Mulher que matou três filhos volta ao tribunal e defesa tenta impedir novo julgamento

BOSTON - Lindsay Clancy sentou mais uma vez nesta terça-feira, 29, no banco dos réus em uma Corte em Massachusetts, enquanto seus advogados tentavam evitar um novo julgamento, pedindo que um juiz declarasse a mulher inocente das acusações de matar os três filhos em 2023.
O juiz William Sullivan, de Plymouth, analisou a questão após o julgamento em 4 de setembro. Um dos 12 jurados impediu que o grupo chegasse a um veredicto unânime sobre a condenação ou a inocência de Lindsay por motivo de insanidade.
O gabinete do promotor público do condado de Plymouth, Timothy Cruz, não se manifestou nas semanas seguintes sobre a possibilidade de levar mulher de 36 anos novamente ao tribunal por acusações de assassinato em primeiro grau, que podem resultar em prisão perpétua.
Não houve contestação, durante o julgamento, de que Lindsay estrangulou os três filhos com faixas de exercício em 24 de janeiro de 2023, no porão da casa da família, em Duxbury, subúrbio de Boston. Em seguida, ela se cortou com uma faca e pulou da janela do segundo andar, numa tentativa de se matar. O salto a deixou paralisada.
O advogado de defesa Kevin Reddington sustenta que Lindsay não compreendia que seus atos eram errados e que ela sofria de psicose pós-parto quando matou Cora, 5, Dawson, 3, e Callan, 8 meses.
Na audiência desta terça, o advogado afirmou a Sullivan que havia uma "total e completa falta de provas" de que Lindsay matou os filhos sabendo que o que fazia era errado.
Segundo ele, pessoas sem formação jurídica têm dificuldade para entender como alguém pode admitir a prática de um ato e, ao mesmo tempo, não ser considerada criminalmente responsável por ele. Essa dificuldade, afirmou, levou parte do público a chamar Lindsay de "demônio" e a pedir sua execução.
"Isso está vindo de políticos, desde o presidente Trump", disse Reddington.
Vários jurados afirmaram em entrevistas televisionadas que estavam preparados para considerar Lindsay inocente por motivo de insanidade, não fosse a oposição de um único jurado. Em Massachusetts, essa condição é tratada como ausência de responsabilidade criminal.
Se fosse considerada inocente com base nesses fundamentos, ela seria internada em um hospital psiquiátrico estadual para avaliação. Sua internação ficaria então sujeita a revisões periódicas pelo tribunal.
Os promotores têm várias opções, incluindo tentar chegar a um acordo judicial ou realizar um novo julgamento de Lindsat por acusações menos graves de assassinato em segundo grau. Nesse caso, ela teria a opção de abrir mão de um julgamento por júri e ser julgada diretamente por um juiz.
Os advogados de Lindsay apresentaram uma série de pedidos ao tribunal para impedir um novo julgamento. Eles pedem que Sullivan a declare inocente e proíba uma nova ação judicial, sob o argumento de que não havia motivo para anular o primeiro julgamento.
Para a defesa, um novo processo violaria o direito da acusada de não ser julgada duas vezes pelo mesmo crime, princípio conhecido como double jeopardy.
A defesa afirma que os jurados deixaram claro, em bilhetes enviados ao juiz, que o jurado dissidente se recusava a seguir as instruções do tribunal sobre o padrão de prova necessário para condenar alguém. Os advogados argumentam que ele deveria ter sido dispensado, em vez de permitir que o julgamento terminasse sem veredicto.
Reddington pediu autorização para consultar registros normalmente confidenciais relacionados ao júri e ao jurado dissidente. Querem ainda interrogá-lo sobre declarações feitas durante a seleção dos jurados e sobre o uso de seu celular.
Sullivan disse que analisará esses e outros pedidos em uma audiência marcada para 2 de novembro.
O advogado do jurado dissidente, Edward Paltzik, afirmou à Fox News, em entrevista exibida na segunda-feira, que seu cliente, Michael Desronvil, "não tinha nenhuma dúvida" e "aplicou rigorosamente o padrão de dúvida razoável".
** Com Reuters**

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