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- Itália torna definitiva lei que restringe acesso à cidadania por direito de sangue
Cidadania por direito de sangue só vale para duas gerações nascidas fora da Itália, dita nova regra MILÃO - A Câmara da Itália aprovou, nesta terça-feira, 20, o decreto-lei que limita o acesso à cidadania italiana para descendentes nascidos no exterior. Com a decisão, o texto apresentado em março pela coalizão de Giorgia Meloni, e aprovado na semana passada pelo Senado, torna-se definitivo. Pelas novas regras, a transmissão e o reconhecimento da cidadania por direito de sangue só vale para duas gerações nascidas fora da Itália. A medida, tratada como urgente pelo governo, significa uma mudança na Lei da Cidadania, de 1992, que não estipulava limite de gerações. A lei foi aprovada com 137 votos a favor e 83, contra. Durante a tramitação no Senado, o decreto sofreu alterações, sendo a principal delas a substituição do termo "nascido na Itália", em referência aos ascendentes, pelo trecho "possui ou possuía no momento da morte exclusivamente a cidadania italiana". Ou seja, pela nova regra, uma pessoa nascida fora do país europeu só será considerada italiana se ao menos um genitor ou um avô/avó tiver somente a cidadania italiana. Ao mesmo tempo em que remove a necessidade de o parente ter nascido na Itália, pode restringir ainda mais o acesso, ao excluir aqueles que têm ou tiveram dupla cidadania, como a brasileira, além da italiana. Além desse caso, pode ser considerada italiana uma pessoa cujo genitor tenha morado na Itália por pelo menos dois anos sem interrupção após a aquisição da cidadania e antes do nascimento do filho. O texto não sofreu alterações na Câmara. Nesta terça (20) foram rejeitadas, por votação, dezenas de emendas apresentadas pela oposição, assim como já havia acontecido, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais. As regras valem para pedidos de cidadania apresentados após o anúncio do decreto, em 28 de março. Quem obteve a cidadania antes disso não perde o direito. O governo justifica a medida pela necessidade de coibir o que vê como exageros nos pedidos feitos por descendentes de antigos emigrados que vivem na América do Sul e que não teriam mais vínculo com a Itália. Nos últimos anos, prefeitos de pequenos municípios e representantes de tribunais de Justiça reclamaram do alto volume de solicitações, principalmente as apresentadas por via judicial, em que o autor não precisa morar na Itália. As agências no exterior que oferecem serviços ligados a pedidos de cidadania, como a localização de documentos antigos ou a entrada com o processo judicial, são criticadas por comercializarem o direito ao passaporte italiano. Além disso, integrantes do governo se queixam do fato de os interessados na cidadania não terem interesse em morar na Itália, mas somente circular com facilidade dentro da União Europeia e entrar nos Estados Unidos sem visto. "É escandaloso ver a cidadania italiana à venda. É escandaloso ver o leilão de antepassados. Existem solicitações de cidadania ligadas a um antepassado que chegou ao Brasil nos anos 1850, da sexta geração", afirmou, durante debate no plenário, o deputado Giovanni Maiorano, do partido Irmãos da Itália, o mesmo da primeira-ministra Meloni. "Com esse decreto, colocamos fim a práticas anômalas, quando não ilegítimas, que querem presentear a cidadania a quem não tem nada a ver com a Itália." A medida sofreu críticas da oposição italiana, seja pelo conteúdo, seja pela forma. Parlamentares questionaram o uso, da parte do governo, do mecanismo do decreto para mudar a lei de 1992, em vez de utilizar o procedimento padrão, com apresentação de projeto de lei, que tem tramitação mais lenta e mais discussão entre os parlamentares. "Esse decreto é uma ferida profunda, dolorosa e injusta. Ele não nasce para responder a uma emergência, mas para construir uma barreira contra quem tem sangue italiano mas vive no exterior", disse o deputado Nicola Carè, do Partido Democrático. "As verdadeiras vítimas [do decreto] não são os espertinhos do passaporte [italiano], mas as famílias. Os filhos e netos de imigrantes italianos, a quem agora é dito ‘você não é italiano o suficiente