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Brasileira fica detida no ICE após noivo acionar serviço de emergência em Malden

há 22 horas
2 min de leitura

Incidente aconteceu dias após Iara sofrer um aborto
Incidente aconteceu dias após Iara sofrer um aborto

MALDEN - A brasileira Iara do Carmo Santana, de 29 anos, passou cinco dias sob a custódia do ICE após seu noivo acionar o serviço de emergência durante uma crise de saúde mental decorrente de um aborto. O pedido de ajuda virou um pesadelo para a família de Malden, Massachusetts, revelando brechas no sistema capazes de ampliar a vunerabilidade dos imigrantes.


Gabriel Lemos, de 31 anos, ligou para o 911 no dia 3 de setembro buscando socorro para a mulher. Mas, ao invés de ser encaminhada para atendimento médico, Iara acabou presa acusada de agredir seu companheiro. O casal nega que o crime tenha ocorrido.


A capixaba, mãe de um menino de seis anos, ficou detida por cerca de seis horas na delegacia de Malden até os agentes do ICE conseguirem a sua custódia. Segundo as leis municipal e estadual, os policiais não podem manter um imigrante preso ou colaborar com a agência federal em casos civis.


Mas Iara foi indiciada por violência doméstica e essas informações são colocadas também em um banco de dados da polícia federal ao qual o ICE tem acesso.


O advogado de Iara, Todd Pomerleau, contesta a versão de violência doméstica e cita que o episódio real não justificaria a prisão. Segundo ele, Gabriel, que tem o green card desde 2024, havia acionado o serviço de emergência com o objetivo de conseguir atendimento para a companheira.


Sem tratamento


Após ser transferida para um centro de processamento do ICE em Burlington, Iara afirmou ao jornal The Boston Globe não ter recebido os cuidados médicos de que precisava.


Ela estava grávida de seis semanas e três dias quando descobriu, em agosto, que o feto havia perdido os batimentos cardíacos. A brasileira precisou passar por um procedimento para a evacuação do útero e deveria continuar o tratamento com medicamentos.


Sem os remédios, Iara afirma que desenvolveu uma infecção e passou a ter dificuldades para se movimentar. Ela também relata ter dormido no chão durante o período em que ficou detida.


Em 8 de setembro, o juiz Leo T. Sorokin liberou a brasileira. Na decisão, o magistrado destacou que a mulher não poderia ter sido privada da medicação.


Agora, ela responde em liberdade pela acusação de agressão contra o noivo e aguarda uma definição sobre sua situação migratória no país.


Iara entrou nos Estados Unidos em 2021 pela fronteira com o México e, posteriormente, recebeu autorização de trabalho e tem uma audiência relacionada ao pedido de asilo marcada para 2029.


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