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- EUA vão aumentar oferta de gasolina para diminuir preços em postos
Valores altos dos combustíveis estão derrubando popularidade de Trump WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 20, uma medida emergencial para ampliar a oferta de gasolina no país com o objetivo de reduzir os preços cobrados nos postos. O principal ponto é autorizar, por meio de dispensas temporárias, para a venda de E10 - gasolina com 10% de etanol - sob condições mais flexíveis a partir de 1º de setembro de 2026. Na prática, a iniciativa - que foi formalizada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) em coordenação com o Departamento de Energia (DoE) - tende a facilitar a logística e a disponibilidade de combustível no mercado. A expectativa do governo é que a flexibilização eleve a oferta doméstica em "centenas de milhares de barris por dia", ajudando a aliviar os preços ao consumidor. Segundo a EPA, a ação foi tomada "em consulta com o DoE" e busca "expandir o suprimento de gasolina para baixar os preços na bomba", ao flexibilizar temporariamente exigências técnicas aplicadas durante o período de maior calor - quando as regras de volatilidade do combustível costumam ser mais restritivas. O DoE esclareceu que as ações "permanecerão em vigor até o fim da temporada de controle de verão" do Hemisfério Norte, com prazo até 15 de setembro de 2026. A EPA também indicou que o aviso da dispensa foi publicado com antecedência para que o setor tenha tempo de ajustar sistemas de distribuição e abastecimento. Pelo desenho anunciado, o governo seguirá monitorando as condições de oferta e demanda e poderá adotar novas extensões caso avalie que a situação de suprimento continue exigindo intervenção para garantir abastecimento adequado aos consumidores. ** Com AE **
- Dívida pública dos EUA ultrapassa pela primeira vez US$ 40 trilhões
WASHINGTON - A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez os 40 trilhões de dólares, segundo dados divulgados na quarta-feira, 19, pelo Departamento do Tesouro, em um contexto de alta das taxas dos títulos soberanos. Após a última emissão, realizada na terça-feira, a dívida do Tesouro dos Estados Unidos alcançou 40,047 trilhões de dólares (cerca de R$ 207 trilhões), devido ao aumento tanto da dívida vinculada à saúde e à seguridade social quanto dos juros pagos pelo país. O número contrasta com uma previsão anterior do Escritório de Orçamento do Congresso, que calculava que o endividamento total chegaria a 39,4 trilhões de dólares até o fim do ano fiscal de 2026, no final de setembro. Os custos de endividamento dispararam nos Estados Unidos, principalmente devido às preocupações vinculadas à inflação. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo (30 anos) subiram na terça-feira até seu nível mais elevado desde 2007, reflexo de uma pressão crescente sobre os preços devido à guerra no Oriente Médio e à preocupação com o déficit fiscal. O aumento obriga o governo americano a refinanciar a dívida às taxas mais altas desde antes da crise financeira global de 2008. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos fez uma intervenção nas primeiras horas de quarta-feira para estabilizar o mercado de títulos de longo prazo e provocou o recuo dos rendimentos "Trajetória insustentável" O governo federal opera com déficit e toma dinheiro emprestado para cobrir a diferença. Mas "há muito tempo se sabe que o governo dos Estados Unidos segue uma trajetória bastante insustentável em matéria de déficits", afirmou Jessica Riedl, especialista em orçamento e impostos da Brookings Institution. A dívida do país mais que dobrou desde a crise financeira de 2008 e agora representa quase 125% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. No passado, déficits de entre 3% e 4% do PIB foram motivo de preocupação para os mercados financeiros, mas Riedl destaca que os níveis atuais estão ao redor de 6% a 7% do PIB. "Isso gerou mais nervosismo nos mercados", acrescentou. "O presidente disse que quitaria a dívida em seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez disso, ele a deixou crescer a 40 trilhões de dólares, enquanto ele e sua família acumulavam bilhões", criticou no X o senador democrata Mark Kelly. "O Congresso deve controlar seus gastos e EQUILIBRAR O ORÇAMENTO. Os americanos merecem algo melhor", comentou o senador republicano Rick Scott, também no X. O presidente Donald Trump prometeu, durante seus dois mandatos, cortar os gastos do governo e reduzir o déficit anual. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia indicado que seu objetivo era reduzir o déficit americano a 3% do PIB. No entanto, este aumentou nos últimos meses, devido principalmente ao reembolso às empresas das tarifas que a Suprema Corte anulou em fevereiro. Os cortes de impostos e os gastos militares, em particular os relacionados ao conflito com o Irã, também consumiram bilhões de dólares. Os analistas apontam que não existe um nível de endividamento em relação ao PIB que desencadeie automaticamente uma crise. Também recordam que a dívida nas mãos da população, que exclui os créditos de uma administração federal sobre outra, costuma ser um indicador mais acompanhado do que a dívida total. "Mas, de um ponto de vista psicológico, são estes indicadores que alertam os mercados financeiros sobre a necessidade de voltar a prestar atenção ao aumento da dívida", segundo Riedl. Os empréstimos federais dispararam durante a crise financeira de 2007-2009 e voltaram a aumentar consideravelmente durante a recessão provocada pela covid-19, recorda Caleb Quakenbush, diretor de política orçamentária do Bipartisan Policy Center. Segundo ele, nem o Congresso nem os governos americanos abordaram a trajetória dos gastos orçamentários de maneira "significativa ou sustentável", o que representaria sérios desafios em caso de uma nova crise. ** Com AFP **
