode ser considerada um erro policial e contestada na Justiça, mas isso parece que não vai impedir que agentes comandados por Uthmeier deixem de agir. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Maioria dos iPhones vendidos nos EUA virá da Índia, diz CEO da Apple
Apple adota medidas paliativas na expectativa de que haja uma mudança no cenário econômico WASHINGTON - O CEO da Apple, Tim Cook, disse nesta quinta-feira, 1º, que a maioria dos iPhones vendidos nos Estados Unidos no atual trimestre virá da Índia, enquanto iPads e outros dispositivos virão do Vietnã, em uma tentativa de evitar os impactos das tarifas de Donald Trump. Os lucros da Apple nos primeiros três meses do ano superaram as expectativas de Wall Street graças à alta demanda por seus iPhones, e a empresa disse que, até aqui, as tarifas tiveram um efeito limitado nos resultados. Cook acrescentou que, para o trimestre atual, supondo que as coisas não mudem, a Apple espera ver US$ 900 milhões adicionados aos seus custos como resultado das tarifas, mas disse que a empresa continua "confiante" neste negócio. A Apple faturou US$ 24,78 bilhões, ou US$ 1,65 por ação, nos primeiros três meses do ano — um aumento de 4,8% em relação aos US$ 23,64 bilhões, ou US$ 1,53 por ação, no mesmo período do ano anterior. A receita subiu 5,1%, para US$ 95,36 bilhões, ante US$ 90,75 bilhões. Os analistas, em média, esperavam lucro de US$ 1,62 por ação sobre receita de US$ 94,19 bilhões, de acordo com uma pesquisa da FactSet. Os números do período de janeiro a março fornecem um instantâneo de como a Apple estava se saindo antes da revelação do presidente Trump de tarifas abrangentes, em abril, que abalaram os mercados financeiros em meio a temores de que uma guerra comercial reacenderia a inflação e empurraria a economia dos EUA para uma recessão. "Embora seja provável que parte do crescimento das vendas tenha sido impulsionada pelos consumidores acelerando as compras antes dos aumentos tarifários esperados, as margens permaneceram saudáveis do outro lado do balanço", disse Thomas Monteiro, analista da Investing.com. A dependência da Apple de fábricas chinesas para produzir seus iPhones e outros dispositivos empurrou a criadora de tendências tecnológicas para a mira da guerra comercial de Trump. A exposição da Apple às fábricas chinesas fez com que suas ações caíssem 23% logo após o anúncio do presidente sobre a severidade das tarifas recíprocas, o que apagou temporariamente US$ 773 bilhões em valor de mercado para os acionistas. Quando Trump indicou inicialmente que suas tarifas de 145% sobre produtos fabricados na China se aplicariam ao iPhone, os consumidores dos EUA correram para as lojas para comprar novos dispositivos, em vez de arriscar que os preços subissem depois que as tarifas começassem a aumentar os custos. Mas a enxurrada de compras em pânico não aparecerá até que a Apple divulgue seus resultados para o trimestre de abril a junho. Cook sinalizou sua intenção de permanecer em boas relações com Trump, organizando reuniões privadas com ele e doando pessoalmente US$ 1 milhão para a segunda cerimônia de posse do presidente, antes de se sentar no estrado quando Trump foi empossado em 20 de janeiro. A Apple anunciou posteriormente planos de investir US$ 500 bilhões nos EUA, enquanto contratava 20 mil trabalhadores durante os próximos quatro anos. ** Com AP **
- Juiz proíbe governo Trump de usar lei de guerra para deportar venezuelanos
