EUA e Irã anunciam acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
- Rádio Manchete USA

- há 5 horas
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WASHINGTON - Estados Unidos e Irã chegaram neste domingo, 14, a um acordo de cessar-fogo, segundo o presidente americano, Donald Trump, e o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, um dos mediadores. A trégua abre caminho para novas negociações que podem, em última instância, encerrar definitivamente a guerra que já dura três meses e meio, matou milhares de pessoas e abalou a economia global.
"O acordo com o Irã foi concluído. Parabéns a todos!", escreveu Trump, nas redes sociais. O regime iraniano não se pronunciou oficialmente, mas confirmou que o general Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, e o chanceler Abbas Araghchi viajarão para Genebra para assinar o acordo. A TV estatal Irib adotou um tom triunfal. "Os EUA foram forçados a aceitar o fim da guerra", declarou a voz oficial de Teerã.
Sharif, peça fundamental nas negociações, confirmou nas redes sociais que uma "cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira (dia 19), na Suíça". Ele não disse se o acordo havia sido assinado eletronicamente, como esperado.
Segundo Trump, o acordo reabre o Estreito de Ormuz sem pedágios a partir de sexta-feira. O presidente disse ainda ter autorizado "a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA" aos portos iranianos. "Navios do mundo, liguem seus motores", escreveu. "Deixem o petróleo fluir!"
O texto completo do acordo não foi divulgado, mas a publicação de Trump estava alinhada com o que autoridades americanas e iranianas haviam declarado anteriormente. Os termos incluem um cessar-fogo de 60 dias, que seriam seguidos de novas negociações para um tratado definitivo.
Após o anúncio, ambos os lados procuraram apresentar o acerto como uma vitória diplomática. Algumas das questões mais espinhosas, no entanto, incluindo o destino do programa nuclear iraniano e o alívio das sanções americanas, permanecem sem solução e foram adiadas para serem debatidas durante a nova rodada de negociações.
Em risco
A assinatura - que Trump havia prometido para domingo, dia do seu aniversário de 80 anos - pareceu estar em risco no início do dia. Israel, que está extremamente descontente com os termos negociados, bombardeou os subúrbios de Beirute, matando três pessoas.
Os ataques foram em retaliação a disparos de foguetes e drones do Hezbollah, grupo militante libanês apoiado pelo Irã. Os ataques irritaram Trump. Ele disse que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não demonstrou "nenhum bom senso" ao ordenar a operação. "Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar", escreveu Trump nas redes sociais.
O fogo cruzado ameaçou o acordo. Algumas figuras centrais do regime iraniano prometeram uma resposta e disseram que os EUA eram responsáveis pelo fracasso da diplomacia, caso não conseguissem conter Israel. No entanto, uma série de negociações de última hora, lideradas pelo Catar, amenizou as tensões, e o acordo final foi fechado no início da madrugada em Teerã.
Obstáculos
A questão mais complicada, o futuro do programa nuclear iraniano, ainda parece sem solução, uma vez nenhum dos lados demonstrou disposição para ceder. Negociadores haviam afirmado que americanos e iranianos realizariam negociações detalhadas sobre o tema e sobre a suspensão das sanções americanas contra o Irã nos próximos 60 dias.
O Líbano é outro obstáculo. O Irã exige que qualquer acordo de paz definitivo obrigue Israel a encerrar seus ataques contra o Hezbollah, que já mataram mais de 3,5 mil pessoas, e querem que as forças armadas israelenses se retirem do território libanês ocupado.
Israel, que não esteve diretamente envolvido nas negociações entre EUA e Irã, afirmou que continuaria a atacar o Líbano se o Hezbollah atingisse seu território.
No domingo, segundo reportagem do Channel 12, de Israel, assessores de Netanyahu ficaram atônitos com as críticas de Trump. Analistas citados pela emissora americana Fox News temem que o premiê israelense sabote o acordo entre EUA e Irã ao continuar atacando o Líbano.
** Com AE **
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