- Mora e trabalha nos EUA? Saiba como esse tempo pode ajudar na sua aposentadoria no Brasil
Período de trabalho nos EUA ajuda a somar tempo para aposentadoria no Brasil Muitos brasileiros que se mudaram para os Estados Unidos acreditam que, ao deixar o Brasil, deixaram também para trás a sua história previdenciária. Outros imaginam que precisam escolher: ou se aposentam pelo INSS no Brasil ou recebem um benefício do Social Security nos EUA. Mas não é necessariamente assim. Se você trabalhou e contribuiu no Brasil e hoje trabalha nos EUA, os períodos construídos nos dois países podem, em determinadas situações, ser considerados para verificar o seu direito a aposentadoria. Isso é possível graças ao Acordo Internacional de Previdência Social entre Brasil e EUA. E entender como esse acordo funciona é especialmente importante para quem pretende construir uma estratégia de aposentadoria nos dois países. Brasil e EUA possuem sistemas previdenciários diferentes No Brasil, temos o INSS. Nos EUA, o trabalhador pode acumular cobertura perante o Social Security. Quando uma pessoa constrói parte de sua vida profissional no Brasil e outra parte nos EUA, surge uma situação bastante comum: ela pode não possuir, isoladamente, tempo suficiente em um dos países para ter direito a aposentadoria. É justamente nesse cenário que o Acordo Previdenciário Brasil–EUA pode se tornar importante. O acordo permite, observadas suas regras, a totalização de períodos de cobertura para verificar o preenchimento dos requisitos necessários à concessão de determinados benefícios. Mas atenção: isso não significa juntar os dois sistemas e transformá-los em uma única aposentadoria. O INSS continua aplicando a legislação brasileira. O Social Security continua aplicando as regras norte-americanas. Cada país analisa separadamente o direito ao benefício. Um exemplo ajuda a entender melhor: Imagine um brasileiro que trabalhou e contribuiu para o INSS durante uma década. Depois, mudou-se para os EUA, começou a trabalhar e passou a acumular períodos de cobertura perante o Social Security. Ao chegar à idade de aposentadoria no Brasil, ele verifica que aqueles 10 anos de contribuição ao INSS, sozinhos, podem não ser suficientes para preencher os requisitos brasileiros. Leia também: Qual é a melhor idade para começar a pagar INSS? É nesse momento que o período cumprido nos Estados Unidos pode se tornar relevante porque podem ser considerados para verificar o preenchimento dos requisitos da aposentadoria brasileira. Esse mecanismo é chamado de totalização dos períodos de cobertura ou contribuição. Isso significa que o tempo do Social Security é transferido para o INSS? Não. O acordo não simplesmente “transfere” as contribuições americanas para o CNIS, como se elas tivessem sido recolhidas diretamente ao INSS. O que existe é um “empréstimo de tempo” entre os sistemas previdenciários brasileiro e norte-americano. Em outras palavras: o período cumprido nos EUA pode ser utilizado, nas hipóteses previstas no acordo, para auxiliar no preenchimento de requisitos, mas cada país continua responsável pelo benefício devido segundo sua própria legislação. Você construiu uma vida em dois países. Sua aposentadoria também precisa ser planejada dessa forma. O Acordo Internacional de Previdência entre Brasil e Estados Unidos é uma ferramenta importante para brasileiros que construíram sua trajetória profissional nos dois países. Mas ele não deve ser utilizado de forma automática. Antes de requerer um benefício, é fundamental compreender quais períodos serão utilizados, qual regra será aplicada e qual será o impacto financeiro dessa decisão. Se você mora nos EUA, trabalhou no Brasil e quer saber qual é a melhor estratégia para a sua aposentadoria, o planejamento previdenciário internacional permite justamente comparar esses caminhos antes de tomar uma decisão que poderá repercutir na sua renda por muitos anos. ** Por Gisele Jucá Advogada especialista em Direito Previdênciário com atuação no planejamento de aposentadorias de brasileiros residentes no Brasil e no exterior. @minhaadvogadagiselejuca
- Maioria dos americanos acredita que Trump obteve lucros indevidos desde que voltou ao poder
