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Trump volta a questionar eleições de 2020 durante pronunciamento em rede nacional


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou em discurso à nação nesta quinta-feira, 16, supostas fragilidades no sistema eleitoral americano e alegou que sua derrota 2020 pode ter sido consequência de "roubos e fraudes" no sistema.


O republicano acusou a China de comprometer dados das eleições americanas, afirmando que tornaria públicas informações de inteligência sobre “vulnerabilidades chocantes” no curso do pleito — intensificando, assim, alegações infundadas feitas há anos de que sua derrota para o democrata Joe Biden teria sido causada por fraude generalizada.


“Ao longo de vários anos, começando durante o ciclo eleitoral de 2020, a República Popular da China realizou o que se acredita ser a maior violação de dados eleitorais da história, resultando na obtenção ilícita, por parte da China, de registros de 220 milhões de eleitores americanos”, disse o presidente em um pronunciamento transmitido em horário nobre pela televisão, a partir da Casa Branca.


Mais de 60 ações judiciais movidas por Trump e seus aliados não resultaram em nenhuma decisão que comprovasse crimes capazes de alterar o resultado da eleição de 2020; da mesma forma, recontagens, auditorias e o próprio Departamento de Justiça não encontraram evidências de irregularidades.


Trump afirmou ainda que estaria divulgando documentos anteriormente classificados relacionados às eleições de 2020 e de 2018. Ele disse que todos os americanos deveriam ter a garantia de que suas eleições são livres de fraudes e interferências. “Infelizmente, o sistema que temos hoje está catastroficamente aquém desse padrão”, declarou Trump.


O presidente disse que os documentos tratam da capacidade de países adversários de alterar votos. No entanto, segundo o New York Times, o documento ao qual ele se refere diz que, embora esses países possam invadir eleições locais, eles não têm a capacidade de alterar os resultados. Essa é a avaliação de longa data das agências de inteligência dos EUA: a natureza hiperlocal das eleições é a melhor defesa contra ataques cibernéticos estrangeiros.


O jornal americano também aponta que os documentos divulgados pela Casa Branca, embora com muitas partes censuradas, são mais cautelosos em relação à China. Eles sugerem que há evidências de uma tentativa de influência pró-China e que o governo chinês desconfiava do presidente Trump. Mas essa visão era minoritária dentro das agências de inteligência, e os oficiais de inteligência disseram ter apenas baixa ou média confiança em suas avaliações.


A imprensa americana havia adiantado que o discurso iria abordar temas envolvendo as eleições, indicando que o republicano poderia voltar a defender teorias conspiratórias sobre sua derrota para Joe Biden em 2020, que já foram desmentidas.


O discurso ocorreu em meio à intensificação dos apelos de Trump para que os republicanos aprovem regras federais mais rígidas para as eleições antes do pleito legislativo de novembro.


Transmissão

Antes do discurso, algumas das principais redes de televisão dos EUA mostraram-se relutantes em transmiti-lo. A ABC informou à AFP que não o exibiria, a NBC e a CNN também não, segundo a imprensa - a CBS optou pela transmissão.


“O presidente Trump fará um discurso importante à nação sobre a proteção da integridade das nossas eleições, e incentivamos todos os americanos a que o vejam”, disse a jornalistas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.


Trump defendeu nesta quinta a cassação das licenças de transmissão das emissoras que se recusaram a transmitir ao vivo o seu discurso, insinuando, sem provas, que elas estão envolvidas em tentativas de manipular as eleições.


“Elas e outros veículos de mídia fazem parte de uma conspiração. Uma fraude como essa deveria resultar na revogação de suas licenças. Elas usam nossas frequências públicas — avaliadas em bilhões de dólares — sem pagar absolutamente nada. Não pagam nada”, disse ele, citando nominalmente a ABC e a NBC.


** Da Redação **


 
 
 

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