para merecer a cidadania do seu avô'", disse. Integrantes da oposição preveem uma corrida ao Judiciário contra o decreto, visto como discriminatório, com recursos contra pontos que violariam princípios constitucionais. A medida impacta diretamente descendentes de italianos que moram no Brasil e na Argentina, países que receberam milhões de emigrados a partir do fim do século 19. Só no Brasil, um contingente de 1,4 milhão chegou de 1870 a 1920. Estima-se que hoje existam 30 milhões de descendentes no país. Segundo dados da relação técnica que embasa o decreto, o número de cidadãos italianos que vivem fora da Itália saltou 43% de 2013 a 2024, atingindo 6,4 milhões. Desse total, 70% nasceram fora do país. No Brasil, esse percentual chega a 96% –dos 873,9 mil cidadãos italianos residentes, como expatriados ou com dupla cidadania, 840 mil nasceram fora da Itália. Além do direito de sangue, pela legislação de 1992, é possível se tornar cidadão italiano por tempo de residência no país —adultos de fora da União Europeia podem fazer o pedido após dez anos morando legalmente na Itália–, e por casamento. Genitores residentes no país que tenham obtido a cidadania podem transmiti-la aos filhos menores de 18 anos. Jovens nascidos na Itália de genitores estrangeiros –e residentes sem interrupção– também podem se tornar italianos quando completam 18 anos. ** Com Agência Folha **
- Trump anuncia construção do escudo antimísseis 'Cúpula Dourada' para os EUA
Trump durante a apresentação da "Cúpula Dourada" (Foto: Divulgação Casa Branca) WASHINGTON - O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira que os Estados Unidos construirão um sistema de defesa antimísseis inspirado no modelo do "Domo de Ferro" israelense, ao qual deu o nome de "Cúpula Dourada". O sistema estará operacional até o final de seu mandato, garantiu o presidente, e custará cerca de US$ 175 bilhões quando estiver concluído. " Durante a campanha, prometi aos americanos que construiria um escudo antimísseis de ponta," declarou Trump no Salão Oval da Casa Branca. "Hoje tenho o prazer de anunciar que selecionamos oficialmente uma arquitetura para esse sistema de última geração". Ele também informou que o Canadá se juntará à iniciativa. No final de janeiro, Trump assinou um decreto para desenvolver o projeto que, segundo a Casa Branca, será um escudo antimísseis completo para proteger o território do país. Rússia e China criticaram o projeto quando Trump o mencionou pela primeira vez. Moscou, por sua vez, considerou o plano "comparável à Guerra nas Estrelas", apoiada por Ronald Reagan durante a Guerra Fria. A expressão "Cúpula de Ferro" se refere a um dos sistemas de defesa de Israel, projetado para proteger o país contra ataques com mísseis, foguetes e também drones. Esse sistema já interceptou milhares de foguetes desde que entrou em operação em 2011. Ele tem uma taxa de interceptação de cerca de 90%, segundo a empresa militar israelense Rafael, que ajudou a desenvolvê-lo. Israel desenvolveu inicialmente a Cúpula de Ferro por conta própria, após a guerra do Líbano em 2006, antes de contar com o apoio dos Estados Unidos, que contribuíram com seus conhecimentos técnicos. ** Com AFP **
- EUA desmentem planos de criar ‘reality show’ com imigrantes
Noem afirmou que governo não tem planos de fazer um reality para imigrantes disputarem a cidadania WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos negou nesta terça-feira, 20, que tenha planos de apoiar a produção de um ‘reality show’ com imigrantes que competiriam pelo prêmio da cidadania americana, após relatos de que o Departamento de Segurança Interna (DHS) estava avaliando a proposta. A secretária do DHS, Kristi Noem, declarou em uma audiência no Senado que "não há planos de fazer um ‘reality show’". A possibilidade sem precedentes de que os EUA dessem sinal verde para uma competição televisiva cujo fim seria obter a naturalização no país foi inicialmente relatada pelo jornal britânico “The Daily Mail". A reportagem citava o apoio de Noem, algo que autoridades de seu departamento negaram. A secretária adjunta da agência, Tricia McLaughlin, garantiu na semana passada que Noem "não endossou nem tem conhecimento da proposta de nenhum programa de