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Trump anuncia suspensão das novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses


A expectativa é que Carney e Trump firmem um acordo nas próximas horas
A expectativa é que Carney e Trump firmem um acordo nas próximas horas

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira, 18, a suspensão por três dias das novas tarifas de 50% sobre determinados produtos canadenses, após, segundo o presidente, Washington e Ottawa terem chegado a um acordo de última hora. O anúncio veio após conversas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, horas antes de as tarifas entrarem em vigor nesta quarta-feira.


"Suspendi as tarifas de 50% contra o Canadá [...] por um período de três dias, com base no fato de que o Canadá e os Estados Unidos, sujeitos à finalização dos documentos, chegaram a um ACORDO!", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.


O Escritório do Representante Comercial dos EUA garante que o acordo entre Washington e Ottawa busca "incluir amplo acesso ao mercado para todos os produtos americanos, compromissos com a segurança econômica e alinhamento no comércio digital", entre outras medidas.


Em comunicado, Trump acrescentou que a suspensão ocorreu porque "o Canadá expressou seu compromisso de eliminar a discriminação ou imposições injustificadas e desiguais em questão". No entanto, o primeiro-ministro Carney declarou nesta terça-feira que, apesar do "progresso significativo", ainda há "trabalho importante a ser feito" e confirmou a suspensão das tarifas "até 21 de agosto".


As tarifas planejadas por Trump afetam aproximadamente 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos, no valor de cerca de US$ 20 bilhões, segundo estimativas da Oxford Economics. A organização observou em relatório recente que as tarifas "afetarão mais severamente o setor manufatureiro do Canadá Central", incluindo produtos de papel, impressão, madeira, vestuário e equipamentos eletrônicos.


'Tratamento discriminatório'

No mês passado, Trump ordenou a imposição de tarifas de 50% sobre diversos produtos canadenses, alegando "tratamento discriminatório" de produtos americanos como álcool, automóveis e laticínios. As tarifas americanas sobre o Canadá se aplicariam a produtos tão diversos quanto vinho, tacos de hóquei e até cimento.


O enviado comercial de Trump, Jamieson Greer, afirmou anteriormente que as tarifas tinham como objetivo "responsabilizar o Canadá" por suas medidas retaliatórias contra os Estados Unidos. Segundo Greer, as províncias canadenses removeram os produtos alcoólicos americanos de suas tarifas e "proporcionaram melhor acesso ao mercado para produtos lácteos da União Europeia", entre outras medidas.


Os negociadores canadenses têm pressionado por um acordo que evite as novas tarifas e também ofereça alívio das taxas setoriais de Trump sobre indústrias como siderúrgica, madeireira, de alumínio e automotiva.


"Não é incomum que uma negociação comercial se estenda até o último minuto", observa Christopher Padilla, ex-funcionário comercial americano.


Padilla destaca que o governo Trump ameaçou impor novas tarifas para tentar obter concessões antecipadas do Canadá, membro, juntamente com o México, do acordo de livre comércio USMCA, após Washington anunciar em 1º de julho que não o renovaria.


Sem entrar em detalhes, Trump também afirmou em sua conta no Truth Social que "o grande oleoduto Keystone XL, há muito tempo morto pelo Joe Biden, pode ressurgir das cinzas!". O duto liga Alberta, no Canadá, até o estado do Nebraska, nos Estados Unidos.


O presidente americano já havia defendido a reativação desse projeto controverso, rejeitado por ambientalistas e bloqueado durante o governo de seu sucessor democrata.


** Com AFP **



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