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NYC vota proibição de passeios de carruagem no Central Park

há 7 horas
3 min de leitura

Fim dos passeios deve acontecer de forma progressiva nos próximos dois anos
Fim dos passeios deve acontecer de forma progressiva nos próximos dois anos

NOVA YORK - A cidade de Nova York pretende proibir passeios de carruagem puxada por cavalos no Central Park. O projeto de lei deve ser votado na Câmara Municipal na próxima semana e prevê o encerramento progressivo da atividade em até dois anos.


A iniciativa encerra uma tradição de mais de 150 anos, após décadas de pressão de defensores dos animais e a morte de um turista de 18 anos em junho deste ano.


Três prefeitos consecutivos já haviam defendido a proibição por preocupações com a segurança, mas não conseguiram aprovar a medida.


Uma porta-voz de Julie Menin, presidente do Câmara Municipal, afirma que proposta tem apoio suficiente para ser aprovada após um acordo com o prefeito Zohran Mamdani sobre o assunto.


"A indústria de carruagens puxadas por cavalos está chegando ao fim em Nova York", escreveu Mamdani nas redes sociais.


Morte de turista

A nova tentativa de proibir os passeios começou em junho, quando o indiano Romanch Mahajan, de 18 anos, morreu após pular de uma carruagem desgovernada durante um passeio com familiares.


Segundo relatos, o cavalo disparou e a mãe do jovem foi arremessada do assento. Mahajan teria pulado para tentar ajudá-la. A morte aparentemente foi a primeira fatalidade registrada em um acidente com carruagens puxadas por cavalos desde a introdução dos passeios no Central Park.


A tragédia reacendeu o debate sobre a permanência da atividade em uma cidade movimentada. A família do jovem compareceu a reuniões na prefeitura e participou de audiências por videoconferência da Índia para pedir o fim dos passeios.


"Estamos devastados. Toda a nossa família está devastada. A dor não passa", disse o pai do jovem, Deepak Mahajan, a integrantes do Conselho Municipal durante uma audiência sobre o projeto, no verão do Hemisfério Norte.


Críticas

Por décadas, defensores dos animais e outros críticos afirmam que os cavalos não deveriam transportar turistas pelas ruas movimentadas e pelo Central Park, onde precisam enfrentar o trânsito e a circulação de pedestres.


Ao longo dos anos, animais desmaiaram, se assustaram e fugiram, atingindo carros e outros objetos. Os acidentes alimentaram pedidos para que a atividade fosse proibida.


"A morte trágica e evitável de Romanch Mahajan, de 18 anos, deixou claro que a situação atual não é mais aceitável", afirmou Menin em comunicado. A vereadora avalia que o aumento do movimento no parque transformou a tradição em um risco crescente à segurança pública.


A indústria e seus apoiadores, por outro lado, defendem que os passeios permitem aos visitantes conhecer uma viagem tradicional de Nova York, retratada em filmes e séries de televisão.


As carruagens aparecem em produções como The Band Wagon, Descalços no Parque e Esqueceram de Mim 2 — Perdido em Nova York.


"Fazer um passeio de carruagem em Nova York é uma das experiências mais emblemáticas da cidade. Pessoas do mundo inteiro nos conhecem e viajam para cá para fazer esse passeio", afirmou Conor McHugh, condutor de carruagens há vários anos, durante uma audiência na Câmara de Vereadores.


As tentativas anteriores de encerrar a atividade enfrentaram resistência de sindicatos e apoiadores do setor. Parte da oposição se concentra no futuro dos condutores e dos cavalos caso os passeios sejam proibidos.


Ele também acusou Menin de usar a morte do turista para criar uma crise de segurança pública e criticou Mamdani por apoiar a proposta.


Transição

O texto prevê que a prefeitura desenvolva um plano de transição profissional para os condutores e permite avaliar formas de compensação financeira para trabalhadores do setor. O projeto também proíbe que os proprietários vendam os cavalos para abate e exige que os animais recebam destinação humanitária.


"Temos a responsabilidade cívica de garantir que ninguém fique desamparado", afirmou Mamdani a jornalistas na quarta-feira (14).


O antecessor de Mamdani, Eric Adams, defendeu o fim dos passeios nos últimos dias de seu mandato, mas a proposta não avançou. Antes dele, Bill de Blasio prometeu acabar com a atividade logo no primeiro dia de governo, mas recuou diante da resistência dos sindicatos e de uma campanha pública que contou com o ator Liam Neeson.


Atualmente, a cidade impõe regras para reduzir os riscos à segurança e proteger os animais. Os cavalos devem ter pelo menos cinco semanas de descanso por ano fora dos limites de Nova York, com acesso diário a pastagens.


Os animais também passam por exames veterinários duas vezes por ano. Eles podem trabalhar até os 26 anos e são impedidos de puxar carruagens quando a temperatura supera 31,7 °C.


** Com AP **


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