Juiz indicado por Trump apontou abuso de poder de Trump para deportar venezuelanos WASHINGTON - Um juiz dos Estados Unidos impediu nesta quinta-feira, 1, o governo do presidente Donald Trump de usar uma lei de guerra do século XVIII para deportar alguns imigrantes venezuelanos, na decisão mais abrangente até agora contra uma parte fundamental da agressiva repressão imigratória do republicano. Em um parecer de 36 páginas, o juiz distrital Fernando Rodriguez, em Brownsville, Texas, afirma que o governo Trump excedeu o escopo da Lei de Inimigos Estrangeiros ao usá-la para acelerar as deportações de supostos membros da gangue venezuelana Tren de Aragua. A liminar permanente do juiz contra o uso da lei se aplica a migrantes detidos no Distrito Sul do Texas. A proclamação de Trump em meados de março, invocando a lei de 1798, disse que as ações dos membros do Tren de Aragua nos EUA equivaliam a uma "invasão" ou "incursão predatória" e, portanto, justificavam o uso da lei para deportações rápidas. Rodriguez, que foi nomeado por Trump durante seu primeiro mandato, disse que as ações da gangue não atenderam a esse padrão. "A invocação da lei pelo presidente por meio da proclamação excede o escopo do estatuto e, como resultado, é ilegal", escreveu Rodriguez. A Casa Branca e o Departamento de Justiça não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A Lei de Inimigos Estrangeiros é mais conhecida por ter sido usada para deportar pessoas de ascendência japonesa, alemã e italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Lee Gelernt, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis, que representa os migrantes venezuelanos, disse que o Congresso não pretendia que a lei fosse usada da maneira como Trump a aplicou. "O tribunal decidiu criticamente que o presidente não pode simplesmente declarar que houve uma invasão dos EUA e então invocar unilateralmente uma autoridade de guerra do século XVIII em tempos de paz", disse Gelernt. Pelo menos 137 venezuelanos foram deportados do Centro de Detenção El Valle, em Raymondville, Texas, sob a lei em 15 de março. Parentes de muitos dos homens e seus advogados negam que eles fossem membros do Tren de Aragua e dizem que os deportados não tiveram a chance de contestar as alegações do governo. Em 7 de abril, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o governo Trump deve dar aos migrantes a chance de contestar quaisquer futuras deportações baseadas na Lei de Inimigos Estrangeiros no tribunal. Rodriguez, cujo distrito inclui El Valle, e outros juízes federais no Colorado, em Manhattan e na Pensilvânia emitiram ordens temporárias bloqueando tais deportações em seus distritos. A liminar emitida por Rodriguez nesta quinta-feira vai além, impedindo permanentemente o governo de usar a lei em seu distrito. É provável que o governo recorra. ** Com Reuters **
- Trump nomeia assessor de segurança como embaixador na ONU
Mike Waltz estava sob pressão desde que os planos de um ataque militar vazaram na imprensa WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 1º, que nomeará seu conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, como o próximo embaixador de Washington na Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi confirmada pelo republicano em sua rede social Truth. Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, será o conselheiro interino de segurança nacional de Trump. Waltz estava sob pressão desde que o editor-chefe da revista Atlantic, Jeffrey Goldberg, revelou em março que foi o assessor do magnata o adicionou por engano a um bate-papo confidencial do Signal sobre os planos de um ataque militar ao Iêmen. Na conversa, foi detalhada a ofensiva contra os rebeldes houthis, incluindo quando aviões de guerra dos EUA decolariam para bombardear os alvos no Iêmen. Mais cedo, a imprensa norte-americana já havia revelado que nomes de um substituto já estavam sendo discutidos na Casa Branca há semanas, mas os planos para remover Waltz ganharam força nos últimos dias. "Atualmente, uma das principais escolhas para substituir Waltz é o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, que está liderando as negociações com a Rússia, o Irã e o Hamas na Faixa de Gaza", acrescentou a mídia americana, citando fontes familiarizadas com o assunto. Questionada por jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia enfatizado que não responderia "a rumores de fontes anônimas". ** Com ANSA **
- Manifestantes de 1º de Maio se reúnem nos EUA contra políticas de Trump