Donald Trump em palanque ainda durante a campanha de 2024 WASHINGTON - A maioria dos americanos acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua família lucraram indevidamente com criptomoedas desde que ele voltou ao poder e que suas decisões políticas são influenciadas por seus negócios particulares, segundo revelou uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. As entrevistas, realizadas ao longo de quatro dias e concluídas na segunda-feira, 18, revelam que metade dos republicanos, partidários de Trump, admite que o presidente permite que seus interesses comerciais influenciem suas decisões — uma constatação surpreendente para um líder que prometeu acabar com a corrupção em Washington. Trump nasceu em uma família do ramo imobiliário de Nova York e transformou seu nome em uma marca reconhecida mundialmente antes de concorrer à Casa Branca. Ele faturou mais de US$1,4 bilhão no ano passado com os empreendimentos de criptomoedas de sua família, incluindo a World Liberty Financial e a "meme coin" de Trump, ativos digitais que ele defendeu publicamente. Em março de 2025, dois meses após o início de seu segundo mandato, o republicano chamou a atenção nas redes sociais para sua moeda criptográfica com sua própria marca, descrevendo-a como a "Melhor de todas!!!!!!!!!!!!!!!!". Cerca de 63% dos entrevistados afirmam que é inadequado que Trump e sua família tenham lucrado dessa forma, enquanto 32% consideram adequado e o restante não respondeu à pergunta. Cerca de três em cada dez entrevistados republicanos avaliam os negócios inadequados, enquanto sete em cada dez afirmam ser adequados. Trump afirma que não tem tido nenhum papel no dia a dia dos negócios de sua família desde que voltou à Presidência e que seus investimentos são administrados de forma independente. Mas ele tem adotado políticas favoráveis às criptomoedas em seu segundo mandato, após ter buscado financiamento por meio de moedas digitais durante a campanha eleitoral. A Casa Branca rejeitou quaisquer alegações de impropriedade, confirmando que os investimentos de Trump são administrados por instituições financeiras independentes. "Não há conflitos de interesse", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado. "O presidente age apenas no melhor interesse do público americano." No entanto, especialistas em ética presidencial consideraram a atual confluência entre negócios e política na Casa Branca algo sem precedentes. "Nunca vimos nada parecido antes; nem mesmo o primeiro governo Trump tinha tantos interesses empresariais complexos quanto agora", analisa Richard Painter, principal advogado de ética do presidente republicano George W. Bush. ** Com Reuters **
- Democrata progressista da Flórida vence primárias para Senado dos EUA
Angie Nixon vai enfrentar a senadora republicana em exercício Ashley Moody em novembro TALLAHASSEE - A democrata socialista Angie Nixon conquistou uma vitória inesperada nas primárias democratas da Flórida para o Senado dos Estados Unidos na terça-feira, 18, quando eleitores em vários Estados escolhiam candidatos para as eleições que determinarão o controle do Congresso. O resultado foi o mais recente de uma série de vitórias de candidatos progressistas insurgentes nas disputas democratas deste ano, já que muitos eleitores estão cada vez mais frustrados com a cúpula partidária, que consideram muito antiquada e ineficaz na oposição ao presidente republicano Donald Trump. Embora o movimento tenha despertado entusiasmo na ala de esquerda do partido, analistas alertam que isso pode complicar a campanha para os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Deputados e do Senado em novembro, quando membros de ambos os partidos e independentes irão às urnas. A Flórida, que já foi um dos mais disputados, tem se tornado cada vez mais republicano nos últimos anos, e analistas afirmam que a vitória de Nixon provavelmente coloca os democratas ainda mais longe do objetivo Nixon, de 42 anos, tem atuado ativamente no movimento sindical e foi repreendida este ano por interromper uma votação na Câmara dos Deputados do Estado ao protestar contra a legislação de redistritamento congressional com um megafone rosa. Ela derrotou o ex-funcionário de segurança nacional Alex Vindman, que ganhou destaque em 2019 ao testemunhar perante o Congresso durante o primeiro processo de impeachment de Trump. Vindman arrecadou 16 vezes mais dinheiro do que Nixon e analistas afirmam que ele provavelmente teria mais chances de derrotar a senadora republicana em exercício Ashley Moody nas eleições gerais de novembro. O vencedor completará os dois anos restantes do mandato do ex-senador Marco Rubio, que agora ocupa o cargo de secretário de Estado. ** Com Reuters **
- Trump anuncia suspensão das novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses
A expectativa é que Carney e Trump firmem um acordo nas próximas horas WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira, 18, a suspensão por três dias das novas tarifas de 50% sobre determinados produtos canadenses, após, segundo o presidente, Washington e Ottawa terem chegado a um acordo de última hora. O anúncio veio após conversas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, horas antes de as tarifas entrarem em vigor nesta quarta-feira. "Suspendi as tarifas de 50% contra o Canadá [...] por um período de três dias, com base no fato de que o Canadá e os Estados Unidos, sujeitos à finalização dos documentos, chegaram a um ACORDO!", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social. O Escritório do Representante Comercial dos EUA garante que o acordo entre Washington e Ottawa busca "incluir amplo acesso ao mercado para todos os produtos americanos, compromissos com a segurança econômica e alinhamento no comércio digital", entre outras medidas. Em comunicado, Trump acrescentou que a suspensão ocorreu porque "o Canadá expressou seu compromisso de eliminar a discriminação ou imposições injustificadas e desiguais em questão". No entanto, o primeiro-ministro Carney declarou nesta terça-feira que, apesar do "progresso significativo", ainda há "trabalho importante a ser feito" e confirmou a suspensão das tarifas "até 21 de agosto". As tarifas planejadas por Trump afetam aproximadamente 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos, no valor de cerca de US$ 20 bilhões, segundo estimativas da Oxford Economics. A organização observou em relatório recente que as tarifas "afetarão mais severamente o setor manufatureiro do Canadá Central", incluindo produtos de papel, impressão, madeira, vestuário e equipamentos eletrônicos. 