ficção ou ‘reality show’", embora tenha acrescentado na ocasião que o plano "não recebeu aprovação ou rejeição da da equipe". A porta-voz admitiu que a agência governamental "recebe centenas de propostas de programas de televisão todos os anos" e que cada uma delas "passa por um rigoroso processo de triagem antes de ser rejeitada ou aprovada". Em declarações ao “The Wall Street Journal”, McLaughlin disse que a revisão do projeto estava "nos estágios iniciais". O produtor canadense Rob Worsoff, que levou a ideia ao DHS, disse ao jornal que o programa foi concebido como "uma celebração do que é ser americano e do privilégio de ser cidadão dos Estados Unidos". "Isto não é 'Jogos Vorazes' para imigrantes. Não se trata de: 'Se você perder, nós o expulsaremos do país de barco'", explicou. ** Com Efe **
- Congressista é acusada de agressão após confusão em centro de detenção de migrantes em NJ
WASHINGTON - A deputada federal LaMonica McIver foi acusada na segunda-feira, 19, de "agressão" contra forças de segurança após uma confusão durante um protesto em frente a um novo centro de detenção de migrantes em Nova Jersey. O caso remonta a 9 de maio, quando uma manifestação contra a reabertura do Delaney Hall, em Newark, terminou em confronto entre congressistas, manifestantes e policiais. McIver, representante federal por Nova Jersey, estava no local para uma visita de inspeção. Durante a confusão na porta do centro, o prefeito de Newark, o democrata Ras Baraka, foi algemado e detido por algumas horas. Ele foi acusado de fazer uma revista ilegal nas instalações. Nas imagens exibidas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), LaMonica McIver aparece empurrando um policial com os cotovelos. Não ficou claro se o gesto foi deliberado ou resultante do empurra-empurra generalizado. Leia também: ICE prende prefeito de Newark durante protesto contra presídio Esta acusação é um exemplo das tensões entre o governo do presidente americano, o republicano Donald Trump, e seus opositores sobre o tema da imigração irregular, que divide a sociedade americana. Em nota publicada no X, a promotora Alina Habba anunciou que LaMonica McIver foi acusada de "agredir" agentes da polícia e "obstruir" seu trabalho. "Ninguém está acima da lei", acrescentou Alina Habba, que foi advogada de Donald Trump. Ela anunciou, no entanto, que foram retiradas as acusações contra o prefeito Baraka. LaMonica McIver condenou o que qualificou de uma acusação "política" que, segundo ela, visa a "criminalizar e desestimular o controle legislativo". Protestos Há várias semanas, o Delaney Hall é cenário de protestos de congressistas democratas. No fim de fevereiro, o ICE atribuiu a uma empresa um contrato de 15 anos e US$ 1 bilhão para transformar o local em um centro de detenção com mil leitos. As autoridades locais, no entanto, acionaram a justiça para evitar as operações no local, em linha com suas políticas de "cidade santuário", que proíbem que seus funcionários cooperem com os agentes federais na identificação e expulsão de imigrantes em situação irregular. As instalações ficam perto do aeroporto de Newark para facilitar as deportações. ** Com AFP **
- EUA realizam primeiro voo de 'autodeportação' de imigrantes
Primeiros autodeportados foram para Colômbia e Honduras na segunda-feira, 19 WASHINGTON - Os Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira, 19, o primeiro voo do "programa de autodeportação" lançado pelo governo de Donald Trump. A aeronave partiu do Texas com 64 imigrantes a bordo e teve como destino final Honduras e Colômbia. O projeto, chamado oficialmente de "Volta ao Lar", foi estabelecido por decreto em 9 de maio e faz parte da política migratória linha-dura adotada por Trump desde o início de seu segundo mandato. Diferentemente da deportação tradicional, em que as autoridades removem de forma compulsória uma pessoa em situação irregular, a autodeportação ocorre quando o próprio imigrante opta por deixar o país. No caso do novo programa, essa saída é incentivada com ajuda financeira e apoio logístico para a viagem. