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Brasileiros estão entre 25 mil deportados pelos EUA a 35 países sob acordos secretos

há 1 dia
3 min de leitura

NOVA YORK - Os Estados Unidos deportaram pelo menos 25 mil imigrantes - entre eles cerca de 50 brasileiros - para países terceiros desde que o presidente Donald Trump Voltou à Casa Branca em janeiro de 2025 graças a acordos secretos — e milionários — do chamado “Escritório de Remigração”, revela uma investigação da Forbidden Stories, rede internacional de jornalismo investigativo.


Dados do Third Country Deportation Watch, ferramenta de monitoramento das ONGs Refugees International e Human Rights First, mostram que mais de 44 brasileiros foram enviados à Costa Rica e, ao menos um, para a Guiné Equatorial desde janeiro de 2025. O relatório também menciona o envio de nacionais para a Libéria, mas não especifica a quantidade.


Nessa estatística está o pernambucano Pietro Graza de Lima, de 57 anos, foi enviado da Flórida para a Guiné Equatorial após se recusar a desembarcar na Libéria no mês passado.


O governo Trump acelerou as deportações para países terceiros ao criar documentos não vinculativos chamados “Acordos Nacionais para Países Terceiros” (TCNA, na sigla em inglês), geridos pelo Escritório de Remigração. Mas convencer um governo estrangeiro a acolher deportados que não são seus pode custar milhões.


Em novembro do ano passado, Christian Jové Ehrhardt, funcionário de carreira do Departamento de Estado e recém-promovido como chefe do escritório, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores de Camarões, Felix Mbayu, para discutir “segurança, saúde e assistência humanitária”, segundo a Embaixada americana em Yaoundé, capital camaronesa. Mas o objetivo da viagem não era apenas esse. Segundo a investigação organizada pela Forbidden, conduzida ao longo de seis meses por 26 veículos de 15 países, ele pretendia negociar um acordo que permitisse aos EUA deportar pessoas sem qualquer vínculo com o país. E conseguiu.


Semanas depois, Washington aprovou um programa de assistência médica de cinco anos para Camarões, no valor de quase US$ 400 milhões. No dia 14 de janeiro, o primeiro avião com pessoas vindas dos EUA chegou àquele país.


Terceira nacionalidade

A Costa Rica também assinou o acordo não vinculativo que permite a deportação de 25 pessoas por semana. Em cinco meses, de acordo com a investigação, quase 400 pessoas foram transportadas de avião para o país. Os brasileiros são a terceira nacionalidade que os EUA mais enviam ao país, atrás de chineses e colombianos.


Os países fazem parte de um grupo de 35 Estados que concordaram em acolher os chamados “cidadãos de países terceiros”. Até o último dia de agosto, pelo menos 25.447 dessas pessoas haviam sido enviadas para 28 países, segundo o relatório.


No dia 20 de agosto, Pietro, que morava na Flórida, foi colocado em um voo com outras dezenas de imigrantes rumo à Libéria, onde ele se recusou a descer. Foi, então, enviado para a Guiné Equatorial com outros imigrantes de Cuba e Camarões. Ao chegar a Malabo, os deportados são mantidos no Hotel Bamy, pertencente à família do ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder há quase meio século.


O governo americano, que, de acordo com a investigação jornalística, destinou US$ 410 milhões para garantir acordos de deportação com países terceiros, não divulgou os números de deportados publicamente. Uma parte desse montante foi destinado a organizações internacionais de ajuda humanitária, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).


Procurado pela Forbidden, um porta-voz da Acnur afirmou que a agência “não faz parte desses acordos” e que qualquer financiamento dos EUA está sendo usado para “apoiar os sistemas de asilo” dos países. Já um representante da OIM disse que o envolvimento da organização com a assistência de deportados “não representa, de forma alguma, um endosso às decisões que levaram à deportação desses indivíduos”.


Veto na Justiça

Já a porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, disse que “os únicos imigrantes ilegais que vão para países terceiros são aqueles cujos países de origem não os aceitam, incluindo criminosos ou imigrantes que pediram para não serem deportados para seus países de origem”.


Na última sexta-feira, um tribunal federal de apelações determinou a suspensão das deportações e as classificou como “ilegais”. Os juízes concordaram de forma unânime com a decisão de um juiz de instância inferior, proferida em fevereiro, de que as ações violam os direitos ao não notificar os migrantes com antecedência e não lhes dar a oportunidade de contestação. O governo deve recorrer à Suprema Corte.



Nos próximos dias, Christian Ehrhardt e outros altos funcionários do Departamento de Estado vão se reunir com delegações da África e da América Latina às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, segundo o jornal americano Washington Post.


Um mapa da África do Escritório de Remigração mostra que, dos 54 países que compõem o continente, 49 foram contatados sobre deportações de cidadãos de países terceiros. Nove estariam com negociações em andamento.



 
 
 

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