'Tratamento discriminatório' No mês passado, Trump ordenou a imposição de tarifas de 50% sobre diversos produtos canadenses, alegando "tratamento discriminatório" de produtos americanos como álcool, automóveis e laticínios. As tarifas americanas sobre o Canadá se aplicariam a produtos tão diversos quanto vinho, tacos de hóquei e até cimento. O enviado comercial de Trump, Jamieson Greer, afirmou anteriormente que as tarifas tinham como objetivo "responsabilizar o Canadá" por suas medidas retaliatórias contra os Estados Unidos. Segundo Greer, as províncias canadenses removeram os produtos alcoólicos americanos de suas tarifas e "proporcionaram melhor acesso ao mercado para produtos lácteos da União Europeia", entre outras medidas. Os negociadores canadenses têm pressionado por um acordo que evite as novas tarifas e também ofereça alívio das taxas setoriais de Trump sobre indústrias como siderúrgica, madeireira, de alumínio e automotiva. "Não é incomum que uma negociação comercial se estenda até o último minuto", observa Christopher Padilla, ex-funcionário comercial americano. Padilla destaca que o governo Trump ameaçou impor novas tarifas para tentar obter concessões antecipadas do Canadá, membro, juntamente com o México, do acordo de livre comércio USMCA, após Washington anunciar em 1º de julho que não o renovaria. Sem entrar em detalhes, Trump também afirmou em sua conta no Truth Social que "o grande oleoduto Keystone XL, há muito tempo morto pelo Joe Biden, pode ressurgir das cinzas!". O duto liga Alberta, no Canadá, até o estado do Nebraska, nos Estados Unidos. O presidente americano já havia defendido a reativação desse projeto controverso, rejeitado por ambientalistas e bloqueado durante o governo de seu sucessor democrata. ** Com AFP **
- Juiz permite que governo Trump encerre proteção de mais de 5 mil etíopes nos EUA
Decisão coloca fim ao TPS para todas as nacionalidades de imigrantes nos EUA BOSTON - Um juiz federal dos Estados Unidos autorizou nesta terça-feira, 18, que o governo de Donald Trump encerre a proteção legal que permitia a mais de 5 mil etíopes viver e trabalhar no país. Com isso, os imigrantes agora podem ser deportados a qualquer momento. A decisão do magistrado distrital Brian Murphy, de Boston, suspende o último obstáculo judicial que impedia o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos de acabar com o Status de Proteção Temporária (TPS) - benefício humanitário para imigrantes de países que enfrentam conflitos, desastres naturais ou outras situações que impedem um retorno seguro - para nacionais da Etiópia. Em junho, a Suprema Corte já havia permitido que a administração republicana encerrasse proteções semelhantes para milhares de imigrantes do Haiti e da Síria. Em 2022, governo Joe Biden concedeu o status de proteção aos etíopes que já viviam nos EUA, citando os conflitos armados e a crise humanitária no país africano. A Suprema Corte, por 6 votos a 3, limitou a atuação de juízes contra a decisão do governo Trump de encerrar o TPS para cidadãos de 13 países. Com isso, as revogações das proteções temporárias estão em vigor. O conselheiro-geral do Departamento de Segurança Interna, James Percival, comemorou a decisão: 'Todas as revogações do TPS estão em vigor!' ** Com Agências **
- EUA impõem sanções contra presidente do Tribunal Penal Internacional
Washington não é membro do TPI e vem adotando medidas contra autoridades do tribunal para defender Israel WASHINGTON - Os Estados Unidos impuseram nesta terça-feira, 18, sanções contra a juíza japonesa Tomoko Akane, presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), em mais uma escalada da ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra a instituição. A decisão foi anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA em uma publicação no seu próprio site. O órgão também puniu Abdoulaye Seye, funcionário do gabinete da procuradoria do TPI envolvido em investigações relacionadas à questão palestina. Washington não é membro do TPI e vem adotando medidas contra autoridades do tribunal em reação, entre outros motivos, à emissão de mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o então ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant. Os EUA também citam uma investigação do TPI sobre militares americanos no Afeganistão. As sanções congelam eventuais ativos dos indivíduos atingidos nos Estados Unidos e, na prática, restringem seu acesso ao sistema financeiro americano, dificultando relações com bancos que mantêm vínculos com o mercado dos EUA. Em 2025, Washington já havia sancionado outros funcionários do TPI, incluindo promotores e juízes. Em junho, três magistrados do tribunal processaram Trump e integrantes de seu governo, alegando que as medidas adotadas contra eles eram ilegais. No mês passado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump ampliaria os esforços para enfraquecer o TPI, inclusive por meio de uma campanha diplomática para convencer outros países a abandonar a instituição. Segundo o governo americano, o tribunal representa uma ameaça a funcionários dos EUA envolvidos na aplicação das políticas de imigração de Trump, em operações contra embarcações suspeitas de transportar drogas e a integrantes das Forças Armadas. Em resposta, o Tribunal Penal Internacional afirmou que as novas sanções "minam o Estado de Direito" e alertou para os riscos das medidas contra autoridades judiciais. "Quando autoridades judiciais são ameaçadas por aplicarem a lei, a própria ordem jurídica internacional é colocada em risco", afirmou a Corte em comunicado enviado à imprensa. ** Com Ansa**