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), cada um dos 64 imigrantes recebeu US$ 1 mil para deixar os EUA. Também existe a promessa de que, no futuro, eles poderão voltar ao país de forma legal, o que não ocorreria nos próximos anos caso eles fossem capturados e expulsos pelos agentes. A secretária de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, disse que o voo marca um novo capítulo na política migratória americana. "Hoje, o DHS realizou o primeiro voo do projeto Volta ao Lar com 64 pessoas que voluntariamente decidiram se autodeportar para seus países de origem", escreveu ela em nota oficial. O governo Trump ameaça impor "consequências severas" aos imigrantes sem a documentação em dia que se recusem a sair de forma voluntária. Segundo o decreto, as pessoas que permanecerem de forma irregular nos EUA estarão sujeitas a expulsão forçada, ações penais, encarceramento, multas, embargo de salários, além de confisco de propriedades e bens pessoais, incluindo moradias e veículos. Dos 64 imigrantes, 38 foram levados a Honduras e 26 à Colômbia. No primeiro país eles serão atendidos pelo programa "Irmão, Irmã, Volte para Casa", que oferece ajuda financeira adicional de US$ 100 para maiores de 18 anos, vouchers de alimentação e apoio para recolocação profissional. No segundo, os deportados terão acesso a serviços sociais básicos. A autodeportação não é um conceito novo, mas o governo Trump inova ao combinar incentivos financeiros com ameaças legais. O objetivo, segundo o DHS, é diminuir os gastos com as deportações forçadas - o que pode representar a economia de cerca de US$ 17 mil por pessoa - e acelerar a saída de imigrantes em situação irregular. O governo Trump considera criminosos todos os migrantes que entraram sem visto nem permissão, e também alguns dos que abriram processos de solicitação de asilo durante o mandato de Biden. Segundo dados oficiais, 11 milhões de migrantes em situação irregular ou com status temporário viviam nos EUA em 2022. Em março, o governo lançou um aplicativo rebatizado chamado CBP Home para facilitar a autodeportação. Uma versão anterior do aplicativo, o CBP One, foi usado pelo governo Biden para permitir que migrantes entrassem legalmente nos EUA com o agendamento de uma audiência com autoridades. ** Com Agências **
- De Beyoncé a Springsteen: Trump pede investigação contra celebridades que apoiaram Kamala
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira, 19, "uma grande investigação" sobre Beyoncé, Bruce Springsteen e outras celebridades que acusa de terem cobrado milhões de dólares para apoiar sua adversária democrata nas eleições de 2024, Kamala Harris. Trump denunciou que a cantora Beyoncé recebeu uma quantia milionária para participar de um comício de Kamala em outubro. "Pagaram US$ 11 milhões a Beyoncé para subir em um palco, apoiar rapidamente Kamala e se retirar, sob vaias, por não ter cantado nenhuma música", criticou o magnata, que foi desmentido pela equipe da democrata. Trump anunciou que pretende "pedir uma grande investigação" sobre o assunto. "Não é permitido aos candidatos pagar por apoios, que foi o que Kamala fez, sob o pretexto de pagar por entretenimento", ressaltou o republicano, para quem a democrata tentou "inflar artificialmente" seu público. Kamala buscou aproveitar a influência de celebridades como Beyoncé, Springsteen e Oprah Winfrey. Essa última defendeu o pagamento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 6 milhões) à sua produtora pela equipe de campanha da democrata para cobrir as despesas relacionadas com um comício realizado setembro. Trump acusou nesta segunda-feira Kamala de ter pago Springsteen para participar de um evento de campanha na Geórgia semanas antes das eleições. "Quanto Kamala Harris pagou a Bruce Springsteen por sua atuação fraca durante a campanha para a Presidência? Por que ele aceitou esse dinheiro, se é tão fã dela?", questionou o republicano. Trump, que venceu com folga as eleições de 2024, recebeu um apoio fraco da indústria do entretenimento em geral, mas recorreu a influenciadores, como Joe Rogan, um dos principais podcasters do mundo. ** Com AFP **
- Ministério Público de El Salvador prende advogada que ajudava imigrantes deportados dos EUA
