Pastora segue presa pelo ICE e nega envolvimento em fraude
- Rádio Manchete USA

- 30 de mar.
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ORLANDO - Em silêncio há duas semanas, a pastora Verbênia de Souza segue presa na Flórida sob custódia do ICE, após ser acusada de fazer parte do esquema de fraudar selos do governo para vender cursos de capelania.
A brasileira chegou a gravar um áudio de um centro de detenção afirmando ser inocente. O conteúdo foi publicado em sua página do Instagram na segunda-feira, 16, dia seguinte à sua prisão .
A pastora diz não saber "exatamente o que está fazendo na cadeia nem as coisas que estão por trás disso".
"Quando me prenderam apenas me disseram que era porque eu fiz negócios com o senhor Santos. Mas eu nunca fiz negócio com ele. Eu já contei essa história milhões de vezes", se defende.
Verbênia se refere a Cesar dos Santos Júnior preso dias antes em consequência de uma investigação que revelou que a Chaplain Emergency Management Inc. (CEMA), presidida pelo brasileiro, mentia ao afirmar quer era ligada a órgãos federais.
Além de alegar ser um braço da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema, na sigla em inglês), a CEMA usava selos do Departamento de Segurança Interna (DHS) e da Polícia Federal (FBI) para vender os serviços de formação de capelães ao custo médio de US$ 450. O inquérito não contabiliza quantas pessoas compraram o curso de capelania.
Santos, que se identificava como médico e pastor, era investigado desde 2019 e usava as logomarcas dos órgãos federais nos certificados, distintivos e identificações dos capelães em todo o país.
O símbolo da CEMA é idêntico ao DHS, com a inscrição Departamento de Segurança Interna dos Capelães dos EUA (U.S. Department of Homeland Chaplain), descreve a acusação do promotor federal, Gregory Kehoe.
No material publicitário e nos treinamentos - destaca a investigação - Santos dizia que os capelães assistem pessoas em situação de emergência e as identificações da CEMA "protegem em certo nível da deportação".
Defesa
Verbênia afirma que desconhecia o esquema e que conheceu Santos através de outros pastores há menos de um ano. Segundo a mulher, o homem estava procurando um lugar na Flórida para dar o curso de capelania e ela cedeu o espaço da Fire & Glory Church, igreja que preside em Orlando.
Mas em 16 de outubro o falso capelão gravou um áudio em que apresentava Verbênia como “diretora da CEMA na Flórida”. Ela diz ter replicado o material por acreditar na legitimidade da agência.
No mês seguinte, a pastora concedeu o título honoris causa a Santos através da Sofia Christian University, instituição também comandada por Verbênia.
Em 20 de dezembro foi realizado um curso da CEMA nas dependências da igreja da pastora. Um segundo evento ia acontecer no dia 21 de fevereiro, mas foi cancelado pela ausência de Santos que já estava detido.
Em 28 de fevereiro, dia seguinte ao anúncio da prisão do falso capelão pelas autoridades, Verbênia emitiu uma declaração de que não mantinha qualquer vínculo com Santos nem com a sua empresa. "Enquanto comunidade cristã, consideramos que fomos lesados e tremendamente impactados por essa situação e prezamos pela legalidade, transparência e respeito às autoridades", diz a nota.
Verbênia declarou que "jamais ministrou aulas ou atuou como instrutora nos cursos da CEMA". Ela também negou ter administrado valores monetários, comercializado produtos ou auferido vantagem econômica das atividades da empresa.
A MANCHETE USA tentou contato atráves da página do Instagram da pastora onde foi publicada o áudio pós-prisão e com o pastor Célio Cruz, marido de Verbênia, mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria.
Entretanto, em um vídeo publicado em sua rede social na sexta-feira, 27, o pastor Célio fala do "momento difícil" sem mencionar o aspecto legal. Ele diz que a família está sendo vítima de injustiça, agradece o apoio que está recebendo e afirma que segue crendo em Deus. "Nesse momento eu estou necessitando de suas orações. Minha esposa está necessitada de suas orações", finaliza.
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