- Julgamento pode mudar como Facebook e Instagram funcionam para mais jovens
Meta é ré em vários processos envolvendo a saúde mental de crianças e adolescente OAKLAND - A Meta, dona do Facebook e do Instagram, começou a ser julgada nesta terça-feira, 18, nos Estados Unidos em um caso que pode estabelecer novos limites para a forma como redes sociais são projetadas para crianças e adolescentes. A empresa é acusada de ter desenvolvido deliberadamente plataformas viciantes para o público jovem e de ter violado leis de proteção à infância. Os Estados americanos que movem a ação pedem bilhões de dólares à Meta e querem que a empresa faça mudanças no funcionamento de suas plataformas. O procurador-geral do Kentucky, Russell Coleman, classificou o caso como "a maior ação de defesa do consumidor da história dos Estados Unidos". O julgamento ocorre no tribunal federal em Oakland, na Califórnia. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers é responsável pelo caso. Ela já presidiu outros processos envolvendo grandes empresas de tecnologia, incluindo uma disputa judicial entre Elon Musk e a OpenAI. O resultado pode ter consequências não apenas para a Meta, mas para a forma como empresas de tecnologia desenvolvem produtos voltados a crianças e adolescentes. Entenda a seguir o que está em jogo. Como começou o processo contra a Meta? O julgamento que começa nesta terça-feira é resultado de uma ação apresentada contra a Meta por uma coalizão de Estados americanos em outubro de 2023. Na ação, um grupo de procuradores-gerais acusou a empresa de usar recursos viciantes para "prender" os usuários em suas plataformas, além de esconder os riscos associados a seus produtos. Na época, a Meta já estava sob forte pressão depois que Frances Haugen, ex-gerente de produto do Facebook, depôs ao Congresso dos Estados Unidos e afirmou que a empresa sabia que seus produtos, especialmente o Instagram, estavam prejudicando jovens. As declarações de Haugen levaram procuradores de vários Estados a abrir investigações sobre as práticas da empresa. Essas investigações posteriormente serviram de base para a ação conjunta movida contra a Meta. A Meta tentou impedir o avanço do processo ou fazer com que ele fosse dividido em julgamentos menores, mas não conseguiu. Agora, quatro dos Estados que movem a ação — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — apresentam seus argumentos no julgamento. De que a Meta é acusada? Um grupo de 29 Estados americanos acusa a Meta de cometer diversas violações de leis federais e estaduais criadas para proteger crianças e adolescentes. Entre elas está a suposta violação da Children's Online Privacy Protection Act (COPPA), lei federal americana que busca proteger crianças menores de 13 anos de práticas de empresas que atuam na internet. Os Estados afirmam que a Meta projetou o Facebook e o Instagram para serem viciantes para crianças e adolescentes, com recursos como reprodução automática de vídeos e os Stories do Instagram desenvolvidos para mantê-los nas plataformas pelo maior tempo possível. Segundo a acusação, a empresa também dificulta que os jovens reduzam o tempo de uso das plataformas por meio de recursos como notificações frequentes, que têm o objetivo de fazê-los voltar aos aplicativos. Os Estados afirmam ainda que a Meta induziu consumidores a erro sobre a segurança de suas plataformas para usuários jovens e coletou e utilizou de forma inadequada dados pessoais de crianças enquanto elas usavam seus serviços. O que os Estados querem? Os Estados que movem a ação não estão apenas buscando uma indenização da Meta. Eles também exigem mudanças substanciais no funcionamento do Instagram e do Facebook, especialmente para usuários jovens. Segundo a acusação, diversos recursos das plataformas foram desenvolvidos para manter crianças e adolescentes conectados com a maior frequência e pelo maior tempo possível. Entre as mudanças exigidas estão: implementação da verificação dos pais ou responsáveis para usuários adolescentes; alteração dos algoritmos de recomendação, "capazes de estimular a liberação de dopamina"; retirada de diversos filtros de imagem que modificam a aparência das pessoas nas fotos; fim da reprodução automática de vídeos; proibição da criação de múltiplas contas e elimine as postagens que desaparecem, como os Stories do Instagram. O que diz a Meta A Meta nega de forma consistente as acusações de que não tenha protegido crianças e adolescentes. A empresa também rejeita a alegação de que tenha projetado deliberadamente suas plataformas para serem viciantes ou violado leis de proteção à privacidade infantil. Em nota, uma porta-voz da empresa afirmou que a Meta "discorda veementemente dessas acusações" e está confiante de que as evidências vão demonstrar seu "compromisso de longa data com o apoio aos jovens". A empresa afirma ter adotado diversas medidas para proteger