WASHINGTON - Uma advogada salvadorenha que denunciou a corrupção no governo de Nayib Bukele e auxiliou os 252 migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos que estão encarceirados em El Salvador foi presa, informou o grupo de direitos humanos onde ela trabalha, nesta segunda-feira, 19. O Ministério Público acusa Ruth Eleonora López, de 47 anos, que chefia a unidade anticorrupção e justiça de Cristosal, de "desfalque". Quando trabalhou como assessora do ex-presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Eugenio Chicas, "colaborou no desvio de verbas dos cofres públicos", afirmou o órgão na rede social X. Em tempo: Chicas foi preso em fevereiro e acusado de enriquecimento ilícito. Treze organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e o Escritório de Washington para a América Latina (WOLA), condenaram sua prisão e exigiram sua libertação. "Exigimos que as autoridades salvadorenhas libertem imediatamente Ruth López e instamos o governo salvadorenho a garantir sua integridade física e seu direito ao devido processo legal", disseram em uma declaração conjunta. "O autoritarismo" "aumentou" em El Salvador "à medida que o presidente Nayib Bukele minou as instituições e o Estado de Direito", acrescentou a declaração, também assinada pelo Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL) e pela Robert F. Kennedy Human Rights, entre outras ONGs. A Cristosal informou que não sabe onde Ruth López está detida. "Nem sua família nem sua equipe jurídica conseguiram confirmar seu paradeiro ou o centro de detenção onde ela está detida", disse a organização em um comunicado. Sua prisão ocorre em um momento de "profunda preocupação" sobre "o crescente risco enfrentado pelos defensores dos direitos humanos" no país, em meio à "fraqueza institucional e repressão", acrescentou a organização. A ONG auxilia famílias de detidos como parte da "guerra" contra gangues lançada por Bukele em 2022. Ela também compila um banco de dados de migrantes venezuelanos presos nos últimos dois meses em uma megaprisão de segurança máxima em El Salvador, com a ajuda de suas famílias. Cristosal lançou recentemente um aplicativo on-line que permite que famílias de venezuelanos presos enviem informações. Com base nas respostas das famílias, a ONG concluiu que 78% emigraram para os EUA em busca de "melhores oportunidades econômicas", 35% para escapar da violência e 9% devido à perseguição política. López foi presa dois dias depois que advogados salvadorenhos do escritório de advocacia Grupo Ortega, contratado pelo governo venezuelano para defender migrantes venezuelanos, denunciaram que seus clientes foram vítimas de tortura "física" e "moral". Comissário de Direitos Humanos renuncia O comissário de direitos humanos de Bukele, o colombiano Andrés Guzmán, anunciou sua renúncia à AFP nesya segunda-feira, após dois anos no cargo. Ele não revelou os motivos de sua decisão, mas elogiou a política de segurança de Bukele, defendendo-o em fóruns internacionais de críticas por supostos abusos em sua "guerra" contra gangues. "Fui testemunha privilegiada de uma transformação histórica, observando como El Salvador passou do caos e do desespero [devido às ações criminosas de gangues] para se tornar uma referência mundial em segurança", disse ele à AFP. Em sua carta de demissão, ele escreveu que estava deixando o cargo "com profunda tristeza e sincera gratidão". "É preciso saber quando fechar um capítulo e começar outro", acrescentou o ex-professor de universidades na Colômbia, Peru e Espanha. O governo não comentou a prisão do advogado nem a renúncia do comissário. 'Contexto do autoritarismo' Na semana passada, a Justiça salvadorenha prendeu o advogado ambiental Alejandro Henríquez e o pastor evangélico José Pérez depois que eles participaram de um protesto de famílias de agricultores. Em fevereiro, o ativista de direitos humanos Fidel Zavala foi preso e acusado pelo Ministério Público de ser membro de gangue. Na semana passada, nove organizações — incluindo a Anistia, a WOLA e a CEJIL — criticaram o projeto de lei de "agentes estrangeiros" de Bukele, que inclui um imposto de 30% sobre doações recebidas por ONGs. Em abril, a Cristosal relatou que policiais entraram em sua sede durante uma coletiva de imprensa e "começaram a registrar e fotografar as instalações", bem como "veículos pertencentes à equipe e à mídia presente". A ONG sustentou então que a entrada da polícia em suas dependências "faz parte do atual contexto de autoritarismo e fechamento de espaços democráticos". ** Com AFP **
