Casos de sarampo atingem nível mais alto em 35 anos nos EUA

WASHINGTON - Até a última terça-feira, os Estados Unidos registraram 2.295 casos de sarampo, mostram dados do U.S. Measles Tracker, monitoramento da Universidade John Hopkins. O número leva 2026 a ultrapassar, em pouco mais de seis meses, as 2.289 infecções notificadas em todo o ano de 2025. Além disso, faz com que o ano atual bata o recorde de mais infecções em 35 anos com o maior número de casos desde 1991.
O cenário tem preocupado as autoridades de saúde. Especialistas afirmam que o país deve perder o certificado de eliminação do sarampo, obtido em 2000 após os EUA não registrarem surtos ativos do vírus por mais de 12 meses.
A Região das Américas, que tinha sido a primeira a obter o status no mundo, perdeu o certificado no ano passado, quando o Canadá voltou a registrar transmissão endêmica do patógeno. Agora, EUA e México também serão reavaliados.
“Independentemente do que for determinado sobre o status de eliminação do sarampo no país, a realidade é que os Estados Unidos têm mais casos de sarampo neste ano do que tiveram em décadas. Devemos nos concentrar em melhorar o acesso à vacina contra o sarampo e aumentar a cobertura vacinal para interromper a disseminação da doença”, afirma o diretor-executivo do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da John Hopkins, William Moss, em comunicado.
Segundo Moss, foi a alta cobertura vacinal que proporcionou a eliminação do sarampo dos países, e é justamente a sua queda que tem levado à reintrodução do vírus pelo continente.
“A alta cobertura vacinal protegeu até mesmo aqueles que não foram vacinados ou que receberam vacinação incompleta devido à proteção coletiva, mantendo o sarampo sob controle nas últimas décadas. Mas, em comunidades com bolsões de indivíduos suscetíveis em uma ampla faixa etária, o sarampo conseguiu se estabelecer, infectando aqueles que são suscetíveis e se espalhando rapidamente”.
Praticamente todos os casos confirmados de sarampo nos EUA desde o início de 2025 (95%) ocorreram entre pessoas não vacinadas ou com imunização incompleta. Moss lembra que as vacinas “são extremamente seguras e eficazes” e “a melhor maneira de se proteger contra a doença.”
** Com Agências **

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