usuários mais jovens, incluindo controles parentais, recursos de segurança e a configuração de contas de adolescentes como privadas por padrão. O que já aconteceu no primeiro dia de julgamento A acusação abriu o julgamento com uma série de alegações sobre o que a Meta sabia a respeito dos efeitos de suas plataformas sobre crianças e adolescentes. Megan O'Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia, afirmou que a empresa teria desenvolvido recursos para "fisgar" usuários, mantê-los nas plataformas, coletar seus dados e esconder os riscos do público. O'Neill disse que a Meta afirmava ao Congresso americano, aos usuários e aos pais que Instagram e Facebook eram seguros para crianças, enquanto, segundo ela, escondia os riscos que conhecia. Segundo a procuradora, o caso não é sobre acabar com o Instagram ou negar que as redes sociais possam ter benefícios, mas sobre determinar se a Meta enganou o público sobre os riscos para crianças, agiu de maneira injusta e violou a lei federal americana de proteção à privacidade infantil (COPPA). A acusação também apresentou documentos internos que, segundo O'Neill, mostram que a Meta sabia que crianças menores de 13 anos usavam Instagram e Facebook apesar das próprias regras da empresa. De acordo com um dos documentos citados, 20% das crianças de 11 anos e 30% das de 12 anos nos Estados Unidos estariam no Instagram. O'Neill também criticou as ferramentas criadas para limitar o tempo de uso, afirmando que elas serviam mais para "melhorar a imagem pública" da Meta e fazer os pais se sentirem melhor do que para reduzir efetivamente o uso. Depois da apresentação da acusação, a defesa começou a expor sua versão do caso. O advogado Paul Schmidt afirmou que a Meta já reconhecia publicamente preocupações relacionadas ao uso das redes sociais. Ele citou uma publicação de 2019 sobre usuários que consideravam problemático o uso das plataformas e disse que a empresa criou ferramentas para ajudar a administrar o tempo gasto nos aplicativos. A defesa também deverá apresentar documentos internos e testemunhas para argumentar que a Meta adotou medidas para melhorar a segurança e o bem-estar dos usuários. Quanto tempo deve durar o julgamento e quem deve testemunhar? O julgamento deve durar de seis a oito semanas. Entre os principais nomes esperados para depor está Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da Meta. Também deve testemunhar Adam Mosseri, chefe do Instagram, que ocupa o cargo há oito anos e é um dos principais defensores da empresa. Outro nome importante é Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia do Facebook e ex-funcionário responsável por questões relacionadas à integridade e ao bem-estar dos usuários. Béjar se tornou um denunciante da empresa e já testemunhou contra a Meta em outro processo. O que pode acontecer se a Meta perder Embora a Meta já tenha enfrentado outros processos relacionados à proteção de crianças e adolescentes, o caso é considerado uma das maiores ameaças às operações da empresa até agora. Uma eventual derrota poderia forçar mudanças significativas na maneira como milhões de jovens usam as redes sociais. Outros casos Além do julgamento que começa nesta terça-feira, a Meta enfrenta atualmente milhares de processos movidos por autoridades e famílias nos Estados Unidos relacionados à segurança de crianças e adolescentes. No início deste mês, um juiz do Novo México determinou que a empresa pagasse outros US$ 567 milhões por não ter alertado o público sobre os riscos que suas plataformas representavam para crianças. O valor se somou a US$ 375 milhões em multas que a Meta já havia sido condenada a pagar no mesmo caso. A decisão resultou na maior multa já aplicada à empresa por questões relacionadas à segurança infantil. Na ocasião, o juiz Bryan Biedscheid classificou a gigante das redes sociais como uma "perturbação pública" comparável à poluição do ar, e determinou que o dinheiro fosse destinado a um fundo para reduzir danos futuros. A Meta afirmou na época que discordava da decisão e que iria recorrer. Em março, a empresa também perdeu um processo considerado histórico em Los Angeles, no qual um júri concluiu que a Meta poderia ser responsabilizada por desenvolver plataformas viciantes. ** Com BBC **
- Aprovação de Trump cai ao menor nível do segundo mandato
64% desaprovam o governo Trump segundo pesquisa realizada no início do mês WASHINGTON - A taxa de aprovação do presidente Donald Trump caiu para o nível mais baixo de seu segundo mandato, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira, 17. O índice de aprovação de Trump – que caiu de 35% em uma pesquisa encerrada no início deste mês e está mais baixo do que em qualquer outro momento de seu mandato atual – agora igualou o nível mais baixo de seu primeiro mandato, alcançado em dezembro de 2017. Apenas 33% dos entrevistados na pesquisa feita ao longo de quatro dias disseram aprovar o desempenho de Trump na Casa Branca, enquanto 64% o desaprovam. O levantamento também aponta uma maioria esmagadora dos americanos preocupada com a possibilidade de a guerra dos Estados Unidos com o Irã durar muito tempo. Cerca de 80% dos americanos – incluindo 87% dos democratas e 71% dos republicanos – acreditam que o envolvimento dos EUA no Irã "se prolongará por um longo período". Apenas 16% disseram que o conflito provavelmente terminará em algumas semanas. O conflito paralisou um quinto do comércio global de petróleo, provocando uma alta no preço da gasolina, o que está afetando as famílias americanas. O impacto também está sendo sentido pelos aliados republicanos de Trump no Congresso, que vão disputar a maioria do partido na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato, em novembro. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada virtualmente, coletou respostas de 1.166 adultos nos EUA em todo o país e teve uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. ** Com Reuters **
