Governo Trump planeja admitir principalmente afrikaners sob nova proposta para refugiados

WASHINGTON - A administração Trump planeja estabelecer um teto de admissão de refugiados de 17.500 nos próximos 12 meses, composto "principalmente" por sul-africanos pertencentes à minoria étnica branca dos afrikaners, de acordo com um comunicado enviado ao Congresso nesta terça-feira, 22.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alega que os afrikaners enfrentam perseguição por motivos raciais nesse país de maioria negra, alegações que o governo sul-africano nega.
O republicano suspendeu todas as admissões de refugiados nos EUA quando assumiu o cargo em janeiro de 2025, afirmando que elas só seriam retomadas se fosse do interesse do país. Semanas depois, ele começou uma iniciativa para trazer afrikaners, o que gerou críticas de defensores de imigrantes, que condenaram a exclusão de pessoas de outras nacionalidades que fogem da perseguição e da violência.
O comunicado enviado pelo Departamento de Estado a autoridades do Congresso "prevê que os afrikaners da África do Sul se assimilarão plenamente aos Estados Unidos de uma forma que preserve os recursos dos contribuintes para os cidadãos americanos".
O reassentamento dentro do limite proposto deve custar aproximadamente US$500 milhões, segundo o texto.
Todas, exceto três, das quase 3 mil pessoas admitidas como refugiadas no atual ano fiscal, que termina em 30 de setembro de 2026, eram sul-africanas, de acordo com dados do Departamento de Estado até agosto.
No ano fiscal de 2024, em contrapartida, o governo Biden acolheu mais de 100 mil imigrantes de dezenas de países.
"Um programa de refugiados que privilegia um grupo e deixa todos os outros de lado é uma renúncia à nossa liderança humanitária global e um abandono de milhares de famílias vulneráveis", afirmou Krish O'Mara Vignarajah, presidente da Global Refuge, em comunicado.
** Com Reuters **

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