Embora não seja feriado nos EUA, trabalhadores foram às ruas em 1 de Maio WASHINGTON - Advogados, professores e políticos estão entre as milhares de pessoas nos Estados Unidos que protestavam nesta quinta-feira, 1, contra as políticas de imigração, a perseguição a advogados e juízes e o papel de bilionários na tomada de decisões no governo do presidente norte-americano, Donald Trump. Jennifer Vasquez Sura, cujo marido, Kilmar Abrego Garcia, residente legal nos EUA, foi enviado por engano a uma prisão em El Salvador pelo governo Trump, discursou em um comício em Washington - um dos atos organizados em todo o país por grupos de advogados e uma coalizão de mais de 200 sindicatos e defensores dos direitos dos imigrantes. "Ele foi detido ilegalmente, sequestrado e desaparecido pelo governo Trump, embora eles tenham admitido que foi um erro", disse Vasquez Sura, acrescentando que seu marido já enfrentou "50 dias de sofrimento". "Para todos que estão assistindo, continuem lutando", pediu. A multidão respondeu com o coro: "Tragam Kilmar de volta para casa". Os organizadores acusam o governo Trump de priorizar lucros de bilionários e pedem investimentos em famílias trabalhadoras, com financiamento integral em saúde pública, moradia e escolas públicas. "É um contraste claro entre as prioridades do governo Trump e o que as pessoas comuns querem e precisam", disse Lisa Gilbert, copresidente da Public Citizen, organização de defesa dos direitos do consumidor e uma das coorganizadoras da manifestação em Washington. Os organizadores esperavam centenas de milhares de manifestantes em todo o país, na expectativa de realizar os maiores protestos de 1º de Maio, conhecido como May Day nos EUA, na história do país. Protestos anteriores já reuniram milhares de participantes desde o retorno de Trump ao poder. ** Com Reuters **
- 35% dos brasileiros deportados pelo governo Trump deixaram parentes nos EUA
700 brasileiros foram deportados em aviões fretados desde o início do ano, mais da metade do total de 2024 BRASÍLIA - Um levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil divulgado essa semana revela que 35% dos brasileiros deportados dos Estados Unidos deixaram parentes no país estrangeiro. "Deixei minha vida lá praticamente. Duas gêmeas e uma de 1 ano e 6 meses. A pior sensação do mundo”, lamenta o carpinteiro Josiel de Oliveira Já o empresário Benedito Miguel se surpreendeu com a detenção. "Deram permissão de trabalho social. Um dia me chamaram para assinar alguns papéis e quando fui assinar, me falaram que estavam lá para me prender”, diz. O governo entrevistou 612 repatriados que chegaram ao país entre fevereiro e abril desse ano em voos fretados pelos EUA. A maioria é formada por homens, prevalecendo os mais jovens, com até 29 anos. Muitos só completaram o Ensino Médio. Em 100 dias de mandato, o governo de Donald Trump deportou 700 brasileiros em voos fretados pelos EUA – 42% do total registrado em todo o ano de 2024. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Ucrânia e EUA assinam acordo sobre minerais
Comitivas dos EUA e da Ucrânia em cerimônia da assinatura do acordo (Foto: Divulgação Governo dos EUA) WASHINGTON - A Ucrânia e os Estados Unidos assinaram nesta quarta-feira, 30, em Washington, uma tratativa que dará ao país americano acesso preferencial aos minerais ucranianos e financiará investimentos na reconstrução da nação liderada por Vladimir Zelensky. Os dois governos selaram o acordo - após meses de negociações, às vezes tensas, com a incerteza persistindo até o último momento - que estabelece um fundo de investimento conjunto para a reconstrução da Ucrânia enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, tenta convencer Vladimir Putin a colocar um ponto final na guerra. O governo americano divulgou uma foto em que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e a primeira vice-primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, assinam o documento com a legenda de que a imagem "sinaliza claramente o compromisso do governo Trump com uma Ucrânia livre, soberana e próspera". Svyrydenko escreveu no X que o acordo prevê que Washington