- 120 mil câmeras rastreiam carros nos EUA e provocam reação em defesa da privacidade
Câmeras dividem opniões entre segurança e invasão de privacidade NOVA YORK - Uma reportagem do The New York Times alerta para as 120 mil câmeras de segurança espalhadas por todos os Estados americanos, exceto o Alasca. Tratam-se de placas fabricadas pela Flock Safety, empresa sediada em Atlanta, na Geórgia que alerta autoridades quando identifica veículos procurados e permite que agentes vejam por onde passaram carros de interesse. A empresa tem contratos com 7 mil órgãos de segurança pública, cerca de 40% de todos os departamentos policiais dos Estados Unidos. Avaliada em US$ 8,4 bilhões, a Flock tornou-se um símbolo da controvérsia sobre a expansão da vigilância nos Estados Unidos. Um policial do Texas usou as câmeras para rastrear, através de fronteiras estaduais, uma mulher suspeita de provocar um aborto em si mesma. Agentes também abusaram do acesso para rastrear parceiros amorosos, o que resultou em medidas disciplinares e demissões. Los Angeles e Dayton, Ohio, entre outras cidades, suspenderam contratos com a empresa para impedir que autoridades de imigração acessassem os dados. Na última quinta-feira, a própria empresa anunciou uma série de medidas em resposta às críticas que vem recebendo de cidadãos comuns, congressistas republicanos e democratas e de ativistas pelos direitos humanos — todos preocupados com questões como violação de privacidade e uso abusivo das imagens geradas pela Flock por autoridades policiais. A proposta da Flock, porém, é simples: ajudar a polícia a encontrar carros roubados, localizar pessoas procuradas e solucionar crimes. Um leitor de placas levou à prisão, na Flórida, de um homem que havia ameaçado realizar um tiroteio em massa na Louisiana; outro ajudou a encontrar o homem condenado por uma tentativa de assassinato contra o presidente Donald Trump. Apesar dos americanos estarem acostumados com câmeras, o que diferencia as da Flock é a sua conexão entre si, criando uma enorme rede nacional pesquisável. Muitas vezes, moradores sequer sabem que seus governos locais aderiram ao sistema, o que alimenta temores de uma vigilância à la Big Brother. "Todos nós queremos e merecemos privacidade. O problema é que normalmente não conseguimos sentir, ver ou experimentar a perda dela enquanto isso está acontecendo", observa Danielle Citron, professora de direito da Universidade da Virgínia. "Ver essas câmeras é um soco no estômago", acrescenta. Com a expansão da Flock, o Texas tornou-se um termômetro tanto da adoção da tecnologia pelas forças de segurança quanto da reação contrária. Seis anos depois de começar a vender seus serviços a departamentos policiais, a empresa tem contratos com 700 departamentos no Estado. A oposição reúne liberais preocupados com a vigilância governamental, conservadores desconfiados da expansão do poder estatal e moradores preocupados com privacidade e abusos. "Provavelmente será um debate contínuo para sempre", afirma Langley, CEO da Flock. "Devemos ter esse debate e continuar evoluindo nossa visão, como sociedade, sobre aquilo com que nos sentimos confortáveis e sobre qual nível de segurança queremos." Cidadãos contra a vigilância No fim de maio, o grupo de mensagens da vizinhança de Hannah Foust, 41 anos estava agitado por causa de um leitor de placas instalado em sua rua, em Carrollton, subúrbio de Dallas. Outra câmera foi identificada do lado de fora do centro recreativo, em frente à piscina comunitária. "Todos nós ficamos realmente incomodados,"conta Hannah. A mulher começou a publicar sobre leitores de placas no Reddit e criou uma petição para remover as câmeras de sua comunidade. No fim de julho, havia reunido cerca de 800 assinaturas. Perceber as câmeras levou o engenheiro de software Will Freeman, de 27 anos, a criar o DeFlock em 2024. Durante uma viagem de carro pela Costa Oeste, ele continuava vendo os dispositivos e decidiu criar um mapa colaborativo. O projeto viralizou: o aplicativo foi baixado por mais de 350 mil pessoas, segundo Freeman, e o site afirma ter mapeado 125 mil leitores de placas da Flock e de outras empresas. Freeman, que hoje mora em Boulder, Colorado, entrou com uma ação contra a cidade depois que o departamento de polícia se recusou a fornecer registros de quando seu próprio veículo havia sido identificado pelas câmeras. Ele alega que os dispositivos criam uma “rede de vigilância sem mandado” inconstitucional. As autoridades locais, porém, afirmam que suas 31 câmeras levaram a uma queda de 34,5% nos furtos de veículos e ajudaram a solucionar outros crimes. A oposição no Texas tem sido bipartidária. Os contratos da Flock foram cancelados tanto na liberal Austin quanto em Bandera, uma pequena cidade conservadora. No Congresso, o republicano Keith Self apresentou um projeto de lei que exigiria mandado para que órgãos federais acessassem dados coletados por sistemas estaduais