- Suprema Corte dos EUA revogação proteção de venezuelanos contra deportação
EUA consideram Venezuela um país perigoso, mas não querem manter venezuelanos em programa de proteção WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta segunda-feira, 19, a adminisração de Donald Trump a retirar o status de proteção temporária contra deportação de cerca de 350 mil venezuelanos, condição que havia sido concedida sob o governo de seu antecessor, Joe Biden. O Status de Proteção Temporária (TPS) é uma designação humanitária prevista na lei dos EUA para países afetados por guerra, desastres naturais ou outras catástrofes. O benefício garante proteção contra deportação e permite o acesso a trabalho para os beneficiários que já estejam vivendo nos EUA. Sob Biden, os EUA contemplaram cidadãos venezuelanos no programa em 2021 e novamente em 2023. Dias antes de deixar o cargo, o governo do democrata anunciou a prorrogação do programa até 2026. Nomeada por Trump, a secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, revogou a prorrogação dos benefícios do TPS para 348.202 de venezuelanos incluídos em 2023. O juiz Edward Chen, do distrito de San Francisco, suspendeu a medida de Noem. A decisão foi mantidamantida em abril pela Corte de Apelações do 9º Circuito, em San Francisco. Os advogados do Departamento de Justiça, então, levaram o caso à Suprema Corte. Eles argumentaram que Chen havia "retirado o controle da política migratória do país" do Poder Executivo, liderado por Trump. "A decisão do tribunal contraria prerrogativas fundamentais do Executivo e adia indefinidamente decisões políticas sensíveis em uma área da imigração que o Congresso reconheceu como necessitando de flexibilidade, agilidade e discricionariedade", escreveram. Já os autores da ação original disseram à Suprema Corte que atender ao pedido do governo Trump "retiraria a autorização de trabalho de quase 350 mil pessoas que vivem nos EUA, as exporia à deportação para um país inseguro e causaria perdas econômicas de bilhões de dólares em todo o país". O Departamento de Estado dos EUA atualmente desaconselha viagens à Venezuela, citando "alto risco de detenções arbitrárias, terrorismo, sequestros, aplicação arbitrária de leis locais, criminalidade, agitação civil e infraestrutura de saúde precária". Por outro lado, Trump, que reassumiu a Casa Branca em 20 de janeiro, prometeu realizar a maior deportação em massa da história dos EUA e para isso tem tomado medidas para revogar proteções temporárias, ampliando o número de pessoas sujeitas à deportação. ** Com Agências **
- Biden é diagnosticado com câncer agressivo de próstata
Biden apresentou problemas urinários e foi diagnosticado com câncer de próstata WASHINGTON - O ex-presidente dos EUA Joe Biden, de 82 anos, foi diagnosticado com um câncer de próstata que se espalhou para os ossos, informou sua assessoria de imprensa neste domingo, 18. O político democrata enfrenta uma forma mais agressiva da doença, caracterizada por uma pontuação de 9 em 10 na escala Gleason. Isto significa que a sua doença é classificada como "alto grau" e que as células cancerosas podem espalhar-se rapidamente, de acordo com a Cancer Research UK. Biden e família estão analisando as opções de tratamento. Segundo o comunicado, é um tumor dependente de hormônio, o que significa que provavelmente pode ser controlado. O diagnóstico foi confirmado na sexta-feira depois de ter consultado um médico na semana passada devido a problemas urinários. O ex-presidente já teve alguns problemas de saúde menos agressivos. Em novembro de 2021, ele retirou pólipo benigno, mas potencialmente pré-canceroso, do cólon. Já em 2023, ele teve uma lesão na pele proveniente de um carcinoma, uma forma comum de câncer na pele. Repercursão Depois de a notícia do seu diagnóstico ter sido divulgada, o ex-presidente recebeu apoio de ambos os lados do espectro político. O presidente Donald Trump escreveu na sua plataforma de redes sociais Truth Social que ele e a primeira-dama Melania Trump "estão tristes ao saber do recente diagnóstico