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Sem liderança, brasileiros organizam greve pelas redes sociais


Movimento pede que imigrantes não trabalhem ou comprem por seis dias      Foto: Agência Brasil
Movimento pede que imigrantes não trabalhem ou comprem por seis dias Foto: Agência Brasil

BOSTON – "Ser ou não ser, eis a questão" frase emblemática de Hamlet, de William Shakespeare, descreve bem a proposta de alguns imigrantes de paralisar os trabalhos e consumo de estrangeiros nos Estados Unidos por seis dias, tentando provar a importância do grupo mais discriminado pela Casa Branca desde a posse em 20 de janeiro do presidente Donald Trump.


A ideia está tentando conquistar adeptos através das redes sociais num movimento mais perceptível em Massachusetts onde nas últimas semanas cresceram as apreensões feitas pelo ICE. A proposta é para tentar mostrar aos americanos a contribuição dos imigrantes para os Estados Unidos.


Um vídeo em inglês convoca para a Operação Silêncio, em que a partir de segunda-feira, 9, os imigrantes devem se tornar invisíveis aos olhos da sociedade, deixando de ir ao trabalho, escola e fazer compras. "Desaparecer para ser notado" é o lema.


Mas entre os brasileiros há discordâncias. Enquanto uns dizem que essa é a única maneira de chamar a atenção para a força do imigrante, outros questionam como irão pagar as contas se ficarem seis dias sem trabalhar. Donos de negócio também se dividem entre atender a clientela e proteger a sua mão de obra.


O Grupo Mulher Brasileira não está diretamente ligado ao movimento, mas compartilha as informações com a comunidade. "Não estamos organizando essa ação, mas acho muito bom o movimento partir do povo. É uma maneira de mostrar a força e resistir", diz Heloísa Galvão, diretora executiva da ONG.


O medo já trancou as pessoas dentro de casa. O relato de prisões a caminho do serviço, entre a casa e a escola e mesmo nos locais de trabalho transformaram tarefas diárias em um pesadelo. "Oro durante o trajeto e nem consigo mais dormir. Vi pessoas próximas sendo presas. Elas não mereciam, não tinham cometido crimes nem tinham carta de deportação. Vou parar, o dinheiro vai me fazer falta, mas é mais um esforço que estou fazendo para lutar contra essa realidade", diz R.V, pai de dois cidadãos americanos que vive há 10 anos nos EUA.


A falta de liderança, entretanto, pode diminuir o impacto da mobilização. Nas páginas das organizações pró-imigrantes não há nenhuma informação sobre a paralisação.


Este tipo de ação não é inédito. No dia 4 de fevereiro imigrantes tentaram realizar o movimento "Um Dia Sem Imigrantes". Embora algumas cidades, principalmente na Califórnia, tenham conquistado sucesso, a mensagem não atingiu Washington e não conseguiu lastro em outros estados. Uma outra tentativa em 9 de fevereiro, dia do Super Bowl, também não atingiu seu objetivo.


A greve dos imigrantes é arma proposta para reduzir o pânico gerado pelas políticas de imigração do governo Trump, que tem separado famílias e espalhado medo nas comunidades imigrantes.


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