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Presença de brasileiros no Congresso confronta discurso anti-imigrante de Trump


Marcelo acompanhou maior parte do discurso de Trump  no gabinete do deputado de Massachusetts
Marcelo acompanhou maior parte do discurso de Trump no gabinete do deputado de Massachusetts

WASHINGTON - Os brasileiros Marcelo Gomes da Silva e Caroline Dias Gonçalves acompanharam de perto o discurso do Estado da União nesta terça-feira, 24, a convite de parlamentares democratas, uma iniciativa para confrontar a retórica do governo federal de prender estrangeiros criminosos. Os dois foram presos pelo ICE em situações semelhantes, não têm passagem pela polícia e passaram a maior parte da vida nos Estados Unidos.


Enquanto o presidente Donald Trump disse que estava salvando o país de estrangeiros criminosos, o deputado Seth Moulton exaltou a coragem de Marcelo pela disposição de humanizar a situação. "Ele aceitou mostrar o rosto, mostrar quem são as pessoas que estão sendo perseguidas. Marcelo é um bom cidadão, um patriota", acrescentou o representante de Massachusetts.


O brasileiro deixou a galeria do plenário após o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) tuitar sobre a presença de Marcelo no Congresso, referindo-se a "um estrangeiro ilegal que está na mira da agência".


Após a postagem, a equipe de Moulton decidiu que seria mais seguro para o jovem assistir o evento do gabinete do deputado. "Conversamos com a advogada de Marcelo e ela disse que ele não corria risco uma vez que o processo dele tramita normalmente no sistema, mas não podemos confiar que essa administração vai seguir a lei", observou o democrata.


O brasileiro foi preso em maio do ano passado aos 18 anos quando dirigia o carro do pai a caminho do treino de vôlei na Milford High School, em Massachusetts. Ele ficou seis dias preso no QG do ICE em Burlington antes de ser solto sob fiança.


Na época, o ICE alegou que estavam tentando a captura do pai de Marcelo, mas nunca foram atrás do homem.


Marcelo chegou aos EUA aos 7 anos acompanhando os pais com visto de estudante. Ao expirar o F-1, a família deu entrada em um pedido de asilo que segue pendente.



Já Caroline Dias Gonçalves era a convidada do senador John Hickenlooper, do Colorado. A estudante de enfermagem da Universidade de Utah foi presa em junho após um policial rodoviário alertar agentes do ICE de que a jovem podia estar ilegal no país.


Senador  Hickenlooper apresenta Caroline horas antes do discurso

A universitária, então com 19 anos, ficou detida por 15 dias e denunciou os maus tratos na prisão.



Assim como Marcelo, a brasileira chegou ao país com 7 anos. Ao expirar o visto de turista, a família deu entrada em um processo de asilo que está sendo analisado pela Justiça de imigração.


Outros


Horas antes de Trump começar a falar, o DHS havia listado os dez convidados - entre imigrantes ilegais e parentes de estrangeiros detidos pelo ICE - de parlamentares democratas para o evento em uma mensagem contra as ações anti-imigrantes do republicano.


O líder da minoria no Senado, Charles Schumer, de Nova York, levou a mãe de Dylan Josue Lopez Contreras que entrou no país no fim da administração de Joe Biden e estava em um processo de asilo quando foi preso ao comparecer em uma audiência na Corte de Imigração. Contreras segue preso na Pensilvânia.


O deputado Robert Menendez Jr, de Nova Jersey, estava acompanhado de Monica Han Housen, sobrinha da colombiana Adriana Quiroz Zapata, uma solicitante de asilo que, segundo o processo, fugiu de um ex-parceiro violento e com "conexões políticas". Ela luta para não ser deportada.


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