médico de Joe Biden". "Estendemos os nossos mais calorosos e melhores votos a Jill e à família", disse ele, referindo-se à ex-primeira-dama Jill Biden. "Desejamos a Joe uma recuperação rápida e bem-sucedida." O representante democrata na Câmara Ro Khanna escreveu na plataforma X que está rezando por Biden e pela sua família. "Ele e Jill sempre foram lutadores", disse ele. "Estou confiante de que enfrentarão este desafio com garra." O ex-presidente Barack Obama também se manifestou afirmando que ele e sua mulher, Michelle, estavam "pensando em toda a família Biden". "Ninguém fez mais para encontrar tratamentos inovadores contra o câncer em todas as suas formas do que o Joe, e estou certo de que ele enfrentará esse desafio com sua determinação e graça características", acrescentou Obama, que teve Biden como vice-presidente nos dois mandatos, entre 2009 e 2017. O próprio Biden perdeu o seu filho mais velho, Beau, para um câncer no cérebro em 2015. Momento A notícia surge quase um ano depois de o ex-presidente ter sido forçado a desistir das eleições presidenciais dos EUA de 2024 devido a preocupações com a sua saúde e idade. Ele foi a pessoa mais velha a ocupar o cargo na história dos EUA. Biden, então candidato democrata que concorria à reeleição, enfrentou crescentes críticas ao seu mau desempenho num debate televisionado em junho contra republicano e atual presidente Donald Trump. Ele foi substituído na chapa democrata pela sua vice-presidente Kamala Harris. Biden se afastou em grande parte da vida pública desde que deixou a Casa Branca e fez poucas aparições públicas. O ex-presidente fez um discurso de abertura em abril numa conferência em Chicago organizada por um grupo de defesa dos direitos das pessoas com deficiência com sede nos EUA. Em maio, ele concedeu uma entrevista à BBC –— a sua primeira desde que deixou a Casa Branca — onde admitiu que a decisão de se retirar da corrida de 2024 foi "difícil". Biden tem enfrentado questões sobre o estado da sua saúde nos últimos meses. Numa aparição no programa de TV The View, também em maio, Biden negou as alegações de que teria sofrido declínio cognitivo no seu último ano na Casa Branca. "Não há nada que sustente isso", disse ele. ** Com BBC **
- EUA investigam colisão de veleiro mexicano colidir com ponte de Nova York
NOVA YORK - As autoridades dos Estados Unidos anunciaram, neste domingo, 18, o início de uma investigação sobre a colisão entre um navio de três mastros da Marinha Mexicana e a Ponte do Brooklyn, em Nova York, que resultou na morte de dois marinheiros. Uma unidade portuária da polícia de Nova York se prepara para subir à bordo do Cuauhtémoc, o navio-escola da marinha mexicana, que colidiu com a Ponte do Brooklyn no sábado, 17 de maio. Vários marinheiros estavam em pé sobre as vigas perpendiculares aos mastros no momento do impacto, como mostrado em diversos vídeos compartilhados nas redes sociais por testemunhas. O prefeito de Nova York, Eric Adams, afirmou que o barco ficou sem energia antes da colisão, acrescentando que, das 277 pessoas a bordo, 19 ficaram feridas - duas delas em estado crítico - e que "outras duas, infelizmente, morreram devido aos ferimentos". O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) anunciou, no domingo, o envio de uma equipe de especialistas para conduzir a investigação. Aldo Ordonez, irmão de um cadete naval mexicano que estava a bordo, disse à AFP que a tripulação "não sabe o que aconteceu". "Foi muito impactante; eles não tiveram tempo de reagir", declarou ele ao chegar a Nova York pela manhã, vindo da Cidade do México. Sua irmã, de 24 anos, que fazia sua primeira viagem a bordo do Cuauhtémoc, ficou pendurada em uma das velas do navio e sofreu apenas ferimentos leves. Segundo Aldo Ordonez, a tripulação dormiu a bordo e deve deixar Nova York de avião rumo ao México por volta das 13h locais. "Acidente lamentável" O navio foi transferido para um cais próximo, e o embaixador mexicano nos Estados Unidos chegou ao local na manhã de domingo, segundo a AFP. Alguns dos feridos, incluindo um que usava uma bandagem na cabeça, retornaram ao navio. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, declarou estar "profundamente triste" com o "lamentável acidente", em uma mensagem publicada no X. O navio estava deixando Nova York pouco antes da colisão, com uma enorme bandeira mexicana hasteada em sua popa. "Houve pânico no barco", disse Nick Corso, morador do Brooklyn, de 23 anos, que estava na margem do rio no momento do incidente. Ele estava prestes a tirar uma foto, mas, ao perceber o acidente em andamento, mudou para um vídeo. "O que mais me impressionou foi o pânico no barco. Havia um homem na parte de trás sinalizando para as pessoas se afastarem da passarela onde estávamos", acrescentou. De acordo com o Departamento de Transporte da Cidade de Nova York, "nenhum dano estrutural foi observado na Ponte do Brooklyn". ** Com AFP **
- Papa discute guerras e relações EUA-Vaticano com vice de Trump
CIDADE DO VATICANO - O papa Leão XIV recebeu na manhã desta segunda-feira, 19, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, no Vaticano, para discutir diversos temas, incluindo os conflitos deflagrados pelo mundo e os direitos humanitários. O encontro acontece um dia após a missa de posse do primeiro pontífice nascido nos EUA da história da Igreja Católica, que apelou pela paz, amor e unidade para a humanidade e condenou o sistema econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os pobres. Segundo a Santa Sé, os líderes discutiram atualidades da política internacional, a colaborações entre a Igreja e o Estado, bem como algumas questões de especial relevância para a vida eclesial e a liberdade religiosa. Durante "os cordiais debates" na Secretaria de Estado, a satisfação pelas boas relações bilaterais também foi renovada". Além disso, Leão XIV transmitiu seu "desejo expresso de que se respeite o direito humanitário e o direito internacional nas áreas de conflito e de uma solução negociada entre as partes envolvidas". A troca de opiniões ocorre um dia depois de Robert Francis Prevost se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e ter feito novos apelos por uma "paz justa e duradoura" na guerra deflagrada pela Rússia há mais de três anos. Vance também conversou com Zelensky no último domingo (18), em Roma, antes do telefonema entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, que deve ocorrer hoje, e de uma reunião trilateral com a premiê italiana, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Negociações diretas entre a Ucrânia e a Rússia para tentar alcançar um acordo de cessar-fogo no conflito foram iniciadas na semana passada, após semanas de insistência de Trump. No Vaticano, o Vance também conversou com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais, com quem reiterou as boas relações bilaterais entre a Santa Sé e os Estados Unidos. ** Com ANSA **
- Comitê da Câmara dos EUA aprova pacote fiscal de Trump em votação apertada
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, teve trabalho para convencer os pares a avançar WASHINGTON - Republicanos na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovaram o pacote de cortes de impostos chamado pelo presidente Donald Trump de Beautiful Bill. O aval veio após uma votação noturna rara neste domingo, 18, onde o Comitê de Orçamento da Câmara deu o sinal verde com uma margem apertada de 17 a 16. O projeto busca tornar permanentes os cortes de impostos de 2017 aprovados durante o primeiro mandato de Trump; também propõe novas reduções temporárias de taxas sobre gorjetas, horas extras e juros de financiamentos de veículos. O texto prevê ainda grandes aumentos nos gastos com segurança nas fronteiras e defesa. Críticos do projeto, incluindo membros do próprio partido republicano e o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, estimam que o projeto adicione cerca de US$ 3,3 trilhões à dívida pública americana na próxima década, acendendo debates sobre a sustentabilidade fiscal das propostas. O governo tentou aprovar o projeto na Comissão de Orçamento da Câmara pela primeira vez na sexta-feira, 16, mas cinco republicanos votaram contra: um por questões processuais e os outros por preocupações sobre o impacto do projeto no déficit orçamentário federal. No mesmo dia, Trump fez um apelo aos colegas de partido: "Parem de falar e ajam logo", disparou. ** Com AFP **
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