Maioria dos americanos acredita que Trump obteve lucros indevidos desde que voltou ao poder

WASHINGTON - A maioria dos americanos acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua família lucraram indevidamente com criptomoedas desde que ele voltou ao poder e que suas decisões políticas são influenciadas por seus negócios particulares, segundo revelou uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.
As entrevistas, realizadas ao longo de quatro dias e concluídas na segunda-feira, 18, revelam que metade dos republicanos, partidários de Trump, admite que o presidente permite que seus interesses comerciais influenciem suas decisões — uma constatação surpreendente para um líder que prometeu acabar com a corrupção em Washington.
Trump nasceu em uma família do ramo imobiliário de Nova York e transformou seu nome em uma marca reconhecida mundialmente antes de concorrer à Casa Branca. Ele faturou mais de US$1,4 bilhão no ano passado com os empreendimentos de criptomoedas de sua família, incluindo a World Liberty Financial e a "meme coin" de Trump, ativos digitais que ele defendeu publicamente.
Em março de 2025, dois meses após o início de seu segundo mandato, o republicano chamou a atenção nas redes sociais para sua moeda criptográfica com sua própria marca, descrevendo-a como a "Melhor de todas!!!!!!!!!!!!!!!!".
Cerca de 63% dos entrevistados afirmam que é inadequado que Trump e sua família tenham lucrado dessa forma, enquanto 32% consideram adequado e o restante não respondeu à pergunta. Cerca de três em cada dez entrevistados republicanos avaliam os negócios inadequados, enquanto sete em cada dez afirmam ser adequados.
Trump afirma que não tem tido nenhum papel no dia a dia dos negócios de sua família desde que voltou à Presidência e que seus investimentos são administrados de forma independente. Mas ele tem adotado políticas favoráveis às criptomoedas em seu segundo mandato, após ter buscado financiamento por meio de moedas digitais durante a campanha eleitoral.
A Casa Branca rejeitou quaisquer alegações de impropriedade, confirmando que os investimentos de Trump são administrados por instituições financeiras independentes.
"Não há conflitos de interesse", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado. "O presidente age apenas no melhor interesse do público americano."
No entanto, especialistas em ética presidencial consideraram a atual confluência entre negócios e política na Casa Branca algo sem precedentes.
"Nunca vimos nada parecido antes; nem mesmo o primeiro governo Trump tinha tantos interesses empresariais complexos quanto agora", analisa Richard Painter, principal advogado de ética do presidente republicano George W. Bush.
** Com Reuters **

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