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Califórnia pode ser pioneiro na taxação dos super-ricos

há 13 horas
3 min de leitura

Governador democrata, Gavin Newsom, que está no fim de mandato se opõe à Proposição 40
Governador democrata, Gavin Newsom, que está no fim de mandato se opõe à Proposição 40

LOS ANGELES - A Califórnia concentra o maior número de ultrarricos por metros quadrados do mundo e pode virar o primeiro a criar uma taxa especial para essa população. Os eleitores vão decidir nas eleições de novembro sobre a Proposição 40 para instituir um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de todos os bilionários.


Se for aprovada, personalidades - como a magnata da mídia Oprah Winfrey, o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, Kim Kardashian, cofundadora da Skims e estrela de reality shows, e o cineasta George Lucas — vão ser obrigadas a desembolsar bilhões de dólares para financiar melhorias na área da saúde.


Há pouco mais de 200 pessoas nessa categoria no Estado, mas isso não impediu que a proposta dividisse lideranças e levasse alguns de seus moradores ultrarricos a deixar a região. Um empresário bilionário afirma ter gerado empregos na Califórnia, mas diz que a proposta o fez se sentir "um pouco como se eu não fosse bem-vindo".


A votação também está dando aos cidadãos comuns a oportunidade de se manifestar sobre uma questão que provoca turbulência na política há décadas.


"Eu acredito que este é o primeiro imposto sobre bilionários — ou seja, um imposto sobre o patrimônio direcionado a uma parcela extremamente restrita da distribuição de riqueza", afirma Francesco Trebbi, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele destaca o caráter histórico da medida e como ela poderia ajudar a reduzir a desigualdade patrimonial no estado.


A Califórnia tem a maior economia entre os Estados americanos e a quarta maior economia do mundo, superior às da Índia e do Reino Unido, além de abrigar uma das maiores concentrações de bilionários do planeta. Ao mesmo tempo, tem a maior proporção de pessoas em situação de rua dos Estados Unidos e uma das maiores desigualdades patrimoniais.


Os defensores da proposta argumentam que ela ajudaria a garantir que os ultrarricos contribuam com sua parcela justa de impostos e compensaria déficits no orçamento estadual. A iniciativa pretende arrecadar US$ 100 bilhões para compensar cortes no financiamento federal do sistema de saúde do estadual.


Suzanne Jimenez, chefe de gabinete do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços — Trabalhadores da Saúde Unidos do Oeste (SEIU-UHW), que ajudou a liderar a campanha pela iniciativa, afirma que a medida é uma "solução de curto prazo" para os grandes cortes de recursos federais que a Califórnia deverá enfrentar em consequência do abrangente pacote tributário e de gastos do presidente Donald Trump.


"Se não fizermos nada, veremos nosso sistema de saúde entrar em colapso enquanto buscamos uma solução de longo prazo para financiá-lo", afirma.


Embora a proposta tenha muitos apoiadores — incluindo alguns bilionários, como Jensen Huang, CEO da Nvidia —, ela enfrenta forte oposição de diferentes figuras, de bilionários ao governador liberal, Gavin Newsom.


Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia medidas eleitorais capazes de bloquear o imposto sobre o patrimônio, segundo o Los Angeles Times.


Newsom, que está chegando ao fim de seu mandato, é talvez a liderança política mais importante a se opor à proposta. Ele manifestou preocupação de que a medida leve os ricos a deixar o estado, provocando a perda de receitas essenciais provenientes do imposto de renda.


Uma pesquisa realizada em setembro pelo Instituto de Estudos Governamentais de Berkeley e pelo Los Angeles Times constatou que a proposta ainda não conquistou claramente a maioria dos eleitores: 45% dos eleitores com maior probabilidade de votar eram favoráveis ao imposto, 42% eram contrários e 13% estavam indecisos.


A medida, submetida à votação em todo o estado, precisará ser aprovada pela maioria dos eleitores.


A Califórnia não é o primeiro lugar a considerar a possibilidade de tributar os ricos. Também na costa oeste, os eleitores de Washington estão avaliando se aprovam ou rejeitam um "imposto sobre milionários": uma alíquota de 9,9% sobre rendimentos anuais superiores a US$ 1 milhão.


Se aprovada, a medida da Califórnia será aplicada retroativamente a pessoas com patrimônio líquido de pelo menos US$ 1 bilhão que residiam no estado em 1º de janeiro de 2026. Pelo menos seis dos mais de 200 bilionários teriam deixado o Estado antes dessa data para evitar o imposto.


Entre eles estão os cofundadores do Google Larry Page e Sergey Brin, o investidor de capital de risco Peter Thiel, o ex-CEO da Uber Travis Kalanick e Don Hankey, fundador do Hankey Group.


** Com Agências **


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