Presença de brasileiros no Congresso confronta discurso anti-imigrante de Trump
- Rádio Manchete USA

- 26 de fev.
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WASHINGTON - Os brasileiros Marcelo Gomes da Silva e Caroline Dias Gonçalves acompanharam de perto o discurso do Estado da União nesta terça-feira, 24, a convite de parlamentares democratas, uma iniciativa para confrontar a retórica do governo federal de prender estrangeiros criminosos. Os dois foram presos pelo ICE em situações semelhantes, não têm passagem pela polícia e passaram a maior parte da vida nos Estados Unidos.
Enquanto o presidente Donald Trump disse que estava salvando o país de estrangeiros criminosos, o deputado Seth Moulton exaltou a coragem de Marcelo pela disposição de humanizar a situação. "Ele aceitou mostrar o rosto, mostrar quem são as pessoas que estão sendo perseguidas. Marcelo é um bom cidadão, um patriota", acrescentou o representante de Massachusetts.
O brasileiro deixou a galeria do plenário após o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) tuitar sobre a presença de Marcelo no Congresso, referindo-se a "um estrangeiro ilegal que está na mira da agência".

Após a postagem, a equipe de Moulton decidiu que seria mais seguro para o jovem assistir o evento do gabinete do deputado. "Conversamos com a advogada de Marcelo e ela disse que ele não corria risco uma vez que o processo dele tramita normalmente no sistema, mas não podemos confiar que essa administração vai seguir a lei", observou o democrata.
O brasileiro foi preso em maio do ano passado aos 18 anos quando dirigia o carro do pai a caminho do treino de vôlei na Milford High School, em Massachusetts. Ele ficou seis dias preso no QG do ICE em Burlington antes de ser solto sob fiança.
Na época, o ICE alegou que estavam tentando a captura do pai de Marcelo, mas nunca foram atrás do homem.
Marcelo chegou aos EUA aos 7 anos acompanhando os pais com visto de estudante. Ao expirar o F-1, a família deu entrada em um pedido de asilo que segue pendente.
Já Caroline Dias Gonçalves era a convidada do senador John Hickenlooper, do Colorado. A estudante de enfermagem da Universidade de Utah foi presa em junho após um policial rodoviário alertar agentes do ICE de que a jovem podia estar ilegal no país.
A universitária, então com 19 anos, ficou detida por 15 dias e denunciou os maus tratos na prisão.
Assim como Marcelo, a brasileira chegou ao país com 7 anos. Ao expirar o visto de turista, a família deu entrada em um processo de asilo que está sendo analisado pela Justiça de imigração.
Outros
Horas antes de Trump começar a falar, o DHS havia listado os dez convidados - entre imigrantes ilegais e parentes de estrangeiros detidos pelo ICE - de parlamentares democratas para o evento em uma mensagem contra as ações anti-imigrantes do republicano.
O líder da minoria no Senado, Charles Schumer, de Nova York, levou a mãe de Dylan Josue Lopez Contreras que entrou no país no fim da administração de Joe Biden e estava em um processo de asilo quando foi preso ao comparecer em uma audiência na Corte de Imigração. Contreras segue preso na Pensilvânia.
O deputado Robert Menendez Jr, de Nova Jersey, estava acompanhado de Monica Han Housen, sobrinha da colombiana Adriana Quiroz Zapata, uma solicitante de asilo que, segundo o processo, fugiu de um ex-parceiro violento e com "conexões políticas". Ela luta para não ser deportada.
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