Brasileiro preso pelo ICE pode não ter ligação com PCC e CV
- Rádio Manchete USA

- 16 de jun.
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NOVA YORK - Autoridades americanas disseram na segunda-feira, 15, que o ICE prendeu na Carolina do Norte o brasileiro Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como ‘Don’, e que ele teria sido comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Mas investigadores e órgãos de inteligência do Brasil consultados pela MANCHETE USA desconhecem a ligação de Aquilla com as facções.
A prisão do brasileiro aconteceu em 5 de junho - mesmo dia em que os Estados Unidos passaram a considerar as duas facções rivais como grupos terroristas - na Carolina do Norte, após uma perseguição. Em seu carro foram apreendidos vários aparelhos de celular e uma pistola 9mm. O ICE acredita que Aquilla estivesse tentando uma fuga para o México.
Mas as autoridades americanas podem estar cometendo um equívoco grave. Segundo o sociólogo Gabriel Feltran, diretor de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e professor titular da Sciences Po, em Paris, já não é possível falar em chefes ou líderes das organizações criminosas modernas.
“As facções se organizam de uma maneira que existem posições ocupadas por pessoas que têm responsabilidades com os grupos, mas que não necessariamente mandam neles”, afirma Feltran.
Os EUA disseram que havia um mandado internacional emitido pelo Brasil por acusações de associação criminosa e extorsão. No sistema judicial brasileiro há duas ordens nacionais de prisão — por coação no curso do processo e extorsão agravada.
A FUGA
O Departamento de Segurança Interna (DHS) disse que informações da polícia indicavam que Aquilla mantinha a própria esposa em cárcere privado enquanto se preparava para fugir para o México.
Segundo comunicado divulgado pelo DHS, Aquilla tentou fugir da abordagem policial em seu veículo, dando início a uma perseguição que terminou com ele colidindo com outros carros parados.

"Ele então tentou fugir a pé, mas foi preso logo em seguida. Uma busca em seu veículo resultou na apreensão de diversos celulares, laptops, dinheiro e uma pistola 9mm. Durante um interrogatório, a esposa de Aquilla confirmou que havia sido mantida em cárcere privado", diz a nota.
MANDADOS NO BRASIL
Aquilla possui dois mandados nacionais de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça, ambos expedidos pela 3ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Um deles é de 2019 para prisão preventiva por coação no curso de processo. O outro, de 2024, é por extorsão agravada — crime para o qual foi condenado em primeira instância a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado. Crime de extorsão é obrigar alguém, com ameaça ou violência, a entregar dinheiro ou vantagem indevida.
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