contribua para a reconstrução do país. "Além das contribuições financeiras diretas, o país também pode fornecer assistência NOVA -- por exemplo, sistemas de defesa aérea para a Ucrânia", disse ela. Washington tem sido o maior doador militar da Ucrânia desde a invasão russa de 2022, com uma ajuda de mais de 64 bilhões de euros, de acordo com o Instituto Kiel, na Alemanha. Antes da assinatura, Trump repetiu nesta quarta-feira que os EUA deveriam obter algo por sua ajuda a Kiev, daí o esforço para garantir um acordo para explorar os abundantes depósitos de minerais de terras raras da Ucrânia. Um esboço do acordo de minerais visto pela Reuters mostrou que a Ucrânia garantiu a remoção de qualquer exigência de pagamento aos EUA pela assistência militar passada, algo a que Kiev se opôs firmemente. A minuta não especificava nenhuma garantia concreta de segurança dos EUA para a Ucrânia, um dos objetivos iniciais do país europeu. ** Com Reuters **
- Trump avalia 100 dias de seu governo como 'o melhor da história'
Trump ignorou as pesquisas de popularidade durante os discursos de celebração WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia os seus primeiros 100 dias de mandato como "o melhor" da história. No entanto, segundo pesquisas, apenas 39% do eleitorado aprova seu atual governo. "Estamos aqui para celebrar os primeiros 100 dias de maior sucesso de qualquer administração. E isso é só o início; vocês não viram nada ainda", falou o mandatário durante comício para apoiadores em Warren, Michigan, na terça-feira, 29. "Nestes primeiros 100 dias, fizemos uma mudança profunda em Washington, a maior em 100 anos", acrescentou Trump, reforçando ainda que ao assumir a Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, foi lançada "a era do ouro" no país. Desde 20 de janeiro o republicano já assinou mais de 140 decretos executivos, —superando inclusive a própria marca do primeiro mandato. As "canetadas " questionaram a cidadania americana por direito de nascença, expulsou imigrantes, atacaram universidades e escritórios de advocacia, reverteram políticas ambientais, encarregaram seu aliado bilionário Elon Musk de realizar grandes cortes no orçamento de órgãos federais e lançaram uma ofensiva comercial protecionista contra grande parte do mundo antes de revogá-la parcialmente. Como se não bastasse, ainda ameaça anexar o Canadá e a Groenlândia aos EUA e tomar o Canal do Panamá. Conforme cita a AFP, as pesquisas de opinião foram unânimes em apontar uma queda particularmente acentuada em seus índices de aprovação, alimentada pela preocupação com o "tarifaço" e seus ataques à ordem institucional. Já segundo pesquisa publicada no domingo (27) pelo Washington Post e pela ABC News, apenas 39% dos americanos aprovam a forma como Trump está conduzindo sua presidência. Juízes comunistas A uma plateia com algumas milhares de pessoas em Michigan, Trump usou palavras-chave do período eleitoral e reforçou suas ações e embates do atual mandato, referindo-se a juízes como comunistas. "Não podemos permitir que um punhado de juízes comunistas, de extrema esquerda, obstruam a aplicação de nossas leis e assumam os deveres que pertencem exclusivamente ao presidente dos EUA", afirmou. "Os juízes estão tentando tirar o poder dado ao presidente para manter nosso país seguro." Uma das marcas dos primeiros cem dias é o embate entre o líder republicano e magistrados que têm emitido ordens bloqueando suas ações. Embora seja visto por analistas como um sinal de autoritarismo, o excesso de decretos é na verdade comemorado pelo presidente americano. Ele afirmou nesta terça ter feito mais de "mil ações executivas" nesses primeiros meses do ano. Como em praticamente todos os pronunciamentos públicos, o presidente exaltou suas políticas na área de imigração e, sobretudo, a deportação para uma prisão em El Salvador de pessoas acusadas de integrar facções criminosas, embora a medida tenha sido amplamente contestada na Justiça. ** Com Reuters **
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