e locais de vigilância. "Estamos vendo surgir um Estado de vigilância. Isso não é uma questão de esquerda nem de direita. É uma questão pessoal," diz Self. Vigilância como serviço Langley, de 39 anos, criou a Flock depois de se preocupar com arrombamentos de carros em seu bairro, em Atlanta. A empresa foi fundada em 2017 e inicialmente vendia dispositivos para associações de moradores. Em 2020, passou a trabalhar com departamentos policiais. A Flock cobra cerca de US$ 3 mil por câmera por ano. Em troca, instala e mantém os dispositivos, fornece um banco de dados pesquisável dos veículos que passam por eles e envia alertas quando identifica carros associados a pessoas desaparecidas, procuradas ou veículos roubados. Com o avanço da inteligência artificial, a empresa passou a permitir pesquisas por características dos carros, como marca, tipo, cor, adesivos ou danos visíveis. As imagens são apagadas, por padrão, após 30 dias — até 1º de janeiro esse período será reduzido para após sete dias —, embora os departamentos possam alterar o período de retenção. Para acessar câmeras de outros órgãos, os departamentos precisam compartilhar o acesso às suas próprias redes. A expansão da rede também gerou críticas. No ano passado, Langley chamou grupos de cidadãos como o DeFlock de “organizações terroristas”, comentário pelo qual posteriormente pediu desculpas. Segurança versus privacidade A oposição não desacelerou o crescimento da Flock. Autoridades policiais afirmam que as câmeras ajudaram a recuperar centenas de veículos roubados e solucionar crimes. Em Carrollton, que opera 67 leitores de placas, o prefeito Steve Babick defende a tecnologia. "Se uma ferramenta investigativa complementar ajuda nossos agentes a solucionar crimes com mais eficiência, oferece valor aos nossos moradores e pode ser administrada de forma responsável, então é algo que continuaremos considerando", afirma. Pesquisas independentes sobre a eficácia das câmeras ainda são escassas. Um estudo de 2024 concluiu que elas aumentaram em 9% as taxas de resolução de casos, mas foi criticado porque a Flock colaborou com os pesquisadores e escolheu os órgãos participantes. Ao mesmo tempo, estados começam a criar regras para limitar o uso da tecnologia. Treze já possuem leis que exigem auditorias para detectar abusos no acesso a sistemas de leitores de placas, segundo um levantamento legislativo elaborado pelo Policing Project da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York. Entre as medidas anunciadas por Langley na quinta-feira estão ferramentas de auditoria para detectar acessos anormais e uma posterior avaliação desses usuários. As forças de segurança serão obrigadas a inserir um código de seu sistema de gestão de registros, vinculando cada busca a uma ocorrência. Também será possível decidir quais ocorrências poderão ser pesquisadas por outras agências, bloqueando, por exemplo, pesquisas sobre imigração. O Texas não está entre eles. Segundo Jennifer Szimanski, porta-voz de um sindicato policial, a Flock mantém registros de todas as pesquisas realizadas e de seus responsáveis. Para Barry Friedman, professor de direito e diretor acadêmico do Policing Project, porém, a possibilidade de pesquisar os deslocamentos de qualquer carro cria um problema constitucional. "Isso é uma coleta indiscriminada de dados, não uma busca direcionada a crimes específicos", alerta. "A razão pela qual temos a Quarta Emenda é que eles não achavam que o governo deveria simplesmente poder investigar qualquer pessoa, mesmo que ela não tivesse feito nada de errado." Até agora, os tribunais têm sido cautelosos. Em um processo contra a instalação de 172 câmeras da Flock em Norfolk, na Virgínia, um juiz federal afirmou que os leitores de placas poderiam um dia se tornar tão onipresentes que seu uso equivaleria a uma busca indiscriminada inconstitucional, mas concluiu que isso “ainda não acontece hoje”. ** Com informações do NYT **
- Consulados ficam lotados com solicitações de certidão brasileira para menores nascidos nos EUA
Procura para regularizar nascimento de brasileiros nos EUA cresceu na era Trump BOSTON – Onze consulados-gerais do Brasil nos Estados Unidos registraram um aumento significativo das solicitações de certidão de nascimento para crianças que nasceram no país filhas de ao menos um genitor brasileiro, destaca uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, os números mais atualizados mostram que houve mais de 21 mil pedidos do documento no ano passado. Quatro anos antes, eram 5.660. O aumento foi registrado em todos os postos em 2025 de maneira vertiginosa. A principal causa do crescimento é a política imigratória do governo de Donald Trump. O medo de uma deportação que possa provocar a separação das famílias estimulou o brasileiro a buscar o documento, segundo dados apurados pela MANCHETE USA. O desmantelamento das famílias foi uma prática comum no governo Trump 1 (2017-2021) e se repete agora com mais intensidade. Durante sua primeira temporada na Casa Branca, o republicano separou milhares de famílias, instalando crianças e adolescentes em centros de detenção separados dos pais que ficavam aguardando presos o momento da deportação. Neste segundo mandato, também há relatos de casos semelhantes, ainda que em menor escala e ainda que o governo não assuma que essa é uma política oficial, como o fez antes. ** Da Redação **
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